Aliança de Sangue
26 Capítulo 25
Notas iniciais
O quarto era de tamanho descomunal e sua decoração digna, sublime. Intercalava as cores com branco e dourados, mas detinha detalhes laranja e azul, uma mistura de cores quentes, mas tinha tons frios para quebrar.
— Não vai dormir aqui? — A suave voz indagou. O dono da mesma encontrava-se sobre a imensa cama de lençóis pêssegos. O corpo delicado era envolto de um pijama de seda preto, o que destacava sua pele pálida, um conjunto perfeito para seus cabelos castanhos e olhos verdes puros.
— Não acho correto pequeno! Estarei no quarto ao lado, qualquer coisa é só chamar. — O rei dos vampiros ditou em pé perto da cama. Kárdia juntava todas as suas forças para não fraquejar. Poderia estar com outra aparência ou a voz ser mais suave, mas a aura e os gestos ainda eram de seu amado Dégel.
Tudo tinha acontecido muito rápido. O sequestro de Milo, e ao mesmo tempo descobriu que o loiro a quem tanto se afeiçoara era seu filho perdido e ainda seu esposo falecido tinha reencarnado justo no corpo de um jovem que era amigo de Milo.
— Mas... Se somos casados... – Tentou argumentar e se dando conta de algo perguntou — É por que estou assim? Não o atraio? — Shun indagou com os olhos úmidos. Se para Kárdia tudo era estranho, para ele era em dobro. Sabia que de alguma forma era diferente... Sua alma sempre clamou que algo faltava, e ainda tinha os sonhos estranhos que pareciam sempre tão vivos. Ainda estava assustado quando toda lembrança o tomou.
Não era como se fosse duas pessoas ao mesmo tempo, não... Era uma continuação de sua vida. Tudo que viveu, experimentou como Dégel eram reais, cravados em sua mente e coração, todavia agora vinha com uma aparência mais infantil e delicada e igualmente a personalidade moldadas das experiências vivenciadas como Shun.
Era estranho pensar. Tinha um filho alguns meses mais velho que ele, que em anos fora um dos seus melhores amigos. Mas tinha um tio e um irmão da vida nova que reencarnara.
Quanto a Kárdia. O loiro fazia tudo em si ser ficar bagunçado. Seu coração acelerava perto dele e as palavras sumiam de sua boca. Sentia-se mais leve e ao mesmo tempo completo com o poderoso vampiro por perto. Pensava nele quase todo momento, e sem ele por perto, parecia que seu coração tinha sido arrancado.
— Shun, — Kárdia replicou sentando na cama ao lado dele e segurando suas mãos. — Passamos por muitas coisas recentemente, você teve um lado seu que estava adormecido, despertado, que foi sua vida como Dégel... Isso exige muito de uma pessoa, ainda mais um humano... Precisa descansar. Teremos todo tempo do mundo!
— Mas... Não quero ficar sozinho! Seu lugar é aqui! — Shun disse agarrando a blusa do vampiro e chegando mais perto dele.
Quando o doce perfume chegou a suas narinas, as presas de Kárdia desceram exigindo que reivindicasse aquilo que o pertencia, que possuísse o corpo pequeno o marcando com sua essência.
Antes que fizesse alguma loucura ele levantou da cama se afastando de Shun. Foi até a porta, e de costas para o menor, replicou:
— Durma anjo, precisa descansar... Logo estarei contigo novamente! — Não dando espaço para Shun reclamar, Kárdia deixou o quarto. Seu desejo era voltar, deter Shun em seus braços, todavia o pequeno merecia ser tratado da melhor forma possível, e não iria deixar sua descontrolada besta o tomar e machucá-lo.
Shun ficou olhando para a porta por tempo indeterminado. As lágrimas brotaram de seus olhos verdes e mancharam seu cerne macio. Sua vontade era de correr atrás de Kárdia, porém não queria mendigar.
Não entendia por que o outro não o tomava para si. Pertencia a Kárdia, mesmo estando em um corpo diferente, ainda era seu esposo. As coisas eram tão confusas. Sozinho somente piorava.
Ele acabou deitando na cama, e em meio ao choro, caiu no sono. Sonhou quando teve Milo pela primeira vez em seus braços, fora um momento tão único. Kárdia parecia tão feliz pelo fruto do amor deles. Aquela noite não tivera nenhum pesadelo. Nem de seu passado ou de seu presente, dormira embalado por doces sonhos.
Quando o sol estava no alto do céu, marcando um pouco mais de uma hora dar tarde ele despertou. Normalmente não dormiria até tarde, todavia a noite anterior fora dormir bem tarde.
O pequeno se espreguiçou olhando ao redor do quarto se localizando. Logo uma ideia tomou posse de sua mente. Na noite anterior Kárdia fugira de si, mas agora pretendia fazer uma surpresa para ele.
Shun pulou da cama e seguiu para o banheiro. Fez uma rápida higiene matinal e saiu do quarto saltitante. Não precisava saber precisamente o local onde o loiro estava, pois seu coração o guiava até ele.
Os corredores da mansão na cobertura do prédio estavam praticamente vazios. Pelo horário ou os vampiros dormiam, ou já estava executando suas atividades. O local era devidamente protegido para aqueles seres da noite.
Sentiu que estava perto do rei, e apressou seus passos. Shun foi virar uma esquina, mas antes que concluísse, acabou esbarrando em alguém, e antes que caísse no chão, foi segurado.
— Obriga... Do... — Gaguejou ao reparar de quem se tratava.
Lembrou-se daquele loiro. O tinha visto no casamento de Milo, seu filho. De alguma maneira na época ele o tinha atraído, mas agora sabia que fora unicamente por que ele lhe lembrava de Kárdia. Devido os cabelos loiros e os lhos azuis.
Era estranho pensar. Tinha visto Kárdia alguns dias antes ou até mesmo no casamento, mas não lembrada de sua vida passada. Julgava que desde aquele momento despertou algo pelo rei do vampiro, mas por considerar inacessível acabou projetado no vampiro jovem, pois aparentava a mesma idade que a sua.
— Ou! Que bela surpresa logo cedo... Por onde andou belezinha? — Hyoga indagou apertando o corpo do humano contra o seu e tocando a face meiga.
— Eu... Por ai... — Shun ditou com as mãos no peito do loiro e tentando afastá-lo, mas não parecia algo realmente fácil.
— Achei que iria me procurar. Pareceu tão interessado. O achei uma graça. — Hyoga parecia bastante empolgado. Sua mão na costa do menor escorregou enchendo-se com as nádegas perfeitas.
Shun sobressaltou-se, e angustiado chutou a canela do loiro, aproveitando para coloca um bom espaço entre eles.
— Não me toque! Não devo nada a você! — Disse com a voz tremula. Não gostava de lidar com situações tensas.
— Não se faça de difícil! Aquele dia praticamente abriu as pernas para mim. Aposto que o farei gemer docemente. — Hyoga ditou com um sorriso malicioso à medida que se aproximava do menor.
Shun assustado ia se afastando. Seu coração clamava por Kárdia. Aquilo parecia filme de terror. As insinuações de Hyoga o fizeram ter lembranças de quando era Dégel, justo das palavras de Radamathys quando este o atacara.
— Não se faça de difícil putinho! — Disse puxando Shun pelo braço. Em seu desespero para escapar, Shun pegou um jarro de porcelana que estava ali perto e jogou na cabeça do vampiro. Este ficou inicialmente atordoado, mas depois ao se recuperar, empurrou Shun, todavia levando em conta sua força vampiresca, o menino voou longe batendo contra uma parede, e cortando o braço na quina de um móvel.
Shun gemeu de dor. Seu braço e costas latejavam de dor, mas de alguma forma a dor foi diminuindo, e as feridas curando.
— O que está fazendo? — A voz imponente do rei dos vampiros se fez presente.
Kárdia sentiu o sangue ferver com a cena. Foi até Shun e o ajudou a levantar. Passou a mão no rosto do menino e perguntou preocupado.
— Está doendo muito?! — O trouxe para seus braços e envolveu-o num apertado e caloroso abraço.
Hyoga ficou sem palavras diante daquilo, e também temeroso, mas como poderia avinhar que aquele idiota humano era queridinho do rei! O loiro foi se afastando devagar, mas bateu em algo que o fez parar.
Ao olhar para trás viu um vampiro novo, alguém que nunca havia visto antes, ele era bonito e tão diferente! Lhe chamou atenção, mas algo nele mostrava certa animosidade.
O estrangeiro olhava frio para Kárdia e tinha as mãos apertadas, parecia querer conter-se. Era moreno, seus fios negros eram revoltosos como os de Shura, mas seus olhos eram azuis escuro e mostravam uma chama contida.
Ele segurou Hyoga pela roupa e o tirou dali, levou-o para um local afastado. O loiro sentiu certo receio, mas como tinha uma personalidade forte, não mostrava seus sentimentos. Mas o moreno parecia não se abalar com a expressão fria dele, soltou-o e falou:
— Toque nele de novo e juro que te mato! — Falou baixo e entre dentes, deixando o loiro abismado com aquelas palavras.
— Mas quem pensa que é?! Sabe com quem está falando estranho?! — O loiro disse cheio de si. — Sou sobrinho do Senescal e não admi... — Não teve tempo de terminar e o moreno o pendurou pelo pescoço e falou ainda mais frio.
— Não perguntei quem era! Não me interessa! Se tocar nele novamente, eu te mato, e não importa onde se esconda, vou buscá-lo no inferno se for preciso. — Soltou-o olhando feio para ele e o viu sair dali.
Hyoga não estava conformado.
— Então aquele humano acha que é assim? Primeiro se insinua para mim e depois foge? Deve ser puto mesmo, por que já está esquentando a cama do rei! Mas não perde por esperar! – Ele falou perverso — Pensa que pode simplesmente brincar com Hyoga Depardieu?! Não mesmo! Esse humano vai aprender a não me rejeitar! — Saiu dali e seguiu para a garagem onde pegaria a limusine e voltaria para a mansão Ventrue.
O moreno voltou para onde estava o rei, mas ele e Shun já não estavam ali. Sentiu o sangue ferver com aquilo e antes que pudesse falar ouviu ma voz fria e altiva atrás de si.
— Então você é o vampiro que veio para ajudar Matteu?! Acompanhe-me! Ele o espera! — Shaka Phalke falou calmo. — Como se chama vampiro?! — Perguntou enquanto virava-se para seguir até onde se encontrava Matteo.
O moreno, porém voltou-se para o dono da voz a fim de dizer algo, mas sua sobrancelha se ergueu ao ver os fios loiros impecáveis e sedosos caindo por suas costas. O braço direito do Senescal dizia algumas coisas a respeito de Kárdia e seu governo, e como eram as coisas ali na Europa.
— Ikki! — Falou e sua voz era rude, forte e isso causou certo arrepio no loiro.
— O que?! — Parou virando-se e os olhos do Ventrue encontraram os do Brujah e por segundos perderam-se ali.
Ikki olhava firme e altivo aqueles olhos de mar.
— Meu nome, não queria saber? Então, é Ikki Amamyia! — O moreno sustentava um cínico e belo sorriso com o “leve” desconcerto do outro.
— Hunf! — Shaka bufou. — Não me interrompa! Odeio interrupções. — E continuou seu caminho e o que dizia antes. Ikki revirou os olhos e não prestava atenção em nada, mas no homem a sua frente sim.
Quando iam passando sentiu a fragrância suave de um sangue diferente. — Shun... — Ditou baixo, era por ele que estava ali. — Escuta loiro, eu tenho que ir, depois fazemos esse tour! — Ele disse e deixou-se guiar pelo cheiro.
Shaka ao ouvir aquilo se irritou e foi atrás dele, segurou o braço de Ikki e o fez olhar para si.
— Onde pensa que vai?! Você não pode...
O loiro não terminou o que ia dizer, pois a porta do quarto se abriu e Shun saia de lá e deparou-se com os azuis daquele rapaz e lágrimas brotaram de seus olhos.
— Ikki! — Falou emocionado e correu para os braços do moreno!
Ikki o envolveu em seus braços e olhou para Kárdia de forma irada, sabia que ele era o rei, mas o menino era seu irmão!
— O que faz aqui?! Vamos Shun, vou levá-lo para Asmitha!
Kárdia controlava-se sentia um misto de ciúmes e medo. Quem era aquele homem, e por que seu Shun estava nos braços dele?! E de onde o conhecia?! E aquele impertinente tinha a ousadia de dizer que irá levá-lo.
— Ele não vai a lugar algum! — O rei disse e se aproximou, mas Ikki afastou-se envolvendo o menor em seus braços possessivos e saudosos. Kárdia se enfureceu, seus olhos azuis tornaram-se rubros e seus caninos mostravam-se sedentos, sedentos pelo sangue daquele que ousava lhe desafiar.
Ikki também sentia ira, e sem temer o vampiro a sua frente, colocou o menor atrás de si! Preparando-se para defender-se ante o ataque iminente. Tremia de certa forma, mas não se deixava dominar.
Diante daquela cena, Shun colocou-se entre os dois.
— PAREM! Parem já com isso! — Falou agora choroso. — Kárdia... Meu querido, esse é meu irmão! Ah tanto tempo que não o vejo... Não o ataque! — Disse sério. — E Ikki, precisamos conversar! Mas paciência!
Os dois vampiros ainda se enfrentavam, mas ambos fariam tudo para que Shun fosse feliz.
— Seu irmão?! — Kárdia perguntou. Shun saiu dos braços de Ikki e foi até o amado.
— É sim Kárdia e lhe explico mais tarde, eu prometo! — Falou baixinho e deu um selinho nele ali, coisa que deixou o rei feliz e ele olhou para Ikki com um olhar que dizia “ele é meu”.
Já o moreno ficou possesso, como assim “mais tarde?” Shun era um menino ainda! O moreninho correu para os braços do irmão.
— Vem, vou te explicar tudo! — Não sabia se ele entenderia, mas tentaria fazê-lo ao menos aceitar!
Os dois seres ali se enfrentavam pelo amor e pela atenção de Shun. Kárdia não queria perdê-lo para o “irmão”, ele era seu, tinha sido tirado de si, e agora retornava e aquele petulante não o tiraria de si.
Ikki também não queria perdê-lo, via em Shun apenas um menino, tivera que mandá-lo para a Inglaterra e ficar longe dele para protegê-lo, e quando finalmente consegue ficar perto, aquele homem, só por que tinha o poder queria roubá-lo de si?! Não deixaria, nem que tivesse de fugir com ele!
Os dois irmãos, tão diferentes, entraram no que parecia ser uma biblioteca. Ali era perfeito, pois era calmo e decerto ninguém iria perturbá-los.
Shun sentou em um dos sofás e garantiu que Ikki sentasse ao seu lado. Seu sorriso era genuíno. Estava realmente feliz. Não via seu irmão há alguns anos, desde que fora morar com seu tio Asmitha. O que muitos não sabiam era que o florista cego não era tio de sangue deles, mas apenas um bom amigo do pai deles.
Ikki e Shun eram filhos de um casal de cientistas japoneses. Seus pais apesar de muito inteligentes e famosos em suas pesquisas, eram excelentes pais, sempre amorosos e presentes.
Tinha sido em uma doce primavera, Shun era uma criança, enquanto Ikki possuía seus 20 anos. A família havia viajado para passar o final de semana nas famosas termas japonesas. Seria o aniversário de 11 anos de Shun naquele dia, e também ficou marcando por uma tragédia.
Quando o sol se escondeu no horizonte a família resolveu descer das montanhas, o pai dos dois tinha uma importante pesquisa no dia seguinte. Shun tinha insistindo para não irem, todavia para os adultos era apenas pirraça de uma criança.
A estrada estava bem escura, e por isso o senhor Amamyia iria com cuidado, mas isso não evitou o que sucedeu. Quando descia uma mulher apareceu no meio da pista, ele desviou e por pouco não caíram no barranco.
Todavia melhor destino teria sido se caísse, a mulher de beleza tão rara e com olhar mortal, caminhou em sentido ao carro.
Primeiro o Senhor Amamyia saiu para indagar se ela estava bem, enquanto sua esposa e filho mais velho saiam do carro, garantindo que todos estavam bem.
Tudo aconteceu muito rápido. A mulher mostrou-se um ser da noite, e com uma velocidade descomunal quebrou o pescoço do cientista, e quando seguiu para o resto da família, a mãe dos meninos se sacrificou para proteger seus filhos, todavia seu destino não foi diferente do marido.
Ikki trancou o irmão pequeno – Que tinha lágrimas descendo dos belos olhos esmeralda – No carro. Ele tentou combater a vampira, no entanto tudo que foi capaz de fazer foi mudar a forma que fora atacado. Em vez de ter o pescoço quebrado como seus pais, ele recebeu o beijo da noite, sendo transformado em um ser da noite.
A mulher largou o corpo do moreno no chão e seguiu altiva para sua meta, pegar a criança inocente que via sua amada família ser morta, entretanto ela não pode concluir seu intento, pois dois homens apareceram. Eles lutaram bravamente com ela, não chegado a elimina-la, mas a colocaram para correr.
Aquela noite Shun viu sua família ser destruída. Seus pais morreram e seu irmão foi transformado em um vampiro. Piedosos os caçadores não mataram Ikki por virar um ser noturno, mas considerando que ele não poderia mais cuidar de uma criança humana, Shun foi enviado para a pessoa mais perto de sua família, Asmitha que era um amigo de infância de seu pai.
De alguma forma Shun se esqueceu daquele episodio por anos, para ele seus pais tinham morrido em um acidente de carro, e seu irmão ficara no Japão para fazer faculdade enquanto considerara melhor ele ser criado pelo tio.
Todavia de alguma forma os últimos acontecimento fizeram muita coisa retornar a sua mente, não somente o assassinato de seus pais como o destino de seu irmão, mas como uma vida muito distante.
Shun entendeu que aquele dia sua família foi atacada por que aquela mulher o queria! O queria pelo que representava, o fato de ser a reencarnação de Dégel, o consorte do rei dos vampiros e um kari.
A roda da vida girou e de alguma forma o destino o fez ir para a Inglaterra, tornar-se amigo de Milo, filho de Kárdia e Dégel, a quem seu coração considerava como seu filho e ninguém negaria isso.
Agora vinha a parte difícil, fazer seu protetor irmão, entender isso. Com calma tão característica, Shun explicou lentamente para Ikki os últimos acontecimentos. O fato que ele era a reencarnação de Dégel, que ele e Kárdia eram predestinados, e mesmo que ambos reencarnassem diversas vezes, ainda ficariam juntos...
— Isso não mudar o fato que o quero longe dele! Você tem somente 15 anos, e ele séculos de idade... E fora o fato que estar perto dele e muito perigoso. — Ikki disse com semblante duro.
— Ficar longe dele será igualmente perigoso. Kárdia me protegerá, e não vou sair de perto dele e de Milo.
— Não entende... Milo é filho de Dégel, e não seu... Só tem a mesma alma, nada mais... — O vampiro moreno disse trincando a mandíbula. Ikki não conseguia negar as coisas facilmente para o irmão, talvez por causa da fisionomia dele tão bela e fofa, e seus grandes olhos inocentes.
Shun fechou o semblante. Ele poderia se doce e amável, mas não era bom irá-lo.
— Ikki, és meu irmão e te amo, mas ninguém, nem mesmo você vai me separar de Kárdia e Milo... Para mim, eles são meu marido e meu filho, não importa a aparência que estou agora. — Disse firme o que causou um calafrio do vampiro moreno.
— Só não quero que se machuque! — Ikki disse mais brando. Ele tocou a face do menor com carinho. — Senti saudade pirralho!
— Eu também! — Shun disse abraçando o irmão. — Só confie em mim... Me deixa ser feliz. — Completou suspirando. Era bom ter Ikki ali, finalmente todos aqueles que amavam estavam por perto, e não iria deixar ninguém estragar isso.
Continua...
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