Notas iniciais
Graças a vocês aqui está mais um capítulo... Esperamos que gostem dele. Ficamos tão felizes pelas respostas rápidas da fic, dos que leram... Somos amantes de CDZ (meu anime da infância). Deu para perceber eu (hannah) fisurada em vampiros, e sendo dos cavaleiros e pedir para surtar.Kiss eBoa leitura!!!


A noite caía na tão fria Londres. As pessoas passavam agasalhadas por elegantes sobretudos, outras em seus tão maravilhosos carros.


A porta de uma tradicional escola londrina, da qual muitas crianças e adolescentes agora esperavam seus pais. Um rapaz de belos olhos verdes mantinha-se encostado ao portão esperando por seus companheiros de viagem... Tão logo ouviu a voz deles conversando ao mesmo tempo em que uma bela limusine preta aproximava-se da entrada da escola.


— Vocês demoraram! — Fez uma carinha de bravo.


— Ah Shun, desculpa! É que o inteligente do Aioria acabou pegando uma briga com o professor! — Ditou um loiro alto, e muito bem humorado.


— E por que você não diz a ele que a culpa foi sua hein Milo? — Aioria respondeu enfezado, fazendo os outros dois rirem muito da cara de raiva dele.


Antes que Milo pudesse responder a buzina do carro foi ouvida e os três se encaminharam para lá. A porta da limusine foi aberta e eles entraram sem maiores reservas.


— Boa noite tia Elora! — Disseram juntos Shun e Aiolia.


A mulher respondeu-lhes com um sorriso no rosto.


— Boa noite meninos, como foi à aula?


— Chata como sempre! — Falou Milo demonstrando o ciúme que sentia quando via a mãe ser gentil com outras pessoas, ignorando sua presença.


Sem se abalar, mas achando muito divertida a cara emburrada do filho, Elora finalmente lhe dirigiu a palavra.


— Boa noite meu amor! Diga-me, por que a aula não foi boa? — Ela perguntou com um tom divertido na voz.


— Por que aquele professor chato fica pegando no meu pé! — O loirinho falou contrariado.


— Pois eu acho que o Senhor Caillet é muito gentil e competente Milo, você é que é muito preguiçoso mocinho. — Ditou isso, e fez um carinho nos longos e sedosos cachos do rapaz.


Os anos seguiram como areia que se locomove pelo vento. E os olhos presentes podiam ver o que se mostrava uma relação construída com respeito, amor e cuidado. Poderiam ser de sangues diferentes, raças diferentes, mas era algo que nem a ciência poderia explicar a relação dos dois.


Elora Llasa era o que se poderia julgar um ser das trevas. Onde habilidades inimagináveis para humanos, sua raça possuía, capazes de transpassar o tempo por até séculos de existência... Mas ainda assim, dependentes da raça humana... Do doce néctar vermelho.


Uma história onde uma vampira, sentiu um sentimento humano apossar-se em si por um mortal, um garoto humano. Talvez fosse essa a descrição que se julgasse a relação que existia entre Elora Lhasa e Milo Lhasa.


Enquanto o automóvel seguia pelas ruas o quarteto levava uma animada conversa, claro que a então mulher de cabelos loiros, e belos olhos azuis mantinha-se calada observando tudo... Mas sempre que necessário fazia parte daquela juvenil conversar.


— Fico aqui... Obrigado Tia Elora... Até cambada! – Disse Aioria descendo do carro. O mesmo era um adolescente no alto de seus 17 anos, dono de fios acobreados e ondulados, arma perfeita para que Milo o chamasse de juba de leão. Posto ainda que a pele bronzeada, e o corpo que começava a ficar trabalhado com suas atividades físicas e academia.


— Vai tarde, leãozinho.. – Brincou Milo recebendo no final um peteleco na cabeça. Tão longo a algazarra terminou e o mais velho dos três adolescentes seguiu seu curso a pé, o carro voltou a deslizar pelas ruas.


Não demorou para que o carro parasse em frente a uma loja, cuja vidraça espelhada era a moldura perfeita para as belas flores . A placa com o nome da floricultura "Sharmila's Flowers" indicava onde se encontrava o dono de uma parte do coração de Elora, se é que ela teria um?


Os três saíram do carro dando ordem para que o motorista retornasse algumas horas depois.


Adentraram calmamente na pequena floricultura e foi possível avistar o proprietário atendendo um rapaz. O cliente viu o sorriso iluminado no homem atrás do balcão, curioso se virou, principalmente ao captar uma energia, então seu olhar caíra sobre um das três figuras.


— Saga Caillet? — Perguntou Elora, apenas para desafiá-lo, sabia pelo cheiro e pelo porte que não era o professor de história de seu filho.


— Não! — O rapaz ditou entre dentes olhando-a pelo canto dos olhos. Não queria chamar a atenção dos meninos, que estavam com cara de espanto olhando para ele. — Meu nome é Kanon Caillet, Saga é meu irmão gêmeo.


Elora com cinismo continuou a falar:


— Esse é meu filho, Milo Llasa e esse é Shun Sharmila, sobrinho de Asmitha.


— O senhor não parece ser professor! — Ditou Milo com curiosidade.


— É por que não sou. — Ditou em tom de divertimento. — Sou policial.


Kanon sorriu para os dois que foram imediatamente chamados por Asmitha, para afastar-se daquele que por algum motivo, seu coração dizia que machucaria aquela que amava. Desde a noite em que se conheceram naquele mesmo local, ele havia se apaixonado por ela, sentia que ela era diferente, era bela, mas tinha uma aura muito forte.


Aproveitando-se desta distração, Kanon aproximou-se dela e falou com repudio e desdém.


— Não me provoque criatura da noite, por que nem mesmo aquela criança me faria não matá-la.


Elora não se deu ao trabalho de responder, olhou para ele, e seus olhos sempre tão claros, deram lugar a um mar de sangue. Tão vermelhos quanto às lavas de qualquer vulcão.


Kanon colocou a mão por baixo de sua jaqueta de couro preta pronto para tirar de lá algo para lutar com Elora. E a mulher por sua vez deixava que os caninos surgissem e suas unhas crescessem, mas antes que ambos fizessem qualquer coisa, ouviram a voz suave e calma do florista.


— Aqui está seu bouquet senhor! E Elora, os meninos a estão esperando para jantar.


— Eu já vou, Asmitha. — Forçou-se a dizer sem transparecer a ira que aquele homem a fazia sentir.


A mesma deixou suas marcas de vampira sumir e com suavidade tão característica de seu porte saiu da presença daquele humano tão perigoso. Mas antes dera um sorriso para o loiro que rendia seu afeto. Ficara tensa não negava, não por si, pois aquele humano apesar de forte não lhe causava medo ou receio, temia pelas três pessoas ali que diferente dela não tinha chance contra ele.


Todavia tal preocupação ficou para trás quando vira seu filho, e o de seu amado arrumando a mesa. Seus olhos agora azuis brilharam de maneira rara e logo se juntou a eles. Não era dadas a afetos extremos, demonstrações de carinho em excesso, porém, não soube por que, mas acabou puxando Milo e o abraçou forte.


— Mãe, isso é constrangedor!... Não sou mais criança!... — Milo resmungou apartando do abraço da mulher. O mesmo estava no alto de seus 16 anos, e Elora poderia dizer que tinha um filho lindo, de um sorriso como o sol e uma personalidade que cativava qualquer um.


Ainda se lembrava do dia que eles se encontraram, da chuva que caía, da sensação que a motivara a entrar na pequena floricultura, e assim deparar-se com aquela criatura pequena e trêmula... Que mesmo com imenso medo, se propôs a protegê-la.


Nunca nada antes a atraíra, e naquela noite conhecera duas pessoas, humanos, ditadas fracas... Míseros alimentos para seu povo, mas que a tocou de forma única.


— Olha a boca, menino... Darei-lhe uma surra antes de completar 17 anos. — Disse séria.


Shun diante da discussão dos dois não pôde deixar de rir. Era tão peculiar o elo dos dois, a forma que se tratavam. Pareciam mais dois irmãos do que mãe e filho. Assim como Milo que era filho adotivo de Elora, Shun há quatro anos morava com seu tio Asmitha, antes vivia aos cuidados do irmão, mas esse com os afazeres da faculdade julgara melhor o deixar aos cuidados do tio.


— Vamos comer ou ficarão nessa briga eterna? — Disse o loiro mais velho assim que entrou no recinto. Asmitha se aproximou de Elora e a abraçou por trás, dando um beijo em uma das maçãs do rosto dela. — Cada vez mais linda, minha flor... — Declarou gentilmente.


— Está nada Mitha, ela está ficando velha e rabugenta... — Replicou Milo, mas garantindo distância da única mulher presente, mesmo sabendo que era em vão.


Elora olhou feio para o loiro, mas somente não foi até ele para dar uns bons cascudos, pois teve os lábios tomados sutilmente.


Aquele poderia se comparado a um cenário curioso. Asmitha — um humano cego de nascença — Mas que era capaz de ver muito além do que os olhos físicos. Uma vampira com negro coração que rendia unicamente sentimento por cinco pessoas, e três delas estava ali.


— Eeeeeecaaaaa!!! — Foi o que Asmitha e Elora ouviram dos dois menores!


Não conseguiram conter-se e riram muito, e Elora pode ver a expressão de nojo dos dois. Foi Asmitha que parando de rir questionou os dois.


— E os dois querem me fazer acreditar que nunca beijaram? -Perguntou divertido.


Shun ficou vermelho e Milo respondeu em seguida.


— Mas não é a mesma coisa quando são vocês dois! — Ditou com um pouco de ciúmes. — Ela é minha mãe! E você é meu pai e eu não sou obrigado a ver essas coisas! -Ditou ainda mais encabulado.


Nem Elora e nem Asmitha conseguiram conter-se gargalharam abertamente. Mas havia uma emoção a mais nos olhos sem vida do florista. Aproximou-se de Milo e abraçou-o com carinho e ditou para o garoto:


— Achei que o seu pai fosse o Shion!


— Ele é meu avô, Mitha é você que é meu pai e o Shun é meu irmão.


Era sempre assim Milo recebia as pessoas fácil demais, Elora não gostava muito disso, sabia que assim ele seria machucado com facilidade, mas não conseguia fazê-lo ver isso. Milo simplesmente era o oposto dela, não tinha restrições, não via maldade nas pessoas, isso a preocupava, pois havia notado o interesse do menino em Kanon e ela jamais poderia permitir que ele se aproximasse daquele insolente.


— Chega dessa melação e vamos jantar. — Ditou Elora em seguida. Assim todos se sentaram a mesa, a vampira tomava apenas um bom vinho, enquanto os outros se deliciavam com um belo ensopado. As horas pareceram correr e logo chegou o momento de partirem.


— Está na hora Milo, precisamos ir, seu avô deve está preocupado. Demoramos demais hoje. -Falou a loira com autoridade.


Milo até queria ficar, mas sabia que ela não gostava de ser desobedecida. Além disso, ficar sozinho naquela mansão era chato. Suspirou, mas não falou nada. Pegou suas coisas e despediu-se de Shun e Asmitha.


— Ah Elora! Você deveria deixá-lo dormir aqui uma vez que fosse. — Ditou calmamente Asmitha, já havia falado nisso outras vezes, mas por algum motivo ela nunca permitia.


— Eu sei meu amor! Prometo que em breve deixarei. — Dito isto Elora o beijou e depois se despediu de Shun.


Saíram da casa do florista já eram por volta das nove e trinta da noite. Milo encolheu-se com o frio. Elora abraçou-o e dirigira se ao carro que já os esperava. Elora estranhou, o motorista não era o habitual.


— Mu?!!! O que faz aqui?!! — Ditou preocupada. — Aconteceu algo a meu pai?!


— Não senhora, ele apenas pediu que eu viesse buscá-los, pois tem algo a resolver e sua presença se faz necessária.


Elora não gostou nada daquilo, seu pai não mandava Mu a lugar algum a não ser que fosse de suma importância.


Mu era um vampiro também, tinha sido criado por Shion. O que Elora nunca soube explicar era o fato de Mu ser muito parecido com seu pai. Mas, jamais o questionou. Mu tinha os cabelos compridos numa tonalidade lavanda nada comuns, seus olhos eram quase roxos, sua pele extremamente alva. Ele era o braço direito de Shion, e Elora gostava muito dele. Considerava-o um irmão.


Ao chegarem à mansão, Elora sentiu a presença de outro vampiro e sabia muito bem de quem se tratava. O problema era, o que ele queria? Voltou-se para Milo e ordenou altiva.


— Vá para o seu quarto e não saia de lá até que eu mande, entendeu?!


— Sim senhora! — Respondeu com certo receio. Sabia que quando a mãe usava aquele tom, algo não estava bem.


Milo subiu as escadas, pensativo. Não negava era curioso ao extremo, e ainda mais se envolvesse quem lhe era querido. Lembrava-se do ocorrido há cinco anos quando descobrira que existiam coisas muito além que conhecia, que sua mãe e seu avô tão queridos para si, não era exatamente quem pensava que eles eram. Quando descobriu que os seres de lendas imaginários dos seres humanos eram reais. Ou seja, Que vampiros existiam. Ficara tão abalado ao descobrir isso, que chegara ao ponto de fugir de casa. Mais uma vez o menino foi para a pequena floricultura, e chorara por horas nos braços de Asmitha, e mesmo que não soubesse o que aconteceu o confortou, ouvido dele que as pessoas guardam segredos, e o que quer Elora havia escondido, ela o amava.


Quando a mulher o encontrara eles conversaram, e ela contara a verdade, sobre os seres que eram, o que representavam e o poder que tinham sobre a humanidade, mas dispuser que mesmo que seu coração fosse negros, escasso a sentimentos o amava, que independente de raça, ou sangue ele era seu filho.


A partir daquele dia decidiram nunca mais manter segredo, mas agora tinha isso. Sabia que seu avô como líder do clã Assamitas, conselheiro da Camarilha tinha seus negócios, privados, o que envolvia sua mãe e a deixava naquele incomum estado o preocupava.


Entrou em seu quarto naquela imensa e elegante mansão, situada em um bairro nobre e afastada de olhares curiosos. Jogou seu material em um canto qualquer, parando em pé em meio ao recinto.


Sua cabeça inclinou para frente, os fios sedosos moveram escondendo seu belo rosto. Não queria que nada de ruim acontecesse a sua mãe, e sentiu ela estranha.


E não negava a curiosidade em saber quem a deixara naquele estado. Sabia que desobedecê-la era quase que sentença de morte, e que ela facilmente perceberia sua presença, mas era mais forte tal impulso. Então em vez de manter-se no quarto, acabou fazendo o caminho inverso e saiu do recinto com cuidado.


Esgueirando-se pelos cantos, o rapaz aproximava-se cada vez mais do local onde se se encontravam sua mãe, seu avô e mais alguém que ele desconhecia totalmente.


Ouviu a voz de sua mãe e percebeu que ela se exaltava, e isso com certeza não era bom sinal, ela só tomava esse tipo de atitude quando estava completamente irritada. Quando ele se aproximou mais, ouviu uma voz conhecida atrás de si, o que o fez quase gritar de susto.


— Achei ter escutado sua mãe dizer para se manter em seu quarto. — Ditou Mu com calma, mas igualmente preocupado com a acalorada discussão que se delineava dentro daquele escritório.


— Aaaaa... Mu quer me matar de susto é?! -Ditou Milo impaciente. Tirando sorrisos discretos do mais velho.


– Ora Milo, desculpe, mas acho melhor ir pra o seu quarto, agora.


Nesse momento a porta do escritório se abriu e de lá saiu um homem que ainda que Milo quisesse não conseguiu desviar seu olhar dele.


Ele era alto, tinha longos cabelos ruivos, e olhos verdes. Seu olhar era forte, sua pele alva, mais alva até que a de sua mãe. E ele transmitia uma frieza de dar arrepios em qualquer um.


Provavelmente era alguém que se devia respeitar, mas sabia que sua mãe desprezava a todos. O homem passou por ele e Mu, e saiu visivelmente irritado, em seguida ele pode ouvir a voz de sua mãe.


— Eu disse pra você ficar no quarto, Milo! Por que me desobedeceu? -Ela aproximou-se dele e segurando firme em seu braço, mas tendo o cuidado de não machucá-lo.


— Você não tem ideia do perigo que estava correndo, seu teimoso!


Ela ditou mais furiosa.


— Já para o seu quarto e não saía de lá até segunda ordem.


Shion observava a cena sem se pronunciar. Não entendia o porquê mais Elora só faltava dar a vida por aquele menino, não que não tivesse se apegado a ele e sua doçura, mas sabia que se ele a tinha desobedecido, era por estar preocupado.


— Chega Elora. — Ordenou Shion. — Ele já entendeu.


Ela então se voltou para o pai e sem dizer nada deixou a casa e saiu no meio da noite. Milo estava atônito, sua mãe jamais era rude com ele.


— O que houve? Por que ela está assim? — Perguntou o loirinho com lágrimas nos olhos.


— Fique calmo, Milo! Eu e sua mãe resolveremos tudo. — Shion falava tentando acalmar o menino.


— Quem era aquele homem? O que ele queria com minha mãe? — Milo não se deu por vencido.


Shion ia insistir no que tinha dito, mas sabia que o loirinho não aceitaria.


— Ele é o noivo da sua mãe. — Forçou-se a falar vendo a expressão de Milo mudar, de preocupada para irada em segundos. Por algum motivo reconheceu a própria filha naquela atitude do menino.


Continua...