Aliança Carmesim

4 Capítulo IV - Discípulos


Notas iniciais
Sem mais enrolações... Boa Leitura!

No entiendo nada yo no sé quién soy
No encuentro donde es qué está el amor
¿En dónde?
Está tan solo ya mi corazón
No puedo y pierdo la razón
¿Dónde estás, dónde estás?

Debo encontrar de nuevo una ilusión
Y poder yo seguir adelante
Tener la fuerza para así llegar
A alcanzar el camino
Y mi destino que eres tú.

No quiero entregar mis sentimientos
Oh, no!
Pero es la única manera de hacerlo
Debo encontrar de nuevo esa ilusión
Y así poder curar mí solo corazón
Triste corazón.

Donde está el amor, de Belinda.

Através da janela, Albafica tentava apreciar a paisagem que iam deixando para trás. Não era a primeira vez que via aquelas colinas, mas nunca se cansaria de admirá-las. Não depois de tantos anos trancafiado em seu quarto. Mesmo assim, não estava se saindo muito bem...

O carro era dirigido por seu pai que, como era de se esperar, não dava qualquer palavra, focando-se só na estrada e nos próprios pensamentos. Entretanto, a curiosidade sobre o que ele poderia estar pensando não era o bastante para tirar o foco do garoto. Já tinha se acostumado com ela e com o silêncio do Patriarca dos Genero. O problema era o que cortava esse silêncio... O som dos roncos que Minos, sentado a seu lado no banco de trás, dava constantemente.

O barulho em si não era irritante. Albafica poderia facilmente ignorá-lo se viesse da outra extremidade do banco. Mas com o herdeiro dos Dordellion usando seu ombro como travesseiro ficava difícil. Ele estava literalmente roncando em seu ouvido.

— Minos, acorde — Albafica chamou o amigo, sacudindo o ombro dele de leve. — Minos! — Em vez de abrir os olhos, ele se enroscou em seu braço. Isso fez uma veia saltar em sua testa. — Minos!

— Ai! Não grite, minha rosa — reclamou ele, apoiando o queixo em seu ombro e abrindo os olhos violáceos adornados por olheiras. Estava bêbado de sono. — Minha cabeça está explodindo de dor...

Já fazia cinco anos desde aquele incidente que quase custou a vida de Dordellion, que agora se encontrava no auge de seus quinze anos. Albafica estava com doze. O tempo e o treinamento tinham causado mudanças drásticas nos dois, embora Albafica ainda conseguisse se passar por uma menina se não abrisse a boca.

Minos era agora só uma cabeça mais baixo do que Arnan e os traços fortes de seu rosto não lembravam em nada a carinha fofa de antes. Os olhos violáceos tinham se afiado e se ajustado ao tamanho de seu rosto e emitiam na maioria das vezes olhares de carga altamente maliciosa. Era forte, de aspecto ágil e tinha um controle invejável do cosmo e de seus elementos. Já Albafica não passava de seus ombros e detinha ainda uma imagem andrógina — nunca iria perdê-la completamente — com seus grandes olhos de lápis-lazúli, seus cabelos de céu de tarde sem nuvens moldados num corte chanel e sua pele branca como neve, mas suas habilidades de batalha se igualavam às de Minos. Era uma dupla de morrer, se é que me entende.

Se bem que quem estava morrendo hoje era Minos.

— Sente-se mal? — O mais jovem dos Genero estranhou, preocupando-se. — Mas você nunca ficou doente!

Minos soltou o braço de Albafica e se afastou um pouco, recostando no banco de couro e massageando as têmporas. Os platinados e rebeldes cabelos dele estavam atados num rabo-de-cavalo alto, mas a franja repicada, que vinha ajudando a ocultar o cansaço dos olhos, não podia fazer nada para esconder o largo bocejo que dava.

— Fique calmo, não estou doente — Ele tranquilizou Albafica. — Os professores da escola têm pegado bem pesado e meu pai também aumentou minha cota de leituras. E eu ainda estou estudando para as provas. Não tenho dormido muito bem...

Ah, então era esse o motivo para Dordellion andar tão cansado ultimamente...

Por causa de sua saúde, Albafica não havia ingressado em escolas, tendo feito todos os estudos em casa com o auxílio de professores particulares até o momento. Por causa disso não sabia por quais tipos de pressões os estudantes passavam nas instituições de ensino. Mas acreditava que para deixar alguém enérgico como Minos naquele estado deviam ser bem duras. E pensar que já tinha se sentido incomodado por não poder ir à escola. Do que eu escapei... Albafica suspirou meio aliviado antes de ver Minos bocejar novamente.

— Quer voltar? — indagou cuidadoso, percebendo que Arnan os observava pelo espelho retrovisor.

— Não — Minos recusou a oferta, bocejando mais uma vez, e apoiou os braços nas pernas, relaxando a coluna e arriando os ombros. Com aquela cara sonolenta, ele parecia alguns anos mais velho. — Meus deveres não vão diminuir amanhã nem depois. Pelo contrário, eles vão aumentar e ficar mais difíceis. Tenho que aprender a lidar com isso.

Albafica pôs as mãos entre as pernas e recostou a cabeça no vidro do carro. A paisagem já não parecia tão interessante. Ele não estaria tão cansado se não tivesse que treinar comigo, pensou, sentindo-se responsável. Afinal, fora por sua causa que Minos decidira se tornar discípulo de Arnan e iniciar o Elo Carmesim. Para que não tivesse que ficar sozinho em sua redoma de vidro, onde nada nem ninguém poderiam lhe tocar até o fim de seus dias.

Não tinha palavras para expressar o quanto se sentira feliz ao saber que não teriam de ficar separados e que nunca mais precisaria ter medo de machucá-lo. Que eram iguais. Ou quase. Desde que tivesse cuidado para não se cortar, Minos podia ficar rodeado de pessoas. Ele não corria o risco de entrar em crise e borrifar sangue envenenado para tudo quanto é lado. Ele também não precisava treinar para aumentar a resistência de seu corpo, fazia isso só para lhe acompanhar. Mesmo assim, compartilhavam de um laço deveras especial e único. Nunca pensei que isso pudesse vir a atrapalhá-lo... Albafica reconheceu com melancolia. Não queria ser um problema nem causar problemas a ele.

— Mas você estava me chamando... — Minos disse, tirando-lhe dos pensamentos e chamando sua atenção. Tinha um sorriso malicioso estampado na face e passou um braço por trás de suas costas, puxando-lhe para junto do peito dele e sussurrando ao seu ouvido, implicante — O que foi? Se sente solitário?

— Claro que não, seu estúpido! — Albafica protestou emburrado, desvencilhando-se da mão cheia de dedos dele e retornando para seu cantinho à porta. — Só queria que parasse de me alugar. Eu não sou travesseiro, sabia?

Já estava mais do que acostumado com o jeito invasivo de Minos, mas de uns tempos para cá isso começara a lhe deixar com fortes palpitações no peito, ainda mais quando ele sorria daquele jeito, e isso lhe irritava.

— Tem certeza? — Ele perguntou ainda com aquele sorriso no rosto e um olhar faceiro, o qual retribuiu com gelo. — Eu estava tão confortável... — Minos alegou manhoso, e se pôs a balançar seu braço de um lado a outro. — Não seja mal, minha rosa!

— Não sou obrigado a aguentar seus roncos — Albafica não quis saber de conversa e enxotou as mãos de Dordellion de seu corpo e cruzou os braços. Vencido, Minos se afastou com os ombros cabisbaixos e uma careta combinando.

— Mas vai ter que se acostumar com eles um dia, não é? — Ele resmungou, bagunçando a franja já naturalmente bagunçada. — Eu estava te fazendo um favor!

— Me acostumar com eles? — Genero franziu a testa. — Por que eu deveria...?

— Não são só travesseiros que enchem uma cama, não é? — disse Minos sério e com os olhos opacos, beirando o sombrio. Talvez fossem só as olheiras unidas à penumbra da franja, mas foi o suficiente para fazer Albafica engolir em seco e perguntar:

— O quê?

— Nada, nada... — Minos balançou uma mão de um lado a outro e chegou para frente, apoiando-se atrás do banco do motorista. — Tio Arnan, ainda vai demorar muito?

Era impressão de Albafica ou Minos tinha acabado de fugir do assunto?

O Patriarca dos Genero, até então prestando atenção ao diálogo em silêncio, falou:

— É uma vergonha você ainda me perguntar isso após cinco anos, Minos.

— Nossa! Quanta patada! — Minos se fez de vítima, espalmando as mãos entre as próprias pernas abertas no banco, cerrando os olhos e pondo a cabeça para trás. — Talvez eu devesse ter ficado em casa hoje...

Albafica, que de seu canto não perdia um só movimento do espevitado amigo, voltou a esconder as mãos entre as pernas, fitando os próprios pés. Ele não deixou de me visitar nem um dia desde que me acordou naquela manhã há cinco anos. Deve estar mesmo cansado de tudo...

Leves cutucões em sua bochecha o despertaram.

— Brin-ca-dei-ra. Eu não conseguiria ficar um dia longe de você — disse Minos num sorriso que era um misto de cafetão bem-sucedido com morto de cansado e despencou sobre o colo do mais jovem, enroscando-se numa de suas pernas.

— Ei! — Albafica gritou assustado. Não esperava por aquilo e começou a empurrar Dordellion para longe.

— Não seja chato, Al — Minos esperneou, mantendo-se firme onde estava. — Com tantos solavancos, só consigo dormir em cima de você. Eu preciso descansar, senão volto pra casa num saco de cadáver. Sabe que o tio Arnan não perdoa! E daqui meus roncos não vão te incomodar, não é? — Albafica parou de bater porque quanto mais o acertava, mais os braços e mãos dele aderiam a sua carne. Se continuassem ambos iram sair machucados. — Fique na sua e me deixe descansar pela hora que resta até chegarmos ao campo de treino. — Minos decretou, passando um braço por debaixo de Genero, atando ambas as pernas dele e aconchegando a cabeça nelas.

— Seu...! — Albafica enviou um olhar aflito ao espelho retrovisor, mas Arnan parecia ter pedido o interesse na conversa deles. — Durma logo, então! — Deu mais um tapa na cabeça dele para que parasse de lhe apalpar.

— Sim — Minos resmungou sonolento e raspou os dentes na coxa esquerda de Albafica, ameaçando mordê-la. Mesmo com a calça, aquele contato liberou uma descarga elétrica que fez todo o corpo do mais jovem enrijecer —, minha rosa.

E adormeceu instantaneamente depois disso.

Com a face afogueada, Albafica voltou a admirar a paisagem através da janela. Embora Minos não roncasse, via bem menos do que antes. Devia ser o espanto que sentia por ter gostado daquilo...

Em exatos sessenta minutos chegaram ao terreno onde o Imperador da Tecelagem mantinha uma vasta plantação de rosas venenosas — Isso provava que a indagação que Minos fez a Arnan no carro não passara de uma artimanha para desviar as atenções do comentário provocante que tinha feito antes.

Já no campo, Arnan, como sempre sucinto, instruiu os discípulos a praticar concentração de cosmo-energia nas palmas das mãos, primeiro entre ambas e depois em cada uma separadamente, e os deixou sós para cuidar do roseiral.

— É algum tipo de piada? — Dordellion perguntou a Albafica. Tinha uma pequena massa oscilante de cosmo entre as palmas das mãos.

— Não acho que seja o caso — disse Genero pensativo, fitando sua própria amostra de cosmo. — Ele deve estar planejando nos ensinar alguma técnica nova que dependa desse domínio, e como as técnicas que sabemos não necessitam que manipulemos o cosmo dessa forma... — Minos deu um de seus sorrisos debochados. Sua Marionete Cósmica dependia de manipulação de cosmo nas mãos. — Quer dizer, nenhuma das técnicas que meu pai nos ensinou... Ele quer que aperfeiçoemos esse controle.

— Então, acho melhor aumentarmos o tamanho desse treco — comentou Minos, fazendo uma careta e expandindo a massa informe que tinha entre as mãos.

Albafica, observando o amigo por um momento e ainda com sua pequena amostra esférica inalterada, soltou um suspiro e sugeriu:

— Por que não experimenta igualar tamanho e uniformidade?

Minos o olhou com uma sobrancelha erguida, então decidiu demonstrar. Um minuto depois sua amostra tinha o dobro do tamanho anterior e conservava uma superfície arredondada, mas também estava mais difícil de mantê-la unida. Uma gota de suor brotou na testa de Albafica, que admitiu:

— Não vai ser tão fácil quanto parece.

Ao final da terceira hora, Minos tinha conseguido equilibrar uma quantidade de cosmo semelhante às dimensões de uma bola de basquete entre suas palmas — Albafica tinha atingido esse estágio menos de uma hora antes — e tinha passado ao treino com as mãos separadas. Essa etapa exigia ainda mais concentração do que a primeira. O jovem Genero tivera que parar várias vezes para tomar fôlego.

Mais duas horas e o Patriarca dos Genero veio ao encontro dos rapazes. A face meio destruída tinha um ar analisador e quando sua voz grave e um tanto fanhosa se fez ouvir trouxe consigo a mesma concisão de antes.

— Deixem-me ver seu progresso.

Ambos formaram uma esfera grande entre as mãos e depois afastaram os braços, obrigando as massas de cosmo a se dividirem em duas. A expressão de Minos ao fim disso era curiosa e a de Albafica cansada. Os dois duvidavam muito que o Imperador da Tecelagem não os estivesse observando ao longo do treino e se perguntavam o porquê dele fazer questão de ver tudo outra vez.

Fosse qual fosse o motivo, Arnan não tinha dito nada, apenas os observava como se esperasse que fizessem mais alguma coisa. Os rapazes se entreolharam rapidamente desconfortáveis. Chegar àquele estágio havia sido trabalhoso, mas considerando o mestre exigente que tinham nada era certo. Provavelmente aquilo era algum tipo de desafio — e de fato era.

Após um momento de inação, Dordellion deixou que a esfera em sua mão esquerda se desfizesse e a reaproximou à direita, forçando a esfera restante a se repartir em duas e depois voltou a uni-la e a repartiu novamente, agora em três, todas ligadas por uma fina linha de cosmo, dançando em movimentos aleatórios. Repetiu as ações até completar cinco esferas e parou, dispersando toda a energia e dando de ombros em seguida. Se Arnan quisesse mais alguma coisa teria que dar mais informações.

Os Genero o observaram em silêncio após o que o mais velho olhou para o filho com um raro olhar indagativo. Na certa, queria saber se o rapaz se prestaria a uma reprodução de movimentos ou se tinha algo mais a oferecer. Albafica não se deixou abalar pelo teor descrente daquele olhar e uniu outra vez as esferas de cosmo em uma, modificando a forma dela para um quadrado, depois para um losango, depois retornou a forma esférica e fez saltarem tachões de medida exata para a superfície, depois a fez tremular irregular e a transfigurou em grilhões, que se prenderam a seus pulsos e se dispersaram aos poucos enquanto mantinha um sorriso mínimo. Arnan contraiu o canto do olho bom e disse:

— Me acompanhem.

Com isso, marchou para a parte mais densa do roseiral. Albafica enviou um olhar meio hesitante a Minos. Será que tinha exagerado? Com um gesto cavalheiresco, Dordellion, que parecia se divertir, permitiu que fosse a frente. Fez uma careta e foi atrás do pai com o amigo em seus calcanhares.

Cruzaram o imenso campo, passando por uma longa faixa de terra crua e adentrando o roseiral que se estendia até o fim da propriedade, ainda a uma boa distância. Ali, além das rosas, também havia árvores frutíferas diversas. Albafica aspirou a mistura de perfumes que enchia o ar e distinguiu da fragrância das rosas o cheio de maçãs, peras, morangos e uvas — os dois últimos deviam estar mais para a frente. Também havia outras flores cobrindo o espaço. Aquele campo exalava vida pela vida, diferente do outro. Minos fitava tudo distraidamente.

— Não existem rosas venenosas nesse campo, não é? — perguntou Albafica, atraindo a atenção de Dordellion. Arnan, alguns metros à frente, olhou-o por cima do ombro e assentiu. — Por que nos trouxe para cá? Podemos acabar contaminando a terra acidentalmente.

— Preocupe-se apenas com seu desempenho, Albafica. Deixe as demais questões comigo — rebateu o Patriarca dos Genero cessando os passos, mas sem se virar. Tinham desembocado numa clareira, o que perante a declaração do mais velho tornava bem explícito o raio de ação do que quer que fossem aprender ali. — Devem ter percebido que o propósito do treino de hoje era exercitar seu controle sobre a manipulação física do cosmo, então não vou me prender a explicações acerca disso. O que vou mostrar para vocês agora é a única carta de batalha que nunca dividi com ninguém, bem como minha técnica mais perigosa e poderosa, é a última técnica que vou lhes ensinar. Observem com atenção.

Os rapazes se entreolharam um tanto apreensivos e focaram suas atenções em Arnan.

Como haviam feito nas últimas cinco horas, Arnan concentrou seu cosmo dourado entre as palmas de suas mãos abertas, deixando que uma quantidade abundante, bem maior do que a usada por seus discípulos, se acumulasse.

O brilho era tão forte que Albafica estreitou os olhos. O acúmulo de energia estava provocando uma ventania, nada exagerada, porém o bastante para mudar um pouco a visão habitualmente imexível do Imperador da Tecelagem, cujos cachos azuis-claros voavam como se desprovidos de peso.

Em vez de separar a massa de energia, Arnan a comprimiu, fez com que ela se voltasse para dentro de si mesma, condensando-a ao ponto do dourado característico dela se tornar verde como veneno genuíno e de sua forma grande e esférica se achatar, como se atacada incessantes vezes pelo pesado martelo de um ferreiro, alongara-se, finalmente assumindo a aparência fina e afiada de uma lâmina longa.

— Lâmina de Rizao — disse o Patriarca dos Genero, cravando seu olhar severo nos rostos abismados dos discípulos. — Essa folha de cosmo é a espada vorpal, composta do mais letal dos venenos. Diferente das rosas e dos Espinhos de Carmesim, que ganham autonomia após serem lançados, essa técnica requer concentração contínua de seu conjurador, pois uma simples distração... — Ele exibiu a lâmina de veneno para que os garotos pudessem ver. Havia uma pequena rachadura perto da ponta. — E ela se dispersa. A menos, é claro, que possam sentir a extensão do dano e repará-la. — A fissura desapareceu. — Mas isso demanda anos de treinamento, então não há por que ter pressa. Perguntas?

Albafica tinha pelo menos meia dúzia delas, mas Minos foi mais rápido.

— Disse que essa lâmina é feita do mais letal veneno, no entanto eu só vi o senhor empregar cosmo em sua criação. Como é possível?

— O cosmo é a energia da vida, e essa vida carrega todos os traços dos seres que o possuem — O Patriarca dos Genero começou a explicar. Agia com uma naturalidade absurda, embora a Lâmina de Rizao ainda estivesse intacta em suas mãos. — Meu cosmo é tão tóxico quanto eu, Minos, podendo ser usado na confecção de venenos e antídotos, assim como meu sangue. Mas você tem razão em suspeitar da capacidade dele. Como saber se essa lâmina é realmente feita do mais puro veneno? Simples: o verdadeiro veneno Rizao pertence a uma antiga lacaia de Zeus que há muito tempo esteve na Terra. Quando ela retornou aos céus, levou Rizao consigo, entretanto deixou na Terra as Rosas Diabólicas, como uma recordação ao último dos mortais por quem deteve apreço. As mesmas rosas, cujo veneno hoje preenche meu sangue e meu cosmo.

— Em outras palavras, o veneno das rosas é Rizao — Minos concluiu com uma sobrancelha franzida.

— Foi — Arnan o corrigiu. — Há muito tempo. Agora, não passa de uma fragrância distante, mas com o incentivo certo consegue recuperar seu esplendor original. Como ouro cercado de calcário. — Dordellion pareceu convencido. — Muito bem, Minos, em guarda. — O Imperador da Tecelagem apontou a espada sem guarda para o rapaz de cabelos prateados. — Quero ver o que você pode fazer com tudo o que acabei de demonstrar.

A resposta de Minos foi um de seus sorrisos endiabrados.

Albafica revirou os olhos, recuando até um pomar nos limites da clareira e sentando debaixo dele, com as costas apoiadas em seu tronco. Minos era o favorito de seu pai, que não fazia o mínimo esforço para esconder sua preferência sempre dando atenção a ele primeiro. Desde que começaram a treinar juntos era assim e suas perguntas teriam que esperar uma vez mais, mas tudo bem. Na verdade, era até melhor, assim teria tempo para descansar um pouco. Cinco horas a fio com o cosmo exposto tinham deixado suas juntas dormentes.

Apanhou uma maçã, limpou na barra da camisa e se pôs a comê-la enquanto assistia seu pai e seu amigo — ou “os meninos”, como preferia chamá-los nessas situações — prosseguirem com sua perigosa brincadeirinha particular. Nunca falava, mas era bom não ter o olhar frio e cobrador do pai sobre si o tempo todo, além de que gostava de ver Minos se movendo e isso tornava a espera interessante.

Para compensar o comprimento da espada de Arnan, Minos tinha materializado duas lâminas do tamanho de adagas e agora batalhavam de tal forma que um leigo que os visse acharia que estavam realmente tentando matar um ao outro. Mesmo com a perna torta, o Patriarca dos Genero não era menos veloz do que o afilhado e por várias vezes desferiu golpes certeiros contra a cabeça, o pescoço, o tronco e as pernas de Minos. Todos aparados pelas curtas lâminas dele. O choque das lâminas produzia um som molhado que tornava duvidosa sua solidez.

Albafica se engasgou com um caroço da maçã e tossiu algumas vezes para se livrar dele. Pode parecer bobagem, mas qualquer coisa em sua garganta era extremamente incômoda. Conseguiu se livrar do caroço e junto com ele um pouco de sangue foi parar na palma de sua mão. Enviou um olhar um tanto apreensivo na direção do pai, mas ele estava distraído demais com Minos para notá-lo. Se ele visse aquele sangue na certa não o deixaria tentar usar a Lâmina de Rizao. Não é um caroço de maçã que vai estragar o meu dia.

— Cuidado, Minos — avisou Arnan, pressionando sua folha de veneno contra as adagas do afilhado, logo sobre o peito dele. — Um simples arranhão, tanto da minha lâmina quanto das suas, e você ganha uma passagem só de ida para o Mundo dos Mortos.

— E você só diz agora, tio Arnan?

Os olhos de Dordellion se arregalaram, no começo as lâminas flutuavam rente as palmas de suas mãos abertas, mas por força do hábito as tinha fechado ao redor das superfícies de veneno. E se já tivesse se cortado? Barulhos ocos de ruptura foram ouvidos e Albafica pôs as mãos na testa, aquilo era o fim. As lâminas das adagas tinham se dispersado. Minos saltou para o lado bem a tempo de escapar da espada do padrinho. Mas não pôde fugir da próxima investida, que foi detida a poucos centímetros de seu pescoço. Ambas as faces de Arnan demonstravam insatisfação. Albafica esperou pelo sermão.

— Deixou que as palavras de um inimigo o afetassem e perdeu a concentração, Minos — O Imperador da Tecelagem acusou sem afastar a lâmina do cangote do afilhado. — Numa luta real você estaria morto agora.

Minos fez uma careta, sorrindo irônico e alegou:

— Foi um dia cheio. — Arnan suspirou contrariado e Albafica se ergueu. Aquilo era o mesmo que “por hoje basta” e ambos sabiam. — Dá um desconto, vai.

O Patriarca dos Genero, reassumindo sua habitual expressão indiferente, afastou a lâmina e ofereceu a mão livre para Minos, que a aceitou e se levantou. Albafica se aproximou dos dois e acabou trocando olhares com Dordellion, que tirando as folhas agarradas à roupa estava em perfeitas condições.

Com mais um barulho oco, a espada de Arnan se despedaçou e ele disse, ainda olhando para Minos:

— Terminamos.

Um forte aroma de veneno se espalhava com o vento naquele fim de tarde. O mesmo vento que fazia os cabelos do pai voarem e que levaram o significado daquela única palavra até si e o gelo dela também. Mirava a face do pai com uma expressão coberta de incredulidade. Ele não pode ter visto aquele sangue...

— Por quê? Está cansado, tio Arnan? — Minos perguntou num tom de brincadeira, visivelmente para tentar amenizar um pouco o clima pesado que tinha se instalado do nada.

— Você está — rebateu o Patriarca dos Genero, recuperando a bengala que tinha deixado recostada numa árvore. — Não posso lutar sem um adversário.

— Eu também consigo! — Albafica protestou, olhando fixamente para o pai. Se ele não tinha citado o sangue era porque não tinha percebido. As razões dele eram outras. Quais? Por quê? Desejava encontrar a resposta para sua pergunta, mas ele, como sempre, cerrou o olho bom, matando suas chances.

— Não, não consegue. Ainda falta muito — ele discordou. Palavras curtas e vazias, após as quais lhe deu às costas, afastando-se em regresso ao roseiral venenoso.

Albafica ficou parado lá, vendo-o se distanciar. Tinha uma torrente de indagações entaladas em sua garganta e ter de suprimi-la era sufocante. Dava uma chata vontade de chorar. Talvez fosse isso que o pai quisesse. Porém, não choraria. Era muito mais forte do que sua aparência dizia e sua idade pedia.

Sentiu as mãos quentes de Minos tocarem seus ombros e deslizarem para seus braços e as pontas dos cabelos dele, agora soltos, pinicarem o alto de sua cabeça e seu pescoço. Ele cheirava a creme de cabelo caro, rosas, suor e veneno e isso era tão família quanto confortável. Ao falar ele soou extremamente gentil. Era sempre assim quando ele punha as brincadeiras de lado. Pelo menos, consigo.

— Vamos, minha rosa?

Céus, como a presença dele tornava tudo mais fácil, suportável, e adorava quando ele lhe chamava daquele jeito. Recostou a cabeça no peito dele e respondeu:

— Vamos, mas quem vai dormir dessa vez sou eu.

Naquela noite após o jantar, sua mãe lhe convidou para ouvir os novos poemas que ela tinha escrito. Como não passavam muito tempo juntos e como queria ficar bem longe de seu pai, pelo menos até o resto da noite, aceitou acompanhá-la à biblioteca. Era lá que Rachel passava a maior parte do tempo e onde catalogava seu trabalho.

Deu boa-noite ao pai e se despediu de Minos, que já estava de saída. Na verdade, gostaria de pedir a ele que passasse a noite ali, mas não o fez. Ele tinha aula na manhã seguinte e a última coisa que queria era atrapalhá-lo.

Já na biblioteca, Rachel se deu conta de que tinha esquecido seu caderno de anotações, onde estavam três de seus novos poemas, no escritório do marido. Sem saber da desfeita que o filho havia sofrido do pai mais cedo, pediu que ele fosse até lá buscar, enquanto organizava sua mesa e os demais poemas, espalhados em várias pilhas com outros papéis. O garoto aceitou, com um sorriso, deu um beijo na bochecha dela e saiu.

Bata na porta e a abra. Se ele não estiver, melhor, mas se estiver peça licença, diga o que quer, entre, pegue o caderno, despeça-se e saia. Nada demais. Albafica tentou se convencer. Não queria passar por mais nada desagradável naquela noite.

Chegando perto do escritório, viu que a porta estava entreaberta. Arnan nunca deixava a porta assim, então achou que ele estivesse acompanhado. Aproximou-se um pouco, ouvindo vozes e se surpreendeu ao notar que quem falava com seu pai era Minos, que já deveria ter partido. Chegou mais perto, escutando o amigo dizer:

— Albafica tem tudo o que é necessário para executar aquela técnica! — O tom de Dordellion era irritado, coisa bastante rara ainda mais com Arnan. — Por que disse aquilo?!

Céus! Eles estavam falando dele! Pior, falavam do que tinha acontecido mais cedo! Albafica quis recuar, não era para estar ali, mas seus pés não se moviam por causa da curiosidade em saber qual seria a resposta do pai.

— Não, ele não tem. — Que foi essa. — Não consegue e nunca conseguirá executá-la. Esse é o limite dele.

Minos disse mais alguma coisa, soando ainda mais irritado, mas Albafica não ficou lá para ouvir.

Já tinha ouvido o bastante.

¢¢¢

A veces pienso que ya no hay color
Mi vida se ha llenado de dolor, de dolor
Está tan solo ya mi corazón
No puedo y pierdo la razón
¿Dónde estás, dónde estás?

Debo encontrar de nuevo esa ilusión
Y poder yo seguir adelante

[…]

Esta tan solo ya mi corazón
No entiendo nada yo no sé quién soy

Donde está el amor, de Belinda.

O que... Minos?

Albafica estava chocado.

— Marionete Cósmica! — Ao comando de Minos, as linhas de cosmo que pareciam uma cópia dos fios de seu próprio cabelo, surgiram às pontas de seus dedos e partiram para cima de seu alvo.

A reação de Albafica foi automática. Recuou com um salto para ganhar alguns instantes e lançou as Rosas Piranhas para deter as linhas que pretendiam capturá-lo. Ainda estava processando o fato de que Minos estava bem na sua frente, vestindo sapuris e lhe atacando. Não estava preparado para aquilo.

Minos... Minos era a única pessoa que sempre estava ao seu lado. Nunca lhe trairia, então qual era a razão para estar defendendo um deus como Thanatos e lhe atacando? Se isso é uma de suas piadas é a mais sem graça de todas! Minos avançou ao seu encontro, deixando fissuras no lugar onde os pés dele tinham estado apoiados. Tinha um sorriso louco estampado na face.

Thanatos, caminhando devagar pela borda do telhado, observava tudo com um sorriso quase divertido. Havia um Q de desconfiança nos olhares que lançava para o Juiz de Griffon, mas nada que pudesse sobrepujar sua vontade de ver um dos escravos de Athena sofrer nas mãos dele. Não havia mentido. Não pretendia se envolver no combate a menos que seu campeão fosse derrotado, mas era visível que tinha certeza de que não teria de fazer nada. Cavaleiro de Ouro ou não, Albafica não seria capaz de enfrentar um inimigo daqueles por causa de seus sentimentos humanos.

Depois de ter todas as investidas da Marionete Cósmica frustradas pelas Rosas Piranhas, o Juiz do Inferno optou por uma abordagem mais direta, disparando na direção de Genero. Dessa vez a reação do cavaleiro não foi tão rápida. As rosas que lançou contra ele mal o tocaram. O soco que recebeu no abdômen o jogou com tudo contra o teto do galpão, que cedeu, permitindo que despencasse até o primeiro andar.

Minos não hesitou em segui-lo, pairando acima de sua cabeça como um abutre faminto e batendo as grandes e agourentas asas da sapuris com força. A pressão do vento provocado por esse movimento imprensou o Cavaleiro de Peixes de costas contra o chão, fazendo sangue escapar da boca de Albafica e aumentando a cratera que tinha se aberto ao seu redor com o baque primeiro de seu corpo.

As linhas da Marionete vieram uma vez mais ao seu encontro, porém foram dilaceradas pelas rosas negras. Albafica flexionou os dedos no solo castigado e se sentou, encarando o Juiz que pousava a alguns metros à sua frente e perguntando entre dentes:

— Por que está fazendo isso, Minos? — Seu tom carregava uma angústia que não conseguia esconder. — O que eles fizeram com você?

Minos ainda estava sorrindo.

— Pra quem não pretendia nos contar nada, você está fazendo perguntas demais, Al — Minos zombou, sacando sabem os deuses de onde uma rosa de pétalas enegrecidas como sangue seco. Albafica arregalou os olhos. Havia duas técnicas de seu pai que geralmente ignorava, uma por ser fatal para si, a Lâmina de Rizao, e a outra por não conseguir usar por não ser do elemento fogo: aquela. — Rosas de Fúria.

A rosa que Minos tinha nas mãos se incendiou e se atirou no cavaleiro de Athena, sendo seguida por outras igualmente em chamas. A fumaça produzida pela queima delas exalava um veneno que era capaz de destruir as células daqueles que a inalassem, como se já não bastasse ser carbonizado por suas chamas.

Albafica não se preocupava com o veneno, mas não tinha como bloquear o fogo e o poder perfurador daquelas rosas. Então, saiu às pressas do buraco, sendo apanhado pelas rebarbas do impacto da explosão. As linhas infernais e insistentes da Marionete alcançaram seu corpo enquanto ainda estava no ar e se enroscaram por todo ele. Caiu de joelhos. Não conseguia se mover.

Ele não faria isso... Albafica se arrepiou ao lembrar-se do quanto era doloroso ser uma das marionetes de Griffon e ter o corpo torcido até quebrar mesmo sem nunca ter sido uma delas. Mesmo tendo visto os ângulos retorcidos em que os corpos dos guerreiros marcianos, que tiveram a má sorte de esbarrar em Minos na última guerra santa, ficaram por terem sido levados à morte por aquela técnica não explicava aquela sensação tão nítida. Era como se a tivesse experimentado e sido levado à ruína por ela. Faria? Essa não era a primeira vez que tinha lembranças de uma vida que não vivera — tinha acontecido nas Ruínas de Lemúria, com as palavras que insultavam seu orgulho —, mas não tinha tempo para pensar a respeito.

Minos se aproximava com passos calmos e o bom-humor inalterado e isso o fazia parecer ainda mais assustador enfiado naqueles trajes infernais, entretanto Albafica não conseguia sentir medo dele. Na verdade, estava mais preocupado com ele do que consigo mesmo. Imaginava se o estavam ameaçando de alguma forma ou se tinham feito algo com a cabeça dele.

Mesmo assim... Esse olhar... Não tem hesitação alguma... Por quê? Minos havia parado a sua frente e parecia um membro da guarda real da rainha da Inglaterra que tinha substituído a expressão séria por uma cara despreocupada, mas sem perder o caráter silencioso. Tinha que ter algo de errado com ele. O Minos com quem convivia há anos já teria soltado um bando de comentários maldosos numa situação como aquela. O que estava errado? Ele não lhe deixava entrar. Como eu posso te livrar disso?

Os pensamentos de Albafica foram interrompidos pelo som de algo grande e metálico colidindo contra o chão. Era Dégel, ou melhor, Thanatos que tinha acabado de aterrissar no interior do galpão, logo ao lado da cratera, e vinha se aproximando do cavaleiro aprisionado e de seu inesperado carcereiro. Os cabelos prateados se moviam com leveza a cada passo que dava. A túnica branca arranhava o chão.

— Agora... Você vai nos dizer onde está Athena? — Thanatos perguntou coberto de falsa gentileza. Falando daquele jeito ele parecia ainda mais Dégel e isso era uma grande afronta. Como Genero gostaria de acordar daquele pesadelo.

— Vá para o Inferno, desgraçado! — Albafica cuspiu sangue na túnica impecavelmente limpa do Deus da Morte.

Thanatos passou os olhos do cavaleiro tombado para os borrifos de sangue em sua roupa e voltou a encará-lo. Não sorria, mas seus olhos emitiam certa satisfação, o que demonstrava que Albafica estava dançando nas palmas das mãos dele exatamente como ele queria.

Esse deus já tinha tudo planejado. Albafica se sentia patético. Sabia que eu não iria fazer mal a Minos, por isso o trouxe. Tentava romper as linhas de cosmo de Minos, mas não tinha esperanças. Sabia que elas eram muito resistentes e quase impossíveis de se romper com força bruta.

Agathia observava tudo a alguns metros, de trás de uma coluna. Parecia bastante agoniada por não poder ajudar sem que a notassem. Eu devia ter ouvido o conselho de Mani e fugido! Pensou Albafica, mais logo se arrependeu. O Deus-Mensageiro teria lhe seguido e isso colocaria as crianças em risco. E Minos também...

— Humanos são realmente criaturas estúpidas, que não sabem o que é melhor para si mesmas... — Thanatos resmungou depois de alguns breves momentos de contemplação e vestiu um sorriso cruel. — Você queria que eu o tocasse, não é?

Albafica foi parar no chão com o chute que levou no rosto. Seu elmo saiu e de repente tudo o que via era a bota da sapuris de Thanatos pisoteando sua cabeça, como se fosse o corpo de um inseto insignificante e repulsivo.

Com a quantidade de sangue que estava perdendo, o Albafica do dia anterior já teria perdido a consciência — talvez a vida —, contudo o de agora era forte o bastante para dar mais atenção ao que poderia significar tantas coincidências infelizes ao receio de acabar morrendo ali.

A atitude estranha de meu pai, Minos nas mãos dos Espectros e Dégel como hospedeiro de um deus doente... O que significa tudo isso ao meu redor? Tanta dúvida somada às pancadas que recebia fazia a cabeça de Genero pesar, afetada, e as vistas bambearem. Na face pálida pintada de vermelho tinha uma expressão de impotência, vários fios de seu longo cabelo celeste-diurno colavam-se a ela.

— Satisfeito? — indagou o servo divino de Hades, afastando-se pouco interessado em escutar sua resposta, enviando um olhar pernicioso a Minos, que estava ao lado dele imerso num silêncio mortal e resignado, e dando às costas ao Cavaleiro caído. — Hora de deixá-lo mais confortável. Vamos.

Minos correspondeu à ordem do deus com uma breve reverência, agiam como se fossem mestre e discípulo, e ele os deixou a sós, indo num andar airoso para a saída do galpão. A expressão de Minos ainda era livre de culpas e dores, mas não havia sorriso algum a marcando. O que estaria pensando? Albafica gostaria de saber. Saber as razões que os havia arrastado até aquela situação. Dordellion se agachou ao seu lado e içou sua cabeça do chão pelos cabelos, dizendo secamente rente a seu ouvido:

— Durma um pouquinho.

E bateu forte sua testa contra o chão, terminando o trabalho do Deus da Morte. Tudo escureceu instantaneamente, trazendo-lhe a doce e amarga lembrança nunca por si vivenciada de morrer.

Notas finais
É isso, pessoal! Se Deus permitir, logo, logo tem mais! Bjinhos! Até a próxi! ^-~/