Notas iniciais
Este é um capítulo especial, aqui veremos o lado da história contada por Lydia.

O caderno de cálculo estava em minhas mãos. Olho para a folha branca e percebo que os números que pensava ter escrito, na verdade, não estavam ali. Nada estava ali além de um desenho. Me assusto com o fato de ter desenhado meu próprio caderno, então o folheio para continuar a fazer meu dever. Não são nem nove horas quando caio no sono.

Acordo num pulo com um barulho de sussurros, meu caderno está repleto de desenhos que não entendo, então o deixo no quarto e sigo os sons estranhos. É lua cheia. Pego meu celular e um casaco, o casaco que Jackson havia deixado pra mim. Quando percebo, estou entrando na floresta.

A floresta está vazia e escura. O som das folhas batendo se misturam aos sussurros e a uma música estranha, daquelas que entram na sua cabeça como zunido e se prolongam. Sinto algo na garganta, me sinto sufocada. Algo insiste em sair de mim, estou desesperada e então, eu grito. Sei o que esse grito quer dizer, e não consigo pará-lo. Enquanto o faço, uma forma vestida de preto aparece e luta com alguém que presumo ser Scott. Sou atingida no pescoço por algo, minha visão embaça, e a última coisa que vejo é Scott caindo ferido ao chão, e então, tudo está escuro.

***

Não sei aonde estou. Sinto uma gota cair em mim, tenho medo de ver e perceber que é sangue, mas me alivio ao perceber que é apenas goteira. Aqui é escuro e úmido, perfeito para um fungo, não para uma banshee. Vejo uma tigela branca perto de uma porta, mas não sinto fome. A porta é velha, tão velha quanto as minhas forças. Me sinto fraca e impotente. Ouço um barulho e me encolho.

– Lydia Martin. Ora, ora, e não é que a princesa acordou? — a voz é familiar, mas não consigo reconhecer. O rosto é impossível de distinguir.

– Onde estou? Quem é você? E eu dormi por quanto tempo? -pergunto num tom desesperado, porém fraco.

– Você dormiu por dois dias. Você não está me reconhecendo? E eu pensava que você era uma boa banshee... talvez tivesse sido melhor pegar Meredith, mesmo morta era melhor que você.

– Onde. Eu. Estou? — digo, com raiva.

– Se um dia seus amigos te resgatarem, o que acho difícil, você irá descobrir.

Uma voz rouca a chama e o sequestrador sai do pequeno quarto, batendo a porta forte. Me arrasto para perto da porta, onde está a tigela com comida. Me encosto na madeira velha, pego a tigela e o cereal que está dentro dela. Não consigo ouvir nada que falam, não ouço nada que possa me ajudar.

Penso se Stiles está preocupado. Ele, apesar de tudo, sempre foi o mais forte dentre nós. O único que não desistia, mesmo quando tudo parecia estar acabado. Ele nunca desistiu de mim. "Por favor, que ele me encontre." penso em voz alta.

Apesar da jaqueta, sinto frio. Me encolho e aperto a jaqueta contra o corpo e sinto um objeto. Meu celular. Eles não pegaram meu celular. O pego desesperada e vejo mil ligações perdidas. Meus dedos tremem ao procurar o contato mais recente. Derek. Na segunda chamada ouço uma voz, e por um momento, penso que está tudo bem.

– Lydia? — ele diz, e seu tom preocupado já diz tudo.

– Stiles... — digo, mas me sinto fraca até mesmo pra falar.

– Lydia? Onde você está? Você está bem?

– Stiles, socorro! — digo desesperada e me apresso ao ouvir passos vindo do outro lado da porta. — Eles estão vindo, não sei onde estou, está tão escuro...

Desligo o telefone mas não consigo o esconder a tempo. A porta abre e a forma o pega. Ela o pega na mão e o roda, observando. Ela olha em minha direção e logo depois destrói o celular. Vou me arrastando para a outra parede afim de me esconder, em vão. Ela me persegue e abre a mão. Sinto minha bochecha arder com o tapa. E então, desmaio.

***

Ouço um barulho. Pés se arrastando. Finjo estar dormindo quando a porta se abre. Há duas pessoas: o sequestrador e alguém pendurado em seus ombros. Ele joga a pessoa no chão e põe outra tigela com cereal perto da porta.

Não reconheço a pessoa. É uma menina, da minha idade talvez. Tem a pele escura e cabelos negros encaracolados. Está arrumada como se tivesse saído de uma festa. Ela está apagada, como eu estava quando cheguei aqui. Volto para o canto e pego no sono, tentando fazer com que tudo seja apenas um sonho. Apenas um pesadelo.

Quando acordo vejo uma face me encarando. Seus olhos estão vermelhos e arregalados, ela parece assustada.

– Olá. — digo baixo.

– Você é a Lydia? Lydia Martin, que faz as melhores festas de Beacon Hills? A que está sendo procurada?

– Sim, e você é...?

– Tracy,Tracy Adams. Você sabe onde estamos? — ela pergunta em tom de choro.

– Não faço ideia. Você viu o rosto do sequestrador?

– Não consegui. Eu nem sei porquê que estou aqui.

– Você ouve sussurros? — pergunto, mas logo percebo que ela é apenas uma pessoa normal quando vejo seu olhar confuso. — Deixe pra lá. — digo. — Vamos dar um jeito de sair daqui, Stiles irá nos salvar, meus amigos irão nos salvar. Confie em mim.