Alguém Viu a Banshee?
6 A Casa dos Adams
Lydia havia sumido há quatro dias. Eu estava desolado.
Abro os olhos devagar, a luz do sol está ultrapassando a cortinha do meu quarto. Fico deitado na cama por aproximadamente dez minutos. Encarar o teto não era tão ruim assim. Viro minha cabeça para o lado, meus olhos miram a foto dela com o alfinete vermelho presa no quadro. Seu sorriso era perfeito, seu rosto lindo, e seu cabelo pendia de lado numa trança. Nessa época ela não sabia que era uma banshee, ela era apenas Lydia Martin.
É sábado e eu não sinto vontade de me levantar. Hoje é a folga do Xerife e sei que ele ignorou isso, já que não ouço o barulho da tv ligada no jornal. Sei que tenho de pôr uma roupa e ir para a casa de Derek como o combinado, mas ligo para o celular de Scott dizendo que irei chegar tarde. Não quero ir. Não quero encarar a realidade.
Chego à casa de Derek meia hora atrasado. Isaac está observando o caderno de Lydia junto com os gêmeos. Scott e Allison estão no canto com o notebook conversando e Derek, como sempre, está sentando pensando. Me sento ao seu lado e pergunto se há alguma novidade. Nada.
– Na verdade, — diz Allison — Scott e eu pesquisamos sobre a família Adams, e acho que descobrimos o que são aqueles números que vimos no caderno de Lydia. A família de Tracy é dona de um banco, aqueles números podem ser, ou a conta do sequestrador, ou uma quantia de dinheiro.
– E como isso pode nos ajudar? — pergunto.
– Se for o número da conta dele, descobriremos quem ele é. — diz Derek.
Comunicamos ao meu pai e conseguimos o endereço da família de Tracy. A casa era grande, talvez três vezes a minha. O jardim tomava conta dos quatro cantos da casa, além de ter um caminho de pedra até a varanda. Tocamos a campainha uma, duas, três vezes, mas ninguém atendeu.
Havia um carro a mais estacionado, então eles estavam em casa e com visita. Estávamos dando as costas para a porta quando ouvimos o barulho da porta se abrindo.
– Posso ajudar? — perguntou uma mulher baixa, devia ter pelo menos trinta e sete anos.
– Er... sou eu, o Xerife que está trabalhando no caso de Tracy. A senhora é a mãe dela?
– Sim, eu sou.
– Não sei se a senhora pode dar essa informação, mas seria muito necessário.
Meu pai explicou sobre os números que encontramos no caderno de Lydia, e de como achamos que pode ser uma pista. A mãe de Tracy nos convida para entrar e esperar. Nos sentamos no sofá da sala principal, consigo ouvir vozes vindo de uma sala ao lado. "Eu não quero!" ouço uma voz mais fina e jovem, "talvez Tracy tenha uma irmã", penso.
A Sra. Adams passa por nós e vai para a outra sala dizendo que o Sr. Adams está a caminho.
– É você quem está trabalhando no caso de Tracy? — pergunta uma voz grave, que me faz dar um pulo.
– Sr. Adams. — meu pai levanta e o cumprimenta. — Sou o Xerife Stilinski, e sim, sou eu.
Depois do meu pai ter de explicar tudo novamente, Sr. Adams nos informou que não havia ninguém com aquela conta. Enquanto ele falava, não podia ignorar as vozes — principalmente a de uma garota — da sala ao lado. O pai de Tracy percebeu meus olhares na direção da tal sala e se ausentou um pouco, indo até lá; quando voltou, o silêncio foi perturbador. Logo depois saiu uma menina da sala, tão rápida que não pude ver o rosto, ela fechou a porta da sala em que estávamos e foi para fora da casa. Depois dela, saiu um senhor e uma senhora, ambos com descendência oriental.
Agradecemos ao Sr. Adams pela informação e nos despedimos. Enquanto o Xerife conversava sobre algo com ele, vi uma menina — que presumo ser a que saiu correndo — encostada na varanda. Tinha a aparência oriental, como os adultos que vira antes, seu cabelo era negro e batia pouco abaixo do ombro; ela vestia uma blusa vermelha como sangue por dentro de uma saia preta. Me aproximei dela e ela tinha o rosto tão assustado.
– Você está bem? — perguntei.
– Sim, obrigada. E desculpe incomodar.
– Não foi nada. Aliás, sou o Stiles. — estico a mão para cumprimentá-la, quando a toco, está quente, fervendo.
– Prazer, me chamo Kira.
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