Alguma Melodia
10 Vendetta
Notas iniciais
Quero escrever. Preciso escrever. Não aguento mais. Todo o sofrimento do mundo está em minhas mentes. Mentes conflitadas e receosas. A injustiça de tantos é injustificável. Eu vejo pessoas querendo roubar minha poesia. A única coisa que me resta e querem tirá-la de mim. Nada mais fará sentido. O sofrimento de minhas mentes apenas aumentará e terei de derramar meu sangue para impedi-las de sofrer.
Esta carta leio com pesar. Diagnosticado com todas as doenças, não sei para onde ir. Desnorteado, desnudo de fé e esperança, chorando, sangrando. Ferimentos que não podem mais ser curados se espalham pelo meu corpo. Meu coração é como um papel amassado, nunca retornará a ser liso.
Ouço uma melodia ao longe. Mas não é uma melodia bonita e doce. É feia, dolorida, arranha os tímpanos com seus ruídos metálicos. Gosto de sangue vem à boca. Vomito, esperando aliviar-me de algo. Nada. Olho para o céu. Cinza, escuro, morto. Assim como eu.
Quem diria. Eu, morto. Morto de pensamentos, de inspirações. Morto por todas as mortes que uma vez passaram nas mentes de outros. Morto, pois não há mais poesia correndo por minhas veias.
Mas haverá vingança. Ah, se haverá. E ela será doce e fria. Eles sofrerão. Arrancarei seus olhos para não mais verem a beleza que ainda resta. Cortarei seus dedos e perfurarei suas orelhas para não mais tocarem ou ouvirem melodias de qualquer nação. Destrincharei seus corações para não mais sentirem. E por fim, esfaquearei seus cérebros. Para que não possam sonhar, imaginar ou ter ideias. Para que sintam como é ter a poesia sequestrada. Para que sofram como as mentes que carrego.
Estou chorando. Não gosto de desejar o mal às pessoas. E ainda assim o faço. Mas se não for assim, como elas aprenderão? Como perceberão o quanto os outros também sofrem? Será que há outro meio senão fazê-las sentir o mesmo? Se há, diga-me. Pois tenho pouco tempo antes de ser consumido pela raiva e, sedento por sangue, ceifar as almas podres.
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