Alguma Melodia
11 Busca
Notas iniciais
Ela caiu. Desabou de uma fraga. Nas profundezas da escuridão encontrou um álveo traçando seu caminho pelas rochas. Decidiu segui-lo.
Não estava com medo. Pelo contrário, despertava de curiosidade. Caminhava lentamente, segurando sua corrente ênea e reluzente. Após um tempo, encontrou um enho. Sentiu pena. O pequeno estava com fome, sozinho e muito triste. Seus olhos brilhavam de lágrimas. Pegou um pedaço de pão na sacola, era tudo o que tinha. O enho comeu. Ela não aguentava vê-lo naquele estado. Pegou-o no colo.
Chegou ao fim. Uma parede de pedra se estendia para o alto. Não conseguia ver a luz ou o céu. Olhou para o álveo, era ali que ele nascia. Pousou o enho no chão frio. Pensou. Não havia como escalar. Foi até a nascente, banhou o rosto e bebeu água. Organizou a mente. Observou o enho saltar ao longo do paredão. Caminhou até ele. Encostou as duas mãos suavemente na pedra e sussurrou: “Perdão”.
Uma fenda se abriu e ela viu o dilúculo em seu esplendor. Saiu. Atrás dela, a fenda se fechou. O enho havia ficado. Desesperada, bateu na rocha, pedindo para libertá-lo. Nenhuma resposta. Vislumbrou o lugar. Novamente em uma fraga. O sol a chamou. Esqueceu-se de tudo. Caminhou até a ponta. Sentiu que deveria pular.
* * *
Ela caiu. Desabou de uma fraga. Nas profundezas da escuridão encontrou um álveo traçando seu caminho pelas rochas. Decidiu segui-lo.
Fale com o autor