Alguma Melodia
12 Cemitério
Notas iniciais
Traga-os de volta à vida.
Aqueles que não mereciam.
Aqueles que mereciam.
Mas eles já estão aqui, não estão? Eles sempre estiveram.
Almas antigas, novas, podres e puras.
Elas cantam, as almas.
Melodias de dor, de alívio, tristeza, alegria. Por que você não canta também?
Saia daqui então. Não é bem-vindo.
*
Eu fiquei brava? Essa é a razão? Ah, você não as ouve cantar? Preste atenção.
Traga-os de volta à vida.
Não tem conserto. É impossível.
Está acabado, não está? Não consegue ficar aqui.
Basta.
*
Agora você canta? E para eles nada. Tem certeza? Eu não preciso. Que ideia é essa?
Traga-os de volta à vida.
Não importa! Eles merecem lugar melhor.
Eu os amo. Mas aqui não é seu lugar. Há muito eles almejam sair.
*
Nem
parece
que
você
é
um
anjo.
*
Eu? A culpa é minha? Deixe-me falar.
*
A escuridão era o grande cobertor que pairava pelo ar. O silêncio e a névoa uniam-se em um só. Medo, agonia, desespero, tudo se via por ali. Ou assim pensavam. O que não sabiam era que a Morte cuidava dos mortos em um abraço suave como as asas dos pássaros, protetor como o de uma mãe, mas muito forte, para que nem o mais perverso se aproximasse a fim de atrapalhar o caminho rumo ao paraíso.
*
E você não pode fazer isso. Por mim. Por eles.
*
Covarde.
*
Estou fraca. Eles precisam sair. Ser livres. Vivos.
Ah, você me entende. Está sendo teimoso.
Qual é o seu problema?
*
Apenas uma escada, um caminho, uma luz.
Sim, eles iriam segui-la.
*
Obrigada. Mais uma vez provando que estamos sozinhos. Sempre estivemos.
Não preciso de consolo, não estou chorando.
É ilusão.
*
Traga-os de volta à vida.
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