Algo maior que eu

8 A grande catedral prateada


Kyssares acordou com Mirlanda chamando eu nome.

—Acorda logo nos já chegamos.

A Elfa olhava em volta analisando o quarto que parecia agora tão diferente depois de limpo. Logo atrás dela estava a garota meio animal aguardando em silencio o seu salvador levantar.

—Já acordei —ele disse se sentando na cama.

—Você parecia estar tendo um sonho muito estranho. —A Elfa parecia intrigada, o Hobbit corou ao se lembrar de algumas poucas cenas.

—Eu não me lembro —ele disse encabulado.

Desta vez com a luz forte do dia entrando pela janela a Elfa pode ver com clareza o peito do pequeno descoberto, de fato era um corpo bem treinado digno de um guerreiro mesmo que fosse um ser pequeno ficava claro que era forte.

—Boa tarde —disse a garota animal. —Não quero demorar mais para agradecer pelo que fez por mim, Lupe me contou tudo, serei eternamente grata.

—Lupe?

—Meu amigo aqui —explicou indicando o lobo parado no corredor bem atrás dela.

—Entendo, vou me trocar aí você pode me contar o que aconteceu.

Alguns minutos depois Kyssares subiu até o convés e ouviu a história da garota, aquela era Samires druida da floresta sem fim, a maior floresta do continente, sua história era cheia de lacunas, segundo a mesma havia fugido da floresta em um barco que roubou, nem pensou direito ao dizer que roubou, depois disso foram atacados por uma criatura voadora eu destruiu o barco e ficaram à deriva por alguns dias flutuando nos destroços. Kyssares tinha muitas perguntas é claro pelo pouco que sabia a floresta sem fim ficava bem longe de Siattes, mas também mal sabia onde estava, de qualquer forma antes que pudesse questionar a Elfa interrompeu a conversa.

—Vamos deixar isso para outra hora, aquela é a ilha que procurávamos, vamos logo fazer o trabalho —ela disse já se preparando. —Druida como acabamos de nos conhecer eu não posso permitir que fique aqui sozinha então terá que ir conosco.

Considerando a história que havia acabado de contar foi bem normal a reação da Elfa.

Tanto Mirlanda como Kissares se prepararam com o melhor que tinham, o Hobbit teria a chance de testar sua espada nova, era uma espada longa comum, um aventureiro de tamanho normal usaria normalmente com apenas uma mão, mas ele precisaria das duas, o peso nem era tanto problema, mas o tamanho podia causar uma perca de equilíbrio caso quisesse usar apenas uma mão, fora isso sua armadura também era nova, o couro era resistente e bem leve. Com 3 pessoas no bote mais o lobo remar era bem difícil, mas as damas não se incomodaram com a lentidão desde que fosse o pequeno cavalheiro a fazer o esforço.

Ao alcançar a praia as garotas estavam bem em analisar as redondezas enquanto o Hobbit recuperava as forças.

—Encontrei a trilha —disse Samires.

—Talvez seja bom ter um Druida no grupo —comentou Mirlanda.

A trilha era um caminho quase que completamente tomado pela mata, segui-lo exigia alguma paciência, mas para Samires não era problema ela caminhava rápido logo atrás do lobo mostrando a direção certa.

—Espera, tem algo a frente —disse a druida. —Cheiro de fumaça, Lupe contamos com você.

O lobo continuou seguindo e embora nem a Elfa nem o Hobbit tivessem sentido cheiro nenhum eles aguardaram até o lobo retornar. A garota e o lobo pareceram conversar um pouco, foi bem estranho ouvir a garota imitando os sons do animal.

—Ele disse que é um acampamento de Goblins (humanoides de pele esverdeada medindo algo entre 80 centímetros e 1 metro), tem pelo menos 2 dúzias deles.

—Impressionante. —o Hobbit comentou. —Seu lobo sabe contar.

A garota deu um largo sorriso de orgulho.

—Ele é muito inteligente, mas na verdade não é meu lobo foi ele que me ensinou muito do que eu sei.

—Então devemos considerar que ele que é seu dono. —A Elfa explicou.

—Não é isso...

—De qualquer forma, eu achei que essa ilha estava desabitada, Goblins são realmente como baratas grandes, vamos lá á que são só Goblins vamos fazer um favor ao mundo e matar todos.

A druida não estava certa se isso era o certo a fazer já que eram muitos, mas o Hobbit seguiu a Elfa sem dizer nada e ela foi obrigada a confiar na força dos dois embora estivesse pronta para fugir e se esconder caso alguma coisa desse errado.

Escondidos na moita perto do acampamento dava para notar que os Goblins estavam bem relaxados bem diferente dos saqueadores de cidade, certamente por ter montado acampamento em uma ilha desabitada, mesmo assim havia por ali algumas armas espalhadas e pedaços de armaduras.

—Qual o plano? —Samires parecia preocupada. —Eles nem parecem ofensivos.

Mirlanda deu uma boa olhada para o rosto da garota e viu uma sincera inocência bem rara mesmo em jovens, depois se levantou e foi caminhando para a clareira ficando totalmente a mostra. O Hobbit não perdeu tempo e acompanhou, manteve a mão na espada, mas assim como sua contratante manteve embainhada. Samires sem saber o que fazer decidiu permanecer na moita escondida.

Os Goblins assim que viram a Elfa começaram a se armar e cerca-la, nenhum dos dois entendia o que eles estavam dizendo, mas eles pareciam bem hostis naquele momento. Uma das criaturas fez um gesto apontando sua espada velha para a espada embainhada da Elfa, ficou claro que ele a queria desarmada, claro que Mirlanda não iria cometer esse erro. Ao notar que a Elfa não concordava em largar a espada o Goblin partiu para o ataque, as outras criaturinhas só perceberam porque a cabeça do seu companheiro caiu no chão quando viram o brilho da espada bastarda na mão da Elfa, foi a deixa para o início da batalha. Os Goblins partiram para cima, o Hobbit empunhando sua espada com um golpe rápido conseguiu atingir 3 deles que estavam a frente no mesmo ataque. Mirlanda ficou impressionada e aliviada por que não precisaria se preocupar com a segurança do pequenino, ele dava conta, com os dois lutando lado a lado não importava quantos se aproximassem eram mortos com muita facilidade, só havia um arqueiro no bando e assim que levantou o arco mirando na Elfa teve o pescoço dilacerado por uma mordida do Lupe e caiu sem vida, os outros eram valentes, mas nada puderam fazer para conter a dupla, os que tentavam fugir para a mata eram pegos pelo lobo, não demorou muito todos os Goblins caíram.

—Não tem fêmeas, nem crianças —Mirlanda comentou. —Os equipamentos que usaram com certeza não foi construído por eles, deve ser um bando de nômades ladrões, posso apostar que o barco que usaram para chegar aqui deve estar escondido em algum lugar ao redor da ilha.

—Vamos continuar —sugeriu Kyssares. —Ainda temos algumas horas antes de anoitecer, se possível gostaria de não ter que acampar nessa ilha.

Samires encontrou a trilha com facilidade continuaram seguindo até o que parecia ser um templo abandonado, era como uma catedral bem antiga, mas mesmo naquele estado meio tomado pela vegetação dava para notar que havia sido algo majestoso.

—Aqui era a catedral da luz, um local de consagração dos paladinos, o que busco deve estar aí dentro, mas posso apostar que há algum tipo de proteção como na masmorra.

—Por que foi abandonado? —perguntou a druida.

—Acredito que foi intencional, depois de algum tempo surgiu o boato de que a ilha estava amaldiçoada, mas remover maldições é a especialidade dos paladinos então cheguei à conclusão de que deixaram algo aqui, com um pouco de sorte é o que busco.

Subiram a escada até o portão de pedra, não havia nenhuma maçaneta ou mecanismo que parecia servir para abrir a passagem, somente inscrições em Élfico. Mirlanda sabia o que fazer, proferiu as palavras certas conforme as inscrições indicavam, mas ouve um ruído e a porta emitiu uma força repulsiva afastando dela alguns metros os aventureiros.

—O que foi isso? —perguntou o Hobbit.

—Está selada com magia, mas é magia divina e muito poderosa.

—Consegue abrir?

—Vou tentar uma contrámagica, só resta saber se minha magia é tão poderosa quanto quem selou essa porta. —Mirlanda fez os gestos e pronunciou as palavras necessárias, suas mãos começaram a brilhar e ao terminar tudo que ela fez foi tocar a porta que abriu sem maiores problemas, diante deles estava o antigo salão de prata, diferente do lado de fora tudo ali parecia limpo e novo, o piso era feito de pedra branca tão lisa que dava para ver o reflexo do teto, as paredes feitas de tijolos também brancos Ao redor do salão circular pendurados nas paredes haviam 8 espelhos de 2 metros e meio cada. Um grande lustre no centro do teto iluminava o ambiente com várias esferas de luz magica, haviam vários bancos de mármore dispostos como em uma igreja e do outro lado do salão um altar, fora isso havia uma escada pequena de aço levando para um andar acima e uma porta de madeira detrás do altar.

—Vocês olham lá em cima — disse Mirlanda. —Eu vou verificar a porta.

O Hobbit e a druida fizeram como ela falou e foram até o segundo andar, lá encontraram uma espécie de salão de guerra, nas paredes tinhas várias armas e até algumas armaduras, fora isso uma corda bem grossa subia o teto por vários metros até um sino enorme.

—Se importa se eu pegar um arco? —Perguntou Samires avistando um na parede.

—Va em frente.

Mirlanda teve que fazer outra contrámagica para abrir a porta detrás e lá encontrou uma escada pequena descendo para dentro da terra, antes de descer conjurou luz em sua espada. Desceu vários degraus em uma área que nada se parecia com o salão acima, as pedras usadas nas paredes para conter a terra não eram polidas e mesmo a escada era bem rustica, lá em baixo encontrou outra porta selada e teve que novamente usar magia para abri-la. Descobriu um novo salão grande bem mau acabado do mesmo jeito que o caminho anterior, por ali não havia muita coisa além de uma espécie de sepultura no centro. Sem demora a Elfa se aproximou e leu o nome na lapide para ter certeza de que era o que estava procurando, tentou levantar a pedra pesada, mas foi interrompida pela voz atrás dela.

—Dizem que se profanar o tumulo de um paladino você é amaldiçoada. —Era Samires que se aproximava junto com o Hobbit.

—Pode ser verdade, mas se o que estou precisando estiver aqui é um risco que vale a pena. —El voltou a tentar mover a pedra quando Kyssares, segurou seu braço.

—Acho que já é hora de me contar o que está procurando. —Ele disse.

Mirlanda respirou fundo pensou um pouco e por fim não viu motivo para continuar mantendo segredo.

—Esse é o tumulo de Enrriel o fundador da ordem de prata, já ouviram falar?

Os dois balançaram a cabeça negativamente.

—Existem muitas histórias sobre ele, teve muitos feitos inacreditáveis e estava sempre presente nas primeiras guerras quando Siattes erradicou as criaturas das trevas de suas terras. As histórias são contadas em várias partes do mundo e existem muitas diferenças entre elas, mas tem algo que sempre está lá, todos os bardos contam sobre a guia dourada, um artefato pertencente ao paladino, segundo as histórias a guia dourada sabe a localização exata de qualquer coisa que exista nesse mundo. Agora por que desde sua morte a mais de 100 anos nenhum outro paladino chegou perto de alcançar o poder ou a gloria de Enrriel?

—Você acha que ele usou a tal guia para conseguir poder?

—E você não faria o mesmo? Pense em tudo que ainda não foi descoberto nesse mundo, itens maravilhosos forjados por deuses, portas dimensionais para outros mundos, tesouros colossais, tudo estaria a sua disposição se possuísse um item desses.

—Parece bom demais para ser verdade —comentou a druida.

—Parece mesmo. —O Hobbit concordou. — Então você acha que foi enterrado com ele?

—Não acho que seja tão fácil. Um dos últimos registros da vida dele que li menciona uma situação que o paladino passou que poderia facilmente ser resolvida caso ele possuísse a guia, isso me leva a pensar que em certo momento ele se desfez dela, embora eu não saiba por que ele fez isso.

—Talvez fosse perigoso demais, digo se isso fosse encontrado por uma criatura maligna não sei como o que seria do mundo que conhecemos.

—Que seja, realizei a expedição aquela masmorra por que foi uma das últimas que ele visitou e essa nem era uma atividade que ele realizava com frequência, o pergaminho também não diz por que ele foi até lá...

—O mapa. —Disse o Hobbit compreendendo onde ela queria chegar.

—O mapa justamente, mas falta um pedaço. A história que contei antes, aqui era o centro, onde os paladinos da ondem de prata se reuniam, os espelhos serviam como portais para vários lugares ao redor do mundo, assim eles mantinham a ordem, mas um dia do nada após a morte do líder eles resolvem abandonar esse lugar, por que?

—Vai ver era o Enrriel que mantinha os portais. —Samires chutou.

—Duvido muito que seja isso, principalmente por causa do boato que se espalhou depois do lugar estar amaldiçoado, além disso eu tive que abrir mais 2 portas magicas para chegar aqui em baixo, o que Enrriel queria manter em segredo era a localização da guia, se eu estiver certa ele decidiu ser enterrado com a outra parte do mapa.

—É estranho, se ele não quisesse que a guia fosse encontrada era só destruir o mapa —resmungou Kyssares.

—Seu raciocínio não está errado, você é um grande pensador.

Kyssares franziu as sobrancelhas para deixar claro que não havia achado graça alguma.

—Acho que ele deixou a guia em algum lugar para que fosse encontrada, por isso vou em frente é melhor que se afastem caso haja alguma maldição ou algo assim.

Mirlanda usou de toda sua força, mas mal conseguia mover a pedra, sentiu a diferença logo que o Hobbit se posicionou ao seu lado e empurrou, os dois conseguiram mover a tampa, mas antes que pudessem ver o que tinha dentro uma luz surgiu e com a visão ofuscada eles se afastaram, assim que a luz diminuiu puderam ver diante deles um ser majestoso, seu corpo emitia a luz que iluminava o salão inteiro, o rosto se parecia com o de se parecia com um homem de extrema beleza, mas a silhueta era bem feminina embora não tivesse seios, o cabelo comprido e dourado também não ajudava muito a identificar o gênero, além disso tinha um grande par de asas brilhantes douradas como o cabelo e acima de sua cabeça uma argola ainda mais brilhante que seu corpo, carregava com sigo uma maça pesada (Espécie de cabo com cravos na ponta) feita toda de metal, a arma também tinha seu brilho próprio deixando obvio que era uma arma mágica. Vestia uma espécie de vestido feito de faixas brancas envolvendo seus braços e cintura e solta nas pernas e pelos ombros.

—Bem-vindos —disse o ser. Sua voz soava como duas, uma feminina e uma masculina ao mesmo tempo. —Meu nome é Dina, vocês são minha liberdade.

—Estava selado? —Perguntou a Elfa.

—Não exatamente, no momento me encontro preso a uma promessa, uma promessa que fiz a muito tempo atrás e você são minha liberdade. A muito tempo prometi dar uma lição em quem ousasse abrir este tumulo e aqui estou. Se estiverem prontos agora é a hora de puxar suas armas.