Algo maior que eu

9 A primeira grande batalha


Sem perder tempo Kyssares, Mirlanda e Samires se prepararam para o combate, até Lupe ficou alerta. O oponente a sua frente emanava poder, a pressão era sufocante, o Hobbit já armava alguma estratégia para que pudessem chegar até a porta, fugir parecia ser a melhor opção se preparava para tomar a iniciativa quando a entidade ergueu a mão.

—Sua mortalidade atrapalha, permita-me. —Dito isso sua mão brilhou e antes que pudessem reagir toda a área onde estavam brilhou, no entanto não houve nenhum dano o que aconteceu foi que dê repente seus corações se acalmaram, de alguma forma os 4 se sentiam prontos para lutar mesmo que significasse a morte. —Agora que removi o medo estão livres para lutar com o máximo de suas capacidades.

Sem dizer nada o Hobbit avançou, foi um ataque simples com a espada, o primeiro só para testar as capacidades do inimigo. O ataque foi defendido com a maça sem nenhuma dificuldade, o Hobbit deu um salto para traz e foi a vez da druida que atirou uma flecha mirando no peito para minimizar as chances de erro e dificultar a esquiva já que Lirida não usava armadura era uma boa opção, do mesmo jeito que se defendeu da espada do Hobbit ele rebateu a flecha usando a maça, sem demonstrar o mínimo de dificuldade. A Elfa foi bem rápida aproveitou o ataque da druida para se aproximar, ficou ao lado do inimigo e desembainhou a espada aproveitando o movimento como ataque, desta vez o alado teve que se mover, desviou com uma batida das asas se movendo para o lado ficando longe do alcance da espada da Elfa. Logo que o ser pôs os pés no chão veio em sua direção uma adaga que o pequeno havia arremessado um momento antes prevendo onde Lirida ia aterrissar, com um movimento rápido e forte a lamina foi rebatida e fincou entre os pés da druida.

—Esplendido —disse Lirida. —Já nos primeiros minutos estão me pressionando, incrível o que podem fazer quando se desprendem do medo. Acho que não vai dar para pegar leve com vocês.

Lirida avançou contra Samires, o lobo logo se colocou a frente, mas foi atingido com força e caiu sem reação, a druida disparou uma flecha, mas ele esquivou com facilidade usando as asas para girar na direção dela, o mesmo giro serviu de impulso para o golpe poderoso. Kyssares surgiu na frente do alado um segundo antes do golpe alcançar a garota e bloqueou o golpe, sua espada nova sentiu todo o peso da maça de Lirida e seus pés deslizaram no chão com a força do golpe.

—Sabia que não ia me decepcionar. —Lirida disse chegando o rosto bem próximo do dele enquanto forçava sua arma contra a lamina do Hobbit. —Você se preocupa com suas amigas, mas não parece ser reciproco. —Dito isso ele se afastou e bateu as asas subindo, Kyssares pensou em contra-atacar lançando uma faca, mas viu vindo em sua direção uma grande bola de fogo que Mirlanda havia disparado um momento antes esperando atingir o inimigo pelas costas. Mesmo sendo inesperado ele até tinha tempo para desviar, mas Samires estava bem atrás dele, sendo assim ele só virou de costas pulou no pescoço da menina obrigando-a a se abaixar e recebeu o golpe sozinho. Houve uma explosão e fumaça.

—Pelos céus Elfa, olha o que você fez —Disse Lirida pousando alguns metros atrás dela, mesmo assim Mirlanda não desviou o olhar da nuvem de fumaça. —Confia tanto nas suas habilidades que não consegue calcular as consequências de uma falha.

A fumaça finalmente se dissipou e lá estava o Hobbit, ainda estava de pé, a bola de fogo explosiva destruiu completamente a parte detrás da armadura do pequeno e queimou suas costas.

—Você está bem? —ele perguntou para Samires que ainda nem havia entendido direito o que tinha acontecido.

—Estou. —Ela respondeu abrindo os olhos.

O Hobbit se virou e levantou a espada, a druida viu de perto o estrago e então entendeu o que ele havia feito, ainda tinha fumaça saindo das costas do Hobbit, ainda dava para sentir o calor.

—O que você —ela disse baixinho, mas o pequeno nem ouviu, obrigou as pernas seguir em frente.

—Não de as costas para o inimigo! —Ele gritou para a Elfa enquanto corria na direção da entidade.

A Elfa não voltou a si imediatamente, precisava se desculpa, mas aqueles danos deixariam uma marca eterna, não haviam palavras, mas quando o Hobbit passou por ela, a garota percebeu que se ficasse parada poderia nunca ter a chance de se desculpa, apertou o cabo da espada e seguiu com ele.

Os dois se dividiram, cada um por um lado o Hobbit calculou com precisão esperou o ataque dela pela esquerda e atacou ao mesmo tempo pela direita, mas preferiu um ataque vertical para prevenir caso Lirida quisesse voar novamente. O inimigo agiu por impulso se desviasse para frente ou para trás o ataque baixo vertical da Elfa atingiria uma de suas pernas já o Hobbit saltou atacando cima para baixo para atingi-lo na cabeça, sendo assim Lirida deu um passo na direção do Hobbit batendo com sua maça de baixo para cima na espada do pequeno que com os pés fora do chão foi arremessado para longe, ao mesmo tempo tornou o golpe da Elfa menos efetivo, no fim ganhou um corte raso na coxa.

Lirida não parecia sentir dor se voltou para a Elfa que agora não tinha o Hobbit como apoio ergueu a clava contra ela, mas sentiu ser perfurado pelas costas, mesmo no chão o Hobbit não perdeu tempo e arremessou uma faca desta vez acertou.

Mirlanda usou a distração do inimigo para se afastar.

—Vamos de novo! —Gritou Kyssares do outro lado.

Correram no mesmo sentido circulando o oponente, outra vez investiram ao mesmo tempo, mas tiveram que parar quando o inimigo simplesmente desapareceu. Se encontraram e ficaram de costas um para o outro.

—Invisibilidade? —perguntou o Hobbit.

—Pode ser fique alerta.

Sem tempo para planejar Mirlanda foi atingida no ombro e caiu sentindo muita dor, Kyssares tomou sua frente desferiu alguns golpes no vazio sem atingir nada. Sentiu o deslocar do vento então moveu sua espada rapidamente bloqueando um ataque com puro reflexo.

—Maravilhoso. —disse Lirida se movendo ao redor dele.

O Hobbit golpeava sem sucesso e com a atenção no máximo bloqueou mais dois ataques sem forma.

—Samires! —ele gritou. —Se já se recuperou precisamos da sua ajuda aqui!

A garota ainda estava com as pernas bambas, ainda não conseguia acreditar que poderia ter morrido, o medo voltou a tomar seu coração. A garota inexperiente em combate não sabia como poderia ajudar contra um inimigo tão poderoso. Lupe continuava caído e vendo Kyssares lutar mesmo depois de ferido, vendo que o pequenino que a pouco salvou sua vida pela segunda vez em um único dia passar dificuldade lhe ocorreu que algo pior que a morte poderia acontecer, isso seria ver aquele guerreiro morrer sem ter ajudado, em um segundo o medo desapareceu e outro sentimento preencheu seu coração, a raiva, pura e sem controle, a garota começou a se transformar, suas unhas cresceram se tornando garras, seus dentes viraram presas, ela ganhou músculos e pelos pelo corpo todo, em alguns segundos a garota medrosa se tornou um poderoso urso atroz negro.

Kyssares mal conseguia se defender dos ataques que vinham de qualquer direção e com velocidade quando o urso investiu a sua frente, ele tomou um susto, o urso atacava o vazio, mas diferente dele realmente parecia estar vendo o que estava atacando, o Hobbit aproveitou a oportunidade para ajudar a Elfa.

—Você está bem?

—Vou ficar. —Ela parecia sentir muita dor, a ferida era feia. —O que é aquilo.

—Já tinha ouvido falar que druidas podem se transformar, mas é a primeira vez que vejo.

Samires usando do seu olfato e audição apurada acertou uma patada certeira em Lirida que foi arremessado em uma parede e reapareceu, desta vez recebeu o dano inteiro do golpe.

—Eu tenho uma ideia. —Disse o Hobbit. —Vou precisar da sua ajuda, preciso que prepare uma magia bem forte.

—Eu não vou mais usar magia nessa luta. —Mirlanda recusou de cara.

—Não diga besteira, se pretendemos ganhar não dá para poupar força.

—Eu não quero.

—Você não tem escolha, quer morrer aqui? Eu não quero, quero voltar para Siattes e gastar o resto do ouro que você me deve, vou te dar algum tempo, conjure a magia mais forte que tiver mesmo que demore, você vai saber a hora certa. —Dito isso ele partiu para o combate.

—Samires, proteja Mirlanda.

O urso obedeceu e deu distancia, o Hobbit parou em frente ao alado esperando seu oponente se recompor.

—Pretende lutar comigo sozinho? Você é extraordinário.

Lirida preparou a maça e o Hobbit se preparou. Lirida golpeou com tudo, sua força bruta deveria ser o suficiente para quebrar uma defesa tão frágil de um Hobbit, mas o pequenino estava bem concentrado, manteve os olhos bem aberto observando com atenção o movimento do inimigo a sua frente, era um único inimigo, um golpe de cada vez e ele já sabia o peso e a velocidade. Moveu só um pouco sua espada, não recebeu a força inteira só redirecionou, deixou que o ferro da maça deslizasse pela lamina da espada e no momento certo com mais um movimento simples e sutil, desviou o golpe.

Lirida não compreendeu direito o que havia acontecido, mas ele não havi a acertado como esperava e o Hobbit continuava no mesmo lugar, seus pés não haviam se movido. Tentou novamente, dessa vez desferiu um golpe vertical a fim de acertar as costelas do alvo, mesmo que bloqueasse com a espada seria arremessado longe pela força. Kyssares fez de novo, dessa vez se inclinou um pouco e deslizou a arma do oponente por cima de sua cabeça.

Lirida deu uma gargalhada.

—Desci dos céus para encontra algo maravilhoso.

Desferiu mais alguns golpes sem planejamento e Kyssares desviou todos do mesmo jeito.

Mirlanda pensou o mais rápido possível em que magia poderia usar para exterminar aquela criatura, mas não queria uma com uma área de alcance muito alta, suas magias podiam ser devastadoras, mas não eram boas para usar junto com uma equipe e estavam lutando no subsolo, se alguma coisa saísse errado tudo poderia desmoronar, mesmo assim não queria demorar, sabia que o Hobbit não ia segurar Lirida por muito tempo. Começou com as palavras e então os gestos, enquanto observava o Hobbit usar a espada com maestria.

—Mostre-me pequeno espadachim, mostre-me seu talento com a espada. —o alado dizia enquanto golpeava e via seus ataques perderem o poder diante de um oponente tão pequeno.

Claro que Lirida percebeu a feiticeira conjurando a magia a alguns metros, mas o urso estava entre eles, era mais divertido golpear o Hobbit e no último momento desviar e deixar a magia atingir o pequenino como da última vez. Em determinado momento Lirida golpeou de cima para baixo, era o momento que Kyssares estava esperando, diferente das outras defesas, dessa vez Kyssares investiu contra o ataque, desferiu um golpe de baixo para cima e acertou a mão de Lirida que imediatamente soltou a arma que voou para longe.

—O que você fez dessa vez pequenino? —Lirida perguntou analisando o ferimento em sua mão.

Sem perder tempo Kyssares soltou a espada e tirou seu arpel, jogou com força acima de Lirida que estava até curioso para saber o que ele planejava. Pisou na corda no momento certo fazendo o gancho descer de uma vez e dar uma volta em uma das asas de Lirida e prender na parte superior. O alado aproveitou para golpear o Hobbit com um soco, mas este desviou e passou por baixo de suas pernas, passou a corda em volta do pescoço e outra volta em torno da outra asa de Lirida e puxou com força, O alado se virava tentando alcançar o pequeno, mas ele virava junto e aproveitava para envolver ainda mais o inimigo com a corda. Quando finalmente sentiu que tinha imobilizado pelo menos as asas de Lirida, foi agarrado pela canela e Lirida o puxou deixando-o de cabeça para baixo a sua frente, O Hobbit puxou ainda mais a corda forçando o gancho ferindo ainda mais sua asa.

—O que espera me envolvendo com essa corda pequenino? Talvez eu estivesse esperando muito de você.

—Essa corda não pode ser arrebentada e além do mais você não tem muito tempo para se soltar, só preciso que fique parado por mais alguns segundos. Mirlanda!

Na verdade, a magia já estava preparada há alguns segundos, mas o pequenino continuou suspenso a frente do inimigo e nada acontecia. Lirida virou o Hobbit para que ele pudesse entender o que havia acontecido. Lá estava a Elfa com as mãos brilhando e parada, com os olhos arregalados e coração acelerado.

—O que está esperando? —O Hobbit perguntou.

—Precisa mesmo perguntar? —Foi Lirida que disse. —Ela não pode, principalmente depois da última vez, é muito egoísta da sua parte esperar isso dela, agora se puder soltar a corda eu te darei uma morte rápida.

—Mirlanda, vai agora!

—É como ele diz, eu não posso.

—Eu sou bem resistente, você viu com a outra magia, não é? Eu vou sobreviver, faça isso.

—Ele está mentindo —disse o Alado. —Eu consigo saber, já está no limite, talvez não sobreviva mesmo que eu o deixe ir, além do mais a outra magia não tinha metade do poder dessa, estava se contendo Elfa, talvez por estarmos no subterrâneo, mas dessa vez não, toda sua mana está nessa magia.

O urso se colocou entre a Elfa e o alado abrindo os braços.

—Viu, sua amiga já sabe, mas ela também espera muito de você, eu sei que não é capaz de matar um companheiro.

—Elfa idiota, espero que dê as 500 peças de ouro para o velho que conheceu no cais, Belmondrez, é bom lembrar. —Dito isso ele mordeu a corda que mantinha Lirida parcialmente imobilizado e com as mãos livres ele sacou uma faca, Lirida esperou um ataque direto e instintivamente tentou se defender colocando o braço contra o corpo, mas o Hobbit apunhalou o próprio peito. Mesmo com o sangue jorrando e a dor ele ainda se esforçava para travar a corda com os dentes, mas seus olhos estavam direcionados nos dá Elfa esperando que seu sacrifício não fosse desperdiçado. Samires vendo o que havia acabado de acontecer voltou a ser humana caindo de joelhos sem conseguir acreditar no que via. Até o Alado Lirida ficou surpreso.

Mirlanda fechou os olhos e gritou com toda a força que podia disparando das mãos um poderoso relâmpago que causou uma grande explosão, tanto o teto quanto o chão tremeram.

Uma nuvem de poeira subiu, as garotas escutavam um zumbido agudo, não dava para ver muita coisa, mas com certeza nada poderia sobreviver aquela explosão. Mirlanda caiu de joelhos chorando, seu coração estava dilacerado, ela gritava como uma criança, de fato já havia visto muitas mortes antes, já havia participado de inúmeras batalhas, mas pela primeira vez havia sido obrigada a lançar contra um companheiro uma das magias que levou tanto tempo para aprender e de que tanto se orgulhava.

—Não chore.

Ela arregalou os olhos sem conseguir acreditar, era a voz dele, mas devia estar morto, nada poderia sobreviver aquilo, mas a voz era inconfundível, feminina e masculina juntas.