Algo de errado em Fabletown
18 ❝Episódio 18 -– Não é?。
Notas iniciais

Capítulo 18
No momento em que suas memórias foram trazidas a mim, sua paixão inabalável destruiu todas as dúvidas que eu tinha sobre ama-la. E enquanto nos despedíamos com tristeza pelo fracasso, com a luz fraca da sala de estar, passei a amar aquele momento. Porque foi aquele momento que eu percebi... que ela era meu sol.
E eu? A lua.
。。。
Sammuel não conseguia dormir. Foi o que ele concluiu após ficar horas pensando e repassando todas as memórias de Harriet. Poderia muito bem ensina-la a fazer o que ela fora resignada a fazer, mas gostava de ficar revendo todos os momentos em que ela mentiu para ele, ou que fingiu que dormia, ou que examinava Sam enquanto dormia, dando suspiros apaixonados. Haviam também as tristezas, a frustração e Caine.
Isso não importava de verdade, ele sabia que ela o amava mais que tudo, e que sempre amou.
E essas orelhas...
O cômico era que Caterpillar e Sammuel agora teriam que sair por ai de chapéu, e Úrsula, pobrezinha. O glamour não estava funcionando nela. Precisavam encontrar logo o culpado.
Ia falar com Rebecca sobre seu ramo com a paz entre as fábulas locais e as que estavam longe de Fabletonw se elas saberiam de alguma coisa, mas teve a impressão que Caine e ela estavam saciando suas fomes. Lobos podiam fazer isso, não era tão prazeroso, mas dava pro gasto.
— Ok, vamos lá.
Talvez pelo hábito, ou por que ele realmente não ligava para problemas humanos, Sammy adentra o quarto sem bater ou qualquer aviso prévio.
Harriet não estava dormindo. Seu corpo relaxava em uma simples cadeira próxima à janela, onde ela admirava o luar. Havia um livro em suas mãos, e Sammy sorriu ao ver que era "A chapeuzinho vermelho". Talvez, mas só talvez, ela estivesse aceitando a verdade agora.
Ele alisa as orelhas e se aproxima cautelosamente dela, que direciona as palavras sem olha-lo.
— Tem várias versões da mesma história... qual é a verdadeira? — Ela indaga, não tirando os olhos da noite.
— É a que eu devoro você e a sua avó, o caçador abre meu estomago e tira vocês duas de lá.
— Deve ter sido ruim.
— Não me importo mais, faz 5 anos que Fabletown começou. — Ele da de ombros, e ela finalmente parecia interessada na conversa — Já tenho mais com o que me preocupar. De xerife passei para detetive. E você veio nessa comigo.
Harriet esboça um sorriso fraco; parecia estar curiosa, então pega folego e faz uma pequena pergunta que desencadearia a maior história do século.
— Me conte tudo, do meu ponto de vista. Você está com as minhas memórias, não esta?
。。。
Há 5 anos atrás, Caterpillar criou Fabletown, uma cidade nossa. Ela já era habitada, então esse nome é só nosso, na realidade estamos em algum lugar em Londres. Ele deu uma função para cada um, e nós escolhemos nossos nomes e as funções foram dadas como um dom. Era uma informação, você simplesmente sabe fazer e como fazer. Ah, você escolheu meu nome.
Seu trabalho é único, essencial e muito importante, nos mantem vivos. Obviamente, quem controla você, controla toda Fabletown. Você cura as rosas e as entrega, algumas pessoas preferem ficar com as rosas, já que é um pouco mais seguro, então você também entregava. Quanto aos seus sentimentos, você se sentia atraída por mim por sermos do mesmo conto, mas no final acabou se apaixonando a medida que nos víamos, e o processo foi lento — não nos cruzávamos com frequência.
Até que Turtle foi assassinado, e outros morreram. Você teve que matar Igg — sim, o Woodsman. Aparentemente, esse suspeito é simplesmente oculto, não consigo ligar ninguém a ele. Nem mesmo você tem alguma pista de quem seja, mas acredita que eu farei a pergunta certa para o espelho, uma vez que ele não pode ver tudo se não for perguntado.
。。。
Sam termina de explicar para ela, não sabendo exatamente o que esperar. Cansado de ficar em pé, ele se acomoda na ponta da cama de Harry, com as pernas meio abertas — como só um homem conseguia fazer — e os cotovelos apoiados nas pernas, as mãos seguravam a cabeça de uma forma que o deixavam fofo; pelo menos aos olhos de Harriet.
— Sabe, Sammy, com certeza esse tal vilão quer exterminar Fabletown.
Ele arregala os olhos, não percebendo esse deslize. Agora que ela falou... não pode ser outra coisa. Atingindo Harriet... matando fábulas...
— Mas... isso não é vantajoso para nenhum de nós.
Uma nuvem cobriu os pensamentos de ambos. A linha de raciocínio terminava ai. Harriet pensava em várias coisas com as suas memórias limitadas, contudo, apesar de parecer mais difícil, se tornou mais fácil. Não tinham outros pensamentos confundindo-a.
— Já pensou que pode ter isso eu mesma? — Ela sugere, e ele nega com a cabeça. Sabia que não, podia ver.
— Você pensava que essa pessoa parecia com você no começo. Tentando ter importância. Você achava que não era importante porque não era uma princesa.
Ela tomba a cabeça para trás não segurando a ânsia de rir. Agora que ela não tinha uma unica lembrança sobre seu passado, tinha mais do que certeza que ela era crucial para o andamento de Fabletown.
— Fábulas não importantes. — Ela murmura. — Sabe, a disney deu importância às princesas, e não as fábulas que assustavam as crianças. Então, fábulas como nós deviam ser suspeitas.
Sammuel sai do quarto imediatamente, precisava ligar para Caterpillar.
Harriet observou enquanto suas orelhas triangulares e levemente caídas sumiam na medida que ele fechava a porta. Ela, com seu pensamento humano, só conseguia pensar uma coisa a respeito de Sammy. Ele era gostoso. Gostoso demais. Seus ombros largos deixavam-na se remoendo de prazer, talvez essa fosse uma das áreas preferidas dela,
Antes de perder a memória. Sua voz, seu rosto, seus cabelos, a altura e o jeito que ele olhava para ela... não, se entregar... não seria errado? Ela não o amava, amava?
"Meu... ele é meu...!"
Harriet salta de pavor. Uma voz estranhamente parecida com a sua sussurra essas palavras em seu ouvido. Quem poderia ter dito isso? Era como se alguém murmurasse essas palavras no pé de sua orelha. Essa tal voz estava decidida.
— Se esse corpo pertence a ele como sinto que pertence, então pra que protestar? — Ela fala sozinha naquele quarto vazio. — Porque eu não o conheço?
Ela ergue seu corpo e sai da cadeira, a lua não lhe importava mais. O que eu faria se eu fosse o que eu costumava ser?
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