Algo de errado em Fabletown
19 ❝Episódio 19 -– Uma nova personagem。
Notas iniciais

Capítulo 19
Uma verdade enterrada, uma consciência escondida. Harriet está dentro dela mesma? Que tipo de feitiço a prenderia dentro do meu eu atual?
。。。
A nova Harriet estava perambulando pela casa, ainda aturdida com o acontecimento recente; a descoberta de que Harriet estava viva dentro dela, dentro desse corpo em que ela simplesmente foi colocada com lembranças de conceitos básicos da vida que ela mesmo adota. Era como nascer sabendo do certo e o errado e escolher o que se acha realmente certo e errado.
Ela sabia o que tinha que fazer — contar imediatamente para Sam e trazer sua Harriet de volta para então resolverem o grande mistério de Fabletown. E então... o que aconteceria com ela? Agora ela era humana, tinha escolhas e vontades, embora limitadas. Como poderia abrir mão disso?
— Harry? — Era Sammuel chamando, sua voz era hesitante, como se suspeitasse de ter chamado a pessoa errada. E de fato tinha.
Ela se vira para ele, estavam na sala onde Sammuel ganhou suas orelhas junto com as memórias da verdadeira dona do corpo. O espelho também estava lá, e também a tal Becca e Caine. Ela mal os ouviu chegar, e quando viu tanta gente se assustou. Aquele espelho. Ele poderia saber o que se passava na cabeça dela?
Não daria esse corpo a ninguém. Era seu.
— Não me chame assim.
— Então como deveria? — Ele une o cenho. Um sorriso encantador brincava em seus lábios, e ela sentiu como se fosse para a verdadeira Harriet, aquela zombaria.
Ela olha para todos os cantos da casa, como se em busca de resposta — mas as paredes cor amarela não lhe diziam um nome. Que nome ela gostaria de ter? Qualquer coisa! Não importava, acharia um melhor mais tarde se necessário. Ela fecha os olhos rapidamente e ela tem a esperança de que tem um lugar nesse mundo. Mesmo que seja de uma forma cruel. Esperança.
— Faith. — Ela pisca com o nome que sai de sua boca — Sim, esse é meu nome. Me chame assim.
Ela olha para O espelho, acreditando que ele poderia ver através de suas mentiras, mas nada acontece.
Sammuel fica simplesmente sem chão. Um novo nome? As memórias que ele tinham era a unica coisa que o manteria ligado à Harriet?
— Sendo seu nome ou não, gracinha — Era Becca, sempre direta — Precisamos da dona do corpo dessa moça aí pra ficarmos vivos, então vê se ajuda. E ainda tem a merda de um assassino por aí.
Faith apenas abaixa os olhos, como se quisesse esconder algo. O fato é que ela não se importava com nada que acontecia a Fabletown, porque ela sequer achava que era uma fábula. Quer ela querendo ou não, iam atrás dela. Ou não... agora que ela não se lembrava de nada... era inútil. Mas ele sabia como. Tinha na mente como ela fazia.
— Espelho, conversei com Ha- digo, Faith mais cedo, e conversamos sobre o possível vilão. — Eles foram se acomodando no sofá, um a um, mas Faith continuou em pé. — E ela até mesmo suspeitou de Harriet.
— Porque Harriet? — Caine indaga, quase perplexo — Porque Harriet faria isso?
Estava na cara que Faith não queria dar nenhuma informação sequer sobre o que se passava em sua cabeça. Se isso continuasse assim, tudo estaria perdido... contudo, com sorte Becca inspirava medo na nova Harriet.
— Porque ele disse — Ela aponta para Sam — Que ela queria ser uma princesa, tinha inveja porque não era importante como fábula. — Ela da de ombros. — Não é nada demais.
— Inveja — O espelho repetiu. — É um bom motivo... no começo de Fabletown a desordem era porque muitos odiavam suas funções e condições financeiras, ou queria se exibir para os humanos. Dizer a eles é proibido.
Uma agulha poderia fazer um estrago nos ouvidos das fábulas nesse instante, ninguém teve coragem ou raciocínio para responder.
— Liguem para Caterpillar imediatamente. — Sammy ordena, e no mesmo instante Caine catou seu celular no bolso e discou para o número mais conhecido de Fabletown.
Faith observava todo o raciocinio de todos acontecer tão rapidamente que ficara zonza. Aquilo realmente importava? Eles tinham historias, poderiam ser eternos, qual o problema se uns morrerem.
"Pelo mesmo motivo que você quer viver!" — Harriet consegue xinga-la mentalmente.
Que seja, pensou. Eles jamais saberiam da verdade pela sua boca.
— A lagarta foi...raptada.
。。。
Sam estava deitado em sua cama, com as longas pernas dobradas em um triangulo sem base e os braços aumentando o volume de seu travesseiro. Estava com fome, e sentia algo morrer dentro dele. Suas esperanças de achar o maldito vilão estavam indo por água a baixo. Quem quer que estivesse por trás disso, estava fazendo tudo corretamente, como se soubesse de tudo.
Era frustrante. Perdeu Harriet, perdeu Caterpillar e não encontrava o culpado de tudo isso, que era seu dever. Sem Caterpillar, o caos iria se espalhar em Fabletown se tudo não se resolvesse.
Uma imagem veio a sua cabeça. Era Harriet, loura de olhos azuis, com aquele corpo de uma adolescente de 18 anos. Lembrou-se do momento em que tudo era novidade, todas as sensações da vida, como a neve da floresta encantada. Herriet tinha ido na cabana de Sam para poder entregar sua rosa, e ela simplesmente ficara fascinada com a neve. Ele podia sentir a alegria dela. Ele se vê no momento em que ela bate à porta e um Sam aparece diante de seus olhos. Ela estava encantada pelo homem, e se assusta e recua, caindo na neve com o corpo inteiro.
Não ficou chateada, apenas vira sua cabeça de lado, como se olhasse alguém ao seu lado na cama.
"— O que está fazendo? " Ele disse impaciente.
Ela apenas sorri e enche seus cabelos de neve, sentindo o frio penetrar seu cabelo, chegando a sua cabeça;
"— Apenas aproveitando"
Aquele sorriso não saia da cabeça dele, mesmo após todo aquele tempo. Ela queria estar viva, ele sabia disso. Mas Faith atrapalhava tudo! Não conseguia odiá–la pela aparência de Harriet, mas já desgostava dela. Caterpillar mal sabia como recuperar suas memórias... e agora sumira. Porque humanos não podem saber sobre a existencia de fábulas? Eles ficariam impressionados! Talvez voltassem a ter a crença em Deus, ou melhor, talvez as fábulas se tornassem Deus.
Sammuel ergue seu corpo rapidamente, jogando seu peso para frente. O quarto não tinha nada pessoal exceto algumas caixas com vários livros. Ele pega dois. "Chapeuzinho vermelho" e um livro sobre o Deus humano.
Deus fez o mundo na segunda-feira. Na terça-feira, Deus separou a luz e a escuridão. Na quarta-feira, Deus moldou as Águas e os Céus, por fim a Terra. Na quinta-feira, Deus deu vida e o tempo à terra. Na sexta-feira, Deus viu o quão resplandecente era o mundo. E descansou no sábado. E, então, no domingo, Deus desapareceu.
Ele se deita, abraçando o livro de Harriet como principal. "Fique de olho na lua".
Não importa como se olhe, o verdadeiro "Deus" das fábulas eram os... humanos.
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