Alexis

3 Capítulo 3 - Thomas


Notas iniciais
OIOIOIOIOIOI. Td bem? Eu tô. Enfim, espero que gostem do capítulo. :))))))

— Alexa, a gente já vai, tchau! Vem amanhã, viu? — Eve falou séria.

Sorri revirando os olhos.

— Se tu não vier vou ficar chateadona contigo, Campbell. — Disse Mellissa me puxando para um abraço apertado.

— Eu venho...Argh. — Afirmei dando um tchau para as duas loucas.

Sento em um dos bancos do pátio da minha escola, pego meus fones de ouvido e coloco uma música qualquer, e fecho os olhos balançando a cabeça no ritmo da música. — Sinceramente, é um saco esperar todo o dia meu pai resolver vir me buscar. — A tela de meu celular acende e o mesmo começa a vibrar sem parar avisando que alguém está me ligando.

— Oi pai. Cadê o senhor? — pergunto entediada. Eu preciso ir pra casa dormir e comer.

— Alexa, suas amigas já foram? Não vou poder ir buscar você. — Ele responde apressado.

— Ai meu Deus... Tá, tá! — Bufo terminando a ligação.

Eu já andava há meia hora. Suportar esse sol mais quente que o cão é horrível, minha pele pinica. Eu só quero chegar logo em minha maldita casa.

Inferno.

Apressei meus passos pisando com mais força no cimento velho, meu Deus, meu pai vai me pagar por me fazer andar nesse sol infernal.

Tenho que me lembrar de sempre andar com dinheiro. Anotei mentalmente. E começar a me acostumar com ônibus.

Eu estava tão distraída planejando matar todo mundo que nem reparava quem ou o que estava em minha frente. Resultando em um encontro com o chão de brinde.

— Puta que pariu! — Falei irritada. Minha calça jeans havia rasgado, eu devo ter jogado pedras na cruz.

— Foi mal. — disse uma voz masculina.

— Tá. — respondi me levantando.

— Rasguei seus jeans. Desculpa.

Encarei o garoto, cínica e bufando. Ele aparenta ter uns dezoito anos. Pálido, cabelos loiros, olhos verdes e mais alto. Mas cara, quem não é mais alto que eu? Eu preciso tomar algo pra crescer.

— Você pensa bastante, ein? — ele riu.

— Ah, oi de novo. Qual seu nome? — perguntei voltando a trilhar meu caminho. Aliás, ele não estava indo na outra direção? Espero que ele não tente me matar.

— Thomas. — o garoto sorriu tentando ser simpático. Ele me encarou esperando que eu dissesse o meu.

— Ah, Alexis.

— Quer sair comigo? Tipo, hoje, agora, e talvez o dia todo? — perguntou animado. Oi? Eu nem conheço ele.

— Mas eu nem te conheço. Tu podes ser um doido que vai tentar me matar, e droga, hoje eu não quero matar ninguém, tô sem meu canivete aqui. A única coisa afiada que eu tenho é uma caneta e…

— Eu não quero te matar ou sei lá. — ele riu. Esse garoto tem um jeito de “garoto problema” — Quero me divertir, fugir das coisas. Você parecer estar entupida de coisas pra foder com a sua cabeça, não quer esquecer?

Ele não estava errado. Ah meu Deus, parte de mim quer ir e a outra me diz que não. E se algo errado acontecer? Eu posso me machucar e arranjar problemas. O que eu vou falar para os meus pais? E eu nem conheço esse garoto. Mas ei, assim que amizades acontecem certo?

Eu não sei.

Thomas estendeu a mão para mim e sorriu de um jeito estranho. Fiquei minutos parada pensando no que faria. Ele me encarou e me puxou para perto.

Eu não tô a fim de esperar aqui pra sempre, Alexis. — Thomas rosnou.

— Certo. Espera aí. Não sai daí e não chega perto. — Mandei, me afastando. — Pai. Oi, não, não aconteceu nada, acabei encontrando Eve na rua e ela me lembrou de que temos um trabalho pra fazer. Isso! Eu vou ter que ir pra casa dela, não sei que horas volto. Ah, não, não. O pai dela me leva pra casa. Isso, um beijo, pai.

— Tudo bem?

— Sim, aonde vamos? — Thomas riu e entrelaçou nossas mãos, e em seguida saimos correndo pelas ruas.

A única coisa que eu sabia fazer era rir, eu me sentia muito bem.

— Ok, eu estou cansada. O que vamos fazer? — perguntei ofegante.

— Já bebeu alguma coisa antes? — Thomas perguntou ainda segurando minha mão, entramos em uma loja de conveniência de um posto qualquer. Ele pegou duas garrafas de bebidas. Uma era vodka e a outra eu não conhecia. — ei, tenho um lugar legal pra gente ir.

Thomas e eu estávamos em uma casa abandonada. Ainda havia alguns móveis por ali, e estava bem conservada para uma casa largada.

— Você não respondeu a minha pergunta. — indagou o garoto se sentando ao meu lado.

O encarei confusa.

— Que pergunta?

— Já bebeu antes? — fiz um “ah” e o encarei de novo. — não, né? É a filhinha perfeita, saquei.

— Já. Até demais. — respondi depois de suas afirmações incorretas.

Ele quem fez o “ah” dessa vez.

— Você tem a maior cara de quem não faz nada de errado.

Ri irônica e também de deboche.

— Você nem me conhece. — afirmei revirando os olhos.

— Não mesmo. — puxei uma garrafa de bebida das mãos de Thomas e dei um longo gole. Ele riu maroto e me fitou com cautela.

— E seus pais? — perguntei abrindo um pacote de salgadinho e bebendo de novo. Argh. Péssima mistura.

— Eu moro sozinho. Meus pais são problemáticos. Então, prefiro ter minha vida longe deles, eu sou livre, faço o que quero.

Concordei.

— Eu amo meus pais, sério. — comecei. — mas eles não me deixam fazer absolutamente nada. Isso é sufocante e horrível. Eu não vivo, o vento que sai me levando.

Thomas riu.

— Deve ser mais complicado do que você está falando. Sinto muito. Mas, hoje, viva sua vida, esqueça a porra dos problemas, tá bom? — e ele riu.

Eu já me sinto um pouco porre, estou animada e me sinto leve.

Thomas pegou o celular do bolso e colocou uma música para tocar.Nem rápida e nem lenta, mas com um bom ritmo para se acompanhar. Ele começou a dançar e fazer caretas engraçadas para mim. Além de fazer poses marotas para me provocar.

Meu estômago doía de tanto rir. Corri em direção ao louco e pulei em cima do mesmo, como os dois já não estão no melhor estado, isso só resultou em uma queda bonita. Caí por cima de Thomas que gemeu de dor sentido meu corpo indo de encontro com o dele com força.

Ele riu ácido e tirou alguns fios de cabelo de meu rosto, o encarei sem expressar nenhuma emoção e então, nos beijamos. Não sei dizer se ele encontrou meus lábios primeiro que eu, mas o beijo estava excitante.

Nossas línguas com gosto de bebida tornavam o beijo mais amargo, estávamos pegando fogo. Thomas me puxava para mais perto de seu corpo, mas não havia mais nenhum espacinho qualquer entre nós. Minhas mãos estavam em seu cabelo curto, enquanto as dele apertavam minha cintura com força. Ele sugou meus lábios e desceu para o meu pescoço, deixando beijos quentes por ali, e suas mãos subiam cada vez mais. Alisando minha barriga, passeando por minhas costelas...

Porra, você nem conhece esse garoto. Uma vozinha chata ecoou em minha cabeça. Afastei Thomas, relutante.

Ambos ofegantes e porres.

— Meus pais vão me matar se eu chegar nesse estado em casa. — soltei. Thomas riu alto.

— Você é doida.

Eu sei que mais tarde isso vai me render uma boa dor de cabeça e uma boa crise de culpa.

A tarde rendeu mais alguns goles de vodka e também mais alguns amassos com o garoto desconhecido. Thomas me deixou ir na casa dele pra tomar um banho e não ir para casa fedendo a bebidas e mofo. Ele me fez prometer que iriamos nos ver novamente.

— Chegou tarde, huh? Que trabalho é esse que vocês fizeram? — meu pai perguntou enquanto eu subia as escadas tentando não ser notada.

— Oi... — O que eu ia dizer? Você é uma boa mentirosa, invente qualquer coisa. — Sobre nossa visão política, o que achamos do movimento feminista, LGBT, e também sobre o racismo. Debatemos muito, aprendemos muito também, aí no fim Eve me obrigou a ver um filme de romance qualquer com ela e me entupir de coisas que vão subir meu colesterol. — Falei tão rápido que estava sem fôlego, mas meu pai concordou mostrando que havia entendido.

— Que bom que na sua escola eles dão temas como esses. — Ele sorriu e fez um ‘’ok’’ com a mão dizendo que eu já podia ir.

Suspirei aliviada.

Tiro a roupa suja — e meu Deus, que alivio poder ficar só de roupa intima — E caminho até meu guarda-roupa, puxo um blusão qualquer que eu havia roubado de meu pai e me jogo em minha cama. Eu sei que assim que eu me sentir confortável a minha cabeça irá começar a doer e eu vou ter um ataque de pensamentos avulsos fazendo com que eu me sinta mal comigo mesma.

Eu queria ser uma adolescente normal.

Notas finais
deixa um coment se gostou e bejo. ♥