Alegre e doloroso vinho
2 Vin doux, le goût amer
Notas iniciais
Havia se passado dois meses desde o meu primeiro encontro com Ronan, desde então, eu passei a visitar os vinhedos com mais frequencia. A cada dia que se passava, eu aprendia mais e mais junto de Ronan, as uvas e os vinhos que eram o negocio da família nunca tiveram importância pra mim, mas depois que Ronan começou a me ensinar sobre os grãos, eu até consegui demonstrar certo interesse por eles.
– Se você pegar uma grande quantidade de uma só vez, eles vão sair machucados e a qualidade do vinho produzido irá cair. – Ele dizia enquanto pegava alguns grãos com a sua incrível delicadeza, os colhia um por um e os depositava na cesta com todo cuidado do mundo.
Era assim que eu passava a maioria das minhas tardes, o vendo colher os pequeninos grãos e conversando. Contei a ele sobre minha mãe, minha madrasta e muitas outras coisas perdidas no tempo. Ele também me falava sobre a vida dele, ele nunca conheceu o pai e veio trabalhar na fazendo em busca de dinheiro para ajudar sua mãe.
Eu poderia dizer que nós nos tornamos amigos, o que e raro, já que na sociedade em que vivemos amigos só se fazem pela quantidade de riqueza da pessoa, e terrível você viver em um mundo onde a lealdade das pessoas pode ser comprada.
– E o que acontece com os grãos machucados? – O questionei. Levei minha mão ate a sua cesta, pegando uma das pequenas uvas na grande cesta que ele enchia.
Ele levou a mão ate um dos cachos, retirando de lá, uma frutinha que de longe dava pra perceber a sua podridão. – São descartados. – Ele disse com certa amargura na voz e um sorriso doloroso no rosto, mas logo o seu sorriso se converteu em uma curva alegre. – É melhor quando eles estão frescos e um pouco úmidos. – E novamente ele levou sua mão ate aquele cacho, tirando de lá um fruto bem arroxeado.
– Aqui, milady. – Ele disse, depositando a bolinha escura na minha mão, o joguei pra dentro da minha boca, de fato, aqueles eram o melhores de se comer.
Era mais um final de tarde, e como sempre, eu estava com Ronan, havia se passado quatro meses desde o nosso encontro. Não estávamos no campo de costume, mas sim embaixo de um carvalho que marcava os limites da fazenda. Naquele dia, nós demos uma pequena escapada dos vinhedos.
– Ronan – Sussurrei o nome dele, o que fez o azulado tirar a sua atenção do sol que descia no horizonte e olhar pra mim. – Já se apaixonou por alguém que não deveria? –
Aquela pergunta não surpreendeu só ele, mas a mim também, as palavras foram tão espontâneas que eu só percebi quando elas já haviam saído.
– O que quer dizer com isso, milady? – Suspirei, não deveria ter dito aquilo.
– Primeiramente, eu já disse milhões de vezes que não quero que me chame de milady. – Suspirei de novo, eu queria deixar bem claro que éramos amigos e não tínhamos só uma relação de empregado e filha de um nobre. – Segundo que, e isso mesmo que você ouviu. Já se apaixonou por alguém que não deveria? – Indaguei novamente.
– Ora Milad- Elesis, mas que tipo de pergunta. – Ele disse, olhando diretamente nos meus olhos.
Aproximei meus joelhos junto de meu peito, passando os braços em volta das minhas pernas e apoiei meu queixo ali. – Eu estou apaixonada por alguém que eu não deveria nem ter conhecido, Ronan. –
Eu me pegava pensando nisso nos últimos dias, não sei como não conseguia perceber aquilo antes, eu estava completamente apaixonada por Ronan. Acordava ansiando para que todas as minhas lições acabassem e eu pudesse vê-lo, quando saia dos vinhedos, meu coração apertava ao sair de perto do azulado. E ali estava eu, quase me declarando para ele.
Eu olhei pra ele com o canto do olho, esperando que ele dissesse algo, mas ele so ficou parado, me encarando com uma cara de espanto. – Milady. – Lá vem ele com esse maldito milady. – Eu já amei alguém que não deveria amar, ou melhor, amo. –
– Quem? – Eu perguntei um pouco surpresa, o vendo chegar mais perto.
– Bom, Elesis. – Ele me chamando pelo nome sem eu ter repreendido ele, que milagre. – Eu... eu... –
Eu abri a boca pra dizer algo, mas não consegui, os lábios de Ronan foram mais rápidos e capturaram os meus num piscar de olhos. Por um momento eu senti gosto de vinho em seus lábios, um vinho doce, porem amargo, aquele foi o melhor vinho que eu já provei ate hoje.
Ele se separou dos meus lábios, olhando firmemente em meus olhos. – Elesis, eu te amo. – Essas palavras foram como se alguém tivesse despejado um vinho de alegria em meu coração, envolvi Ronan em um meio abraço e sussurrei um simples ‘’eu te amo’’ em seu ouvi, simples, mas carregado de um vinho que eu nunca sentira antes.
Naquele dia, eu retornei a sede radiante como nunca, tentando afastar da cabeça os pensamentos que insistiam em dizer que aquilo que eu estava fazendo era errado. Entrei no meu quarto com um sorriso de felicidade no rosto, mas ele murchou assim que eu vi a mulher de madeixas azuis, parada perto da janela.
– Elesis. – Ela se virou pra mim e sorriu, aquele sorriso fazia o meu estomago embrulhar de nojo. – Seu quarto tem uma bela vista para o grande carvalho, não acha? –
Notas finais
E wah, eu definitivamente não sei escrever declarações, heh.
Eu tentei deixar esse capitulo um pouco menos pior que o outro, mas não deu. ;n;
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