Alegre e doloroso vinho
3 I'apparition de la douleur
Notas iniciais
– Elesis. – Ela se virou pra mim e sorriu, aquele sorriso fazia o meu estomago embrulhar de nojo. – Seu quarto tem uma bela vista para o grande carvalho, não acha? –
Após aquelas palavras, meu rosto tomou uma expressão surpresa, eu poderia jurar que meu estomago se contorceu dentro do meu corpo. Olhei para a janela, o carvalho onde eu e Ronan estávamos era perfeitamente visível dali, direcionei meu olhar para a mulher a minha frente, seu sorriso agora debochava da minha reação.
– Elena. – Sussurrei seu nome, fechando a porta atrás de mim. – O que esta fazendo aqui? –
Ela apenas riu e se pôs a caminhar pelo quarto ainda me encarando. – Eu vim lhe dar uma noticia e não te encontrei aqui no quarto, querida. –
– Noticia? – Questionei. Queria que ela tirasse logo aquele maldito sorriso que eu tanto odeio do rosto. – Que noticia? –
– Parabéns querida, você conseguiu um noivo. – Agora não era só o meu estomago que parecia estar se contorcendo, meu coração falhou uma batida quando eu escutei aquelas palavras. – Seu pai conseguiu expandir os negócios para uma cidade não tão longe daqui, e por sorte, um amigo dele demonstrou certo interesse em você, você se casará com o filho dele e ajudará o seu pai a fechar um negocio, não é maravilhoso? –
Aquela noticia foi como se um punhal acertasse meu peito em cheio, meu pai havia me usado como um objeto de troca, não, eu não conseguiria acreditar naquilo. Que tipo de homem meu pai se tornou?
– E não se preocupe com o empregado, eu guardarei o seu segredo. Uma das coisas que você deve aprender é: se você tem um marido não significa que você deve se prender a ele, entendeu minha querida? – Ela disse, apontando o leque que segurava em minha direção. – Eu já trai seu pai varias e varias vezes, homens podem nos usar como um bichinho de estimação, mas quem disse que nós mulheres não podemos usá-los?
Após aquelas palavras eu sai correndo do meu quarto, precisaria conversar com meu pai, ele não poderia fazer isso comigo, poderia? Percorri os corredores da mansão o mais rápido que eu conseguia, tropecei em alguns tapetes devido ao meu desespero.
– Pai! – Invadi o seu escritório, ignorei o fato de que ele odeia que o incomodem e entrem sem bater na porta, mas era um caso de vida ou morte. – Que história é essa de casamento? –
– Já esta na hora de você ter um marido, não acha Elesis? – Ele sequer tirou os olhos dos papeis que estavam sobre a sua mesa quando disse isso. – E também, isso será bom para os negócios. –
– Bom para os negócios? É só nisso que o senhor pensa? O senhor não pensa em mim? – Minha voz saíra em um tom um tanto desesperado.
– Elesis, tente entender que eu faço isso para o seu bem. – Dessa vez ele levantou o seu rosto para me encarar. – Se você conseguir um bom marido, você terá conforto pelo resto da sua vida, eu só penso no melhor para o seu futuro, você se casando com um homem com bom status, terá uma vida boa. –
– Como? – Respondi incrédula, não acreditava que meu pai tinha sido capaz de dizer isso. – Foi Elena não foi? Ela que colocou isso tudo na sua cabeça. –
– Ela só me ajudou a decidir o futuro que era melhor pra você. – Ele se colocou de pé e virou as costas pra mim, encarando a janela com vistas para o portão da fazenda.
– Ela só sabe fazer isso, encher sua cabeça com coisas erradas, ela não o ama e nem você a ama, por que ainda continuam juntos? O senhor sempre a deixa fazer o que bem entende. Toda noite ela sai usando vestidos extravagantes e as jóias de mamãe, como o senhor pode deixar isso acontecer? –
– Eu dou a ela tudo que ela deseja, e em troca, apenas quero que ela fique ao meu lado, isso é amor, Elesis. –
– Mentira! – E mais uma vez eu sai correndo pela mansão, quando entrei no meu quarto, dei graças pela víbora da minha madrasta ter saído dali. Bati a porta com tanta força que acho que estremeci a casa toda, me deitei na cama pensando em Ronan, em meu pai e no meu maldito noivo que eu nunca vou amar. Afundei meu rosto no travesseiro e gritei, eu sentia mais raiva do que tristeza naquela hora, abafei outro grito, aquilo tudo era de mais pra mim. De repente meu mundo virou de cabeça pra baixo, meu pai fora dominado por uma víbora sem coração e um vinho que eu acabara de conhecer estava por um triz.
E foi no meio desses pensamentos confusos que eu tomei a melhor decisão da minha vida, mas também a mais imbecil, eu não iria me casar com qualquer um que tivesse dinheiro, eu sabia muito bem o que queria da minha vida e não deixaria que qualquer um escolher o que eu devo fazer.
No dia seguinte, fui ao encontro de Ronan nos vinhedos, meus passos estavam mais pesados que uma tonelada, meu semblante era um misto de amargura e ódio, a todo o momento eu me lembrava das palavras do meu pai. Não havia prestado nenhum pingo de atenção nas lições dos meus professores naquele dia, tudo que se passava em minha mente era um noivo totalmente desconhecido que eu supostamente deveria amar e Ronan. Não deixei de suspirar ao pensar no dono dos fios azulados, como eu iria explicar tudo a ele? Como iria explicar que estava prometida a um homem totalmente estranho? Foram com esses pensamentos que eu esbarrei justo na pessoa que ocupava minha mente naquele momento.
– Milady. – Ele disse com tanta alegria na voz, eu mal podia encará-lo, mantive meu olhar no chão, pensando em como eu daria a horrível noticia a ele. – Milady? – Ele segurou o meu queixo e levantou o meu rosto, me fazendo encarar aquelas orbes azuladas. Senti as lágrimas brotando em meus olhos, aquilo tudo era de mais pra mim.
O peguei pela mão e sai correndo pelas parreiras, a cesta que ele segurava caiu ao chão e os pequenos frutos arroxeados saíram rolando pela terra. Eu pensei em ir até o grande carvalho, mas provavelmente a víbora da minha madrasta estaria nos espionando, então o levei até o depósito onde as ferramentas que os empregados usavam, ninguém estaria ali naquela hora do dia.
– Milady, o que esta acontecendo? – O empurrei dentro do depósito, fechei a grande porta de madeira e me joguei em seus braços, eu não estava raciocinando direito, tudo que eu queria era sentir o calor dele, o cheiro dele, ficar nos seus braços pra sempre.
– Ronan. – Sussurrei seu nome com o rosto afundado em suas roupas gastas. – Eu vou fugir daqui, eu vou ir embora. –
– Elesis, eu não estou entendendo. – Ele me apertou em seus braços, levantei minha cabeça o encarando com um olhar firme.
– Eu não quero e não vou me casar com um desconhecido. – Apertei o tecido das suas roupas, eu não iria deixar ele, eu não iria, eu poderia morrer, mas não iria me entregar a outro homem.
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