Aleatório

1 01. Hora de engolir o orgulho


Notas iniciais
Primeira fic sobre esse casal, espero fazer jus à eles

Scorpius estava ferrado. Não, mais do que ferrado, ele estava a um passo de pegar o primeiro trem para o fundo do poço, onde se encontraria com todos os seus sonhos frustrados e as certezas de seu pai. Não sabia como iria sair daquela situação. O loiro precisava arranjar uma forma rápida de aumentar suas duas últimas notas em química, só tinha dois meses para aumentar sua média abaixo da média ou não conseguiria se manter no time, se não jogasse no campeonato não iria ser visto por um olheiro, se não fosse visto por um olheiro não teria a mínima chance de conseguir uma bolsa esporte, se não conseguisse uma bolsa não teria como cursar Artes e consequentemente teria que admitir que seu pai tem razão e ir cursar Administração ou qualquer outra merda que o fizesse digno de assumir os negócios da família futuramente.

A questão era que ele não queria assumir negócio algum, não queria passar dias trancado em uma sala atrás de uma mesa dando e recebendo ordens, não queria trabalhar com números e sim viver de seu talento. Ele era um artista incrível, nada modesto, mas sabia no que era bom e não média esforços para mostrar a todos, mas seu pai não concordava com suas escolhas e por isso Scorpious estava atrás de uma bolsa. O problema era que seu pai não fazia a mínima ideia disso e o loiro queria que tudo continuasse assim, os únicos que sabiam de seus planos era Albus Potter e Josh Zambine, seus melhores amigos, e ele faria de tudo para que ninguém mais descobrisse ou teria um risco imenso de chegar aos ouvidos de seus pais.

Scorpius tinha um grande, enorme, gigantesco problema em mãos. Não sabia a quem recorrer para ajudar com suas notas. Seus amigos eram a epítome da burrice se tratando de química, física, matemática ou qualquer outra área que não fossem interessantes. Bateu a testa contra a porta de seu armário e inspirou profundamente. A porta da conselheira ainda estava entreaberta já que ele não tivera forças para fecha-la, e pelo visto senhorita Alves não iria largar o celular tão cedo para fazer isso por ele. Observou pelo canto de olho seu técnico se afastar a passos lentos e pesados, o técnico Jones precisava se aposentar, mas seu ótimo trabalho levando o time de Hogwarts à vitórias nacionais, raras, mas não menores o levou a ser idolatrado por todos e consequentemente preso a escola.

Voltando para o seu problema ele ainda não tinha uma solução. Virou de costas para o armário e se deixou escorregar até o chão, colocou a cabeça entre os joelhos e puxou o capuz para cobri-lo, não queria que ninguém o incomodasse naquela hora. O bom era que todos já estavam em casa. O sinal batera há quarenta minutos e muitos poucos alunos ainda persistiam em continuar ali.

— Ela é louca. — escutou uma voz vindo do fim do corredor. — Fica trancada até mais tarde aqui agindo como uma cientista maluca. Sim, Rose, já vimos que você é boa em química, mas faça um favor a humanidade e pelo menos arrume seu cabelo.

Risadas histéricas foram ouvidas e ele agradeceu aos céus por elas estarem passando sem o ver, reconheceria aquela voz irritante a anos luz.

— Já viu como ela se veste? Parece vinda de uma comunidade hippie.

— Oh, Patricia. Você não existe.

— Vai dizer que ela não parece que faz de propósito? Olha bem pra ela, Alicia, usando aqueles vestidos largos, saias de material reciclado e aquela monstruosidade em forma de bolsa que ela usa desde o primeiro ano. Aquela garota tem zero senso de realidade.

— Mas ela anda com o seu amado Albus.

— Porque é prima dele, duvido que ele desse atenção para aquela coitada se não tivesse um laço de sangue idiota unindo eles.

Scorpius revirou os olhos e torceu para que elas fossem embora o mais rápido possível. Ainda não conseguia entender como seu amigo aguentava aquela garota.

— Vamos logo que o treino está pra começar. E vê se segura sua língua na frente dele, o Albus não pode nem sonhar que você fala da família dele assim.

A risada de deboche que Patricia soltou tomou conta de todo o corredor enquanto elas iam embora. Assim que não escutou mais passos, Scorpius se levantou rapidamente e começou a caminhar na direção oposta. Agora sabia muito bem como recuperar sua nota, mas era algo que iria tomar toda a sua paciência, e provavelmente dinheiro.

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Parou encostado no portal da porta aberta, observou sua única esperança que estava de costas para ele e manuseava algum líquido estranho com o maior cuidado do mundo. Estava se segurando para não dar um susto nela, o que estragaria os planos e Merlin sabe o que mais que estivesse nas mãos dela. Viu Rose derramar o líquido verde em um recipiente maior e se afastar um pouco para secar o suor de sua testa, amarrar o cabelo em um rabo de cavalo mais apertado e fazer rápidas anotações, era o seu momento.

— Hei, Rosita!

Ela pulou de susto e se virou irritada para ele que abriu um sorriso satisfeito.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou direta dando as costas para ele.

Scorpius controlou a irritação, detestava quando conversavam sem encara-lo, e caminhou em direção a ela até parar apoiado na mesa ao lado. Cruzou os braços, fingiu interesse no que ela fazia e estalou a língua a canto ficar tensa.

— O que foi? — perguntou, segurando o sorriso quando ela o encarou de forma assassina. — Desde quando você está aqui? Não deveria estar em casa assistindo suas séries estranhas?

— Repetindo, o que você está fazendo aqui? — Rose indagou largando suas anotações e se virando para ele.

Repetiu a pose de Scorpius e esperou claramente impaciente por sua resposta, só que o loiro não sabia como começar a conversa, não sabia como pedir ajuda. Ele nunca precisou, todos faziam o que ele queria sem que ele pedisse, mas ali, na frente da ruiva irritada, ele teria que aprender a pedir já que não sabia o que ela poderia pedir em troca.

— Preciso da sua ajuda.

— Oi? Acho que não escutei direito, você pode repetir? — Rose pediu com um sorriso enorme no rosto fazendo o Malfoy soltar um bufo irritado. Antes que abrisse a boca novamente ela o cortou. — Só que mais alto dessa vez, e. — a ruiva fez sinal para ele esperar e pegou o celular em cima da mesa o ligando e apontando para o rosto dele. — Pode começar.

— Sério isso?!

— Duvido que um dia eu vá escutar essas palavras saindo de sua boca novamente.

— Eu não preciso passar por isso. — resmungou irritado se afastando dela.

— Ah, precisa sim. — o tom convencido na voz dela o fez parar no meio do caminho, virou-se lentamente armado da expressao mais debochada que conseguiu produzir.

— Como você tem tanta certeza, estranha?

Rose quase perdeu o sorriso, mas o manteve no rosto arqueando uma sobrancelha enquanto cruzava os braços e o analisava dos pés a cabeça.

— Você me detesta e o sentimento é recíproco. Você me acha uma estranha, doida varrida que vive com a cabeça nos livros e não sabe o que é se divertir e nem o que significa senso de moda. — pontuou o calando com um gesto brusco assim que ele abriu a boca para retrucar. — Ouvi sua conversa com os babacas do time. A questão é que você sabe que eu te acho um mauricinho inútil, um desperdício de oxigênio ambulante e que só tem ar na cabeça. Toda vez que nos encontramos a gente briga, e só nos encontramos na escola e na casa do Albus, não compartilhamos o mesmo círculo de amizades, os mesmos lugares para sair ou as mesmas opiniões. Então, se você veio me pedir ajuda é porque está desesperado, a beira de se jogar do terraço ou. — parou de repente fazendo seu rosto brilhar em realização. — Pedir ajuda ao seu pai. — analisou a maneira como o loiro se contorceu e desviou rapidamente o olhar do seu.

Rose esperou, sabia que havia atingido a raiz do problema. Sempre gostou de estar certa, de comprovar que era boa em ler pessoas, descobrir resoluções para crises e principalmente entendê-las, mas obviamente nesse quesito seu temperamento ultrapassava qualquer empatia que tivesse em relação a certas pessoas, e Scorpius Malfoy era uma delas. Se orgulhava em dizer que o garoto nunca conseguiu atingi-la, suas provocações só alcançavam a superfície de Rose, porém, olhando a forma magoada com que ele encarava o chão, a maneira como ele desabou no primeiro banco que encontrou e como bagunçou seus fios loiros perfeitamente arrumados, a Weasley soube que ele estava bem perto de um feito que nunca havia conseguido durante todos os anos de convivência.

— É complicado. — falou após longos segundos de silêncio.

Rose se sentiu desconfortável, não parecia certo eles começarem uma conversa daquela, não se sentia bem em saber que ele estava perto de mostrar um pouco do verdadeiro Scorpius para ela, mesmo ainda achando que essa era uma parte ínfima dele.

— Não precisa dizer se não quiser. — se viu obrigada a falar, mas ele negou com a cabeça e a ruiva se encostou em uma mesa próxima e esperou.

— Olha, sei que nunca nos demos bem, mas o que eu vou lhe pedir é algo que ninguém pode saber e sei que você só vai me ajudar se souber o motivo. — deu de ombros quando ele a encarou, não queria admitir que o loiro havia acertado sobre sua desconfiança, mas não era segredo que ela desconfiava de tudo e todos. — É uma pequena longa história, tem tempo?

Rose encarou a hora em seu celular e percebeu que ainda era cedo, teria tempo de sobra para chegar ao jantar. Ignorando as escuras nuvens que podiam ser vistas através da janela, ela assentiu. Esperava não se arrepender de escuta-lo.