Além do Tempo

8 O Segredo do Medalhão - Capítulo 8


Notas iniciais
Olá pessoal!! Presente de Nat... ops de Ano Novo pra vocês. Eu quase perdi este capítulo inteiro depois de pronto! Aproveitando essa época de festas onde eu tinha algum tempo livre no meu trabalho eu escrevia e salvava no word e me enviava por email. Tá eu sei que vocês vão perguntar, "mas por que não usa o Google drive?". Eu uso o Google Drive para salvar as Fics depois de prontas, mas enquanto eu to escrevendo é sempre neste processo, pois escrevo muito, quase sempre pelo celular essa merda do meu cel tem uma configuração bizarra do Word. Enfim quando terminei a fic enviei para o meu email para revisar antes de enviar para a Vivi betar. Mas só fui ver que ele não havia chego na minha caixa de entrada à noite, fiquei no desespero "liguei" pra Amelinda quase chorando dizendo que eu tinha perdido tudo, sabe eu quando fico nervosa não raciocino, mas a amiga Amelinda me pediu o óbvio "veja nos itens enviados" Ufa! Ele tava lá, meu capítulo salvo que eu erradamente enviei pro pessoal que entrega sushi! =P Achei um site muito bacana que escreve em élfico, (coisas de nerd) aqui tá o link =>> http://clubedosgeeks.com.br/tradutor-portugues-elfico/ Quero agradecer a todos que comentaram essa fic, vocês são incríveis e fazem tudo valer a pena. Agradecimentos também a Vivi minha betar lindo, que todo mundo já sabe não curte o Anime, mas me ajuda mesmo assim *-* Obrigado sua linda!!! A art eu acho que essa é a ou o artista=>> とりしろ (Mas não tenho certeza tá em coreano ou sei lá que linga é essa =( UFA! CHEGA!!! BOA LEITURA!!!

Do outro lado da arena Aioria gritou assim que viu Shaka sendo jogado na arena. — SHAKA!

Milo desviou os olhos de Camus e olhou para o amigo que gritava em desespero.

— Aioria, o que houve? — Perguntou preocupado tentando segurar o amigo. — O que vai fazer?

— Me larga, Milo, não vou deixar ele morrer, não vou deixar! — Disse Aioria em desespero empurrando Milo e Máscara da Morte que foi ao auxílio do escorpiano, segurar o amigo.

Assim que se livrou dos dois, com sua força os empurrando e fazendo com que ambos fossem ao chão, Aioria olhou para Shaka que permanecia imóvel e resignado de joelhos com os olhos fechados, enquanto o animal o rondava preparando o ataque.

Aioria pulou na arena. — AQUI GATINHO, AQUI! — Gritou chamando a atenção da fera.

Ao ouvir aquela, voz Shaka abriu os olhos e sem acreditar falou. — Aioria.

Além do Tempo — Capitulo 8

O povo se calou ao ver o jovem rapaz se jogar na arena para enfrentar a fera.

Quando muito se ouvia “Ohhhh!”, de alguns espectadores mais alarmados.

Radamanthys, contudo olhou para Camus com fúria, mas não fez nada no primeiro momento, aguardaria o desenrolar dos acontecimentos.

O ruivo, porém não percebeu o olhar do tirano sobre si, pois só tinha olhos para Shaka e Aioria e o que aconteceria ali naquela arena.

Na arena Aioria tentava chamar a atenção do leão para si.

— O que pensa que está fazendo, seu idiota? — Perguntou Shaka tenso.


— Eu vou te salvar dessa fera... Ainda não sei como, mas jamais deixaria você à mercê dele. AQUI GATINHO! — Gritou Aioria finalmente se fazendo perceber pela fera.


— Aioria! — Shaka sussurrou pensando no que faria para salvar seu amado, foi então que ouviu Camus gritar seu nome. Virou a cabeça em direção à voz do primo e o viu fazendo sinal para que não se revelasse, Shaka notou que o tirano olhava fixamente para Aioria e a cena que se desenhava em sua frente:

A fera rondando, analisando o momento para dar o bote e Aioria fazendo os mesmos movimentos do animal, como se um pudesse ler os pensamentos do outro.

Shaka foi ágil ao cobrir o rosto com o véu, e assim esconder seus olhos que brilharam. O loiro era um elfo da vida e como tal seu poder prevalecia sobre as criaturas vivas, então concentrou sua energia, e correu na direção da fera que preparava o ataque.

Quando sua mão tocou o dorso do animal, o leão sentiu que alguns sentidos o haviam deixado, o olfato foi o primeiro, logo após foi a visão. O animal ficou confuso, contudo mais arisco devido ao medo que sentiu do desconhecido.

— Shaka, cuidado! Não venha, eu dou conta desse bicho. — Falou Aioria, que pulou sobre o leão o agarrando pelo pescoço.

O leão, cego e sem olfato, soltou um grande urro assustando a todos da plateia que estavam vidrados nos movimentos.

Camus, Aldebaran, Milo e Máscara da Morte não perdiam um movimento de vista.

Radamanthys também acompanhava o embate com real curiosidade, claro que, para aqueles que assistiam não era evidente que o leão estava sem alguns sentidos, exceto para Camus que conseguiu ver os movimentos precisos de Shaka.

Aioria era forte, disso Milo nunca duvidou, mas ver o amigo lutando contra um leão era algo surreal, o leonino era o melhor amigo de Milo e o loiro não estava preparado para perder o amigo, por este motivo todas as atenções de Milo eram para seu amigo naquele momento.

Com um movimento mais brusco o leão conseguiu se livrar do aperto de Aioria e o jogou longe.

— Aioria! — Shaka gritou chamando a atenção da fera para si.


— Shaka! — Aioria gritou, se levantando rápido e pulando sobre o loiro antes que o leão o atacasse.


— Aioria, o que está fazendo? Essa fera vai te matar. — Perguntou empurrando Aioria o fazendo escapar do ataque do leão, mas não rápido o bastante, pois a fera conseguiu arranhar as costas do seu guardião.

O leão voltou a urrar, no instante em que Aioria gritou, contudo, o leonino não deu maior importância ao ferimento, pois seu sangue estava quente pela adrenalina da luta e isso o impedia de sentir dor.


Aioria voltou a pular sobre o felino e tentava enforcá-lo com uma chave de braço.


— AIORIA, CUIDADO! — Pediu Shaka aos gritos quando a fera, seguindo o som de sua voz, pulou sobre o elfo, mesmo com o outro enforcando seu pescoço.


— SHAKA, NÃO!!! — Aioria gritou desesperado, apertando mais seus braços no pescoço do animal, todos na arena pensaram que era o fim do escravo de Radamanthys, somente os olhos élficos de Camus conseguiram ver a cena a sua frente em passos lentos.

Quando Shaka gritou por Aioria, ele sabia que a fera o atacaria, pois a audição era o sentido que estava intacto ao leão, contudo assim que a fera pulou sobre Shaka o elfo colocou a palma da mão no peito da fera e lhe tirou os sentidos restantes.

O leão caiu inconsciente sobre o corpo do elfo.

A multidão em um único som gritou. “Ohhhhhhhh”, pois todos acreditavam que o guerreiro havia derrotado o leão usando apenas a sua força.

Ao sentir que o leão não o impunha mais resistência Aioria soltou o bicho e gritou. — SHAKA!


Empurrando a fera pesada para tirá-la de cima de Shaka, Aioria fez força deixando todos na plateia mais admirados, pois o rapaz conseguiu puxar o leão e tirar o rapaz que estava encoberto pela fera, mesmo ferido. — Shaka, você está bem?


— Aioria, está ferido! Veja, está sangrando. — Shaka falou preocupado.


— Não foi nada, você se feriu? — Perguntou o guardião minimizando sua dor.

Neste momento ouviram os vivas da plateia, Aioria olhou em volta admirado, pois estava sendo ovacionado pelo público, sorriu para Shaka sem graça e começou a acenar para a multidão, assim como viu Aldebaran fazendo no dia anterior, logo a voz do Rei foi ouvida.


— Ora, ora, ora... temos um herói entre nós, decerto és homem mais forte que já vi. Diga-nos seu nome, rapaz.

Aioria e Shaka bem a contragosto fizeram uma reverência ao Rei antes de Aioria responder à pergunta.


— Aioria, senhor, meu nome é Aioria, filho de Regulos, que foi filho de Ilías. — Respondeu firme o leonino, dizendo sua descendência com a voz grave e carregada de orgulho.


— Me diga, nobre Aioria, filho de Regulos, que foi filho de Ilías, o que o levou a pular na arena para enfrentar um leão? — Sondou o tirano com a voz macia.

Aioria olhou para Shaka. — Não poderia deixar este anjo entregue a fera.


— Ora, então o que te motivou foi o escravo? — Tornou a perguntar o Rei.


— Sim. — Respondeu Aioria seguro.


— Pois bem, nobre guerreiro, ele é seu assim como o ouro que prometi. E a partir de hoje você será conhecido por toda Gonda como Aioria de Leão. — Radamanthys decretou e jogou a bolsa com as moedas de ouro para Aioria, que pegou e agradeceu com uma pequena reverência.

Apesar de permanecer firme Aioria estava ferido, o sangue escorria encharcando sua roupa, Shaka estava tenso, assim como os seus amigos.

Camus mantinha no rosto um olhar aliviado, independente de qualquer coisa Shaka e Mu estariam livres, eles poderiam ir em busca de Hyoga.

Aioria sentiu as pernas falharem e quase foi ao chão, não fosse Shaka o segurando com certeza teria caído.

— Aioria! Pelo Divino! — Chamou Shaka, logo Milo e Máscara da Morte pularam na arena para auxiliar o amigo.


— Vejo que por pouco o leão não saiu vitorioso. — Sorriu Radamanthys malicioso. — Vá Aioria de Leão, vá para o seu repouso merecido, nos veremos no banquete dos campeões, espero que esteja disposto até lá.

Aioria assentiu com a cabeça antes de perder os sentidos.

Na arena de onde Milo estava ele finalmente pode ver o rosto de Camus com clareza, não que isso fosse preciso, Milo poderia jurar que conhecia cada centímetro do rosto do ruivo.

Camus percebendo o olhar de Milo para si, desviou seu olhar e virou o rosto para outra direção, não queria que Radamanthys cismasse com Milo se percebesse alguma coisa.

Um gemido de Aioria trouxe Milo de volta à razão, o escorpiano apoiou o amigo nos braços e o ajudou a sair da arena, ajudado por alguns soldados.

Milo ainda olhou para trás algumas vezes tentando ver o olhar do ruivo para si, mas Camus mantinha os olhos fixo no chão, mais precisamente no sangue de Aioria, aquele detalhe o lembrou de como os homens são frágeis, e fez seu desejo de se manter longe de Milo mais forte em seu peito.

Logo sua visão foi tampada pelos tecidos que foram soltos pelos soldados, dando privacidade ao recinto real, o ocultando dos olhares curiosos da plateia, distraído Camus assustou-se quando sentiu que era puxado pelos cabelos de forma rude.

Radamanthys estava furioso jogou o ruivo no chão, era raro ou podemos dizer praticamente impossível, que um elfo fosse surpreendido assim por um mortal, mas o medalhão que Radamanthys usava era capaz de ocultar de Camus, todos os movimentos do tirano.

— MALDITO!!! Que poder esconde de mim? Anda diga! — Gritou Radamanthys indo enfurecido na direção de Camus.

O elfo não sabia do que o Rei estava se referindo.

Aldebaran que permanecia no recinto ficou imóvel observando a cena peculiar, era algo da intimidade do Rei que quase ninguém em Gonda teria acesso.


— Está louco? — Perguntou Camus se levantando do chão, mas logo Radamanthys o agarrou pelo pescoço apertando-lhe a jugular com as duas mãos. Se havia uma coisa que o Rei não permitia, era ser feito de bobo ou que lhe escondessem algo importante. — Do que... está falando? — O elfo perguntou com alguma dificuldade.


— Quer que eu acredite que você não tem nada a ver com o que houve aqui hoje? Quer que eu acredite que aquele homem pulou na arena e lutou com leão sozinho, sem a sua interferência? Quantos homens morreram aqui hoje, Camus? E justamente quando seu amigo está em perigo aparece alguém cheio de coragem? Acha que sou idiota Camus? — Radamanthys questionava e sacudia o ruivo suspenso pelo pescoço.


— Que poderes acha que escondo? — Questionou Camus com dificuldade tentando soltar-se das mãos firmes de Radamanthys.


— Não sei, diga-me você, fez aquele rapaz pular na arena com a força do seu pensamento, não foi? Pra salvar seu amigo, assim como fez ontem? — Radamanthys questionou entredentes.

Aldebaran assistia a cena em silêncio, então era verdade que o rapaz tinha poderes, e o gladiador percebeu assim que ficou perto do ruivo, ele não era humano, os formatos de suas orelhas denunciavam: O rapaz era um elfo.


— Acha que se eu tivesse algum poder semelhante já não teria feito algum de seus soldados lhe cortar a cabeça? Acha que eu já não teria fugido daqui? — Perguntou Camus sem forças, seu olhar desviou-se dos olhos do Rei e fixou no medalhão que estava no peito do tirano. Seus olhos brilharam assim como o objeto, Camus gritou e perdeu os sentidos.

Assustado Radamanthys segurou o elfo nos braços. — Por Hades! Camus acorde!! O que foi que eu fiz? Camus, meu belo elfo acorde, não tive a intenção de ser rude, você é que não sabe ser dócil comigo, Camus. E são muitas coincidências.

Atento Aldebaran percebeu a mudança na voz do odioso Rei, existia ali uma real preocupação, mas o que o taurino não saberia dizer é se a tal preocupação era com o bem-estar do elfo ou com os tais “poderes” que o elfo possuía.


— Camus! Camus! — Chamou novamente Radamanthys começando a se desesperar.


— O rapaz me parece desmaiado apenas, veja se sua respiração está normal. — Falou O Touro pela primeira vez desde que Radamanthys perdeu o controle.

O tirano piscou algumas vezes, como se notasse somente agora que não está só, havia esquecido da presença do gladiador. Sua raiva o cegou, o fez atentar contra a vida do seu precioso elfo.

Aldebaran se aproximou e colocou seu bracelete de ouro próximo ao nariz do ruivo, vendo o objeto embaçar, falou com tranquilidade. — O rapaz apenas desmaiou, deixe-o descansar.

Radamanthys confirmou com a cabeça e gritou para os soldados. — Chamem o Shaka, para cuidar do meu Camus.

Os soldados se olharam confusos e um deles falou. — Senhor, vossa majestade acabou de dar o escravo Shaka em prêmio para o rapaz que derrotou o leão.

— Merda! — Praguejou o Rei, não havia pensado em quem cuidaria de Camus na ausência de Shaka. — Acho que fui muito rude com ele. — Falou Radamanthys levando o elfo nos braços, como não houve ordem alguma para que não o seguisse, Aldebaran seguiu o Rei com a desculpa de ajudá-lo com o rapaz. O gladiador foi sensato ao não usar a palavra elfo com o Rei, poucos em Gonda deveriam saber deste fato e Aldebaran achou por bem demonstrar que desconhecia este fato.

O Rei levou o elfo para o seu aposento real e o depositou em sua cama com cuidado acariciando seu belo rosto. — Camus, tão lindo e tão indefeso agora, não imagina o alto controle que tenho que fazer para não rasgar sua roupa e te possuir agora mesmo.

Aldebaran não entrou no quarto real, apenas esperou na entrada, mas mantinha os olhos e os ouvidos atentos a tudo que se passava no quarto, notou os olhos cobiçosos que o tirano lançava ao elfo.


— Grande Touro, não convém olhar a privacidade do nosso Rei desta maneira. — Um jovem soldado lhe repreendeu, contudo, o rapaz tinha mais admiração na voz que irritação.


— Perdoe minha indiscrição, mas achei bonito o amor deles, parecem felizes. — Sondou o gladiador.

O jovem no entusiasmo de um fã que procura algo para dizer ao seu ídolo, sussurrou. — Ele mantém o rapaz preso, não há amor, o ruivo é hostil e nunca se dobra ao Rei, sabe, acho que é isso que deixa nosso Senhor tão obstinado e vidrado nele.

“Então o elfo é refém?" — Pensou Aldebaran, "mas por que ele não foge?"

Sim, Aldebaran sabia que havia algo de estranho ali e aquela informação fez toda a diferença.



ooOoo



— Cuidado, por favor, cuidado com ele. — Shaka dizia enquanto Aioria era carregado pelos amigos.

O guardião foi levado para a "ala médica" dos jogos, na realidade a tal ala médica era composta de uma mesa de pedra onde ficava o ferido e água para lavar a pedra depois que o ferido morresse, não havia janelas e pouca claridade entrava, a iluminação era feita por uma tocha.

Aioria foi levado para o lugar já inconsciente.


— Aioria, como se sente? — Questionou Milo preocupado, mas o amigo não respondeu.


— Você tem merda na cabeça? Por que foi fazer uma idiotice dessas? — Foi Máscara da Morte quem perguntou dessa vez.


— Deixe-o em paz, ele precisa de descanso, me ajudem, preciso de água limpa e linho para limpar a ferida, vamos mexam- se! — Shaka voltou a falar com seu tom altivo e, por vezes, arrogante.

Máscara da Morte o olhou levantando a sobrancelha esquerda e Milo franziu a testa tentando lembrar de onde Aioria conhecia este rapaz.


— Ei, você é o amigo de Mu, não é? — Milo questionou lembrando-se de Shaka.

— Não temos tempo para conversar agora, façam o que eu pedi. — Shaka respondeu.

Os amigos saíram em busca da água e do linho um tanto contrariados.

Vendo-se sozinho com o seu guardião, Shaka colocou as mãos sobre o ferimento de Aioria, seus olhos brilharam e o ferimento parou de sangrar e rapidamente começou a cicatrizar.

Shaka poderia curar por inteiro o ferimento, mas como explicar isso aos guardas que os viram entrando, aos amigos de Aioria e ao próprio Aioria?

Por este motivo Shaka se preocupou em apenas estancar o ferimento, curar a ferida, sem curar as escoriações por completo, Aioria não tardou a despertar.

— Onde...? Shaka? Eu estava sonhando com você. — Aioria falou com a voz rouca no instante em que acordou. — Havia uma fogueira e você dançava pra mim.

Os olhos de Shaka brilharam.

Neste momento Milo e Mascara da Morte chegaram trazendo os itens que Shaka havia pedido. — Ah! Vejo que acordou, o que tem na cabeça, Aioria? Lutar contra um leão! — Milo começou a bronquear.

Shaka desviou os olhos de Aioria e os fechou, pois alguns soldados entraram junto com os companheiros de Aioria.

— O que foi, Milo? Era só um gatinho. — O leonino falou fazendo pouco caso de seu feito.

— Um gatinho? O senhor passará a ser conhecido em toda Gonda como “Aioria de Leão”, tal foi sua bravura, e devo lhe dizer: Nosso Rei tem muito respeito por pessoas corajosas. — Um dos soldados falou com admiração e os outros soldados confirmaram.


— Mas você se feriu com esse “gatinho,” seu idiota. — Mascara da Morte quem falou. Ele estava muito irritado, pois tanto Aldebaran quando Aioria haviam jogado às favas a ideia inicial de ficarem anônimos e poderiam colocar tudo a perder inclusive suas vidas se Radamanthys descobrisse quem, de fato, eles eram e Aioria dizer sua descendência não foi muito inteligente na opinião do amigo.


— Foi um arranhãozinho bobo, já estou bem. — Falou Aioria se levantando, e por fazer um movimento brusco foi surpreendido por uma tontura, apesar do ferimento não estar sangrando havia perdido muito sangue.

— Por favor, não faça esforço, você deve descansar. — Shaka falou com a voz doce, um tom completamente diferente do que havia usado para falar com Milo e Mascara da Morte.

Milo o olhou franzindo a testa, e depois olhou para seu amigo que estava com cara de idiota olhando para o loiro, não demorou a perceber que o que Aioria havia lhe confessado pela manhã de fato real. Seu amigo estava realmente apaixonado pelo loiro, “mas, como em tão pouco tempo?” — pensou Milo, mas também se lembrou do ruivo, o tal Camus, Milo sabia que se fosse o ruivo ali naquela arena, correndo perigo, ele, Milo, também se atiraria na arena para salvá-lo.

ooOoo

Camus remexeu-se na cama, sentia-se cansado, muito cansado.

Sem energia, só se lembrava de uma sensação semelhante quando Hyoga nasceu, mas naquela ocasião, tudo era justificável, havia passado mais de um século congelado, assim que saiu usou toda a energia disponível em seu corpo para dar a vida ao filho, mas dessa vez, Camus não sabia qual o motivo de ter ficado assim tão fraco.

Seus movimentos estavam lentos, assim como sua percepção, não tardou a sentir que alguém dividia o leito consigo.

Camus percebeu que estava nu, e Radamanthys que o abraçava possessivamente também. O elfo se desvencilhou dos braços do seu algoz e usou toda a força que lhe restava para sair da cama, mas por estar muito fraco caiu sentado no chão acordando Radamanthys na sequência.


— Ora, ora... finalmente acordou, seu dorminhoco! — Radamanthys falou como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo dormir nu ao lado de Camus.

— Seu nojento! O que fez? O que houve aqui? — Camus perguntou fraco e aturdido.


— Você perdeu a consciência, hoje na arena, confesso que fui um tanto rude com você, o Touro me falou depois que o amigo tinha planejado lutar com os leões, só estava esperando um "prêmio" adequado... — Radamanthys estava explicando quando Camus se lembrou do acontecido.

O medalhão" lembrou-se Camus, Radamanthys apertava seu pescoço com verdadeiro ódio, talvez o tirano almejasse de fato o matar.

A fúria de Radamanthys fez o medalhão reagir, um brilho saiu do objeto e sugou a energia de Camus, coisa que até o momento nunca havia acontecido, não dessa forma. Camus já havia sentindo sua energia sendo sugada aos poucos sempre que estava próximo ao medalhão, mas não dessa forma.


— ... Eu te trouxe para meus aposentos, na falta de Shaka e Mu cuidarei de você até que eu encontre alguém de confiança ou alguém cego, não quero ninguém cobiçando o que é meu, e você meu querido, é meu por direito. — Continuou Radamanthys sem notar ou dar importância a confusão e a fraqueza de Camus. — Sabe, me arrependi de ter me desfeito de Shaka, mas você me confunde o juízo Camus, não penso direito quando se trata de você.

— O que fez comigo, ser asqueroso? — Camus perguntou ainda sentado no chão.

Radamanthys sorriu cínico antes de responder malicioso. — Você pergunta o que eu fiz enquanto dormia? Não fiz nada, não ainda! Vontade não me faltou, Camus, mas eu quero ouvir você gemendo quando eu me enterrar nas suas carnes, não quero apenas possuir um corpo sem movimento.

Camus encostou a cabeça na cama, tentando manter o equilíbrio, respirando com dificuldade tentou se levantar em vão, foi quando Radamanthys percebeu que Camus realmente não estava bem.


— O que tem Camus?

— Eu estou morrendo não percebe? Radamanthys, me sinto fraco, muito fraco, estou morrendo. — Camus respondeu fraco sentindo suas forças o deixando.

Radamanthys ficou sério, levantou da cama e se aproximou de Camus encostando a mão no rosto do elfo, fez uma leve carícia antes de dizer. — Não morra, Camus, lembre-se que estou com seu filho e ele não me terá serventia. Se você morrer, eu o matarei!

Os olhos de Camus lacrimejaram ao ouvir a ameaça do tirano, então deixando seu orgulho e altivez de lado pediu fraco. — Deixe-me descansar, por favor, eu preciso.

Radamanthys pegou o elfo nos braços, Camus estava ali nu completamente ao seu dispor, com toda certeza não teria forças para lutar se resolvesse possui-lo ali naquele momento, o Rei vivia uma batalha interna entre o prazer que teria em possuir o elfo, neste momento em que estava indefeso, e assim correr o risco de perder os poderes de Camus e ficar vulnerável perante seus inimigos.

Radamanthys não abriria a mão do poder, nem por “amor” ao elfo, então o acomodou em sua cama. — Eu sou muito nobre, Camus, vou deixá-lo descansar em minha cama.


Dizendo , o Rei de Gonda colocou suas vestes e saiu, teria um dia cheio.

O elfo exausto perdeu a consciência novamente.

ooOoo

— Shaka, que bom que está aqui! Pelo Divino, você está livre? — Mu perguntou abraçando o primo assim que o viu entrando na tenda junto com os amigos de Aldebaran.


— Não, ele é escravo do Aioria, assim como você é escravo do Touro. — Respondeu Máscara da Morte, ríspido por estar muito irritado com as irresponsabilidades dos amigos.

Os elfos olharam para o rapaz que havia acabado falar e que saiu da tenda resmungando, depois trocaram olhares, Mu estava confuso e bem curioso sobre como Shaka foi parar ali.


— Não liguem para o Máscara da Morte, ele é rabugento. — Aioria falou assim que entrou na tenda e Milo estava ao seu lado.


— Você não é meu escravo, Shaka, é livre para ir embora se quiser. — Aioria falou brando, não queria aquele homem como escravo, o queria como amante, companheiro, digno do amor que sentiu assim que olhou para o rapaz pela primeira vez.

Shaka nada respondeu, apenas deu um meio sorriso e esperou que Aioria dissesse onde ficaria.


— Bom, vou deixar você descansar um pouco, seu dia também não foi fácil. Er... é... você fica aqui com Mu por enquanto. — Aioria informou sem graça antes de seguir para a saída da tenda junto a Milo, sua vontade era levar Shaka para ficar consigo em sua tenda, mas o rapaz poderia pensar que era obrigado a ter algo com Aioria e o leonino queria que Shaka fosse dele por vontade e não por imposição da sua relação, “senhor x escravo”.


Antes que o leonino saísse, Shaka chamou. — Senhor Aioria.

O leonino parou e voltou sua atenção ao rapaz loiro.


— Obrigado. — Agradeceu o elfo.

Aioria sorriu de lado antes de responder. — Aioria, basta me chamar de Aioria. E não precisa agradecer, eu jamais o deixaria ali entregue à própria sorte.

Shaka assentiu com a cabeça e Aioria teve que lutar bravamente contra seus extintos para não correr e tomar a boca do rapaz ali na frente de todos. Antes que fizesse algo do gênero o leonino se encaminhou para a saída e novamente parou ao escutar a voz de Shaka outra vez.


— Descanse Aioria, você precisa descansar. — O elfo pediu cuidadoso.


— Não se preocupe vou levar este idiota para descansar nem que eu tenha que amarrar ele. — Milo foi quem respondeu e saiu rebocando o amigo.

Shaka ficou olhando para a saída da tenda e Mu sorriu antes de dizer. — Seu guardião, Shaka, você finalmente está com o seu guardião. — Mu dava vivas ao lado de Shaka, mas o loiro o olhou sério e falou.


— Precisamos salvar o Camus o quanto antes Mu. Ele está correndo sérios riscos. — O Elfo falou preocupado.

Neste momento Aldebaran entrou na tenda com cara de poucos amigos sendo seguido pelos outros que haviam acabado de sair. Mu e Shaka olharam para ele. — Me contem tudo sobre o elfo, tudo que sabem sobre ele.

Milo, Aioria e Máscara da Morte se olharam confusos. — Aldebaran, elfo? Que elfo é este? — Milo perguntou.


— O seu ruivo, Milo, o rapaz por quem se encantou, ele não é humano, ele é um elfo. — Tornou a falar Aldebaran sem tirar os olhos dos dois ex-escravos de Radamanthys.


— Um elfo? Claro, eu sabia que ele era um ser divino. — Milo comentou triste, pois mesmo que suas chances com o ruivo fossem nulas, saber que o ruivo era um elfo tornava tudo impossível. Elfos e mortais, nem nos contos são felizes.

Shaka e Mu discretamente conferiram o véu sobre suas cabeças, a fim de esconder as orelhas pontudas.


— Shaka, isso é verdade? O ruivo é um elfo? — Foi Aioria quem perguntou, o leonino havia entrado na tenda junto com Aldebaran.


— Sim, Camus é um elfo e ele precisa ser resgatado o quanto antes. — Shaka respondeu firmemente.


— Mas que besteira é essa? Não existe esse negócio de elfos. — Máscara da Morte falou ríspido, Mu pensou em se revelar tirando o véu, mas Shaka o impediu. Não era prudente se revelar neste momento.



— Ele é um elfo, eu vi, e pelo que sabemos é deste elfo que Radamanthys tira seu poder. É ele quem ajuda o maldito nas vitórias que ele teve até agora. — Aldebaran respondeu ao amigo.



— Então precisamos matar esse elfo! — Disse Máscara ríspido.



— Não! Por acaso não ouviu o amigo de Mu dizer que precisamos resgatá-lo o quanto antes? — Milo se apressou em dizer.



— Não acho que o elfo faça nada por vontade própria, Máscara, hoje o ouvi dizer que se tivesse oportunidade mataria o tirano e ele falou isso ao próprio Radamanthys. — Revelou Aldebaran para alívio e orgulho de Milo. — Mas concordo com Shaka, precisamos resgatá-lo antes que Radamanthys o mate.



— Por que diz isso Aldebaran? — Milo o tenso.



— Radamanthys achou que o elfo tinha alguma coisa a ver com o fato de termos resgatado Mu e Shaka, ele o agrediu e o elfo chegou a perder os sentidos. — Aldebaran revelou o que se passou enquanto estava na presença do tirano.


— O quê? — Shaka e Mu perguntaram aflitos, Milo teve ganas de ir até o castelo e tirar Camus de lá à força. — Mas ele está bem? — Mu perguntou aflito.

— Até o momento que sai ele ainda estava inconsciente. — Respondeu Aldebaran, Mu e Shaka trocaram olhares preocupados, um elfo perder os sentidos não era uma coisa comum.

Milo tentava ser racional, pois nem ele mesmo entendia porque os sentimentos dele para com o ruivo, que nem conhecia, eram tão fortes.


— E ele teve alguma coisa a ver com as sandices de vocês? — Máscara da Morte perguntou olhando para os dois resgatados.

Os amigos olharam para os elfos, e Shaka com seu jeito altivo respondeu. — Pergunte a eles. — Falou apontando para Aioria e Aldebaran. — Acaso se arrependeram? Acham que agiram movidos por algo contra a vontade de vocês.



— Não me arrependo de ter salvado você, Shaka, o faria novamente se fosse preciso. — Aioria respondeu sem que o amigo precisasse lhe questionar nada.


— Eu também não me arrependo, pequeno, jamais deixaria um anjo como você lutar contra alguém como o Hércules. — Aldebaran falou para Mu com a voz branda e um tanto corado.

— Se este elfo está ajudando o Radamanthys, por que não matá-lo logo de uma vez e acabar com os poderes do tirano? — Máscara da Morte voltou a falar e os companheiros analisavam sua sugestão, contudo Milo falou.

— Radamanthys já é forte o suficiente para continuar sua matança sem a ajuda do elfo, se nós conseguirmos resgatar o elfo, talvez possamos usá-lo para nos ajudar a vencer o tirano, não percebem a mão de Atena nos guiando? — Astuto Milo tentava convencer seus companheiros a poupar a vida de Camus.

— O que quer dizer, Milo? — Aldebaran perguntou.

— Se o elfo tem poderes, ele pode nos ser útil no exército de Gale, viraremos o feitiço contra o feiticeiro. — Sugeriu Milo, que no fundo sabia que seu único interesse era salvar Camus.

Todos analisaram aquela sugestão dada por Milo, afinal, não seria ruim usar as armas de Radamanthys contra ele próprio.

Shaka e Mu ficaram apreensivos, afinal Camus não poderia sair de um cativeiro para ser colocado em outro, contudo Shaka tinha plena confiança que Milo protegeria seu primo.

— Shaka, Mu nos contem tudo que sabem sobre esse elfo. Onde ele fica? Quais seus poderes? E se existe alguma forma de podermos entrar no castelo para resgatá-lo, digo sequestrá-lo? — Perguntou Milo, para que pudessem planejar uma forma de salvar Camus.

ooOoo

—Ichi, meu elfo está doente, exijo que o cure. — Radamanthys ordenou assim que entrou no salão das refeições para fazer seu desjejum.

— Como, senhor? — O feiticeiro perguntou sem entender.

— Ele desmaiou ontem ainda de dia e mal conseguiu acordar hoje, está fraco, cansado e disse que estava morrendo. Não o deixe morrer, Ichi, ou fará companhia a ele nos Elísios.

O feiticeiro pensou antes de responder.

— Majestade, nunca ouvi falar em um elfo que adoecesse, isso é raro e estranho... — O feiticeiro caminhou pelo salão pensando ou tentando lembrar-se de algo que pudesse ajudar nesta complicada demanda. — Tristeza pode matar um elfo, acha que seu elfo está triste?

Radamanthys sem querer dar o braço a torcer por saber que se Camus estivesse doente de tristeza a culpa seria toda sua, apenas falou. — Ele não tem motivos para estar triste, tem? É tratado como um nobre, tem escravos que cuidam dele, come as melhores folhas e pães uma vez que não ingere carnes, anda ornado em joias e tem toda minha devoção, não há motivos para tristeza.

— Talvez ele tenha saudades da criança. — Sugeriu o feiticeiro.

— Não posso arriscar trazer a criança para ele, seríamos todos congelados. Se ele tiver o filho em seu poder, não hesitará em nos atacar. Tem que achar outro jeito, Ichi, não vou perder meu elfo. — O soberano de Gonda ordenou.

Radamanthys ficou a pensar sobre o que teria causado este mal-estar em Camus. “Será que foi a forma rude com que lhe tratei ontem?” — pensou, realmente havia fúria em seus atos naquele momento, pois achou que Camus havia lhe escondido um grande poder, “como eu imaginaria que pudesse machucar seriamente meu elfo?”

— Maldição, Camus, por que tem que ser tão difícil? — Praguejou o Rei jogando um vaso com raiva contra a parede gritando.

Foi quando algo aconteceu das mãos do tirano saíram raios de gelo o vaso foi congelado assim como parte da parede.

Radamanthys olhou assustado para suas mãos.

O feiticeiro exclamou surpreso.

ooOoo

Camus abriu os olhos com dificuldade, ainda se sentia fraco, muito fraco, olhou em volta, ainda estava no quarto do tirano.

O príncipe elfo sentia nojo de estar deitado ali, forçou-se a levantar, cambaleando encostou-se a uma mesinha de madeira negra, todos os móveis do quarto do Rei eram em cor preta, os olhos de Camus foram atraídos para um pequeno baú que estava sobre a mesa, havia alguns dizeres nela tudo estava em élfico...

“O medalhão Eilift Lit

O medalhão do poder e da vida eterna

O elfo que possuir este medalhão a todos governará, pois o poder de todos os elfos sugará.

Não abra!

Somente a chave seu poder absorverá.

Não abra!

O objeto que aqui dentro está, a vida de muitos tirará!”


Camus sentou horrorizado com o que leu aquilo que o tirano usava em seu pescoço e que lhe causava tantos males, fraqueza e confusão não passava de uma chave para o real medalhão do poder, o medalhão da destruição, o medalhão da morte!

Notas finais
Caramba! Aquilo que o Radamanthys usa é apenas a chave que abre o baú!!!! O medalhão está sugando os poderes do Camus e passando para o Radamanthys, CARACOLES!!! Sinto cheiro de muita confusão! Bom, mas ao que parece um plano de resgate está sendo elaborado, será que eles vão conseguir salvar o elfo? Será que o Shaka e o Mu estão fazendo bem em ocultarem suas condições? Será que o msm vai deixar de ser rabugento??? Será que o Shaka vai errar de tenda a noite? Hehehe Comentem!! Me digam o que estão achando! Fantasminhas hora dá psicografia!!! Beijos até no próximo!!!! Ps. Lembrando que existe um grupo no face onde trocamos ideias, posto curiosidades etc... quem quiser participar seja bem vindo =>>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/