Além do Tempo

9 Reencontro no Rio - Capítulo 9


Notas iniciais
Olá pessoal finalmente a fic está sendo atualizada!!! o/ Não sejam maus, nem demorou tanto =P Bom muitas coisas estão acontecendo e vamos falar sobre isso lá embaixo. Quero agradecer a Vivi que betou este capítulo entre uma tarefa e outra da sua agitada vida de ferias escolares (ela tem três filhos), Muito obrigado amiga, nunca vou poder agradecer direito tudo que você faz por mim. Quero agradecer também a Amelinda, minha linda! Que gentilmente deixou eu usar essa imagem na minha fic, essa imagem foi feita para Dame Jolie, foi um presente da Washu M, mas se encaixou muito bem nesta cena e eu passei dois meses perturbando a Amelinda para deixar eu usar ela aqui. Obrigado amiga, por me deixar usar sua imagem e obrigado por ser minha amiga e tão importante pra mim. E por fim agradecer a Washu M por ter feito essa imagem linda que Dame Jolie continue abençoando sua inspiração, nós pobres mortais agradecemos =P Chega de papo!

Além do Tempo — Capítulo 9

Camus ainda estava no quarto de Radamanthys, chocado com o que descobriu sobre o medalhão e aquele baú.

Quando ouviu a porta se abrindo se afastou como pôde do baú voltando a ficar próximo a cama, ainda se sentia fraco sentou no chão com o lençol enrolado em seu corpo, cobrindo sua nudez.

Radamanthys parou na porta e se pôs a observar o elfo, como se pensasse em algo.

Camus por sua vez sentia medo e asco em igual medida, sabia que não conseguiria evitar as investidas de Radamanthys por muito mais tempo, não se seus poderes não fossem mais necessários ao tirano.

— Está melhor, Camus? — Radamanthys, analítico.

— Um pouco melhor. — Camus respondeu tentando não demonstrar o medo que sentia.

— Diga-me, Camus, acha que está perdendo seus poderes? — Radamanthys sondou, se aproximando de Camus que ainda estava sentado no chão.

— Sou um elfo, Radamanthys, um elfo não perde seus poderes. — Camus respondeu tentando parecer altivo, porém longe de seu habitual porte.

— Hum, entendo, — Começou Radamanthys, — Quer dizer que você consegue restabelecer seus poderes, sua força? — O Rei tirano questionou sondando.

— Preciso ter contato com a natureza. Me deixe ir ao rio, preciso me banhar no rio ou no mar. — Camus pediu, sabia como era humilhante pedir algo ao Rei, mas ele não estava em condições de manter seu orgulho.

Camus sempre sentiu que o medalhão drenava aos poucos sua energia, mas com Shaka e Mu por perto eles estavam sempre o reabastecendo de energia, contudo, agora Camus sabia que não teria a ajuda dos primos para isso e ainda tinha o agravante do medalhão ter feito algo inédito que lhe tirou quase toda sua energia.

Radamanthys aproximou se de Camus inclinou seu corpo e segurando o elfo pelo rosto o beijou à força, invadindo a boca do elfo sem aviso.

Camus por sua vez continuou imóvel sem corresponder ao beijo do outro. Radamanthys soltou o elfo com brutalidade e falou. — Beijar sua boca é como beijar uma estátua de mármore. — E olhando nos olhos de Camus completou. — Frio e estático, no entanto, sua pele é quente e macia.

Camus nada respondeu, observava Radamanthys com olhos de tédio, apesar de estar apavorado por dentro.

— Você me diz que um banho no rio o fará repor seus poderes? — Começou Radamanthys voltando ao assunto como se ele não o tivesse interrompido com o beijo imposto.

Camus apenas se limitou a confirmar com a cabeça.

ooOoo

— Acho que temos lenha para a noite toda, ainda há carne salgada? — Milo perguntou para Máscara da Morte assim que chegou ao acampamento trazendo algumas toras nos braços.

— Sim, temos o bastante, mas os nossos "hóspedes" não comem carne, eles só comem frutas, matos... essas coisas. — Começou Máscara da Morte rabugento. — Acho que o Demônio não dá carne aos escravos, eles não devem ter o costume, onde já se viu dois homens que não comem carne?

Milo não respondeu nada sobre o comentário do amigo, somente perguntou. — Como está o Aioria?

Fazendo uma careta de reprovação, o canceriano respondeu. — Tá na tenda, descansando com o escravo dele a cuidar dos ferimentos. — Pelo tom usado Milo percebeu que talvez Aioria estivesse tendo outros tipos de cuidados com o rapaz.

— E Aldebaran? — Tornou Milo ajeitando a fogueira.

— Esse é outro, entrou para pajear o escravo, aqui os escravos que precisam de cuidados dos amos, já viu disso? — Respondeu amargo mais uma vez o canceriano.

— Não acho educado chamar Mu e Shaka de escravos, Máscara da Morte, sabe bem que Aioria e Aldebaran têm olhos para os rapazes, eles não arriscariam a vida deles em nome de nada, ou só por uma noite de prazer, não tenho dúvidas que há sentimentos ali.

— Há loucura ali, os dois quase colocam tudo a perder, todos os nossos planos e nossas vidas. — Máscara começou a reclamar chegando ao ponto que queria.

Milo girou os olhos antes de dizer. — Você está precisando de uma boa foda, Máscara da Morte, uma boa foda! — E se afastou deixando o outro resmungando ainda mais Irritado.

Após terminar de juntar a lenha e ajeitar algumas coisas Milo seguiu para o rio, precisava se banhar para se refrescar, e também queria ficar só, seus pensamentos sempre iam para certo ruivo que agora Milo sabia, era um elfo.

ooOoo

— Me chamou, Majestade. — Valentine aproximou-se do Rei fazendo uma reverência.

— Sim, quero que junte seis homens, meu elfo quer se banhar no rio e vocês vão acompanhá-lo. — Radamanthys ordenou.

— Não acha perigoso soltar o elfo no rio? — Valentine questionou.

— Ele não vai fugir, de mais a mais, ordenei homens justamente para garantir a segurança do meu elfo. — Radamanthys respondeu.

— Vou levá-lo de coleira? — Voltou a questionar Valentine com olhos brilhantes.

Radamanthys fitou seus olhos em desagrado agarrou-lhe pelo pescoço e disse entre dentes. — O único a colocar coleira no meu elfo sou eu, você e os demais neste Reino devem se curvar perante a ele, meu elfo vai se banhar no rio como um nobre, e vai ser respeitado como tal, ouviu bem?

Com olhos arregalados Valentine confirmou com a cabeça antes de ser solto pelo Rei. — Agora vá faça o que lhe ordenei.


ooOoo

Milo estava nadando relaxado no rio, se banhava após o dia cansativo, a preocupação com o amigo ferido na arena e aquele aperto no coração que vinha sempre que pensava no ruivo, “como alguém que não conheço, que nunca sequer conversei pode ser tão importante em meu coração?” — Pensava aflito sentindo seu peito apertado.

O guerreiro de Gale viu quando alguns soldados se aproximaram trazendo algo, ou melhor alguém, como era noite Milo achou por bem se esconder nas águas a correr o risco de ser visto pelos soldados, fosse o que fosse que eles estavam fazendo ali, pelo horário percebia-se que não queriam chamar a atenção.

Milo pôs-se a observar.

Quatro soldados carregavam uma luxuosa liteira real, dois na frente e dois atrás, outro soldado vinha à frente com Valentine e um último ia atrás do comboio.

Todo este aparato era para garantir a segurança do elfo.

Quando chegaram às margens do rio e colocaram a liteira no chão Milo viu Camus descer auxiliado por um soldado, no rosto do elfo havia o alívio de estar em contato com a natureza enfim, e em Milo só se via a admiração e o pulsar forte do coração ao ver tamanha beleza.

Milo, contudo, permaneceu escondido

Antes que o ruivo desse mais um passo, Valentine o segurou pelo braço e ameaçou. — Não tente nenhuma gracinha, se tentar fugir eu mesmo matarei seu filho.

Camus o olhou sério antes de responder. — Não ouse ameaçar meu filho, seu verme.

— Não ouse tentar fugir. — Devolveu Valentine ameaçador.

Camus nada respondeu, soltou-se do aperto do soldado e seguiu para as margens do rio, sentiu a água em contato com seus pés e uma onde de prazer e renovação percorreu seu corpo, então se virou para o general de Radamanthys e falou. — Não irei fugir, se quisesse já o teria feito, não se preocupe, tem minha palavra. — Camus continuou com os olhos firmes em Valentine, que percebeu o que o ruivo queria, e ordenou.

— Virem-se, o Rei não quer ninguém olhando para o que pertence somente a ele.

Assim que os soldados viraram de costas, Camus olhou para Valentine que compreendeu o pedido do elfo e, praguejando virou de costas.

Com o rosto sem expressão alguma, Camus deixou cair a túnica que usava, ficando completamente nu rodeado pelas águas do rio.

Milo, que observava a cena um pouco distante, manteve-se no mesmo lugar maravilhado com a beleza daquele ser.

O elfo caminhou a passos lentos para dentro do curso das águas, sentindo seu corpo vibrar em satisfação ao tocar na superfície fria, apesar de estar caminhando sozinho, Camus ainda se sentia muito fraco, e o contato com a natureza e a água viva do rio era um balsamo fortificante para si. Após andar até que a água ficasse em sua cintura o elfo mergulhou, seu corpo brilhava ao receber a energia da natureza.

“Perdão criaturas das águas, perdão por absorver um pouco de sua energia e vitalidade, mas preciso me refazer, preciso dos meus poderes, a vida de meu filho depende de mim.” — Camus pediu humilde, em respeito às criaturas das águas antes de começar a absorver as energias do rio.

Por estar muito fraco, sua percepção élfica não estava em normal estado, por este motivo Camus não percebeu a presença de Milo enquanto mergulhava absorvendo a energia do rio. O guerreiro de Gale, por sua vez, observava o elfo com verdadeira adoração, sentiu-se um tanto cansado, mas pensou apenas que seu cansaço fosse referente ao dia atribulado, movimentou-se na água ficando próximo a algumas pedras para se apoiar e não correr o risco de se afogar devido ao cansaço repentino.

Camus notou o movimento e olhou na direção de Milo, seu coração deu um pulo quando o viu ali, preocupado verificou os soldados a margem do rio, todos continuavam de costas para o rio, respeitando sua privacidade, não por serem educados, mas por ordem de Radamanthys, que proibiu seus homens de olharem a nudez de Camus sobre a pena de castração para que o desobedecesse.

— Oi. — Milo falou baixo, apenas para o elfo escutar. — Desculpe, eu não queria ser invasivo, nem ficar espionando seu banho, mas já estava aqui no riu quando você entrou e... — O ruivo nada dizia, deixando Milo mais constrangido de ter sido pego o observando. — Eu te conheço de algum lugar? Me diga, nós já nos vimos antes?

Camus nada respondeu, sentia seu coração acelerado pelo reencontro inesperado, Milo aproximou-se de Camus calmamente.

— Não sei o que está acontecendo comigo, mas não consigo parar de pensar em você desde o primeiro momento em que te vi naquela arena, até sonhei com você, acredita? — Milo falou emocionado sentindo os olhos lacrimejarem, levantou a mão esquerda e tocou no rosto de Camus que fechou os olhos sentindo o toque de Milo em seu rosto. — É como se já o conhecesse há tempos... é como se faltasse você na minha vida.

Camus não podia fraquejar, não poderia colocar Milo em risco novamente, como provavelmente já havia feito naquela noite, e novamente sem consciência dos seus atos, então abriu os olhos e falou sério. — Eu não sabia que estava aqui, consegue sair do rio sozinho? —Perguntou preocupado, pois sabia que ao sugar a energia do rio também sugara a energia de Milo.

O loiro piscou algumas vezes tentando entender do que Camus falava, e como tudo que disse foi ignorado pelo ruivo. — Claro que consigo sair daqui, mas acho que se eu fizer isso agora seus amigos ali não vão gostar muito. — Milo respondeu triste pelo jeito com que Camus ignorou sua declaração.

Atento Camus voltou a olhar para a margem do rio quando notou que Valentine se virava para verificar onde Camus estava, uma vez que não ouvia barulho algum na água.

O elfo se posicionou na frente de Milo, e num sussurro falou. — Não se mexa, faça apenas os mesmos movimentos que eu fizer, por favor! — Milo confirmou com a cabeça e Camus continuou. — Respire fundo.

Assim que Milo pegou ar Camus movimentou-se na água abraçando Milo e mergulhou em seguida levando o loiro consigo, Valentine notou Camus nadando, resmungou sobre a demora e virou-se novamente de costas. Camus, com a agilidade de um elfo das águas e do gelo, nadou rápido afastando Milo o máximo que podia da visão dos soldados de Radamanthys.

Parando atrás de uma pedra, Camus emergiu com um Milo quase sem fôlego. — Por Atena! Quer me matar afogado? — O loiro reclamou.

— Desculpe! Só quis tirar você das vistas dos soldados.— Camus respondeu, antes de perceber que estava muito próximo a Milo, e tão nu quanto ele, um conseguia sentir a respiração do outro, Milo olhava atentamente aquele rosto estranhamente familiar aproximando-se devagar. Camus, percebendo a intenção do loiro, cortou o contato visual. — Preciso voltar antes que sintam minha falta, espere que eu parta com os soldados, somente depois você deve sair, entendeu?

— Por que não foge? Por que se submete àquele tratamento que o monstro da a você? Camus, venha! Fuja comigo, vamos embora. — Milo pediu segurando a mão do ruivo.

O coração de Camus bateu acelerado ao ouvir Milo chamando seu nome, pelo Divino, como queria ir com aquele homem, ser feliz ao lado dele, mas Camus lembrou-se que felicidade não era pra ele, e só o fato de estar ali conversando com Milo já colocaria a vida do seu guardião em risco. — Vá embora, rapaz, faça como orientei, fique seguro.

Ao fazer menção de se afastar, Camus sentiu a mão de Milo o puxando, o loiro olhava nos olhos de Camus, olhos tão conhecidos... apesar de não saber de onde. — De onde eu o conheço?

Camus soltou o braço da mão de Milo quando ouviu a voz de Valentine o chamando. —Só saia daqui quando se certificar que não há mais nenhum soldado por perto. Depois, volte para seus amigos e fuja daqui. Vá embora para longe, vá embora dessas terras, fique vivo rapaz, aqui não é seguro. E salve Mu e Shaka, por favor! — Dizendo isso Camus mergulhou em direção aonde estavam os soldados de Radamanthys, que o procuravam.

— Onde estava? — Valentine perguntou irritado, se aquele elfo cismasse em fugir nenhum deles seria perdoado pelo Rei.

— Nadando. — Camus respondeu saindo da água sem dar atenção ao nervoso de Valentine.

Valentine pegou as vestes de Camus e cobriu seu corpo nu para que os soldados não olhassem para o elfo com cobiça, não porque se importava com a intimidade do elfo, mas por essa ter sido a ordem dada pelo seu Rei.

Com certa brutalidade Valentine levou Camus de volta a até a liteira o fazendo tropeçar no caminho, Milo ao longe observava tudo de punhos cerrados.

— Maldito! — Praguejou saindo de trás das pedras, indo até a margem próxima. — Eu vou salvar você, Camus, eu vou tirar você do domínio deste tirano maldito.

Os soldados se afastaram levando o elfo com eles foi quando Milo percebeu que o elfo havia o deixado nu do lado oposto do rio onde estavam suas vestes e onde ficava o acampamento dos seus amigos. — Mas que maravilha! — Praguejou.

*-*-*-*-*-*-*-*-*



Os dias foram passando, os jogos continuavam a todo o vapor, o Touro e o agora, Aioria de Leão entre outros campeões, eram convidados a sentar no lugar de honra próximo ao Rei, Camus não foi mais visto nos eventos, e isso intrigava tanto a Milo quanto aos seus amigos.

Após o ultimo dia dos jogos, Radamanthys serviria um banquete para os campões, e era neste dia que os guerreiros de Gale e os elfos pretendiam resgatar Camus.

Todas as noites eles se reuniam ao redor da fogueira para combinarem as estratégias de como entrar no castelo; como sair sem serem notados; onde deveriam se encontrar; sobre o acampamento que já deveria ser desfeito; e como empreenderiam em fuga.

— Milo é quem deve encontrar Camus, ele é quem deve tirá-lo de lá. — Avisou Shaka sério.

— Por que o Milo? Esse cabeça de vento pode colocar tudo a perder, acho melhor que eu mesmo vá pegar o elfo. — Máscara da Morte cortou rabugento com medo que o outro colocasse tudo a perder como os dois amigos quase fizeram.

— Já conversamos sobre isso, Camus não aceitará vir e... — Shaka pacientemente tentava explicar, ele sabia que Camus jamais atacaria Milo, ou colocaria a vida do amado em risco, se fosse outro a tentar resgatá-lo Camus poderia resistir e até mesmo congelar o infeliz.

— Eu vou, e isso já está decidido Máscara, — Milo falou sério para o amigo, num tom que mostrava que não abriria mão disso, e virando para Shaka questionou. — Se ele não quiser vir, se ele resistir? Não poderei tirá-lo de lá à força sem ser notado.

Shaka tirou um saquinho que trazia amarrado a cintura e falou: — Se ele resistir você vai usar isso, sopre um pouco no rosto dele que o elfo perderá os sentidos por algum tempo.

— Como sabe tanto sobre elfos? — Aldebaran questionou desconfiado.

— Shaka é um estudioso, sabe muito, de muitas coisas. — Mu respondeu pelo primo.

— Mais um motivo que me intriga, o que um estudioso como você fazia como escravo? — Máscara tornou a perguntar ríspido, não confiava naqueles dois, ou sua implicância era por só causa das besteiras que os amigos arrumaram, não saberia dizer, mas o fato é sempre que possível implicaria com aqueles rapazes.

— Acho que o senhor deve saber que no mundo em que vivemos a liberdade é algo que pode ser facilmente retirada de nós, ainda mais quando falamos de Radamanthys, O Tirano! — Respondeu Shaka altivo encarando o amigo de Aioria, que logo tomou partido a favor do seu amado.

— Mascara pare de ser tão implicante! Por Atena! Já discutimos o plano e vamos seguir conforme planejado, todos aqui sabemos onde deveremos estar e o que deveremos fazer. — O leonino ralhou sério.

O amigo resmungou e alguma coisa que os demais não entenderam e Shaka olhou agradecido para Aioria.

*-*-*-*-*-*-*

Radamanthys estava sentado em seu trono real, ali recebia alguns súditos com problemas corriqueiros e se aconselhava com seus homens ou com o mago Ichi.

Ichi era o único que sabia dos poderes recém-adquiridos de Radamanthys e eles passavam a tarde reunidos treinando, o Rei queria dominar seu novo poder.

Radamanthys percebeu que Camus estava cada dia mais fraco e em contrapartida ele se sentia cada vez mais forte, o que o tirano desconhecia era que seu medalhão, espojo de guerra, era o único responsável por seu novo poder e por sua força física, que estava cada vez maior.

O Rei ser perguntava se não era hora de abrir mão dos poderes do elfo, "Se já sou capaz de congelar coisas e pessoas, por que não tomar Camus como meu de uma vez? Por que esperar mais para ter aquele corpo que tanto desejo?" — pensava o tirano.

Nos testes que fizera com Ichi, Radamanthys congelou dois escravos, somente para testar até onde aquele poder havia chegado.

— Acho que já posso abrir mão dos poderes de Camus. — Radamanthys falou alto compartilhando com o feiticeiro os seus pensamentos dos últimos dias.

— Não acho prudente, meu senhor! — Começou o feiticeiro com cautela, nunca era bom ir contra a alguma decisão do Rei. — O senhor ainda não é capaz de congelar vários homens ao mesmo tempo, precisamos do elfo por enquanto.

— Serei capaz de fazer! — Bradou Radamanthys, nem tanto seguro de sua fala.

O mago apenas fez uma reverência não o questionando.

...

Camus havia voltado para seu quarto, uma escrava foi enviada para cuidar do elfo, era ela quem sempre preparava seu banho, o ajudava com as vestes e ornamentos de ouro que o Rei fazia questão.

Desde o encontro com Milo, Camus estava mais amuado que nunca, a solidão de estar sem os primos, a preocupação com o filho desaparecido e agora ver Milo, tocar no guardião e fingir indiferença... aquilo doía demais. E ainda o efeito do medalhão sobre ele se potencializou desde que ficou sozinho sem os primos, Camus sabia que seus primos o davam energia e forças para não sucumbir ao medalhão, coisa que agora ele não tinha mais.

E agora ainda havia a terrível descoberta, o medalhão nada mais é que uma chave para o mal real.

Camus ouviu passos no corredor, seu estômago revirou, logo depois a porta de seu quarto foi aberta e a figura imponente de Radamanthys se fez presente.

Ao ouvir os passos no corredor o elfo se pôs de pé, apesar de fraco Camus sabia que ficar deitado vulnerável só aumentaria os desejos do Rei déspota.

— Vim ver como está, Camus. — Radamanthys perguntou olhando para o elfo.

— Me sinto ótimo. — Mentiu Camus.

Radamanthys sorriu se aproximando de Camus, que deu alguns passos para trás, o Rei foi ágil, ele segurou o elfo, o virou de costas para si e de frente para a pequena janela, Camus assustou-se com a agilidade e gemeu ao ter o braço entortado pelo Rei.

— Camus, se você está tão bem como diz, quero que congele aquelas árvores na entrada do castelo. — Radamanthys testou.

Camus hesitou.

— Vamos, Camus, estou sendo gentil com você escolhi alvos fixos e grandes, quero que os congele agora! — Ordenou o Rei.

Camus olhou para as árvores, levantou as mãos e delas começaram a sair uma luz fria e tal energia começou a congelar a primeira árvore, contudo, Radamanthys encostou-se a Camus que sentiu o toque o medalhão em sua pele, tentou resistir, mas logo sentiu seus joelhos falharem e seu corpo amolecer.

Radamanthys amparou o elfo antes que o mesmo fosse ao chão.

— Sabe, Camus, os Deuses olham por mim, O Grande Hades olha por mim, ele sabe quantas almas já enviei para ele, por este motivo eles me deram o poder, o seu poder agora é meu! Não tardará o dia em que me afundarei em suas carnes macias, pois seus poderes não serão mais necessários para mim.

Falando isso Radamanthys encostou-se a Camus roçando seu corpo no do elfo e lambendo o seu pescoço. — Ah! Elfo... como eu te desejo, desde que o vi se banhar naquelas águas do Egito eu o quero, não sabe como é difícil segurar meus desejos. — O tirano olhou o elfo com desejo, Camus sabia que o fato de estar fraco e indefeso só atiçava mais as taras insanas de Radamanthys, então esforçou-se para sair dos braços do tirano caindo no chão e se amuando contra a parede, não queria passar a imagem de medo, mas era isso que sentia.

Radamanthys não fazia ideia do real poder do medalhão, mas Camus sentia-se enjoado só de pensar o que um déspota como Radamanthys faria com tal poder, e Camus também temia por sua vida, não fosse pelo desejo de viver para salvar Hyoga, o elfo sabia que já teria sucumbido há tempos.

Radamanthys sorriu ao ver o elfo no chão e sentenciou: — Logo meu querido, logo terei você para mim. — O tirano planejava tomar Camus na noite do Banquete dos Campeões, aqueles jogos não seriam realizados à toa, não... Radamanthys planejava ter em seu exército todos os campões, homens fortes e imponentes como o Grande Touro, ou o poderoso Aioria de Leão, que conseguiram ganhar a admiração de Radamanthys e de seus soldados.

ooOoo

A grande noite chegara, Milo, Aioria, Aldebaran e Mascara da Morte haviam se preparado muito e estudado todos os cantos do castelo com a preciosa ajuda de Shaka e Mu, os elfos estavam a postos no lugar combinado.

Radamanthys não economizou em nada, haviam músicos tocando, bailarinas dançando, muita fartura de comida e bebida no Grande Salão Real, onde estavam acomodados os convidados de honra: Os campeões dos jogos. O povo também estava aproveitando da “generosidade” do Rei, algumas comidas e vinhos de inferior qualidade estavam sendo distribuídos, não que Radamanthys fosse um Rei bondoso, mas essa era a impressão que ele queria passar aos campeões, a imagem de um Rei benevolente e generoso.

Aioria e Aldebaran vieram à frente, sendo seguidos por Milo e Mascara da Morte, os dois que vinham atrás estavam vestidos como criados, Milo era “criado” de Aioria e o outro de Aldebaran, Shaka havia falado que Radamanthys não prestava atenção em criados, Milo andava envergado e com o rosto coberto como se fosse um ancião.

Os dois foram ovacionados por todos que ali estavam, ambos agradeceram o gesto de carinho das pessoas acenando com as mãos.

— Ora, ora... os homens mais corajosos que pisaram nesta arena por estes dias. — Falou Valentine, que estava atento à entrada por ser o Chefe da Segurança e General de Confiança do Rei.

Aioria e Aldebaran cumprimentaram o General, Milo vinha trazendo um tapete enrolado nos ombros. — Ei, o que é isso? — Perguntou Valentine de Gonda.

— É um presente para o Rei. — Respondeu O Touro com a voz firme.

— Abra esse tapete, quero ver o que há aí. — Repetiu Valentine.

Neste momento Radamanthys se aproximou dos convidados e questionou qual o motivo da tensão ali presente.

— Pode ser uma armadilha, senhor meu Rei. — Valentine respondeu pegando sua espada para furar a peça.

— Não! Não faça isso. — Foi Aioria quem pediu, e olhando para Milo fez sinal para que este colocasse o tapete no chão e o abrisse.

E assim Milo o fez.

— Seria uma grande pena ter algo tão belo furado por espadas, — Aioria falou ao abrirem a peça realmente bela. — Senhor Rei, — Continuou Aioria fazendo uma reverência. — Achamos que não teria mal algum em lhe trazer a vós um presente, perdão se o ofendemos.

Radamanthys olhou para Valentine com desaprovação, sabia que seu General estava meramente enciumado pela atenção que o Rei estava dando aos dois campeões. — Agradeço o presente só mostra que, além de força, vocês tem educação. Velho, leve meu presente, ponha-o num lugar adequado. — O Rei ordenou a Milo, sem nem mesmo olhar para o "insignificante" escravo.

Fazendo uma reverência Milo se afastou com o tapete nos ombros, ainda andando envergado, e foi para outra ala do castelo, lembrando-se do que Shaka e Mu falaram sobre os recantos internos do local, bem como suas passagens secretas, entrou em alguns corredores e viu dois guardas mantendo em segurança a entrada de um quarto, e pelo que disseram Mu e Shaka, Camus ficava ali.

Milo não estava com sua espada, pois escravos não usam tais objetos, mas tinha duas facas afiadas em sua cintura.

Milo aproximou-se com o tapete nos braços, e imitando a rouquidão de um homem de idade falou: — Olá, gentis soldados, vosso Rei pediu para que eu levasse este presente para os seus aposentos, com certeza deve ser este que está bem guardado por dois poderosos e leais soldados.

Camus estava no quarto sentado na cama aflito, Radamanthys havia sido claro, aquela noite ele tomaria seu corpo, a escrava que foi designada para cuidar do elfo já havia estado lá e o ajudara com o banho, Camus estava vestido com trajes curtos que deixavam suas pernas e dorso em evidência, sensualmente em evidência.

Com os ouvidos atentos foram capaz de ouvir a voz de Milo do lado de fora, levantou assustado prestando atenção na conversa.

— Saia daqui, velho. — Um dos soldados ordenou ríspido.

— Mas, senhor... meu amo deu este tapete para o Rei e me ordenou a colocar em um lugar seguro, o lugar mais seguro é esse que tem dois soldados na porta. — Continuou Milo imitando um idoso.

— Diabos! Velho, vá embora! — Falou o outro empurrando Milo.

— Tudo bem — Falou Milo assentindo com a cabeça fazendo menção de se retirar, porém foi ágil e jogou o tapete nos soldados que no reflexo tentaram de pegar o objeto, Milo teve tempo de golpear os dois com as pequenas facas que tinha junto ao corpo.

Não que o antigo guardião fosse adepto à violência gratuita, mas é que Milo sabia que deixar os soldados vivos para serem punidos por Radamanthys seria muito pior para eles, ao menos ele, Milo, fizera o trabalho de forma rápida.

Assim que os soldados caíram, Milo pegou as chaves no cinto de um deles e abriu a porta, Camus que estava atento a tudo deu alguns passos para trás.

No primeiro momento nada falaram ficaram apenas se olhando, Milo maravilhado com a visão que tinha do elfo tão belamente arrumado, e Camus com um turbilhão de sentimentos em seu coração, a vontade de correr e beijar Milo, o medo de vê-lo morrer novamente, tudo vinha em sua mente, ter seu corpo violado pelo tirano seria menos ruim que ver Milo morrer novamente.

— O que pensa que está fazendo? — Camus indagou trêmulo.

— Vim te tirar daqui. — Milo respondeu esticando a mão.

— Vá embora! Eu não quero ir com você! Fuja e salve sua vida antes que alguém apareça. — Pediu Camus aflito.

— Venha comigo, sei que não é feliz aqui, vamos, vou te levar para junto de seus amigos. — Continuou Milo.

Camus estava bravo com Shaka e Mu, "onde já se viu? Permitir que Milo se colocasse em risco desta forma? Já era para os dois estarem longe bem, longe em busca de Hyoga, e não fazendo com que Milo se arriscasse num resgate sem sentido" — pensava Camus irritado.

— Rapaz, é melhor sair daqui antes que eu grite. — Ameaçou Camus.

Milo duvidava que Camus fosse realmente fazer isso, não apenas por Shaka ter afirmado que Camus não o atacaria, mas por sentir de fato isso, sentir que Camus jamais faria mal a ele.

Milo sorriu enquanto o elfo continuava a falar e falar... Então pegou preso em seu cinto o saco que Shaka lhe dera para usar caso Camus não colaborasse, Milo pegou o pó e soprou em Camus, o ruivo perdeu os sentidos imediatamente. — Depois dizem que eu falo demais.

Milo colocou os corpos dos soldados no quarto do ruivo e enrolou Camus desacordado no tapete. — Me perdoe por isso, Camus.

Logo Milo se recompôs andado envergado como um idoso e colocou Camus enrolado no carpete em suas costas, ele seguiu pelos corredores do Castelo.

A primeira parte do plano tinha dado certo.

Notas finais
Ufa! Que pedreira hein? Será que vai sair tudo como o combinado? Será que eles vão conseguir resgatar o Camus? Será que o Radamanthys vai aceitar de boas essa situação? Será que o Camus vai aceitar de boas essa situação? Nossa quantas perguntas, será que essa autora vai conseguir responder todas elas??? =P Quero saber o que achou, por favor, comente!!! Fantasminhas vocês também Comentem!!!