Além do Crepúsculo - VERSÃO ANTIGA
8 Capítulo 7 – Alice Cullen
Notas iniciais

‘Às vezes, a ajuda vem dos lugares mais inesperados.’
Autor desconhecido
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POV Bella
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Chegamos à casa de Alice mais rápido do que eu imaginei, o que me fez notar que provavelmente nós éramos vizinhas, pelo menos os mais próximos que tínhamos. Agora eu estava no banheiro sentindo a água quente descer pelo meu corpo e esquentá-lo a uma temperatura saudável.
Assim que tínhamos chegado Alice me levou a uma viagem sem escala para o banheiro da suíte dela, eu particularmente não me incomodei, não estava com ânimo pra fazer um tour pela casa dela. Aliás, eu sequer tinha notado a casa, talvez em outro momento eu pudesse apreciar os traços e formas que a casa possuía, talvez...
Saí da água ignorando o arrepio frio que cruzou meu corpo agora pelo choque com o ar frio em meu corpo recém aquecido. Eu teria ficado mais tempo se eu não soubesse que minha mente traiçoeira me levaria invariavelmente ao meu ponto de início e sinceramente estava um pouco cansada de chorar, de me sentir melancólica e triste e principalmente de agir como uma garotinha mimada e carente, aquilo já estava me aborrecendo! Além do mais seria falta de educação deixar Alice esperando por mim, indefinidamente.
Deixei o banheiro protegida pelo roupão de banho e encontrei Alice parada em frente à cama de casal do quarto segurando algumas peças de roupa nos braços, obviamente nenhuma daquelas peças me pertencia já que ela tinha feito questão de se livrar das minhas quando eu cogitei a possibilidade de voltar a vesti-las só para não dar trabalho para ela. Alice estava tão sinceramente preocupada com a minha saúde quando eu cheguei aqui que eu não discuti muito o sumiço das minhas roupas e aceitei as que ela segurava sem questionar. Sem contar que a ideia de vestir novamente minhas roupas molhadas depois de um banho quente não era nenhum pouco atrativa.
– Me encontre na cozinha, você precisa de uma sopa bem quente, agora! – disse já saindo do quarto num passo quase saltitante, mas se virando no último minuto antes de fechar a porta como se, se lembrasse de algo – Ah, não precisa se preocupar com as suas roupas elas estão em ótimas mãos. E a cozinha fica no primeiro andar depois da sala de estar, a primeira a esquerda, não se esqueça!
Dei um pequeno sorriso em forma de agradecimento, antes que ela fechasse a porta completamente.
Rapidamente coloquei as roupas quentes que Alice tinha separado pra mim. Ela era tão atenciosa que eu sentia que estava abusando da sua hospitalidade, mas parecia tão pronta a ajudar e tão preocupada com a minha saúde que foi inevitável não me deixar levar. É claro que o fato de que nenhum membro da sua família estivesse presente me deixava com uma sensação de alívio e segurança. Aliviada por não ter que enfrentar um monte de desconhecidos com a cara inchada e segura... bom, depois de ouvir Alice dizer que não tinha ninguém em casa a pequena centelha de apreensão que a minha mente racional tinha guardado em relação a ela se evaporou e eu relaxei completamente.
Segui para onde Alice tinha indicado e mesmo que não soubesse direito o caminho o cheiro delicioso de comida invadiu minhas narinas indicando facilmente o caminho certo. Meu estômago deu sinais de vida assim que cheguei à cozinha com um ronco alto me fazendo morrer de vergonha e Alice rir do meu desconforto.
– A sopa está prontinha! – disse levando um prato fumegante pra mesinha da copa o que me obrigou a sentar à mesa.
– E você não vai me fazer acompanhar? – perguntei indicando o prato, assim que ela sentou a minha frente.
Ela deu um sorrisinho e trouxe seu prato para a mesa, se sentando em minha frente.
– Mas então o que estava fazendo no meio de uma chuva dessas? – eu percebi que ela parecia estar realmente interessada na minha resposta.
Talvez fosse melhor mentir, contar a verdade parecia tão estúpido, dizer os meus motivos parecia tão ridículo. Ela provavelmente riria da minha cara. Mas o olhar que Alice me direcionava era tão franco que eu não pude pensar em mais nada a não ser dizer a verdade.
– Estava com saudades de casa – revelei num meio suspiro. Agora que ouvia o som das palavras como reais elas pareciam tristemente patéticas.
Eu definitivamente não devia responder assim, deveria ter dado apenas uma resposta superficial, uma resposta educada a uma pergunta educada. Alice não queria saber da minha vida, devia ter coisas muito mais importantes e interessantes em que pensar do que em se incomodar com a minha insignificante vidinha e os meus anseios igualmente insignificantes.
– Você não é obrigada a dizer nada... mas se quiser eu estou aqui – ela disse como se percebesse minha vergonha e hesitação.
E foi isso, o fato de não me pressionar a dizer nada e de simplesmente dispor a sua companhia sem exigir nada em troca que fez com que eu me abrisse. Falei sobre tudo que me afligiu desde o momento em que meu pai disse que nos mudaríamos até o momento em que ela me encontrou, ocultando apenas meus sentimentos mais profundos e a forma como me sentia em relação a tudo.
Contei apenas os fatos e deixei que ela deduzisse o resto, ainda era muito cedo para que eu me expusesse tanto, ainda mais para alguém que eu sequer conhecia. Alice aceitou tudo o que eu disse sem pedir mais explicações sobre nada, algo que me confortou mais do que eu imaginei. Na verdade falar sobre tudo aquilo, mesmo não tendo dito tanto sobre como me sentia me aliviou um pouco deixando aquele peso no meu peito mais leve, assim como a agonia que tinha me acompanhado todo o dia e que de alguma forma agora tinha se tornado mais branda.
Ela esperou alguns momentos antes de se pronunciar, talvez esperando que eu não tivesse mais nada pra falar e como eu tinha falado! Nem mesmo eu tinha acreditado ser capaz de falar tanto sobre algo tão pessoal.
– Sabe... acho que você não precisa se sentir envergonhada, por isso, se quer saber a minha opinião – e como eu tinha imaginado ela pareceu ler tudo o que estava nas entrelinhas mesmo agora, não pude conter um tímido sorriso pelo apoio – Mudanças são sempre... complicadas – disse a última palavra com um cuidado curioso, como se tivesse mudado de ideia sobre o que realmente ia dizer no último momento, algo me dizia que ela já devia ter passado por muitas mudanças na vida e não só de endereço... – Mas pense pelo lado positivo.
– E tem um? – indaguei com certa ironia, porque eu não conseguia enxergar muitas vantagens para mim naquela mudança.
– Claro que tem! Você vai conhecer novas pessoas, outra cultura e talvez... Forks guarde ótimas surpresas para você – dessa vez ela claramente mudou de ideia quando disse a última frase, como se soubesse mais do que eu sobre as coisas – Além do mais, você já fez uma nova amiga, não vai estar sozinha no primeiro dia de aula – terminou num sorriso brilhante.
A ideia de ter alguém como Alice ao meu lado como minha amiga fez aquele dia triste e cinzento, parecer um pouco menos ruim, como se pequenos e pálidos raios de sol aparecessem para iluminá-lo ainda que timidamente, espalhando um pouco de conforto em meu peito.
– Obrigada! – disse mordendo os lábios, sem saber muito bem como agir.
– Se quiser me agradecer, trate de comer essa sopa antes que ela esfrie, tudo bem?!
– Tá certo – disse retribuindo o sorriso que ela me deu.
Comecei a tomar a sopa, não perdendo os movimentos de Alice em direção a própria sopa, ela pegou a colher cheia e a passou pelos lábios perfeitos. Por um momento achei que ela não fosse tocar em sua sopa, por um momento achei que ela esperaria eu começar a comer e deixaria sua sopa de lado ou fingiria esperar a sopa esfriar e depois a largaria com desinteresse, mas ela realmente a tomou e continuou tomando junto comigo. Por um louco momento eu percebi, achei que ela fosse Anne, esperei que ela fosse. Que ideia estúpida! Tive vontade de rir com o absurdo desse meu pensamento secreto. Tinha ficado tão impressionada com sua aparência que inconscientemente realmente cogitei a possibilidade de... Deixei o pensamento tolo de lado e continuei comendo a minha sopa.
Foi apenas enquanto estava ouvindo Alice tagarelar alegremente sobre as aulas que dividiríamos (já que estávamos no mesmo ano para a minha grande sorte)que finalmente me dei conta que estávamos falando em português. Como eu não tinha notado algo tão gritantemente óbvio, eu só podia creditar ao meu estado de ânimo.
– Você fala português – interrompi estupidamente seu monólogo.
– Sim, pensei que você já tinha notado – respondeu rindo.
– Eu não... estava... – comecei a balbuciar desconcertada, pela minha flagrante falta de atenção.
– Tudo bem, acho que eu entendo – disse ainda rindo.
Eu ainda fiquei a encarando surpresa a colher cheia de sopa a meio caminho da boca, agora finalmente fazia sentido aquela sensação de conforto que Alice me trazia, acho que inconscientemente ouvindo ela falar a minha língua pátria me fazia sentir em casa de alguma forma, agora também finalmente entendia aquela sensação meio fora de contexto que a nossa conversa tinha me trazido.
– Er... me desculpe – disse me dando conta que ainda estava com a colher no ar e a colocando de volta no prato – Quer dizer não é muito comum as pessoas saberem português sem terem nenhuma ligação... quer dizer é inesperado.
– Eu imagino.
– Como você... quer dizer, onde aprendeu?
– Nós já moramos no Brasil, há alguns anos atrás, foi assim que aprendemos a língua. Ainda temos a nossa casa lá.
– Sério?! Então todos sabem português! – disse contente e surpresa. Seria realmente incrível conversar na minha própria língua com outras pessoas além da minha família.
– Sim, todos nós – respondeu parecendo muito satisfeita.
– Me fale mais sobre a sua família – falei me sentido um pouco animada com a perspectiva de conhecer gente que falava português – Como eles aprenderam a minha língua?
– Bom, nós viajamos muito e gostamos de aprender a língua mais falada do lugar sempre que possível, o português é uma língua muito interessante e rica. Como passamos um bom tempo no Brasil decidimos aprender a língua.
– Quantas línguas vocês sabem?
– Italiano, espanhol, francês, português e alemão — enumerou distraidamente.
– Nossa! Vocês devem aprender rápido e ter muito tempo pra estudar todas elas. Eu sei inglês porque meu pai é inglês e tenho um francês sofrível apesar de ter estudado anos a língua – comentei um tanto impressionada.
– Ah, bem acho que temos um pouco dos dois – Alice comentou parecendo um tanto desconfortável agora, talvez estivesse envergonhada.
– Mas e sua família como eles são? – desviei um pouco do assunto propositalmente para ver se ela esquecia a vergonha, uma coisa eu já tinha notado, vergonha e timidez eram algo que não combinava em nada com ela o que igualmente me incomodou.
– Eles são incríveis tenho certeza que quando conhecê-los vai concordar comigo, tenho certeza mesmo – disse me dando um sorriso reluzente.
– Então me fale um pouco deles – pedi curiosa.
– Bom, meu pai Carlisle é uma pessoa única, adotou a todos nós... Primeiro Edward logo após sua mãe morrer, depois conheceu Esme que trouxe com ela os dois sobrinhos órfãos, Jasper e Rosalie. Em seguida Carlisle me tirou do orfanato e ao Emmet, é claro.
– Nossa! – disse surpresa mais por descobrir que ela era adotada do que por qualquer outra coisa.
Pensar que ela tinha passado qualquer quantidade de tempo em um orfanato mudava muito minha perspectiva sobre Alice. A tornava de alguma forma mais forte aos meus olhos. Eu só podia imaginar como poderia ser a vida num orfanato, sem ter uma família que pudesse chamar de sua e sabendo ou não, onde estava sua família e qualquer que fosse a alternativa, ter a certeza de que não havia uma família em que se apoiar.
Sem contar que houve algo de tão insondável em seu olhar quando mencionou que tinha vivido em um orfanato, que me fez inconscientemente questionar sobre quem era de fato Alice Cullen? Uma jovem efusivamente alegre e solicita ou alguém que tinha muitos segredos escondidos e só usava essa “mascara” para se esconder? No entanto não pude investigar mais a fundo minhas indagações, porque Alice tinha acabado de chamar minha atenção, provavelmente não pela primeira vez.
– O que foi que você disse? – indaguei envergonhada, por ter deixado me levar pelos meus pensamentos.
– Eu estava dizendo que Esme é a melhor mãe do mundo, ela é bem mãezona mesmo, sabe?! Se preocupando com todos e tentando tornar tudo harmônico e agradável – disse parecendo não se importar com a minha distração.
– E seus irmãos? – perguntei querendo que ela percebesse meu interesse genuíno apesar da minha distração momentânea.
– Eles são ótimos! Emmet é engraçado e sempre bem humorado, com certeza vai adorá-lo, Rosalie é muito bonita a mais bonita da família – a olhei cética. Rosalie precisaria ser uma visão pra ser mais bonita que Alice – só é um pouco mais... difícil do que o resto de nós, posso dizer que ela não é muito sociável. – eu poderia facilmente imaginar o que ela queria dizer com difícil. Pelo menos se ela fosse tão linda como Alice falava. Uma coisa sobre pessoas lindas, seu ego é decididamente proporcional a sua beleza, Alice era só uma exceção bizarra à regra. – Jasper é o mais sério de nós, ele é muito reservado, cauteloso e protetor, mas também educado e gentil. De nós quatro ele é o mais velho e o único formado, trabalha como investigador particular, deve ser por isso que ele é tão cuidadoso e protetor – ela revirou os olhos quando disse a última palavra.
– Investigador? Legal! Mas ele não deve ter conseguido muito trabalho por aqui, né?! – terminei ironicamente.
– Na verdade ele trabalha em Port Angeles na maior parte do tempo – respondeu dando um pequeno suspiro, que pareceu curiosamente saudoso e um tanto derretido demais para se falar de um irmão, na verdade ela pareceu falar mais de um namorado que não via a um tempo do que de um irmão. – Ah, mas eu quase esqueci! – disse repentinamente, um decibel mais alto – Tem o Edward também, ele é incrível, engraçado do seu próprio modo, gentil, um perfeito cavalheiro, apesar de um pouco solitário – enumerou as qualidades dele como se estivesse querendo me vender seu melhor produto no estoque e terminou num suspiro que parecia mais triste do que o teatral que eu havia esperado.
Eu ergui a sobrancelha com o final inesperado de sua frase e ela pareceu entender a dúvida em meu olhar, porque continuou em tom de explicação.
– Na verdade a minha família não é muito convencional, por assim dizer. Nós somos muito unidos, quer dizer mais unidos que o normal, é que todos nós somos casais. Esme e Carlisle, obviamente; Rosalie e Emmet; eu e Jasper, entende?
– Oh! – minha boca formou um O perfeito quando a compreensão do que ela disse caiu sobre mim. Deve ter sido uma situação muito complicada, nem conseguia imaginar como seria me apaixonar por um irmão de criação, franzi o cenho quando desenhei o cenário na minha mente, talvez complicado não abrangesse toda a questão.
– Isso não é um problema pra você, é? – perguntou claramente preocupada com certeza interpretando mal a minha expressão.
– Não, não! De verdade, não me sinto incomodada – disse enfaticamente – Só estava pensando que deve ter sido muito difícil pra vocês encararem e aceitarem esses sentimentos vivendo sobre o mesmo e tendo sido criados como irmãos, sabe?
– Ah, isso! Foi de fato difícil, mas depois tudo se encaixou e eu não poderia estar mais feliz! – disse com um rosto luminoso e um brilho no olhar.
– Mas e seus pais, eles não tentaram separar vocês?
– É claro que foi complicado pra eles aceitarem que seus quatro filhos adotivos tinham se apaixonado, mas eles perceberam que realmente nos amávamos e no fim ia ser perda de tempo tentar nos separar porque faríamos qualquer coisa para ficarmos juntos. É claro que o fato de não termos nenhum parentesco real pesou na decisão deles. E aí tudo ficou perfeito, agora imagine como Edward ficou no meio dessa história toda? Imagine viver na casa de uma família onde todos são casais e estão sempre tão felizes...
– Eu ia me sentir um candelabro gigante – ri sem humor, porque sabia que essa situação devia ser incomodamente solitária na maior parte do tempo.
– Eu acho que é assim como ele se sente – comentou parecendo ainda mais triste.
– Mas ele não tem amigos ou sei lá?
– Edward também não é uma pessoa muito sociável, ainda menos aqui em Forks. Por isso que vai ser fantástico podermos dividir algumas aulas, nós três. – disse a ultima frase completamente animada, parecendo bolar mil planos em conjunto.
– Eu não sei... – disse incerta – Quer dizer, o fato de você gostar de mim, não quer dizer que ele vá também, você sabe... gostar de mim, ainda mais se ele é tão pouco sociável como você disse.
– Ele não é tão pouco sociável, só menos do que a maioria das pessoas. Ele vai te adorar, eu tenho absoluta certeza!
– O que te garante que isso vai realmente acontecer? Eu posso vir de uma cidade grande e tudo mais, mas não sou uma pessoa assim tão cosmopolita ou sofisticada se é isso que te dá toda essa certeza de que seu irmão vai gostar de mim.
– Vamos dizer que seja intuição feminina. Vocês ainda vão ser grandes amigos, pressinto isso... – terminou com um sorrisinho malicioso.
– Eu vou tentar ser amiga dele por você, mas não garanto nada. – adverti.
– Está certo, você vai ver que eu estou certa no fim das contas.
Depois disso, nossa conversa passou para assuntos mais triviais como roupas, compras e a nova tendência da estação, algo que apesar de não ser a minha especialidade sem duvida era a de Alice e eu me vi me sentindo bem mais relaxada e mais divertida desde que eu deixei minha casa no Brasil.
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Uma coisa para se dizer do caminho de volta é que ele foi agradavelmente seco e bem mais confortável com a presença de Alice. Como eu pude notar os Cullen’s seriam mesmo nossos vizinhos mais próximos, já que a viagem, ou melhor, dizendo a caminhada entre a minha casa e a dela demorou apenas 15 minutos.
Para o meu alívio o carro que meus pais tinham alugado ainda não estava na garagem da nossa nova casa, apesar da luz da sala estar acesa eu deduzi que meu irmãozinho fanático por livros e rato de biblioteca assumido tinha despregado os olhos um minuto dos livros para iluminar um pouco a casa.
Paramos no batente da porta, eu um pouco desconfortável com a realidade de toda a situação que enfim me atingia, com toda aquela choradeira e drama fora do meu eu normalmente alegre e disposto, já Alice parecia realmente muito a vontade chegava até a cantarolar um pouquinho de um jeito todo satisfeito.
– Bem, chegamos. Então até mais... – disse querendo quebrar aquele silêncio que tinha se tornado um pouco incomodo pra mim.
– É, mais segunda nós vamos nos encontrar na escola e eu vou poder te apresentar meu irmão – disse terminando num tom totalmente eufórico – Ah, e claro o resto da família também – falou mais comedida, me fazendo rir entre dentes.
– Certo, vai ser maravilhoso ter companhia – sorri abertamente começando a me sentir mais otimista quanto ao primeiro dia de aula.
– Bom, já vou indo até segunda, boa noite – cantarolou alegremente sumindo da minha vista com seu andar saltitante e incrivelmente gracioso ao mesmo tempo.
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Depois de ouvir um pedido de desculpas breve e conciso de Liam, sem nenhuma pergunta adicional além de um olhar preocupado que me perguntava como eu estava, respondi apenas que tudo estava sob controle e decidi ir para o meu quarto dormir. Mal eram nove horas da noite e meus pais nem tinham chegado mais o dia tinha sido muito mais longo do que eu tinha imaginado e me encontrava exausta.
Sabia que Liam avisaria que eu estava dormindo e não comentaria sobre a minha desabalada saída de casa. Podiam dizer tudo sobre nós dois, sobre o quanto éramos diferentes, sobre o quanto brigávamos ou discutíamos ou o quanto ele conseguia ser irritantemente antipático comigo (enquanto eu era só irritante com ele), mas éramos e sempre seríamos cúmplices, sempre que um estava em apuros o outro dava cobertura. Era um daqueles tipos de acordos não verbais, que as pessoas seguiam a risca.
Apesar do cansaço minha cabeça aparentemente está cheia demais para conseguir pegar no sono. Então cá estou eu, deitada na minha cama, repassando o dia que tive pra ver se conseguia finalmente esvaziar minha mente e dormir.
A conversa que eu havia tido com Alice passava repetidamente na minha cabeça. Tinha que admitir que ouvir Alice falar sobre a família dela, me fez realmente me sentir melhor, não que eu me regozija-se com a infelicidade e dificuldade alheia, até porque eu realmente me sentia mal por todas as dificuldades que Alice tinha passado, mas ter a ciência de que ela passou por tudo isso e me lembrar que tantas outras pessoas no mundo passavam por coisas tão ruins ou piores que isso e sobreviviam, isso me fazia sentir muito melhor.
É claro que eu sabia que muitas pessoas passavam por coisas muito piores do que a que eu estava passando agora, mas ver que alguém tinha lidado com situações e momentos tão difíceis e mais do que sobrevivido tinha realmente vivido e ainda ser uma pessoa tão alegre e cheia de vida, me fazia ver que meus problemas eram pequenos demais, embora não fossem insignificantes. Talvez eu estivesse supervalorizando a situação toda. Eu devia sim, era parar de sentir pena de mim mesma e seguir em frente de uma vez por todas. Os momentos de lágrimas iam ficar para trás eu ia tentar tirar o melhor da situação que eu me encontrava. Com essa decisão tomada e o coração um pouco mais leve, consegui finalmente cair num sono sem sonhos.
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