‘O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo.’

Friedrich Nietzsche

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POV Edward

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Já encontrou, Edward?

– Sim e você terminou o trabalho?

– Já está feito – a voz de Jasper saiu calma e sem emoção. Ao fundo ouvia claramente o som de sirenes da policia se aproximando do local.

– Então agora só falta denunciá-lo, pode deixar isso comigo.

– Sem rastros como sempre.

– É a minha especialidade.

Depois de quase seis horas de buscas nas propriedades de todas as pessoas que tivessem qualquer envolvimento com Simpson, finalmente encontrei o que procurava numa cabana de caça nos arredores de Seattle. Agora só precisava encontrar a pessoa certa para informar a policia.

Relaxei minha mente e deixei que ela se abrisse para todos ao redor. Foquei minha mente nas pessoas que como eu, ainda estavam na rua. Havia um humano há dois quarteirões de mim, a pior parte da cidade, por isso não me surpreendi dele ser um alcoólatra inveterado. Obviamente não servia aos meus propósitos.

Fui um pouco mais longe, um casal voltava de carro de uma festa de gala. Ele pensando no encontro que teria mais tarde com a amante e ela pensando no dinheiro que conseguiria arrancar no acordo do divorcio, assim que o caso do marido fosse desmascarado, ambos agiam com superficial cordialidade. A dissimulação humana não era algo que me chocasse ou surpreendesse mais, não depois de ser um vampiro leitor de mentes por tanto tempo. Me desliguei do casal, afinal eles me serviriam tanto quanto o bêbado.

Agora passava mais rapidamente pelas mentes de todos que estivem mais perto em busca da pessoa certa. Um viciado em jogo, uma prostituta, não! Nenhum deles serviria, aumentei meu raio de busca, dez, vinte, trinta quilômetros... Um homem gerente de uma lanchonete, voltando para casa muito depois da hora, ele estava cansando do dia fatigante, pensamentos já turvos e anuviados pelo sono e cansaço.

George tinha que me alugar novamente para falar da ultima briga com a namorada, eu devia ter fechado antes dele começar a contar a história. Molly vai ficar bem irritada quando eu chegar em casa. Ainda assim pensava em reclamar no dia seguinte, para a companhia de luz, iluminar o parque perto de casa. É um perigo para as pessoas, imagine se assaltam alguém por lá. Logo Molly e minha garotinha também estarão frequentando o parque, definitivamente eu preciso fazer algo, amanhã...

Um bom samaritano. Era tudo que eu precisava, se chegassem a descobrir quem tinha ligado nunca suspeitariam de Artie Harris, o gerente de uma lanchonete, casado e com uma filha para nascer. Ele era uma opção muito segura, seria mais fácil conter meus instintos perto de uma pessoa boa, que tinha uma família que precisava dele. Uma família que ficaria destruída se ele morresse.

Fui o mais rápido que pude até encontrá-lo. Em poucos segundos apenas cinco passos me separavam de Artie Harris e do meu objetivo. Cheguei em sua mente com um cuidado e uma lentidão estudada, uma coisa era acalmar os humanos e fazerem eles não resistirem a nossa aproximação e se deixarem dominar, para que nós nos alimentássemos deles e depois apagarmos o interlúdio de suas memórias.

O que eu estava fazendo agora, no entanto exigia muito mais controle e habilidade do que um vampiro comum poderia ter, porque agora eu estava tentando controlar sua mente através de sugestão para que ele executasse uma tarefa específica, algo muito mais complexo do que pedir para ele ficar parado e não resistir a minha aproximação. Era parecido com hipnotizar. Eu iria me conectar a imaginação e não a mente consciente, a mente iria aceitar o que a imaginação criasse por mais bizarro que fosse. No entanto, eu sabia, que nenhuma sugestão no mundo poderia levar ninguém a fazer algo contra seu caráter moral, contra a sua vontade, um santo hipnotizado, ainda seria um santo.¹ E era exatamente por isso que Artie Harris era a pessoa perfeita para concluir meus objetivos. Era um cidadão consciente o suficiente para denunciar um assassino se a oportunidade existisse e agora eu estava dando essa oportunidade a Harris, mesmo que ele não tivesse ciência disso.

As palavras fluíram da minha mente a dele e logo fizeram eco em seus lábios. A leve conexão que eu precisaria manter para induzir Harris estava estabelecida. Depois disso foi fácil convencê-lo a seguir até uma cabine telefônica e repetir as palavras que condenariam definitivamente Jordan Simpson.

Agora era hora de liberar Harris. Rápido assim, simples assim. Era ridiculamente fácil, manipular a mente humana, fazê-los acreditar nas nossas ilusões e mentiras. E eu era tão talentoso, que quase os fazia ultrapassar seus limites morais para acatar uma vontade minha. Ainda conseguia me lembrar com uma assustadora riqueza de detalhes o quão poderoso eu me senti quando dominei um humano completamente. Ainda lembro bem de como me senti quando eu suguei toda a vida do corpo daquele humano. Me senti tão forte, tão poderoso. Nunca estive melhor, a sensação era intoxicante, embriagadora, viciante... um prazer completamente hedonista.

Eu ainda podia sentir o gosto de sangue quente e fresco nos meus lábios, com uma saudade dolorosa e uma queimação funda no meu estomago. E ali bem na minha frente tinha um humano de sangue quente, pronto para atender o simples pedido de ficar parado e não reagir enquanto eu saciava a minha sede. Eu só precisava experimentar um pouco, sentir apenas uma dose do gosto do sangue escorrendo pela minha garganta, aquecendo o meu corpo, inflando imediatamente cada célula do meu corpo com mais vida e mais rápido do que o insípido sangue frio que eu era obrigado a suportar, jamais poderia fazer.

Não havia nada de ruim em experimentar, tirar uma pequena prova. Mas e se eu não conseguisse me controlar e se eu o matasse? minha consciência se intrometeu me impedindo de dar um passo a frente. Um sussurro irritante. Consciência estúpida! E daí, se ele morresse, o mundo era cheio de humanos. Eles povoavam esse mundo como baratas, um grande Buffet pronto para ser servido. Um a mais um a menos, não faria diferença. Para que eu precisava liberar aquele humano, ele só continuaria com uma vida tola e medíocre. Eu estava fazendo um favor a ele o livrando de uma existência inócua.

Ninguém ia precisar saber, ninguém da família ia precisar se preocupar com um pequeno deslize como esse. Eu era o único que podia ler mentes, além disso eu facilmente poderia sumir com o corpo, enterra-lo no mato, ou melhor queimar a loja com seu corpo drenado dentro. A policia viria e provavelmente alegaria um curto circuito, logo o caso seria esquecido. Eu podia fazer isso.

Dei um passo a frente, pedi para ele inclinar seu pescoço, pedido que ele obedientemente acatou, mal sabendo o quão perto do fim ele estava. Minhas presas se alongaram em antecipação, então quando eu estava pronto para cravar elas no pescoço do humano, a imagem dela saltou inesperadamente na minha frente. Na mesma posição vulnerável da visão de Alice, enrolada em si mesma, chorando sozinha, uma frágil humana que eu não apenas queria tocar, mas que eu queria desesperadamente proteger.

Recuei em choque, eu não sabia se pelo pensamento ou pela minha atitude. A lembrança dela foi tornando a nevoa vermelha que eu nem havia percebido nublando meus olhos e minha razão, se dissipar. O que eu estava fazendo! Ia matar uma pessoa inocente, ia cair na teia de loucura que me esperava e depois? E se um dia eu a encontrasse? Ela se tornaria minha vitima? Recuei ainda mais, enojado com a simples ideia de machucá-la. Rosnei uma ordem para liberar o humano... Humano não, Artie Harris, casado, com um filho a caminho, me lembrei e repeti como um mantra em minha mente, até que eu pudesse me afastar o suficiente.

Alguns quilômetros depois, me encostei em um beco abandonado, conseguindo recordar claramente o que tinha quase acontecido. Eu estava além de mim. Sabia que estava mal, que o meu frágil controle estava se deteriorando mais rápido do que todos poderiam imaginar, mas sempre consegui me controlar o suficiente para parar a mim mesmo, sem intervenções externas.

Controlar um humano, uma pessoa sempre era arriscado, uma tentação em si mesmo, eu sabia, por isso tinha tanto cuidado com as pessoas que eu submetia ao meu controle, lembrar que elas tinham família, que eram pessoas boas, decentes, que não mereciam morrer, tornava o trabalho mais fácil, colocava a tentação a baila, a vontade, o desejo era sempre inevitável, mas ele ficava em um lugar longínquo da minha mente onde não conseguia me afetar. Eu podia me controlar, pois estava sempre ciente do que estava fazendo, apesar do desejo, da vontade insana de sangue espreitar das sombras. Meu monstro pessoal.

Mas há alguns minutos atrás eu simplesmente tinha me perdido, não era mais eu. Já tinha ficado assim apenas uma vez, mas estava com tanta sede, com tanta raiva, que fui facilmente engolfado no frenesi da luxúria pelo sangue, o que apesar de não justificar meu ato abominável, era compreensível.

No entanto naquele momento quase farto de sangue, eu me senti por um segundo tranquilo, talvez eu só tenha baixado a guarda. Ainda assim era grave demais, estremeci só de lembrar como me senti ávido, como o perigoso predador que eu era, como o monstro que eu me permiti ser. Não houve mais que um breve suspiro de racionalidade que foi brutalmente ofuscado pelo mais cru instinto.

Eu estive tão perto, tão perto de dar o passo derradeiro. Então a visão dela surgiu como sempre quando menos esperava, entretanto quando mais precisei. Era a mesma visão, a mesma postura, só a mesma imagem de um filme diversas vezes visto e ainda assim, naquele momento obscuro foi como luz, iluminando minha mente, minha alma, me fazendo recordar quem eu era.

Ela tinha salvado mais do que a minha vida, apenas com a sua memória, a memória de um futuro roubado. Silenciosamente agradeci a ela. Esperava um dia ter a oportunidade de fazer isso pessoalmente. O pensamento afastou os últimos resquícios obscuros da minha mente.

Talvez, apenas talvez, se eu a encontrasse poderia ter um pouco de luz por algum tempo.

Se eu tivesse sorte.

Muita sorte.

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Notas finais
¹ Trecho adaptado de O Mentalista Episódio 18 "Russet Potatoes", Em Transe . N/A: Queria agradecer muito a quem comentou o último capítulo vocês são uns amores, obrigada pelo apoio de vocês, pela força que vocês têm dado com seus pedidos por um novo capítulo e seus comentários gentis. Sério, não parece, mas isso dá muita força pra uma autora, saber que vocês não esqueceram da fic e estão aí do outro lado esperando ansiosos por um novo capítulo e ver vocês vibrarem depois de lê-lo, nossa é realmente gratificante e motivador. . Mas quero ver uma presença maior dos sumidos, esquecidos e fantasmas, principalmente no próximo cap. que é o encontro deles, esse ultimo capítulo eu recebi 11 reviews, apesar de eu saber que como eu, vocês tem uma vida fora das telinhas do PC, imaginei que tendo 38 leitores e 24 favoritos, receberia mais reviews, talvez o ultimo cap. não tenha sido tão bom assim, mas se não foi, preciso saber a opinião de vocês para ir ajeitando e melhorando a fic no que puder. No próximo cap. (que eu ainda estou escrevendo e infelizmente ainda não sei quando vou postar) é o grande encontro e eu espero que realmente seja, pois vou entrar pra valer na história da fic e estou realmente me sentindo muito insegura quanto a escrever essa cena em particular, por isso mesmo peço uma maior manifestação de vocês quanto a esse capítulo, a opinião de vocês vai sim definir toda a minha estrutura quanto a essa história desse capítulo em diante. . Sobre a demora, gostaria de pedir desculpas, não demorei apenas por causa das reviews, a minha demora se deve principalmente a minha falta de tempo na frente do PC por causa de alguns problemas pessoais. É por isso também que não tenho ideia de quando vou poder postar o próximo cap., mas posso dizer que já comecei a escrevê-lo, embora ainda não tenha chegado ao grande encontro! . Espero que apesar de pequeno, vocês tenham gostado desse cap. ele foi realmente um parto para eu conseguir escrevê-lo, rs... Estarei respondendo as reviews de vocês, que eu não esqueci não, já que hoje tô com um tempinho vou fazer isso algo que eu realmente adoro. E a enquete sobre usar elementos do universo de The Vampire Diaries, nessa fic ainda está valendo então quem não respondeu, essa é a oportunidade!