Além das Quadras
28 Arco II - 28. Muita... Sorte?
Notas iniciais
Capítulo 28: Muita... Sorte?
Os meses iam se passando tão rápido que, quando percebeu, já estavam em novembro.
Os treinos e as viagens da Superliga B estavam atrapalhando Henry com a faculdade. A faculdade estava atrapalhando Henry com os treinos e as viagens da Superliga B.
Era tranquilo, na medida do possível, quando os jogos eram em Belo Horizonte ou em Minas. Mas quando tinham que ir para o Rio Grande do Sul, por exemplo, as coisas ficavam complicadas. Tinha que faltar a algumas provas, deixar de entregar trabalhos e isso tudo o deixava muito triste e com vontade de desistir. Claro que muitas vezes ele conseguia recuperar sua nota, mas, mesmo assim, a sensação de não estar fazendo o seu melhor lhe deixava aflito.
O que lhe deixava feliz era que estavam numa colocação boa. Tinham ganhado a maioria dos jogos fora de casa, perdendo apenas dois ou três. Perdiam basicamente para o Argos e sempre por muito pouco. Chris era o que estava mais sentindo com aquelas derrotas, porque Erick nunca colaborava.
Henry estava conseguindo manter os dois afastados. Geralmente inventava uma mentirinha para Chris quando ia sair e Erick estar no mesmo local (agora Marge, ele e Erick saiam sempre que podiam), pois mentir parecia melhor do que aguentar o drama que Chris faria por causa daquilo mesmo concordando em deixar Henry livre para ser amigo de Erick.
Uma mentira saudável para não machucar ninguém.
Como Erick sabia das reações de Chris, acabava que Henry não precisava mentir para ele quando dizia que iria sair com o outro. Mesmo que Erick sempre parecesse um tanto triste com a notícia, encarava muito melhor do que Chris.
Para a sua sorte, não saía com os dois com muita frequência por conta de suas outras prioridades. Encontrava Chris nos treinos e Erick na faculdade, então estava tudo numa boa e se encaminhando num rumo tranquilo.
Mas, como nem tudo são flores, ele sabia que as coisas estavam destinadas a dar errado em algum momento.
E esse momento foi um convite para um jantar na casa de Chris.
Henry ficou bastante confuso e surpreso com aquilo. Chris nunca o levou para sua casa sem que estivessem acompanhados de mais pessoas, como foi o caso de seu aniversário. Ele sabia como os pais de Chris eram e tinha receio do que poderia acontecer.
— Calma, meus pais estão em Porto Alegre com meu avô. – tentou tranquilizá-lo. – Quero que você conheça meus irmãos.
A avó de Chris tinha morrido quase no final de novembro, deixando-o muito triste, principalmente por ela ter resistido por tanto tempo. Agora o avô estava desolado com a morte da esposa e os pais de Chris foram para lá ficar um tempo com ele. Aquilo tudo deixava Henry triste, era ótimo em tomar as dores dos outros para si.
Para deixá-lo feliz, Henry acabou concordando com o jantar. Não tinha conhecido os três irmãos mais velhos de Chris no dia do aniversário de Henry, já que o outro havia os expulsado de casa por conta da festa. Então não sabia o que esperar dos três.
Passou mais de duas horas para se arrumar naquele dia. Não sabia o que vestir e muito menos como agir. Estava tão aflito que o medo de ter uma crise de ansiedade era grande. Não quis se entupir de remédios, mas tomou um ou dois comprimidos de calmante antes de pegar as chaves do carro e se encaminhar para a casa de Chris.
Chegou ao local rapidamente, dirigindo sem prestar muita atenção, apenas seguindo as instruções do GPS. Ligou para Chris quando estava na frente do portão da garagem, a qual logo se abriu para que pudesse colocar o carro lá dentro. Assim que saiu do automóvel, foi esmagado por um abraço.
— Tu não sabe o quão feliz eu to por tu ter vindo! – o sorriso de Chris era radiante. Henry retribuiu o sorriso meio nervoso.
— To feliz em te ver, mas confesso que to um pouco apreensivo – revelou Henry.
— Bah, não se preocupe, meus irmãos são bem de boas – Henry achava extremamente fofo como Chris tinha voltado para BH com o sotaque gaúcho mais intenso depois de passar um tempo no sul.
Ele assentiu de leve e Chris o guiou para dentro da grande casa. A sala de jantar era bem ampla, com uma mesa de seis lugares espaçosa e com vários móveis relativamente chiques e que combinavam com a vibe da casa.
— Vou só ver como tá a comida, fica à vontade. – disse Chris rapidamente e desaparecendo pela porta.
Foi a hora perfeita para Henry entrar em pânico. Odiava ficar sozinho na casa dos outros, principalmente quando havia outras pessoas na casa. Para amenizar o nervosismo, ele começou a mexer em seu anel incessantemente.
— Ah, você deve ser o amigo do Christian – uma voz alta e grossa lhe tirou de seus devaneios, fazendo-o gelar por dentro. – Henrique, não é?
Henry achou que fosse cair duro naquele momento. O homem que estava a sua frente era tão alto quanto Chris, talvez alguns poucos centímetros mais baixo, mas de qualquer forma não deixava de ser assustador dado o fato de que eles não se conheciam. Sem contar que o semblante do outro não era de alguém muito amigável. Ele se parecia bastante com Chris, mas o que diferenciava os dois era o tom de pele mais escuro e o bigode e cavanhaque do homem a sua frente.
— Si-sim – Henry quis morrer quando gaguejou. O homem pareceu reparar no nervosismo dele, então lhe lançou um sorriso.
— Pode ficar tranquilo, cara… – antes mesmo que ele pudesse terminar a frase, uma outra voz, mais delicada, soou atrás dele.
— Ele tem essa cara de cachorro que morde, mas é um coração de Maria mole.
— Ah, cala a boca, Alícia – resmungou Thiago, Henry conseguiu lembrar-se do nome dele. Já o vira em várias fotos e Chris falava bastante dos irmãos. – Não escuta ela não, Henrique.
— Ah, escuta sim – a garota era baixa, mas tinha um ar de superioridade e que podia fácil colocar um homem daquele tamanho em seu lugar. – Eu to sempre certa.
Então ela virou-se para Henry e sorriu amigavelmente para ele. Os olhos claros dela contrastavam tão lindamente com seu tom escuro de pele que Henry sentiu inveja. Os cabelos cheios e cacheados estavam levemente bagunçados, mas ele tinha que admitir que Alícia era mais linda pessoalmente do que em fotos.
— A comida já tá pronta? – então o último integrante do jantar apareceu, fazendo Henry querer ser enterrado vivo.
Ele rapidamente lembrou-se de seu nome. William tinha os cabelos crespos e pretos bem cheios, assim como sua barba. Ele era bem mais baixo que Chris e Thiago, mas ainda sim era alto para os padrões de Henry. Na verdade, toda aquela família era alta para os padrões de Henry. Talvez isso não fosse tão difícil assim. Demorou um pouco para William perceber a presença do visitante.
— Porra, Christian não avisou que você tinha chegado. – disse rapidamente assim que o viu.
— Ele é lerdo assim mesmo, só pensa em comida, o esfomeado – debochou Alícia com os braços cruzados e uma sobrancelha arqueada.
— E essa aqui é a mentirosa. – Thiago deu um tapa de leve na cabeça da irmã. – Bom, de qualquer forma, sinta-se em casa.
— Não precisa ficar assim, pode se sentar. – convidou William educadamente.
O coração de Henry estava bastante acelerado àquela altura do campeonato. Ele só queria mesmo que Chris aparecesse logo para que aquela situação acabasse. Além de nervoso, estava se sentindo levemente intimidado pelos irmãos de Chris. Altura não era uma coisa que intimidava Henry, até porque o mundo era mais alto que ele. Mas devido a tudo o que Chris lhe contara sobre sua família, o conservadorismo e o lance de “família tradicional”, Henry sentia-se deslocado e com um pouco de medo.
Ele sabia que era impossível eles saberem sua sexualidade, mas, na sua cabeça, qualquer passo que pudesse dar seria um indicativo para isso e eles o iriam expulsar de casa o xingando de vários nomes horríveis. Não queria pensar isso da família de Chris, mas infelizmente era inevitável. Ainda mais que todos eram crentes.
Para o seu alívio, Chris apareceu da cozinha, fazendo com que Henry pudesse respirar novamente.
— Cês tão assustando o guri – resmungou Chris trazendo uma travessa de lasanha para a mesa.
— Ah, tu é chato demais, mano – foi a vez de Thiago resmungar, mas apesar disso, se dirigiu a cozinha com os outros três para ajudar a por a mesa.
Depois de alguns minutos de trabalho conjunto, a mesa estava posta com lasanha, uma travessa de arroz e outra de salada. Henry tentou ajudar, mas Chris não deixou, falando para que ele sentasse e apenas esperasse. Fico apreensivo quanto a isso, mas pode ver um pouco mais da interação dos irmãos naquele momento.
As coisas pareciam fluir bem entre eles. Alícia mandava e desmandava nos outros, mas aquilo não parecia irritar nenhum dos três. William era o mais calmo, ao passo que Thiago era o que revidava o deboche e os xingamentos de Alícia. Era uma vibe bem gostosa e boa. Henry esperava ter algo assim com seus irmãos futuramente.
Quando a mesa foi completamente posta e todos se serviram, começou o maior pesadelo de Henry.
— Então, o que você faz da vida, Henrique? – perguntou William calmo. Estavam conversando entre si até então, sem dar muita bola para ele.
Henry teve que engolir um pedaço de lasanha a seco e tomar um pouco de Coca. Quase engasgou, mas conseguiu se recompor.
— Bom, eu jogo de líbero no mesmo time do Chris – ele deu uma olhadela para o outro – E faço faculdade de Educação Física.
— Então é o guri dos esportes – disse Alícia sorrindo. Henry tentou retribuir o sorriso sem que parecesse forçado.
— Um pouco.
— Mas você pretende fazer só isso? – perguntou Thiago.
— Thiago… – disse Chris como aviso. Henry ficou nervoso novamente.
— O que? Só to perguntando, oras – deu de ombros e colocou um pedaço de lasanha na boca. – Não pensou em algo mais lucrativo? Sei lá, talvez direito ou administração.
— Thiago –foi a vez de William se pronunciar novamente. – Desculpe por ele… Só pensa em dinheiro, esse mercenário.
— Tudo bem – disse meio deslocado.
— Vamos falar sobre outra coisa – começou Chris. – Conta pra eles sobre seus irmãos, Henry.
Meio tímido, Henry falou um pouco sobre os gêmeos, o que o deixou um pouco mais à vontade e seguro. Então entraram em vários outros assuntos durante o jantar. Apesar do que Thiago disse no início, Henry percebeu que não fizera por mal e que era até bem simpático, mesmo parecendo ter uma personalidade meio explosiva.
Passaram-se horas. A comida já tinha sido comida, o clima já estava bem mais agradável do que antes e Henry começou a se sentir à vontade naquela mesa. Alícia era uma pessoa extremamente engraçada ao passo que William tinha a personalidade tranquila e calma, contagiando o resto da mesa.
Porém, quando todos pararam de rir de uma piadinha da mulher, o clima ficou tenso após a fala seguinte de Chris.
— Bom, eu inventei esse jantar por um motivo especial. – Chris tinha se levantado e parecia bastante agitado. Ele olhou rapidamente para Henry, como se tomasse coragem para continuar a falar. – Fico muito feliz que tenham gostado do meu namorado.
— Sério que fez isso pra sair do armário? – perguntou Alícia. – Achei que já estava meio óbvio que vocês namoravam.
— É, mano, você não para de falar dele. – riu Thiago. – Mas parabéns pela coragem, maninho.
— Independente de qualquer coisa, nós te amamos, Christian. – sorriu William.
Chris parecia bastante feliz com a reação dos irmãos. Porém, Henry era o que estava mais desacreditado sobre aquilo tudo. Não tinha recebido nenhum pedido oficial de namoro, não tinha sido sequer avisado que iria passar por aquilo.
Tentou manter a calma, mas o nervosismo era bem grande.
— Bom, se me dão licença, eu tenho que dormir pra trabalhar amanhã – William levantou-se da mesa se espreguiçando. Apertou a mão de Henry e sorriu. – Foi um prazer em conhecê-lo e espero que vocês dois sejam bastante felizes.
— Sim! Felicidades ao casal – disse Thiago levantando-se também. – Só cuidado com esse cara, ele ronca de noite.
— Ei! – exclamou Chris, mas aquilo não pareceu incomodá-lo de verdade.
— Foi um prazer finalmente te conhecer, mas vou já deixando claro que se você magoar meu irmão, se considere um homem morto. – disse Alícia com um sorriso macabro, que fez Henry arrepiar todo.
Então eles se retiraram do cômodo, deixando os dois sozinhos.
Chris pegou sua mão animado, ele estava radiante.
— Eu nem acredito que eles foram tão receptivos – desabafou Chris – Eu realmente não esperava isso, por mais que eu soubesse que eles eram de boas com o assunto… O que houve com você? Não tá feliz que eles aprovaram a gente?
— Porque você fez isso? – Henry conseguiu olhar para Chris depois de muito tempo em silêncio.
— Isso o quê? – perguntou Chris sem entender.
— Isso. Me apresentar como seu namorado… – Henry estava se controlando para não explodir. – Sem ter sequer me avisado.
— Uai, eu achei que já estava na hora de tu conhecer minha família.
— Você não entendeu. – Henry levantou com os punhos cerrados. – Você explanou um compromisso que sequer existe, Chris.
Foi a vez de Christian ficar chocado.
— Henry, estamos juntos há mais de um ano… Nossa relação tá completamente estável… Eu achei que não precisava de todas as letras pra selar um namoro.
Henry pareceu indignado.
— Christian, você sabe que comigo sempre tem que deixar tudo muito claro! Se não houve pedido, não tem compromisso. Simples. Eu sei que não funciona assim para muita gente, mas comigo não é assim.
— Desculpa por isso… Mas…
— Mas o quê, Chris? – perguntou Henry tentando entender o que tinha passado na cabeça dele para fazer aquilo.
— Olha, é o seguinte. Eu te amo. Não consigo mais segurar isso pra mim. De verdade. Eu demorei tempo demais pra me aceitar como eu sou e tu me ajudou tanto que… Cara, é inevitável amar você. Tu é tudo pra mim e mais um pouco. Tu é a pessoa que eu quero ao meu lado pra sempre e é o cara que me libertou de tudo. Então sim, eu te amo demais, Henry e quero que tu seja meu namorado de agora em diante.
Aquilo foi um tremendo baque para Henry, ainda mais que Chris o olhava fixamente e derramava algumas lágrimas enquanto se declarava. Ele nunca tinha falado sobre seus sentimentos assim tão abertamente e aquilo desestabilizou Henry de um jeito descomunal.
Alguns segundos de silêncio se passaram quando Chris decidiu se pronunciar de novo.
— Eu te amo e só quero você… O que me diz? Você quer namorar comigo, Henry?
Toda a raiva que tinha sentido naquele momento se esvaiu. Nunca tinha recebido uma declaração de amor daquelas. Já ouvira vários “eu te amo”, mas nenhum vinha acompanhado com aquele tipo de sentimento e com aquela carga emocional. Seu coração acelerou e amoleceu ao pensar que estava sendo amado romanticamente. Amoleceu ao perceber que Christian estava sendo 100% sincero e que seus olhos jamais mentiriam.
E de fato, já estavam juntos há muito tempo. Henry nunca parou para pensar no real fato de nunca terem dado um passo a frente sobre aquela relação.
“Erick”, o nome veio em sua cabeça, como se dissesse que ele não precisava pensar para saber o motivo.
Porém, seus sentimentos por Erick nunca seriam correspondidos. Mesmo que estivessem se dando bem no atual momento, Henry não conseguia ver aquilo avançando para algo mais. Por mais que desejasse do fundo do seu coração ser correspondido, ele sabia que era apenas um sonho, que nunca se tornaria realidade. Erick o via apenas como amigo e eles seriam apenas isso.
Era melhor matar as esperanças do que se agarrar a elas sabendo que são falsas. Era melhor abraçar o certo do que esperar por algo duvidoso ou sequer isso. Era melhor estar com Chris do que se arrepender disso e depositar expectativas em alguém que nunca seria seu.
Após um longo silêncio, Henry fechou os olhos, respirou fundo e conseguiu pronunciar:
— Sim, eu aceito.
[...]
Dezembro havia chegado com várias comemorações.
Para começar, tinha finalmente entrado de férias e para sua sorte, sem muitas dificuldades apesar dos jogos da SuperLiga. Logo no início do mês, comemoraram o aniversário de Chris, para o qual Henry ficou um pouco apreensivo, sem saber o que dar pra ele de presente.
Foi nesse momento que percebeu que não conhecia muito a fundo os gostos de seu namorado.
Namorado.
A palavra ainda soava um tanto estranha quando falava em voz alta. Era bizarro pensar que ele poderia ter algum relacionamento sério, já que nunca se imaginou em um. Ouvir Chris falando “meu namorado” era outra coisa estranha, ainda mais que mantinham a relação deles o mais escondida possível. Principalmente depois do que ocorreu com eles, era difícil ter alguma relação afetiva em público, então se limitavam a lugares reservados, o que consistia em basicamente na casa de Henry.
Cassandra ficou bem feliz com o anúncio de namoro oficial. Ela gostava bastante de Christian, assim como os gêmeos e Fábio. Porém, Marjorie não tinha aceitado muito tranquilamente a escolha do amigo.
— Depois não vem chorar quando se arrepender – ela foi curta e grossa.
Aquilo magoaria Henry se ele não estivesse acostumado com o jeito rude e grosso de Marge. Além do mais, ele sabia perfeitamente que ela detestava Chris com todas as forças, era óbvio que não iria aprovar o relacionamento.
No final, teve que pedir ajuda a Bruno para presentear o namorado, já que a amiga se recusava. Havia ficado apreensivo, mas acabou que Chris adorou a camisa xadrez vermelha que ele escolhera.
Mais para o meio do mês, veio o aniversário dos gêmeos e obviamente Cassandra quis dar uma festa temática para eles. Após a tentativa frustrada de fazer uma festa para o filho mais velho, a mãe tinha que se recompensar de alguma forma. Naquele ano, os dois entraram em consenso e decidiram que queriam uma festa de super-herói. Henry pode chamar alguns amigos seus, então ele fez uma breve lista com os nomes.
— Não vai chamar o Chris? – perguntou Cassandra franzindo o cenho quando analisou a lista.
Henry congelou. Ele não queria chamar Chris por conta de Erick. Tinha certeza que Cassandra ia chamar Adriana e os filhos. Queria evitar confusão, mas no fundo sabia que não teria muita escolha.
— Ah, achei que já estava subentendido que ele viria – mentiu Henry. – Pode colocar o nome se preferir assim.
Ele poderia deixar de chamar o garoto e falar com Cassandra que ele não poderia ir, mas conhecia a mãe, sabia que ela iria fazer mil perguntas diretamente para Chris. Ainda mais que ela tinha o número de celular dele.
Teria que deixar o circo pegar fogo. Não tinha para onde fugir ou o que fazer a respeito disso.
Aquilo deixou Henry preocupado durante uma semana. Ficava imaginando as mil possibilidades de intrigas que os dois iam arrumar. Estava torcendo muito para que os dois fossem sensatos e não estragassem a festa por causa de uma rivalidade idiota.
Para sua sorte, os preparativos nos dias anteriores, principalmente no dia da festa, ocuparam sua cabeça do desastre iminente. Com o salão de festas decorado, banho tomado e roupa vestida, Henry pode finalmente relaxar até os convidados chegarem.
Em algumas horas, o salão estava cheio de crianças correndo para todos os lados. Tinha sorte que não fora designado para ser babá de todos eles, apenas de seus irmãos, os quais tinha que ficar olhando de vez em quando e os chamando para tirar fotos ou dar comida a eles. Era divertido vê-los felizes e Henry se surpreendeu que até Rach parecia animada e receptiva, a seu modo, com os coleguinhas.
Sem contar que Jules estava uma gracinha vestido de Mulher Maravilha e Rach estava icônica com uma roupinha de Batman.
Nas mesas, os adultos conversavam e deixavam seus filhos para serem olhados pelos responsáveis pelos brinquedos infláveis da festa. Em uma mesa mais no fundo do salão, estrategicamente perto da mesa de doces, estavam os amigos de Henry. Tinha ficado bastante feliz que todos tinham vindo.
Apesar do clima tenso que ficou quando Erick chegou.
Henry percebeu que Chris estava se controlando para não se estressar e tirá-lo de perto do amigo. Para sua sorte, não tinha ficado muito tempo com eles até aquele momento, pois tinha que olhar os irmãos e também, Dani e Leo conseguiam dissipar a atmosfera tensa que se instalava ali.
— Realmente não esperava que Erick e Chris conseguissem respirar o mesmo ar sem se matarem. – comentou Bruno quando saíram para ver os gêmeos.
— Nem me diga… – disse Henry pegando Jules no colo. – Meu anjo, vamos tirar fotos.
— Mas eu não quero – resmungou Jules fazendo biquinho e tentando se soltar do irmão.
— Eu te dou um pirulito se você for bonzinho – subornou Henry. Rach estava bem acomodada nos braços de Bruno, sem reclamar.
— É meu aniversário, posso pegar quando quiser – devolveu Jules.
— Que abusado você! – exclamou Henry. – Olha a Rach, ela tá quietinha. Quanto mais rápido a gente for, mais rápido você volta a brincar, okay?
— Promete?
— Prometo.
Então saíram dali, levando as crianças para os pais. Tiraram as fotos rapidamente e os dois voltaram para a mesa, onde Leo, Dani, Luiz e Marge pareciam se divertir ao passo que Erick tentava inutilmente prestar atenção neles enquanto Chris o encarava com desgosto.
Henry finalmente teve uma folga, podendo pegar um pratinho de salgadinhos e sentar ao lado de Erick, aproveitando que Chris tinha saído momentaneamente da mesa.
— Então, tá curtindo a festa? – perguntou Henry sorrindo para o amigo.
— Ah, sim – disse Erick retribuindo o gesto e roubando uma coxinha do prato de Henry. – Apesar do seu amigo estar me encarando feio a festa inteira.
Henry soltou um suspiro que pensou ter sido inaudível, mas aparentemente não foi.
— Não se preocupe com isso, eu não vou fazer nada para estragar a festa dos pequenos, por mais que eu deteste esse cara – Erick pousou a mão no ombro de Henry com delicadeza, sorrindo para o outro de forma amigável.
— Obrigado por…
— Dá pra tirar a patinha do meu namorado? – a mão de Erick foi arrancada do ombro de Henry, que ficou levemente atordoado com as palavras que ouviu da boca de Chris.
Aquilo foi o suficiente para se fazer um silêncio na mesa. Os outros voltaram os olhos para eles, um tanto chocados com a reação de Christian. Erick olhou de Chris para Henry, um tanto incrédulo. A única coisa audível para eles naquele momento era alguma música da Xuxa universal em festas de aniversário infantis.
— Namorado? – perguntou, piscando os olhos com o cenho franzido.
— Isso mesmo. Agora ele é meu namorado e tu não tem permissão para tocar nele.
— Tudo bom?— Henry disse indignado, olhando para Chris. – Quem tem que dar essa permissão sou eu, não você.
— Mas…
— Quer saber, eu vou indo. Não tem muito o que fazer aqui. Vou ficar com minha mãe e Nathália. – Erick levantou-se da mesa, se dirigindo a uma mesa específica.
Henry levantou da mesa, fazendo menção de ir atrás dele, mas foi impedido por Chris puxando seu braço.
— Tu vai mesmo fazer isso? – perguntou ele com raiva na voz. – Tu sempre corre atrás dele.
— Quer saber? Você não manda em mim. Eu não quero saber disso agora. Então não se intromete.
Pisando duro, Henry deu as costas para Christian, que não o impediu de ir dessa vez. Caminhou rapidamente até a mesa em que Erick estava, com um semblante que misturava raiva e tristeza.
— A gente pode conversar lá fora? – perguntou aproximando seu rosto do ouvido de Erick. Por algum motivo, seu coração acelerou com a proximidade.
— Seu namoradinho não vai achar ruim? – perguntou com um leve tom de deboche. Henry revirou os olhos.
— O problema é dele.
Henry não falou nada sobre o sorrisinho nada discreto de contentamento que Erick esboçou. Caminhou para fora do salão de festas, certificando-se que Erick estava ao seu encalço.
O ar do lado de fora estava agradável, apesar de estar ventando, fazendo com que os cachos de Erick ficassem bagunçados de uma forma provocadora. Henry tentou conter a vontade de tocar os fios loiros, então cruzou os braços sobre o peito, como se não confiasse em suas próprias mãos.
Sentaram em um banco um pouco afastado do local, onde uma luz branca banhava apenas os dois, deixando o redor levemente escuro. Foi então que Henry percebeu que essa foi a única vez que ele chamou Erick para conversar pessoalmente. Suas conversas se limitavam apenas a quando se esbarravam em algum lugar ou saiam por intermédio de Marge.
Mas Henry nunca teve uma iniciativa direta para isso. Assim como Erick.
— Olha, me desculpe pelo Chris… Ele é possessivo demais e morre de ciúmes de você – confessou Henry rapidamente antes que o clima ficasse tenso.
— Tudo bem – Erick deu de ombros e olhou para baixo, deixando um silêncio.
Henry ficou aflito sem saber o que dizer, porém não precisou.
— Então é verdade? Vocês estão namorando? – perguntou. Ele rapidamente identificou uma amargura controlada ao dizer aquelas palavras.
Respirando fundo, Henry encarou Erick.
— Sim… Tem um pouco mais de um mês.
Silêncio.
— E você gosta mesmo dele? – perguntou Erick.
Aquilo atingiu Henry de um jeito que ele não esperava.
— Sim, eu gosto.
— E por quê?
— Como assim “por que”?
Erick franziu o cenho levemente.
— Os motivos pra vocês gostar dele.
Henry hesitou um pouco antes de falar, o que esperava que tivesse passado despercebido por Erick.
— Bom, ele me faz sentir bem. Ele me apoia e me ajuda bastante em tudo o que eu preciso…
— Então você gosta dele por motivos egoístas. – Erick olhou em seus olhos tão profundamente que Henry achou que fosse desmaiar ali mesmo.
— Não são egoístas. – defendeu-se Henry. – O que você diria no meu lugar?
Erick não pensou muito antes de falar.
— Eu diria que é algo simplesmente inexplicável. Que o que mais importaria pra mim é ver a pessoa feliz e que eu pudesse fazer ela se sentir dessa forma. Que gostar de alguém é algo além do carnal. É uma conexão de ambas as partes.
Se Henry não estivesse tão certo de que os dois eram apenas amigos, ele iria sentir que aquilo era uma declaração para ele. Mas não podia ser. Ele falava de conexão, que era algo perdido entre eles há muito tempo.
— Você está sendo presunçoso em achar que todo mundo consegue fazer outra pessoa feliz.
— Mas um relacionamento não deveria ser isso?
Aquilo calou Henry de uma forma que ele não conseguiu revidar. Com o silêncio, Erick deu de ombros e levantou-se do banco.
— Eu não sou ninguém pra dizer como você deve lidar com seu relacionamento. Mas pense se vale realmente a pena.
Então deixou Henry sozinho com dúvida se tinha tomado a decisão certa.
[...]
Erick tentou se manter forte naquela noite.
Mas doía. Doía muito ver o amor da sua vida com outro. Doía vê-lo beijando, abraçando e andando de mãos dadas com outra pessoa. Ele demorou muito para admitir, mas agora sabia que mais do que nunca ele queria estar no lugar de Christian. Ele tinha inveja do garoto por estar naquela posição de namorado de Henry. Erick queria essa posição. Ele queria ser a pessoa a apoiá-lo, beijá-lo, abraçá-lo… Fazê-lo feliz acima de tudo.
Porém, por mais que ele quisesse fazer Henry feliz, tinha que aceitar que ele seria feliz com outra pessoa, mesmo achando que Henry não era feliz com Christian. Não sabia o motivo real pelo qual os dois estavam namorando, mas pelas palavras que disse no dia do aniversário de seus irmãos, Henry não parecia muito convicto sobre seus sentimentos.
Mas aquela conversa que tiveram no aniversário dos irmãos dele… Aquilo fez com que Erick tomasse uma decisão muito importante, mesmo que ela fosse esperançosa demais.
Eu não vou desistir de você, Henry…
Os meses se passaram e a SuperLiga B estava chegando ao fim.
Tentando sempre separar seus sentimentos na hora de jogar contra o Argos, Erick estava contente com o resultado final de seu time, apesar de que enfrentariam justamente o time de Henry na grande final.
Depois da festa dos gêmeos, eles pouco se falaram e se viram. Marge era basicamente a ponte entre os dois e ela havia viajado para Espírito Santo logo após o final de seus jogos, então ficaram semanas sem se encontrar. Erick queria, mas sabia que não seria uma boa ideia.
Encontravam-se em quadra, mas era impossível se comunicar com o outro quando tinha um guarda costa de 2 metros atrás dele fazendo cara feia direcionada especialmente para Erick. Ele queria evitar a fadiga, então apenas acenava para Henry de forma contida.
E não foi diferente naquele grande dia de final. Erick conseguiu colocar a cabeça no jogo, Gabriel o motivando mais do que nunca. Mas não foi o suficiente para que conseguissem ganhar aquele jogo.
Henry foi levantado pelo time ao conseguir marcar o último ponto com uma manchete espetacular, que salvou uma bola praticamente perdida e colocando-a no chão da quadra adversária quando o time oposto comemorava o ponto.
Erick olhou para a cena. Queria sentir raiva, ódio, mas tudo que conseguia sentir era felicidade pela vitória do amigo, mesmo que isso significasse que ele havia perdido. Um mínimo sorriso brotou em seus lábios ao ver o outro time comemorando. Queria dizer a Henry que estava errado, que aquelas palavras que disse no passado quando se enfrentaram pela primeira vez eram completamente mentira.
Henry merecia o mundo e Erick estava feliz por ter conseguido se livrar de tantos sentimentos ruins a respeito do outro.
Agora ele só queria que Henry fosse feliz, não importava como.
[...]
Henry nunca gostara muito de despedidas.
Então seu coração estava bastante apertado quando recebeu uma festa surpresa de despedida de seus amigos. Eles estavam orgulhosos, sabia muito bem disso, mas deixá-los ainda lhe doía muito.
— Eu venho visitar vocês, eu prometo – ele dissera durante o abraço grupal.
Parecia que a sorte estava a seu favor, pois, algumas semanas depois de ter dado a vitória para o Arsenal, ele recebera uma proposta de contrato para jogar por um time em São Paulo. Um time profissional. Que estava classificado para a SuperLiga principal.
Mesmo que o campeonato fosse apenas no final do ano, o time queria que Henry participasse dos treinos e dos campeonatos que aconteciam antes da SuperLiga. Então passou uma semana correndo atrás das coisas para que pudesse se mudar para São Paulo por volta de março de 2018. Seus pais ficaram extremamente felizes por ele e o ajudaram a encontrar um apartamento perto da sede do clube, onde o time treinava.
Seus amigos ficaram bastante felizes com o anúncio, mas Chris não parecia muito contente apesar de parabenizá-lo. Eles estavam namorando havia alguns meses e tudo corria bem até essa contratação. Henry nunca tinha namorado sério e pensar em ter um relacionamento sério à distância não lhe parecia uma boa ideia.
Porém, Chris tinha seu jeito de conseguir convencê-lo a tentar as coisas. Então lá estava ele, aceitando ter um relacionamento à distância do qual os pais de Chris não sabiam e que poderia prejudicar várias coisas, ainda mais que Chris ainda era menor de idade.
Tentou não pensar muito nas possíveis consequências dessa relação e teve sorte que os preparativos para a mudança deixavam sua mente ocupada.
Sua mãe fora um anjo nessa aventura. Ela tinha conseguido um apartamento pequeno, porém confortável e o mobiliou com algumas coisas que seus avós tinham em casa e não usavam, como sofá, uma mesa com tampo de granito, algumas cadeiras de madeira e também comprara algumas coisas novas, como uma TV, uma cama, uma geladeira. Isso tudo enquanto Henry estava resolvendo como faria para continuar a faculdade, percebendo que teria que trancar a UFMG.
Queria tentar transferência, mas por conta de tanta burocracia, ele acabou desistindo. Sem contar que não sabia como seria o ritmo dos treinos, talvez nem conseguisse estudar e ser parte de um time profissional.
Um time profissional.
Agora ele era definitivamente um jogador profissional.
O cansaço conseguiu conter sua emoção ao pensar nisso. No dia da mudança, passou mais de 8 horas dirigindo até São Paulo e suas costas estavam lhe matando. Seus pais tinham lhe emprestado o carro de sua mãe para que pudesse levar suas coisas pessoais até o apartamento e ficaria com o automóvel até algum deles ir visitá-lo de avião ou ônibus e voltar com o carro para Belo Horizonte.
Estacionando o carro na nova garagem, Henry suspirou ao ver a quantidade de caixas que teria que levar para o quinto andar do prédio. Tinha elevador, ainda bem, mas mesmo assim seriam umas boas viagens até que levasse tudo para seu novo lar.
Saindo do carro, esticou a coluna, pegou sua mochila e a primeira caixa. Caminhou pela garagem pouco iluminada até entrar no prédio e chamar o elevador. Analisou rapidamente o local, vendo que era bem arrumado e parecia bem seguro, já que possuía um porteiro e várias câmeras que monitoravam tudo. Essa foi uma das exigências de sua mãe. Sabia que São Paulo não era o lugar mais seguro do mundo, então quanto mais segurança, melhor.
O elevador finalmente chegou e para sua emoção, estava vazio. Ao entrar, notou sua péssima aparência pelo espelho que cobria a metade de cima de uma parede de alumínio. Seus olhos estavam um pouco inchados pela falta de sono, seus óculos estavam um pouco tortos e seus cabelos estavam um caos. Estava torcendo para que ninguém entrasse e o visse naquela situação pós-viagem.
A sorte estava ao seu lado. Chegou ao quinto andar sem interferência e procurou o apartamento 503. Achando-o um pouco escondido no corredor amplo, Henry equilibrou a caixa que levava em uma só mão para conseguir tirar as chaves do bolso. Depois de muito sacrifício, conseguiu pegar as chaves e, ao colocar a certa na fechadura, percebeu que a porta estava destrancada.
Franziu levemente o cenho, um pouco desconfiado e então lembrou que sua mãe tinha lhe dito que havia uma surpresa para ele no apartamento. Claramente a surpresa era que ia dividir o local com alguém. Ele não ficou tão feliz assim, não era muito bom em socializar. Ser forçado a morar com algum desconhecido não era uma ideia muito agradável.
Respirando fundo, entrou no apartamento, vendo que estava todo mobiliado, mesmo com coisas simples. O local era pequeno, havia uma sala, uma cozinha, um banheiro, uma varanda pequena e dois quartos. Mas era perfeito para morar duas pessoas que provavelmente não ficariam muito tempo no local.
Assim que chegou mais perto do pequeno corredor que dava para os quartos, ouviu o chuveiro ligado, fazendo Henry constatar que realmente teria que dividir o apartamento. E que seu colega já tinha escolhido o quarto dele.
Sem muita opção, Henry ficou com o quarto da esquerda, que tinha a vista para a avenida movimentada. O quarto era bem pequeno em comparação ao seu de BH, mas tinha um ar de acolhimento e ele se sentiu confortável. Deixou a caixa no chão e se largou na cama. Era tão confortável quanto a sua outra.
Queria ficar lá por mais tempo, mas tinha que terminar de pegar suas coisas no carro. Com um resmungo, ele levantou-se e saiu do quarto mexendo no celular, avisando para seus familiares que já havia chegado.
E sem mais nem menos, chocou-se contra algo macio e molhado, fazendo-o dar um passo para trás e levantar os olhos para o indivíduo que lhe olhava tão incrédulo quanto ele.
— Henry
— Erick – disseram juntos o nome do outro, os olhos piscando como se tentassem acreditar o que realmente estava acontecendo.
Os cachos de Erick estavam deformados pela água. Seu quadril estava coberto pela toalha azul, deixando seu torso definido exposto para o mundo. Henry conseguia ver as cicatrizes que enfeitavam de maneira horrenda a pele do outro. Mas ele conseguiu tirar aquela atrocidade da mente por conta dos músculos definidos de Erick. Algumas gotas escorriam pelo seu abdômen, fazendo com que Henry pensasse em coisas altamente impróprias.
— Então você é a surpresa que minha mãe me disse – ele comentou envergonhado, tentando cobrir o tronco com os braços. Henry se perguntou se ele percebeu que estava secando seu corpo com os olhos.
— E você também não sabia disso – Henry conseguiu voltar a si, olhando para o rosto de Erick e tentando mantê-los ali. Erick apenas afirmou com a cabeça. – Eu vou matar aquela velha.
— Não fale assim da tia Cassie – repreendeu Erick um tanto contido. Ele não parecia nem um pouco confortável com a situação.
O silêncio caiu sobre eles quando Henry tirou os óculos e apertou fortemente a ponte do nariz, como se isso fosse lhe dar algum tipo de milagre. Seus sentimentos estavam confusos. Iria dividir apartamento com Erick. Erick.
— Então vamos morar juntos. – Erick quebrou o silêncio constrangedor. Ainda estava pelado e Henry via perfeitamente o embaraço dele.
— É o que parece – Henry suspirou, imaginando todos os desastres que poderiam decorrer daquele fato.
Aparentemente a sorte não estava tão a seu favor assim.
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