Além das Quadras

21 Arco II – 21. Se não for pra ser assim, nem quero


Notas iniciais
Olar amores e amoras! Primeiramente quero pedir MIL desculpas pela demora com o capítulo. Surgiram mil problemas na minha vida nesse tempo que tava bem foda escrever. Pra completar, meu computador deu pau e eu fiquei sem ele por um mês. MAS EU TO DE VOLTA PARA VOCÊS ♥ Quero pedir paciência por conta dos comentários. Tava sem PC e agora estou de mudança (vou voltar pra BH pelo bom Deus) então complica minha vida. Mas eu prometo que vou responder todos assim que eu conseguir NÃO DESISTAM DE MIM :') AMO VOCÊS E ESPERO QUE GOSTEM DO CAPÍTULO ♥ Ghost Kisses ~Marceline

Tudo parecia tranquilo na vida de Henry depois daquele surto que teve durante o seu primeiro jogo na seleção brasileira.

Ainda se martirizava pelo acontecimento, como com todas as coisas que fazia de errado e que também ficavam martelando em sua cabeça. Quando ele menos esperava, aquela cena vinha em sua mente e ele só queria esquecê-la de todos os jeitos. Esse era um dos males de sua ansiedade que ele mais detestava.

Porém, depois que começou a frequentar a psicóloga e a tomar remédio para a ansiedade, as coisas pareciam estar encaminhadas de um jeito bom. Claro que ficava pensando algo como “se tá tudo muito bem, tem alguma coisa de errado”, mas sempre fazia alguma coisa sozinho ou com os gêmeos para afastar esses pensamentos da cabeça. Por mais que estivesse se tratando, seus pensamentos autodestrutivos não pareciam querer deixá-lo.

Henry resolveu que não correria mais atrás de Erick. Já que estavam longe, não fazia sentido ele ficar sofrendo pelo outro sendo que não se veriam mais, pelo menos pelos próximos meses. Com essa decisão, as coisas ficaram mais fáceis com Chris, que tinha lhe dado uma folga desde que voltaram para Belo Horizonte.

Com toda essa abstração, o tempo passou mais rápido do que ele pensou que seria possível. Já estavam em fevereiro e o carnaval seria dali a algumas semanas.

Henry não era do tipo que gostava de muvuca até algum tempo atrás. Ele tinha que agradecer a Marge por lhe apresentar o melhor lado do carnaval. Tinham viajado para Cabo Frio no ano anterior, para uma das casas de praia da família dela, e tinha sido o melhor carnaval que tivera na vida. Nunca tinha beijado tanto ou transado tanto quanto naquele feriado e estava esperando ferrenhamente que o daquele ano fosse tão bom quanto, ainda mais agora que começara a beber.

Além da bebida, aquele carnaval contaria com mais gente, o que tornava tudo mais divertido. Dessa vez, os pais de Rayssa a deixaram ir, com a condição de levar a prima Karine, que tinha se mudado recentemente para Belo Horizonte por conta da faculdade. Henry não conhecia a garota, porém, segundo Rayssa, a prima era tão porra louca quanto Marge, o que fez Henry gostar dela sem nem mesmo conhecê-la.

Ele tinha que admitir que se surpreendera quando Marge disse que Chris poderia ir também. Porém, o garoto não podia, pois foi obrigado a participar de um retiro da Igreja. Henry tinha que confessar que se sentiu um pouco aliviado por conta disso, já que estava se sentindo sufocado pelo outro. Além disso, com a presença de Chris, Henry não poderia sair pegando todo mundo como estava planejando.

Às vezes, sentia que estava enganando o outro com suas atitudes. Mas ai vinha Marge para lembrá-lo que os dois não tinham nada sério e que Henry podia fazer o que bem entendesse, assim como Chris.

Chris: Tu me promete que não vai exagerar na bebida? Eu não quero você bebendo muito.

A mensagem chegou poucos segundos depois de Henry ter dado a notícia de que iria viajar com Marge no carnaval. Ele leu e não controlou o suspiro que soltou, mandando apenas um “uhum” para o outro, não querendo entrar naquela discussão. De novo. Tá certo que no dia do seu aniversário de 18 anos ele talvez tenha passado um pouco dos limites, mas ficar sendo controlado por Chris naquilo também estava sendo exaustivo.

Chris: Tu sabe que eu fico preocupado e me importo contigo

Henry ♥: Eu sei, mas as vezes você não acha que exagera um pouco não?

Chris: Eu to tentando cuidar de ti e é assim que tu me agradece?

Henry ♥: Tá bom, Chris

Não queria mais dor de cabeça com aquele assunto, então ele procurou rapidamente alguma foto de Cheshire e mandou para o outro. Usava aquela tática para encerrar um assunto, pois sempre que mandava foto de gato para Chris, ele simplesmente esquecia sobre o que estavam conversando.

Soltou um longo suspiro e largou o celular na cama.

— Me deixa adivinhar – começou Marge sem olhar pra Henry, ainda mexendo em seu celular na cama ao lado – O embuste do teu peguete não quer que você vá e tá preocupadinho por causa da bebida.

— Ele não disse que não quer que eu vá – defendeu Henry, porém sabia que não era verdade. – E ele não é um embuste, Marge.

— Você já soube mentir melhor, migo.

Henry revirou os olhos.

— Okay, deu pra perceber que ele não gostou muito, mas a parte da bebida ele deixou bem claro.

— Depois vem falar que ele não é um embuste – resmungou a garota, largando o celular e voltando os olhos verdes para Henry. – Eu já disse uma vez, mas vou repetir porque parece que você não quer enxergar. Você está entrando em um relacionamento abusivo.

Henry devolveu o olhar firme de Marge. Já tinham discutido aquilo algumas vezes, mas Henry sempre defendia com unhas e dentes que ela estava enganada, que não tinha nada de abusivo no relacionamento dele com Chris. Não queria ter aquela conversa com ela novamente, mas ele também sabia que não podia escapar, já que iria passar a noite na casa da garota.

— Não começa com isso, pelo amor de Deus...

— No fundo eu ainda acho que você sabe que eu to certa. – ela deu de ombros – Você não é santinho nesse relacionamento, mas o Christian passa dos limites.

Ele revirou os olhos novamente e abanou a mão, como se não quisesse falar naquele assunto. E não queria mesmo.

— Eu só não quero que tu se machuque, mas parece que você vai precisar quebrar a cara pra perceber o que tem de errado nisso tudo – ela finalizou, levantando-se da cama com rapidez e saindo do quarto.

Henry soltou mais um suspiro. Sabia que ela tinha feito aquilo para ter uma saída triunfal após palavras bonitas que na verdade eram pra afetá-lo. Sabia que ela voltaria dali a alguns minutos e tudo voltaria ao normal como se nem tivessem tocado no assunto.

Mas aquilo deixou Henry pensativo. Ele não conseguia enxergar os pontos que Marge lhe falara certa vez. Era certo que ele e Chris brigavam bastante e de uns tempos pra cá a coisa ficou pior, mas qualquer relacionamento que envolva emocional era assim mesmo, não era? Ele tinha certeza que Chris gostava dele e ele mesmo nutria algum sentimento pelo outro, então achava super normal terem discussões, mesmo que o que tinham fosse algo meio indefinido.

Concluiu que Marge estava se preocupando e exagerando demais, a segunda parte ela fazia com uma frequência assustadora. Então preferiu deixar aquele assunto de lado e simplesmente aproveitar o que tinha com o garoto.

Depois de alguns minutos, Marge voltou para o quarto, com dois copos de água na mão, entregando um para Henry e depois se sentando na cama.

— Eu acho que esse carnaval vai ser épico – ela começou – Vou finalmente poder embebedar a Rayssa.

— Meu Deus, Marjorie! Você é muito errada – Henry riu.

— Ela que é certinha demais, me respeita – debateu a garota. – Mas uma coisa é certa. Essa viagem vai ser inesquecível.

[…]

Erick demorou um tempo para conseguir lidar com os fatos que ocorreram em Saquarema e Miami. Ele não parava de lembrar como tinha ocorrido um entrosamento perfeito entre ele e Henry dentro de quadra. Não parava de pensar na crise que o outro tivera no meio de um dos jogos. Não parava de se martirizar por não ter tomado uma atitude e conversado com Henry.

A verdade é que ainda estava muito frágil sobre aquela situação. Queria mantê-lo longe para que seu pai não fizesse nem um mal a Henry e mesmo se quisesse conversar, Erick não se sentia preparado para isso. As coisas que tinha feito ainda o assombravam, assim como as coisas que tinha passado.

Não era uma situação fácil. Parecia ser simples. Chegar e conversar, explicar seus motivos, expor seus sentimentos. Mas não era tão simples assim. Precisava de uma estrutura emocional que ainda não tinha, que estava sendo construída aos poucos com a ajuda da psicóloga, de Nathy e de Douglas.

E, pelo visto, Nathália tinha reparado que ele não andava muito bem, pois estava praticamente obrigando-o a ir passar o carnaval na república em que Douglas morava em Ouro Preto.

Ele estava conversando com Amanda pelo Skype quando Nathy praticamente arrombou a porta de seu quarto, com um sorriso largo no rosto e um brilho insano nos olhos verdes.

— Por motivos de: você não sai de casa há séculos, nós vamos passar o carnaval em Ouro Preto.

Erick abaixou o celular, olhando para Nathália com o cenho franzido.

— Isso é um pedido ou uma intimidação?

— Tá mais pra um ultimato – comentou Amanda do outro lado do celular.

— Sua amiga sabe das coisas – disse Nathy sorrindo – Olá, Mandy!

— Ei, gata! Tudo bom? Erick, vira esse celular, não quero ficar vendo seu amiguinho no short não.

Erick sentiu seu rosto esquentar e tratou logo de virar o celular para Nathália. Elas conversaram por alguns minutos, até Amanda dizer que iria ligar depois para deixar os irmãos conversarem a sós.

— Eu tenho que ir mesmo? – perguntou Erick depois de desligar a chamada com Amanda.

— Sim – ela disse com firmeza – Eu não aguento mais te ver enfurnado nesse quarto. Você só tava saindo pra treinar e, agora que não tem mais treino, fica ai o dia inteiro.

— Meu Deus, você tá parecendo a mamãe – Erick revirou os olhos afundando um pouco mais nas almofadas em que estava apoiado.

— Praticamente meu papel, né, bebê?

Erick deu de ombros, fazendo bico.

Não estava nem um pouco animado com aquele carnaval. Na verdade, não estava mais animado em sair de casa para festas e baladas. Ia só se Amanda implorasse muito e geralmente ficava bêbado antes de qualquer coisa. Preferia ficar em casa assistindo a séries, lendo um livro ou então ir pra um bar ficar bebendo.

E pensar que ele amava festas com todas as forças.

— Vamos, cara... Vai ser maneiro – ela incentivou, sentando-se na cama e acariciando o joelho de Erick – Carnaval em uma cidade universitária! Vai dizer mesmo que você vai perder essa chance?

Então ele parou pra pensar um pouco. Realmente, nunca tinha passado o carnaval em uma cidade universitária. Sequer tinha visitado alguma e, pelas coisas que diziam, o negócio era insano.

E o melhor de tudo...

— Vai ter muita bebida, você sabe né?

Nathália sabia mesmo jogar baixo.

Erick semicerrou os olhos na direção da irmã.

— Okay, eu vou – ele disse finalmente, vendo o sorriso dela se abrir – Mas saiba que você que vai cuidar de mim quando eu estiver colocando minhas tripas pra fora.

— Eu ouvi e concordo com os termos de uso.

— Palhaça – ele riu e bateu com uma das almofadas na cara de Nathy.

No fundo, ele estava animado para ir, ainda mais que passaria mais tempo com ela e com Douglas. Pensando melhor, não tinha como aquela viagem dar errado.

[…]

Não demorou muito para o dia da viagem chegar. Marge e Henry estavam de folga das suas obrigações como jogadores, Rayssa estava de férias ainda e Karine iria começar a faculdade só em março. Sem obrigações ou responsabilidades, todos estavam muito animados com a ida para Cabo Frio.

Como ninguém estava fazendo nada de importante, resolveram ia para a casa de praia dos avôs de Marge na quinta-feira, para poderem aproveitar bem os outros dias, já que na semana seguinte estariam voltando para a faculdade.

Henry e Marge tinham acabado de chegar à casa de Rayssa, pois eles iriam no carro dela, já que o pai de Marge estava usando o carro que ela geralmente pegava emprestado. Frequentavam a casa da menina bastante, então nem precisaram identificar-se na portaria, logo os dois subiram pelo elevador até o andar do apartamento de Ray.

Ficaram conversando enquanto isso, ambos bastante animados com a viagem, Marge mais ainda pela notícia que tinha acabado de receber de seus avós. Tocaram a campainha e, assim que a porta se abriu, depois de alguns minutos, os dois ficaram um pouco confusos com a pessoa ali parada, sorrindo para eles.

Ela era muito parecida com Rayssa, mas definitivamente não era a garota.

A menina possuía os olhos um pouco menos puxados do que os de Rayssa, mas a cor escura era exatamente a mesma. Os cabelos também eram bastante parecidos, porém, Ray não tinha as pontas pintadas de um cobre muito bonito, como os da pessoa a frente deles. Além disso, dava para perceber que a pele dela era bem mais bronzeada, ao passo que de Rayssa era bem branquinha.

— Ah! Vocês devem ser Henry e Marge – ela disse animada, o sotaque carioca muito forte – Meu Deus, a Yssa falou muuuuito de vocês dois! Eu mal esperava para conhecer os dois.

Não precisava de mais para Henry e Marge terem gostado dela.

— Prazer, eu sou Karine – ela venceu a distância entre eles e os abraçou, como se tivessem se conhecido por uma vida inteira. – Entrem, a Yssa tá terminando de se arrumar e esperando o Cássio chegar.

Marge parou subitamente de entrar na casa, olhando para Karine como se ela tivesse acabado de falar que matou alguém.

— Oi? – ela perguntou, não acreditando.

— Pois é, Rayssa sempre reclamou que ele é vaidoso demais e sempre se atrasa para as coisas – Karine deu de ombros e se jogou no sofá branco.

— Eu não acredito. – resmungou Marge e desapareceu no corredor.

Henry sabia o que aquilo significava. Significava que as duas teriam uma discussão, pois Marge tinha deixado nas entrelinhas que não queria que o namorado de Rayssa fosse. Henry sabia que era puro ciúme, até porque não tinha como não gostar de Cássio.

Sabendo que aquilo iria demorar mais do que o necessário, Henry sentou-se ao lado de Karine no sofá, tirando o celular do bolso para passar o tempo. Como sempre, não era uma pessoa sociável, mesmo que quisesse puxar assunto com a garota.

— Então – ele agradeceu por ela ter começado a falar – Vocês se conhecem há muito tempo?

— Ah, sim – ele respondeu, deixando o celular no colo – Não sei quanto tempo, mas tem mais de 3 anos.

— Aaaah que legal! Eu queria muito ter conhecido vocês mais cedo. A Yssa fala muito de vocês, principalmente da Marge.

Henry arqueia uma sobrancelha. Não iria falar que Rayssa quase não falava da prima. Na verdade, ela estava sempre mais ocupada falando de Cássio do que qualquer outra coisa.

— E porque não veio antes? Passar algumas férias e tal...

— Ah, problemas familiares… Meu pai e minha madrasta são muito chatos e o resto é história – Karine dá de ombros, como se não importasse. Mas ele sentia que ela se importava sim. – Enfim… Nada muito interessante. Você vai pra UFMG também?

Henry acena com a cabeça, dizendo que passou em Educação Física. Karine parece animada com a notícia, dizendo que passou em Nutrição e, quando ia começar a falar alguma outra coisa, eles escutam duas meninas falando alto no final do corredor.

— Você tá sendo dramática como sempre! – a voz de Rayssa parecia irritada.

— Eu tô apenas dizendo a verdade! Você vai estragar o nosso rolê levando o embuste do seu namorado – rebate Marge, Henry notando o tom de voz raivoso da melhor amiga.

— Eu já mandei você parar de chamar o Cass assim! – então Rayssa apareceu na sala, sendo seguida de perto por Marge – Se você tivesse um namorado, me entenderia!

— Meu pau que entenderia! E mesmo se tivesse, não precisaria ficar arrastando macho pra todo canto que eu fosse.

— É por causa dessas atitudes infantis e egoístas que você não arruma ninguém – Rayssa jogou na cara e Henry percebeu que aquilo já tinha passado dos limites.

— Tudo bem, meninas – ele disse, levantando-se e se aproximando das duas antes que elas saíssem no tapa – Vamos nos acalmar. O que tá feito tá feito e seguimos o baile.

Rayssa e Marge o encaram como se quisessem matá-lo. Ele não estava acostumado a apartar briga das duas, até porque isso era um evento raro. Pelo menos quando ele estava por perto.

— Isso é muito injusto, Henry! – Ray bate o pé no chão, verdadeiramente irritada – Ela deixou você levar o Chris! Porque eu não poderia levar o Cass? E ela não deixou claro que não era pra eu chamá-lo!

— O embuste do Christian não vai e eu não aguentaria dois babacas no mesmo teto que eu – falou Marge – Cê não sabe a festa que eu fiz quando Henry disse que ele não iria.

— Então por que convidou? – Henry franziu o cenho, virando-se para olhar Marge, que deu de ombros.

— Sei lá, momento de insanidade.

Henry revirou os olhos. Às vezes esse lado geminiano dela de ficar mudando de opinião toda hora o irritava, mas não podia deixar aquilo afetar a amizade deles. Ele suspirou, virando-se para Rayssa.

— Tá bom, fodas. – ele disse com firmeza – Ray, apressa seu boy aí.

Ela apenas assentiu e saiu da sala, sumindo pelo corredor. Marge revirou os olhos e se jogou ao lado de Karine, que estava quieta esse tempo todo durante a discussão.

— Você sabe que tá errada – comentou Henry, cruzando os braços sobre o peito e olhando firmemente para a amiga – Você deveria ter sido clara.

— Achei que tava claro o suficiente que eu não gostava dele – ela resmungou.

— Mas você não gosta de Chris e deixou ele ir, então ela deve ter…

— Fodas, Henry.

Ele puxou o ar, soltando-o devagar em um suspiro. Não adiantava conversar com ela agora a respeito disso. Quando Marge ficava puta não tinha quem conseguisse conversar com ela, nem mesmo Henry. Então ela ficou lá, de braços cruzados e com um bico no rosto.

Henry sentou-se entre ela e Karine, que se inclinou pra cima dele, perguntando quem era Christian.

— Ah, um peguete meu que a Marge odeia sem razão – ele deu de ombros.

— Tenho meus motivos – ela disse.

— Ora! – Karine exclamou – Você é gay? Você não tem cara de gay.

Henry tentou não se ofender com aquilo, já que não gostava desse lance de “ter cara de alguma coisa”. Soava meio ridículo, mesmo que ele às vezes julgasse uma pessoa ou outra por não parecer ter a sexualidade que tinha. Hipocrisia? Talvez, mas uma desconstrução de cada vez.

— Não me prendo a esses rótulos – ele deu de ombros mais uma – Se eu tiver atração, tô pegando.

— Aaaah – Henry reparou que ela falava muito “ah” nos inícios das frases. Chegava a ser bonitinho. – Queria ser desconstruída assim.

— Hétero?

— Hétero.

— Tranquilo. Não tenho nada contra, tenho até amigos que são – ele fala na brincadeira e dá graças a Deus por ela ter entendido e rido.

Ficaram conversando sobre aleatoriedades enquanto Marge ainda estava de bico e Rayssa terminava de se arrumar. Ela tinha passado uns minutos antes ali, avisando que Cássio já estava chegando, que tinha se enrolado com o trabalho.

Não demorou muito para o namorado dela chegar e, cada vez que Henry o via, levava um tiro. Ele aplaudia Rayssa por ter um gosto tão bom, já que Cássio era uma perfeição ambulante. Cabelos castanhos escuros, olhos castanhos claros, barba por fazer, pele levemente bronzeada e um sorriso de deboche e malícia que nunca deixava seu rosto. Se ele não fosse namorado de sua amiga (ou completamente hétero) Henry com certeza ficaria de quatro por ele.

— Finalmente a escória chegou – resmungou Marge baixinho, só pra que Henry ouvisse.

Ele dá uma cotovelada nela e se levanta junto com Karine, que parecia babar em cima de Cass.

— Desculpem a demora – disse Cass sorrindo sem graça – Trabalho.

— Não tem problema, Amoreco – disse Rayssa sorrindo para o namorado e o beijando – Não estamos com pressa.

— Fale por você – resmungou Marge baixinho. Henry lhe dá outra cotovelada.

— E aí, cara? – Cass disse animado, avançando na direção de Henry e lhe dando um abraço – Já faz um tempo. Oi Marge, como tá? E você deve ser a Karine

Ele abraça Karine, que parece derreter em seus braços, completamente encantada. Que pessoa não ficaria?

— Não me chame de Marge, eu não gosto de você.

— Oooookay! – Henry fala alto, com um sorriso forçado – Quanto mais cedo sairmos, mais cedo chegaremos. Vamos?

Para não ficar um climão, Cass ignora a grosseria de Marge e sorri para Henry. Eles pegam suas malas e descem pelo elevador, os quatro conversando enquanto Marge mantém sua forma birrenta. Não demora muito para colocarem as malas no carro e entrarem no veículo, Marge, Henry e Karine atrás enquanto Ray e Cássio vão à frente.

Eles partem, Henry virando-se para Marge para falar alguma coisa, mas a menina ainda estava emburrada e até colocou os fone de ouvido para não ser perturbada. Ele virou-se pra frente de novo, soltando um suspiro e pensando que aquela viagem seria mesmo inesquecível, mas não sabia até que ponto isso era bom ou ruim.

[...]

Depois de umas seis horas dentro do carro, eles finalmente chegaram à casa de praia grande e bonita dos avós de Marge. A garota já tinha melhorado o bico, cantando os funks que tocavam na rádio junto com Karine e Henry.

— Onde estão seus avós? – perguntou Ray quando entraram na casa e a viram completamente apagada, como se ninguém estivesse lá.

— A casa é só nossa – Marge disse sorrindo maliciosamente. Os olhos de Ray brilharam rapidamente, mas o brilho logo se apagou quando Marge continuou – Meninos no quarto dos fundos, meninas no quarto da frente.

— O que? Por quê?

— Regras da casa, bonitinha – Marge disse com deboche, passando por Ray.

Antes mesmo que a garota pudesse discutir, Henry a segurou pelo braço e balançou a cabeça, como se dissesse que não valesse a pena discutir por causa daquilo. Rayssa bufou, revirando os olhos, mas logo abriu um pequeno sorriso quando Cass disse que não tinha problema, lhe dando um beijo demorado na testa.

Como já conhecia a casa, Henry levou Cass até o quarto dos fundos. O quarto tinha três camas, Henry logo ocupando aquela em que tinha ficado no ano passado, perto da janela que dava vista para a piscina e, logo adiante, para a praia. Jogou suas malas em um canto, pegando logo o celular para dizer a seus pais e a Chris que tinha chegado.

— Porque a Marjorie não gosta de mim? – a voz de Cass quebrou o silêncio do quarto. Não havia raiva, rancor ou irritação em seu tom de voz, apenas curiosidade.

Henry evitou suspirar e contar a verdade. Contar que Marge tinha desenvolvido uma paixão platônica por Rayssa que até então não tinha passado. Que o homem era uma ameaça para qualquer coisa que Marge quisesse com a garota. Como obviamente não iria falar nada daquilo, deu de ombros e soltou a melhor desculpa que podia.

— Ela é um pouco possessiva com os amigos. E também tem medo de que qualquer pessoa machuque a Ray. – no caso, aquilo era bem verdade.

— Eu nunca faria mal algum pra Ray – ele disse, mexendo na mala.

Henry deu de ombros de novo.

— Eu falo a mesma coisa com relação a Chris, mas ela não acredita. Marge só acredita nas coisas que ela acha. – comentou Henry – Mas fique tranquilo, uma hora ela vai desencanar e aceitar o namoro de vocês.

— Espero mesmo.

Henry assentiu, deixando os dois em silêncio novamente, o qual não durou muito, pois Marge chegou como um furacão para dentro do quarto falando para eles se arrumarem.

— Já arrumei uma festa para a gente, então se apressem.

Então saiu do quarto na mesma velocidade com que entrou. Cass arqueou uma sobrancelha para Henry e perguntou se era assim sempre.

— Se acostume. Ela vai nos arrastar para todas as festas e praias que puder.

Cass assentiu, rindo, e perguntou onde era o banheiro. Henry mostrou para o outro onde era e voltou para o quarto para escolher suas roupas.

Duas horas depois, todos já estavam prontos para sair, Ray tendo que ceder o volante para Marge, que obrigou Henry a ir no banco do carona. Não demoraram para chegar no destino deles, porém a boate a que iriam estava lotada, assim como a calçada com carros, fazendo com que tivessem dificuldade de estacionar.

— Desce vocês, eu vou arrumar uma vaga – disse Marge.

Todos assentiram, saindo do carro, menos Henry.

— Eu sei me cuidar, amor – falou Marge quando viu que Henry não saiu do carro.

— Eu sei que sabe. – rebateu ele – Só quero conversar com você.

— Se for sobre Rayssa e Cássio, não perca seu tempo.

— Não to fazendo nada mesmo – ele deu de ombros sorrindo desafiadoramente para a melhor amiga.

Marge revirou os olhos e deu partida no carro novamente.

— Você tem que parar de implicar com o Cass. Você sabe disso.

— Não sou obrigada a nada.

— Você vai acabar perdendo a amizade da Ray por causa disso. Desencana, miga. Ray é hétero, não vai querer nada com você.

Henry sabia que não era a escolha de palavras mais delicadas, mas Marge só funcionava assim, na base do tapa na cara.

— Chega.

— Você sabe que é verdade.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos.

— E a Danielle?

— O que tem ela?

— Não vai desistir da Ray para investir nela?

Eles pararam no sinal, fazendo com que Marge pudesse olhar firmemente para Henry.

— Desde quando investir em duas é crime? – ela arqueou uma sobrancelha – Você entende muito bem do assunto.

Henry semicerrou os olhos.

— Não acredito. Isso é totalmente diferente!

— Me diz onde é diferente. Porque pra mim você tá na mesma situação. – desafiou ela.

— Erick está longe. Não vou ficar sofrendo por ele. Não to investindo nele.

— Mas bem que você queria.

Ficaram em silêncio depois disso, Marge colocando o carro para andar novamente. Henry se surpreendeu quando ela quebrou o silêncio.

— Se ele tivesse em BH e vocês se encontrarem. – ela começou, os olhos na rua – O que você faria?

Henry demorou alguns segundos para pensar, mas finalmente disse:

— Manteria a maior distância dele possível. Não vou mais sofrer por ninguém. Muito menos por ele.

Marge assentiu, achando uma vaga e estacionando o carro. O silêncio caiu sobre eles novamente. E aquilo deixou Henry pensando se realmente faria o que estava dizendo.

[…]

Depois daquela conversa com Marge, Henry resolveu jogar tudo para o ar e tacou o foda-se pra tudo. Ignorou as mensagens de Chris, bebeu em todas as festas que foram e transou com quem deu na telha. Até Marge ficou surpresa com a atitude dele e o incentivou a continuar assim. Foram dias insanos, ele não tinha dúvida.

E, para o último dia que ficariam lá, Marge arrumou um luau para irem em uma das praias ali perto. Estavam muito cansados, mas não iam deixar isso impedi-los de aproveitar o último dia de carnaval deles.

Vestiram-se e rapidamente estavam no carro de Ray indo para a praia. Não tiveram dificuldade em estacionar, já que o local ainda não estava tão lotado assim. Henry nunca tinha ido à praia à noite, tinha que admitir que ver a água tão escura lhe dava um pouco de medo, mas mesmo assim tinha vontade de entrar. Alguns postes foram colocados ao longo da areia com luzes amarelas para iluminar o local. Uma fogueira fora colocada na areia também, em torno da qual algumas pessoas estavam sentadas conversando e bebendo cerveja.

Compraram suas bebidas e estenderam toalhas e cangas na areia para se sentarem. Uma música havaiana tocava ao fundo em algum carro de som ali perto, deixando o clima bem agradável.

— Só queria dizer que esse Carnaval foi surreal e que amo vocês – disse Karine levantando sua cerveja com um sorriso no rosto.

— Já tá bêbada, Rine? – riu Rayssa tomando um gole da sua long neck.

— Me respeita, mulher. Só to falando a verdade – ela deu de ombros.

— Um brinde ao melhor carnaval do mundo! – gritou Marge levantando sua cerveja também.

Eles brindaram e riram, começando a conversar aleatoriedades. O tempo foi passando, a praia foi enchendo e Henry se sentia tão bem que não queria mais sair dali.

— Aquele cara tem olhado pra você desde a festa de ontem – disse Cass sentando-se ao lado de Henry, deixando Rayssa conversando com Karine e Marge.

— Quem? – Henry franziu o cenho. Não tinha reparado em ninguém olhando para ele.

Cass apontou para um garoto alto e moreno, que desviou o olhar assim que Henry colocou os olhos nele. Era um garoto bonito, com cabelo negro bagunçado e olhos escuros que brilhavam com a luz do fogo.

— Nããããooo, é impressão sua – comentou Henry tirando os olhos do garoto.

— Olha de novo – Cass disse rindo.

Henry voltou o olhar rapidamente e… Realmente, o garoto estava o encarando, mas dessa vez, ao invés de desviar o olhar, ele continuou olhando para Henry, que também continuou encarando por alguns segundos. Henry abriu um sorriso para o outro, acenando com a mão de leve, fazendo-o sorrir de volta e desviar o olhar meio envergonhado.

— Okay, minha deixa para ter uma última transa – Henry deu de ombros tomando o resto da cerveja e levantando-se.

— Vai na fé, mano.

Henry assentiu com um sorriso para Cass e foi se distanciando dos amigos, indo em direção ao quiosque perto de onde o garoto estava para comprar mais uma cerveja. Comprou a bebida rapidamente e analisou o local parando os olhos no garoto, que o encarava novamente.

Aproveitando a deixa, Henry sorriu para ele de novo e caminhou de encontro ao garoto. Chegando perto, Henry ampliou o seu sorriso malicioso.

— Olha, a gente se encarou umas três vezes – começou Henry – Se isso não é um sinal pra gente se pegar, eu não sei qual é.

O garoto moreno soltou uma risada gostosa de ouvir. “Bingo”, pensou Henry.

— Essa não é a melhor forma de se chegar em alguém – comentou o outro, ainda com um sorriso no rosto.

Henry deu um gole na cerveja, dando de ombros.

— Pelo menos te fiz rir. Isso já é outro sinal pra gente se pegar.

Ele riu de novo, abrindo um sorriso logo em seguida.

— Emerson.

— Henrique.

[…]

Depois de se pegarem por um longo tempo, Emerson levou Henry para umas pedras que tinham ali perto para poderem ficar mais a vontade enquanto Emerson fumava. Ofereceu o baseado para Henry, que negou com a cabeça, preferindo continuar com a bebida. Tinham bebido bastante e dançado também antes de Emerson arrastá-lo até aquela pedra.

— Então… Henrique…— começou Emerson falando seu nome de um jeito malicioso. Ele soltou a fumaça para longe de virou-se para Henry – Você é de onde? Seu sotaque é tão bonitinho.

Henry soltou uma risada.

— Sou de Belo Horizonte. Minha amiga tem uma casa de praia aqui e tal – respondeu – E, por favor, pode me chamar de Henry.

Emerson o encarou por alguns segundos, com uma expressão que Henry não conseguiu decifrar. Ele parecia surpreso, mas Henry não tinha certeza.

— Você por um acaso conhece um cara chamado Erick Schneider? – perguntou Emerson, os olhos escuros voltados completamente para ele. – Por favor, diz que não.

Henry se retesou. Como aquele cara sabia sobre Erick? Era possível mesmo que os dois se conheciam? Se Emerson sabia o sobrenome de Erick, as chances eram bem grandes.

— Loiro, olhos castanhos, alto, super fofo – continuou Emerson e Henry sentiu um arzinho apaixonado vindo dele enquanto falava de Erick.

Henry continuou em silêncio, não sabendo muito bem o que responder. Então viu Emerson pegando o celular do bolso, mexendo por alguns segundos antes de virar o aparelho para Henry com uma foto de Erick sorrindo. Henry prendeu a respiração por uns segundos antes de soltar o ar.

— Você o conhece? – insistiu novamente. Henry não tinha mais saída.

— Sim, conheço… Costumava ser meu melhor amigo – aquelas palavras eram amargas em sua boca.

— Meu Deus… – Emerson parecia realmente surpreso agora. – Como o mundo é pequeno, puta que pariu.

— De onde você o conhece? – quis saber Henry.

Emerson tragou o baseado antes de responder.

— Nós jogamos vôlei no mesmo clube por um tempo – respondeu Emerson devagar. – Fomos amigos por um tempo, até um lance no colégio dele acontecer e ele simplesmente parar de falar comigo.

Henry viu aquilo como uma forma de conseguir descobrir o que diabos tinha acontecido com Erick.

— O que aconteceu?

Emerson o encarou com o cenho franzido antes de arquear uma sobrancelha.

— Pensei que você soubesse – comentou dando de ombros – Erick não parava um segundo de falar de você na época em que andávamos juntos.

Henry conteve o sorriso, mas tinha a impressão que tinha ficado levemente vermelho com aquilo. Pensar em Erick falando sobre si para outras pessoas lhe dava uma sensação estranha e boa ao mesmo tempo.

— Ele ficou estranho comigo do nada. Não sei o que aconteceu. Ele parou de falar comigo – Henry disse, poupando Emerson dos detalhes da história.

— Bem a cara dele fazer isso – ele abriu um sorriso triste.

Henry assentiu, olhando para as ondas batendo na areia ali perto.

— Vou te contar o que eu sei – disse Emerson depois de um tempo, prendendo a atenção de Henry. – Apesar de eu não saber muita coisa.

— Qualquer coisa é válida.

Emerson assentiu e começou.

— Nós começamos a conversar quando ele entrou no mesmo clube que eu. Tinha um garoto muito filho da puta e chato que ficava zoando a gente e enchendo o saco do Erick no colégio. Eu não estudava no Militar, mas nos víamos de vez em quando fora do clube. Ele falava tanto de você que chegava a ser muito irritante. – Emerson riu, Henry imaginou que deveria ser chato mesmo – Eu acabei me apaixonando por ele. Fazia de tudo para ele me notar como algo a mais, fazer ciúmes nele… Mas ele sempre voltava a falar de você. Eu era basicamente invisível para ele.

Henry se sentiu desconfortável ao saber daquilo.

— Não precisa ficar assim, a culpa não é sua de qualquer forma – deu de ombros, percebendo que Henry parecia inquieto. – Ele sempre foi meio inocente pra essas coisas. Nunca o via falar de nenhuma menina ou cara de maneira sexual e ele parecia mesmo nunca ter beijado na vida ou algo assim. Essa minha dúvida foi sanada quando um dia ele disse que estava confuso sobre a própria sexualidade e basicamente perguntou se a gente podia se beijar.

Henry arregalou um pouco os olhos, pois, apesar da personalidade extrovertida de Erick, ele não conseguia imaginá-lo beijando ninguém. Muito menos pedindo para outra pessoa algo assim. Okay, talvez ele conseguisse imaginar Erick o beijando, mas isso não era relevante no momento.

— Pois é. Quem diria que aquele cara gato pra caralho fosse praticamente BV – Emerson riu e Henry evitou demonstrar que não tinha gostado nem um pouco do “gato pra caralho” vindo dele. – Bem, depois disso que as coisas ficaram tensas. Ele simplesmente parou de falar comigo e quando eu fui perguntar o que tinha acontecido, ele me acusou de ter tirado fotos da gente se beijando e mandado para todo mundo do colégio dele, o que não fazia sentido, porque eu não estudava lá e muito menos tinha o número de alguém que estudava com ele.

“E se eu tava beijando ele, como tiraria fotos sem ele perceber? Não fazia o mínimo de sentido, mas ele mesmo assim me culpava por aquilo. Ele estava tão puto com o que tinha acontecido que não estava raciocinando direito. Toda vez que ele aparecia para treinar, eu tentava conversar com ele, tentar colocar algum juízo naquela cabeça dura, mas ele sempre me ignorava. Mandei mensagem, liguei, cheguei até a falar com a melhor amiga dele para dar um jeito de ele falar comigo. Mas nada adiantou. Então eu parei de correr atrás. Cansei daquilo. Mas, mesmo sem correr atrás, eu ainda o observava durante os treinos e via que ele estava diferente. O brilho dele tinha se apagado. Você o conheceu mais que eu, sabe como Erick era uma pessoa incrível, que chamava a atenção mesmo sem querer… Ele perdeu tudo isso. Comecei a perceber que ele faltava alguns treinos e em outros, parecia que estava escondendo alguma coisa. Antigamente, ele não se importava em trocar de roupa na frente de ninguém, mas, depois desse acontecimento, ele era sempre o último a entrar no vestiário. Erick mudou muito e eu fiquei muito triste com isso, pois estava sendo culpado por algo que não tinha feito e tinha perdido alguém que eu gostava muito.”

Emerson deu uma pausa na história pra jogar o baseado fora e pedir um gole da cerveja quente de Henry. Ele até tinha esquecido a bebida em sua mão.

— Depois de uns dois meses, ele saiu do clube. Perguntei pra Amanda, a melhor amiga dele, o que tinha acontecido e ela falou que o pai dele tinha colocado ele em outro clube. – continuou – Então não tive mais notícias dele até algumas semanas atrás. Eu disse pra mim mesmo que iria ligar uma última vez e, se ele não atendesse, eu iria desistir. Pra minha surpresa, ele atendeu.

“Dava pra perceber que ele ainda estava puto e me culpava por aquela história, mas, por alguma força boa do universo, eu consegui fazer com que ele me encontrasse pra eu falar algumas coisas. Nos encontramos. Disse que não tinha sido eu quem espalhou as fotos, que não fazia sentido e essas coisas. Falei que estava apaixonado por ele, mas sabia que nunca ia rolar nada por ele gostar de você.”

Henry arqueou as sobrancelhas, surpreso com aquilo.

— Não se faça de tonto, você sabe muito bem que ele é louco por você. – disse Emerson revirando os olhos. – Ele bateu o pé dizendo que não gostava de você desse jeito, que na verdade odiava você. Mas qualquer pessoa da face da Terra ia perceber que ele estava mentindo.

“Preferi deixar aquilo de lado, que não importava de quem ele gostava e tal. Depois disso, ele pareceu aceitar minhas palavras. Pediu desculpas pelas atitudes dele. E ele acabou contando que as fotos foram parar nas mãos do pai dele e que as coisas não tinham ficado boas lá. Não sei exatamente o que aconteceu, mas eu chuto que o pai dele agrediu ele.”

Henry engoliu em seco. Um turbilhão de coisas lhe passando pela cabeça. Fazia sentido o pai ter batido nele ao ver fotos dele beijando outro garoto. Lembrava-se que o pai de Erick nunca gostou muito de si, sem contar que lembrava també o quão machista e conservador o mais velho era. Henry estava agoniado com aquilo, pois sentia que tinha mais coisas, queria mais detalhes. Queria saber de tudo que Erick tinha passado nesse período.

— Desde então eu não sei de mais nada dele. – terminou Emerson. – Não sei o que aconteceu, mas ele pediu um tempo para colocar a cabeça no lugar. Eu respeitei o espaço dele, não o perturbando. Só espero que algum dia ele volte a dar notícias.

Henry assentiu, não sabendo mais o que pensar sobre aquilo. Aquela história tinha lhe dado uma nova esperança de que poderia ajeitar as coisas com Erick. Mas, se ele ainda estava no Rio de Janeiro, não tinha como resolverem a situação, Henry não queria conversar sobre isso por telefone.

— É meio estranho né? – disse Emerson de repente – Que a gente tenha se apaixonado pelo mesmo cara e tenha se pegado.

Henry forçou um sorriso. O mundo era mesmo pequeno.

— Sim, muito estranho.

[…]

Desde o dia que Nathália o tinha intimado a ir para Ouro Preto com ela e Douglas, Erick tentava se manter otimista e animado para ir. Porém não estava nem um nem outro. Ele só queria passar o Carnaval lendo ou vendo séries, até porque seus livros não se leriam sozinhos, nem as séries se assistiriam por mágica. Tinha que se manter atualizado.

Mas mesmo assim foi, não queria decepcionar a irmã no final das contas. E também sua psicóloga disse que seria ótimo para ele sair, conhecer outras pessoas e respirar novos ares.

Ouro Preto não era tão longe de BH, então a viagem foi bem rápida. Erick se encantou com o local, pois só tinha visitado Petrópolis de cidade história e Ouro Preto era um tanto diferente do outro local. Era tudo antigo e bonito, as ruas eram todas em paralelepípedos e até as lojas mais tecnológicas tinha uma fachada antiga para não destoar do resto da cidade.

Nathália insistiu para que dessem uma volta para conhecer a cidade antes de irem para a república de Douglas. Então assim fizeram, Doug dando uma de guia turístico para a namorada e o cunhado.

— Aquela lá é a UFOP – apontou Douglas para um amontoado de árvores ao longe. – Ela fica separada pra não “estragar” a imagem histórica da cidade. Parece longe, mas não é tanto assim.

Caminharam quase a tarde inteira. Dava para ver nitidamente que a cidade estava se preparando para o carnaval. Almoçaram em um restaurante qualquer e foram para a república só de noite. Doug já chegou cumprimentando todos os colegas com que dividia a moradia, apresentando Nathália para os outros com um orgulho palpável. Se o que Douglas sentia por Nathália não fosse amor, Erick definitivamente não sabia mais o que amor era.

— Cara, tem uma festa na república feminina no final da rua hoje de noite. Vocês animam, né? – perguntou um dos colegas de Doug.

— Nós estamos meio… – começou Douglas, mas Nathy logo o interrompeu.

— Mas é claro que animamos!

Erick só queria cair na cama e dormir, mas ele sabia que Nathy iria arrastá-lo para a festa. Não deu outra, 22h estavam sendo arrastados por Nathy até o final da rua, acompanhados de alguns colegas de Douglas.

Já começaram tomando cerveja atrás de cerveja, algumas pessoas já estavam alegrinhas e cambaleantes, mas nem por isso deixavam de se divertir. A música tocava alto e várias pessoas dançavam na sala de estar da república.

Fizera amizade com um cara chamado Caio, que era super animado e só estava lá pela bebida, assim como Erick. Os dois beberam a noite inteira, participando de vários jogos com bebida. Erick tinha que admitir que nunca tinha se divertido tanto numa festa como estava se divertindo naquele momento.

Estava bêbado, mas Caio não o deixava ficar chorando pelos cantos como às vezes acontecia quando bebia. Erick ria das idiotices do garoto e acabava entrando na onda, rindo até a barriga doer.

Em determinado momento da festa, duas meninas, também bêbadas, chegaram perto dele e de Caio, uma delas agarrando o cara sem nenhuma cerimônia. Erick olhou a cena com os olhos arregalados, mas logo soltou uma gargalhada. Caio agitou a mão, claramente mandando-o calar a boca e ir fazer o mesmo com a amiga da garota que estava com ele.

— Podia ser a gente, mas você tá longe de mim – disse a garota com um sorriso bêbado.

A cabeça de Erick girava, sua visão estava turva e ele não sabia mais o que estava acontecendo direito. Não demorou muito para a menina agarrá-lo, atacando seus lábios com selvageria.

Erick não fez esforço nenhum para se desvencilhar da garota, apenas se entregou ao momento, sem nem pensar direito. Beijaram-se desajeitadamente, já que Erick não sabia beijar direito e, além de tudo, estava bêbado. Não tinha experiência no assunto, não podia fazer nada com relação àquilo.

— Usa mais a língua – disse a garota se separando rapidamente dele. Erick obedeceu o comando, colocando mais a língua na boca da garota quando ela voltou a beijá-lo.

Ele não sabia onde colocar as mãos, então ficou apenas segurando a cintura da garota enquanto ela passeava com as próprias mãos em seu corpo, causando arrepios na pele de Erick.

— Você é santinho demais, pode passar a mão. – ela comentou com um sorriso quando se separaram. – Se você não fosse tão gato eu já teria te largado.

A única reação de Erick foi rir. Então ela começou a dançar com ele, rebolando na frente de Erick e se esfregando nele. Ele não sabia muito bem como reagir, mas ela logo fez aquilo por ele, colocando as mãos de Erick na sua bunda. Ele não fez nada, apenas deixou que a garota comandasse a situação e por causa disso, não demorou muito para ela arrastá-lo para o andar de cima, agarrando-o ali mesmo no corredor.

Ela tirou uma chave do bolso dos shorts e destrancou o quarto, puxando Erick para dentro do cômodo e o trancando novamente. Ela atirou Erick na cama, subindo em cima dele e o beijando rapidamente.

No meio do fogo, ela foi tirando a camisa de Erick e depois se desfez da própria. As mãos da garota pegaram as de Erick, colocando-as em seus seios, já que estava sem sutiã. Erick apenas deixou as mãos lá, sem fazer nada.

Então as mãos dela desceram para o tronco despido de Erick, acariciando cada pedaço de pele, chegando até o cós da calça dele. Ela saiu um pouco de cima, desabotoando a peça e puxando-a para abaixo.

— Você não tá excitado – ela disse, parando de repente. – Eu não to te excitando?

— O quê? – perguntou Erick totalmente desnorteado.

— Já sei o que fazer.

Então ela desceu a cueca de Erick e simplesmente colocou seu pau na boca. Erick soltou um gemido de surpresa, mas não sabia o que fazer naquele momento, então deixou que a menina o chupasse. Aos poucos foi ficando duro, mas aquilo não estava nem um pouco bom.

Quando pareceu satisfeita, a menina tirou o próprio short e a calcinha, pegando um pacote de camisinha na mesinha de cabeceira ao lado da cama. Ela colocou a camisinha em Erick após tirar completamente sua cueca. Subiu novamente em cima dele, roubando um beijo antes de afastar o rosto e sorrir.

— Quero que você me foda com força.

— Quê?

Sem falar mais nada, ela pegou o pau de Erick, direcionando-o para sua intimidade.

— O que você tá fazendo? – Erick teve um estalo de sobriedade.

Memórias vieram em sua mente. De coisas que fora obrigado a fazer. De coisas ruins que fizera com outras pessoas. Memórias que ele se esforçava para deixar no fundo de sua mente.

Lágrimas começaram a sair de seus olhos e, com um movimento desajeitado, ele tirou a menina de cima de si, levantando da cama cambaleante.

— Você é gay ou o quê? – ela gritou – Eu to aqui querendo dar pra você e você tá chorando?!

— Desculpa, não posso fazer isso – ele disse, uma dor de cabeça o atingindo com força.

— Sai daqui. – a voz da menina parecia chateada e com raiva. – SAI DAQUI!

Erick vestiu-se, desajeitado, e saiu do quarto rapidamente, deixando a garota. Ele respirou fundo, tentando conter as lágrimas e os pensamentos ruins. Achou um canto onde não tinha ninguém, então se sentou lá, sozinho com suas memórias.

Ele só queria que aquilo nunca tivesse acontecido.

[…]

No dia seguinte, Erick tinha contado para Nathália o que tinha acontecido na festa.

Ela ficara tão preocupada com ele que nos dias que se seguiram, não saía de perto dele nem por um decreto. Ficava perto dele em cada copo de bebida que ele tomava e sempre o carregava junto com Douglas de volta para a república, cuidando dele até ele pegar no sono.

Com isso, nenhuma garota ousou chegar perto de Erick novamente e ele se sentiu aliviado com aquilo. Definitivamente não gostava de ser tocado por mulheres, não gostava de beijá-las. Ele só queria beber e ficar de ressaca no dia seguinte sem se preocupar com mais nada.

Participaram de vários blocos que tiveram na cidade. Fantasiavam-se e iam para a rua beber, dançar e cantar. Tinha sido divertido e Erick tinha esquecido o ocorrido do primeiro dia com aquilo.

No último dia da viagem, os caras da república de Douglas anunciaram que já tinham planejado fazer uma festa e chamar toda a cidade para lá. Até então, Douglas não tinha sido notificado quanto àquilo, estava planejando levar Nathy e Erick para outro lugar, mas como os caras já tinham vendido ingressos, Douglas foi obrigado a ficar para ajudar. E como um dos que estava habitando temporariamente o local, Erick teve que ajudar na organização.

Fora um dia corrido, mas, quando viu a casa um tanto mais arrumada e decorada com enfeites de carnaval, Erick ficara orgulhoso, pois tinha feito o trabalho junto com Nathy.

Quando estava chegando próximo do horário da festa, Erick foi tomar banho e trocar de roupa. Estava até animado para a última festa de que participaria. Tinha gostado demais do tempo que passou lá, das coisas que fizeram e o ocorrido com aquela garota já não passava de uma lembrança sem importância na cabeça de Erick.

As pessoas foram chegando. As bebidas eram pegas no freezer e a música tocava alta em algum canto da casa. O quintal foi ficando lotado, fazendo com que as pessoas passassem a ficar dentro da casa também, ocupando apenas o primeiro andar.

Erick estava conversando e bebendo com Caio e Nathália no quintal quando ouviu uma voz um tanto familiar.

— Se não é meu viadinho preferido!

Erick virou-se rapidamente, estagnando ao reconhecer a figura ali parada atrás de si com um sorriso debochado no rosto.

— Não imaginei que veria você de novo, seu bostinha – disse Roní.

— Sai daqui, seu idiota – disse Nathália, colocando-se entre o irmão e o garoto alto.

— Não basta aquela vadiazinha da Amanda pra te defender, tem que ter essa daí também? É um viadinho mesmo.

Erick trincou os dentes, colocando Nathália atrás de si.

— O que você quer, seu merda? – disse Erick sendo tomado pela raiva.

Roní deu de ombros, tomando um gole da cerveja.

— Nada. Só to surpreso por você estar vivo depois do lance das fotos. Achei que seu pai iria te matar depois daquilo. – ele riu.

Todos tinham parado o que estavam fazendo para ver a confusão. Erick tinha os punhos cerrados, tentando controlar a raiva que crescia dentro de si. Ele tentou não desabar diante da provocação, até porque quase morrera mesmo nas mãos do pai por causa daquelas fotos.

— Tenho que admitir que foi meu melhor trabalho.

Então tudo fez sentido.

Nunca tinha passado na cabeça de Erick que Roní poderia ter feito aquilo. Na verdade, nem se lembrava mais do menino diante de tanta merda que lhe acontecera. Mas ali estava ele, admitindo o que tinha feito, praticamente admitindo que o queria morto pelas mãos do pai.

Roní tinha estragado completamente sua vida.

Erick não conteve a raiva que subiu. Dias sofrendo nas mãos do pai não por causa de Henry, mas por causa de Roní.

O outro foi pego desprevenido quando Erick partiu para cima dele, derrubando-o no chão e começando a lhe socar a cara. A raiva cegava Erick de um jeito que ele não sabia que era possível. Queria descontar todos os dias de sofrimento naquele ser infeliz que tinha acabado com sua vida.

— Você é um desgraçado – gritou Erick.

Roní conseguiu segurar o punho de Erick, torcendo seu braço, lhe tirando um grito de dor. Impulsionou seu corpo para cima, fazendo com que as posições fossem trocadas e começou a desferir socos na cara de Erick. Ele tentava desviar, mas Roní era mais forte que ele.

— Eu fiz o favor para você, seu viadinho. – gritou na cara de Erick. – Se seu pai te bateu, você mereceu! E merece coisa muito pior.

Erick escutava ao fundo os gritos de Nathália pedindo por ajuda, mas parecia que ninguém iria salvá-lo naquele momento. Então, o que podia fazer era tentar aguentar, tentar desviar. Apanhara tanto na vida que aquilo não parecia nada demais. Sentia o sangue escorrendo de seu rosto, sentia o peso de Roní sobre si, as costelas sendo esmagadas pelas pernas do outro.

Depois de alguns minutos apanhando, sentiu um alívio. Não sentia mais dor dos socos e também não sentia mais o peso de Roní sobre si. Levantou-se rapidamente, cambaleando um pouco e tocando o rosto, vendo o sangue nos dedos. Douglas e mais dois meninos seguravam Roní, que tentava se desvencilhar deles.

— Você merece! – ele gritou para Erick.

Não pensando muito, Erick aproveitou que Roní estava sendo segurado e lhe desferiu um soco no estômago e depois uma joelhada no rosto quando este se curvou para frente por conta da dor.

— Erick, para! – gritou Douglas largando Roní e indo afastar Erick do outro. – Não vale a pena, cara.

— Ele destruiu a porra da minha vida! – gritou Erick se contorcendo nos braços de Douglas, que lhe segurava firmemente. – Eu vou matar esse desgraçado!

— Não vale a pena, Erick! – Douglas gritou de novo. – Vocês dois, tirem esse filho da puta daqui. Nathália!

Erick estava concentrado demais em tentar sair dos braços de Douglas para acertar mais uns socos em Roní quando Nathy apareceu diante de si, a expressão totalmente alarmada e assustada.

— Erick, por favor, para. – ela disse baixinho, a voz controlada.

Erick se contorceu mais um pouco, mas foi se acalmando quando Nathália colocou as mãos em seu rosto, os olhos lacrimejando.

— Por favor…

O coração de Erick batia acelerado no peito. Sua respiração estava ofegante e ele sentia dor nas costelas e no rosto. Nathália foi sussurrando baixinho coisas para ele, dizendo que não valia a pena, que já tinha passado e que agora a vida ia ser diferente. Ele foi se acalmando com isso e foi solto por Douglas quando este percebeu que Erick não faria mais nada.

Nathy lhe envolveu em um abraço apertado.

— Tá tudo bem, bebê. Ta tudo bem – ela sussurrou.

Ele assentiu com a cabeça, abraçando-a de volta.

Nathália o conduziu para dentro da casa para tratar de seus machucados. Erick ouviu Douglas mandando todo mundo cuidar das próprias vidas e depois apareceu no banheiro com uma caixa de primeiros socorros para Nathália.

— Eu quero ir embora. – sussurrou Erick de cabeça abaixa enquanto Nathy passava remédio nos nós de seus dedos que estavam machucados.

— Nós vamos embora, amor – ela disse. – Amanhã cedinho vamos voltar, okay?

Ele assentiu, segurando as lágrimas que ameaçavam sair. Respirava fundo, os olhos fechados enquanto sentia os dedos delicados de Nathy em sua pele, cuidando de seus ferimentos. Sentia a presença de Douglas ali perto.

— O que ele quis dizer com aquilo? – perguntou ele depois de um tempo.

Erick levantou a cabeça, olhando para Nathália, que ficou com uma expressão estranha no rosto.

— Você não contou a ele? – perguntou Erick.

Nathy não disse nada.

— Contou o quê? – perguntou Douglas.

— Doug, agora não. – comentou Nathália baixinho.

— Porque você faz isso? – perguntou ele com um tom de voz triste. – Eu só queria saber o que aconteceu com você. Sei que algo de errado…

— Depois eu conto, Douglas – ela virou-se para o namorado com um tom de voz irritado. – Por favor.

Ele encarou a namorada por alguns segundos. Percebendo que aquele “Por favor” queria dizer mais um “vai embora”, ele deixou os irmãos no banheiro. Erick não sabia se era por raiva ou para dar espaço aos dois, mas de qualquer forma, ficou curioso com a situação.

— Porque não contou pra ele? – Erick quis saber.

Nathália voltou os olhos esverdeados para os castanhos de Erick. Sua expressão estava fechada e séria.

— Tem coisas que ele não precisa saber. Não agora pelo menos. – ela disse com convicção e voltou a cuidar das mãos de Erick.

Ele assentiu minimamente, concordando que certas lembranças era melhor simplesmente esquecer.

Notas finais
Então amores? O que acharam do capítulo? Espero que tenham gostado e que tenha compensado os meses de demora haha Mandem comentários para eu saber o que vocês acharam! Muito obrigada a todos que estão aqui lendo. Muito obrigada pra quem me perturbar no Whats querendo capítulo novo haha AMO VOCÊS ♥ ADQ TEM UM GRUPO NO WHATSAPP! SE TIVER INTERESSADO EM ENTRAR, ME PASSE SEU NÚMERO COM O DDD POR MP Vou tentar voltar com a programação normal, ou seja, de 15 em 15 dias u.u Nos vemos nos comentários! Ghost Kisses ~Marceline