Além da Morte
10 Capitulo 10
Notas iniciais
POV Bella.
Meus olhos se fechando. Um sorriso em meus lábios. Um corpo gelado em cima do meu. Soluços. Respiração ofegante. Um amor incondicional. A escuridão total. Coração parando de bater.
Isso se repetia várias e várias vezes em minha mente, como um mantra a ser seguido e nunca esquecido. Mas do que se tratava ele? O que era aquele corpo gelado? Aquela sensação de paz em meu ser? Meu coração parando de bater... Pera, se meu coração parou de bater, como... Como estou ofegante?
Somente ali percebi que meu peito estava subindo e descendo num ritmo descontrolado. Meu coração voltou a acelerar como nunca e minha mente estava confusa. O que aconteceu? Quem de fato eu sou? Onde estou?
Um desespero logo tomou conta do meu ser. Abri os olhos rapidamente e um grito saiu por entre minha garganta. Minha cabeça doia, não conseguia me recordar de nada, de como vim parar no meio daquela mata, de onde surgiu aquela roupa, o motivo de tamanho estranhamento.
— Ah! – Levantei gritando e me assustei ao olhar em minha voltar. Sozinha!
— Você não está sozinha. – Uma voz tranquila e amorosa falou atrás de mim. Levantei-me rapidamente e dei de cara com uma linda mulher. Cabelo liso e negro, que ia até abaixo do seu ombro. Ela tinha um sorriso acolhedor e sereno. Vi-me fascinada por sua face angelical.
— Quem... Quem é você? – perguntei assustada. – Eu... Eu estou morta? Você é um anjo?- Questionei o obvio.
— Não, claro que não minha pequena. – Deu um passo para frente e logo eu dei dois para trás. – Eu não vou lhe machucar, por favor, deixe-me chegar perto de você! – Pediu com a voz sofrida. Ela voltou a andar e eu me mantive no lugar. Ficou a um passo e ergueu sua mão até meu rosto e o acariciou. – Minha pequena, como está linda. – sorriu emocionada. – Você cresceu tanto e tão rápido. – comentou enquanto lágrimas rolavam pela sua face.
Olhei-a assustada e rapidamente sequei suas lágrimas, não sei por que, mas eu não suportei vê-la chorar. Ela sorriu e me abraçou fortemente.
— Eu te amo tanto minha filha, não sabe como fez falta! – Fiquei em choque, como assim “Filha”?
— Eu creio que você esteja equivocada, eu não posso ser sua filha... – a olhei incrédula. Separei-me e fiquei o máximo de distancia possível. Quem era aquela mulher? Por que sentia um sentimento diferente por ela? Por que o instinto de proteção? Qual era o do “filha”?
— Olhe em meus olhos, tenho certeza que você os reconhece. – sorriu carinhosamente para mim. Olhei dentro dos seus olhos e me vi ali, eles eram idênticos aos meus. E, além disso, eles me eram familiar, muito familiar. – Seu cabelo e seu jeito são muito parecidos com o seu pai, mas o resto você puxou de mim, minha menina. – voltou a me abraçar, só que dessa vez eu retribui. Não estava assimilando muito bem. Mas algo me dizia que ela era confiável, que poderia confiar minha vida em suas mãos que seria muito bem protegida.
— Mãe... ?– me apertou ainda mais quando falei tal palavra. Um amor nunca sentido por mim surgiu ali, no meu peito. Aquele amor intenso.
— Vamos ficar todos juntos agora, eu prometo. – nos separou e pegou em minha mão. – Vamos, seu pai e nossa família querem lhe conhecer. – sorri minimamente para ela e a segui. Mesmo não a conhecendo direito eu tinha um forte sentimento de confiança nela.
Chegamos a uma casa enorme, quase uma mansão. Ela apertou minha mão e sorriu para mim. Abriu a maçaneta e demos de cara com 5 pares de olhos nos olhando com expectativa, emoção, felicidade e... Por mais estranho que pareça, amor... Eles pareciam realmente gostar de mim.
— Filha, esse é seu pai, Damon Salvatore. — Meu “pai” era lindo, seus olhos azuis eram perfeitos e seu corpo era escultural. Ele parecia ser bem durão e mal, mas foi só me ver que sorriu abertamente e me abraçou firmemente, como se isso dependesse para sua sobrevivência. Falou coisas que nunca imaginaria ser pronunciada por ele.
— Não sabe como é bom tê-la em meus braços novamente, minha menina! – sua voz estava emocionada. – Eu te amo, por favor, espero que não tenha se esquecido disso, mas se sim farei questão de lembra-la todos os dias! – beijou carinhosamente minha testa e foi inevitável não retribuir. Sentia-me segura e muito protegida em seus braços. Uma sensação nova para mim.
— Essa é minha esposa, Katherine. – Olhei meio sem entender. Além de meus “pais”, é difícil me acostumar com isso..., não serem casados, minha... Madrasta? Bom, ela era idêntica a minha mãe, uma cópia perfeita, exceto pelo cabelo. O dela era maior e cacheado.
— Ela que é minha cópia! – Olhei assustada para ela. Como ela... – Podemos ler mentes. – Um sorriso malicioso brotou em meus lábios. – Ela é mesmo sua filha Damon, não tem como negar. – Me abraçou delicadamente e beijou meu rosto. – E não precisa me chamar de madrasta, quando você era menor costumava nos chamar – apontou para Elena. – de mamãe. Sei que você não é mais criança, mas pode me chamar assim, eu não me importo. – Seus olhos chocolates me olhavam com carinho. – Mas não se preocupe, se achar desconfortável pode me chamar de Kathy, você que me deu esse apelido. – Riu e sorri.
Logo depois foi a vez de conhecer meu “tio/padrasto” – essa família é complicada, heim? – Ele tinha lindos olhos verdes e um corpo na medida perfeita, não tanto quanto do meu “pai”, mas...
— Seja bem vinda novamente à família, Isabella. –Stefan me cumprimentou com um abraço e um beijo, exatamente como a Katherine fez. – É bom ter nossa princesa em casa novamente. – sorriu lindamente para mim. Um sorriso encantador deve-se admitir. – E como a Kathy falou – brincou com o seu apelido. – você não nos diferenciava, eu e Damon somos seus pais, mas claro que se você se sentir mal, afinal de contas você esteve longe de nós por muito tempo, pode me chamar de Stef, você era boa de apelidos, devo confessar. – Todos riram.
— Obrigada. – agradeci um pouco tímida.
Logo depois eles me apresentaram a Bonnie, e devo confessar, fiquei assustada quando me disseram que ela era uma bruxa, e ah, ela era minha “madrinha”.
— Você está linda Bella, realmente uma mistura perfeita de seus pais. Para alguma coisa o Damon serviu. – Rimos de sua implicância. – Estou muito feliz em vê-la novamente, se tornou uma linda mulher. – beijou minha bochecha e eu corei... Eu corei?
Ela riu desse ato não controlado de meu corpo e logo em seguida veio Matt, e olha ai mais uma confusão, ele era ex da minha “mãe” e atual de minha “madrinha”...
— Olá Bella, espero que seja tão feliz aqui quanto estamos por vê-la e tê-la novamente. – sorri agradecida. Ele também era um vampiro.
— Bom, só falta o Jeremy e sua mulher, Anna. – Minha... Mãe, acho que vou demorar muito para me adaptar a chamar uma mulher da minha idade de mãe, falou. – Jeremy é meu irmão mais novo, não biológico, mas fomos criados como tal. – Explicou. – E se não se sinta pressionada, pode me chamar de Elena. – Falou tranquilamente, mas eu sentia que ela ficaria triste se a chamasse assim.
Mas algo me dizia que havia coisa errada ai. Charlie. Recuei deles e me coloquei em posição de defesa. Olharam-me sem entender.
— Quem são vocês? Quem são de fato vocês? – Perguntei quando enfim caiu a ficha. – Meu pai é Charlie, minha mãe é a vadia da Renée. Não tenho mais parentes, apenas Jacob Black, que considero um irmão! – Elena distorceu aquele sorriso em um careta. Damon bufou de raiva e Kathy riu.
— Vadia da Renée? – riu ainda mais.
— Charlie é meu primo, Isabella. – Elena começou a falar. – Eu... Eu acho que devemos uma história a você.
— Bom, concordo plenamente com você, “mamãe” – Falei um pouco sarcástica e Damon não sabia se sorria orgulhoso ou se me repreendia com os olhos.
— Vamos lhe contar sua história. – Stefan garantiu, mas foi Elena que começou a falar.
— Eu e Stefan namoramos a mais de 23 anos. Éramos felizes, apesar de tudo que estávamos enfrentando, conseguíamos nos aproveitar. – Suspirou e teve o apoio do marido. – Mas nem tudo é rosa e nosso namoro também passou por altos e baixos. Foi logo depois de completarmos dois anos de namoro que tudo aconteceu...
A olhei em expectativa e aguardando mais informações.
— Quando briguei com Stefan, há 19 anos, acabei usando Damon para descontar minha dor e raiva. Tivemos uma noite de sexo, apenas isso. – se justificou. – Mas nesse “apenas sexo” você foi gerada. – Damon suspirou e logo foi abraçado pela sua esposa. – Quando descobri que estava grávida eu não me cabia de felicidade, eu teria uma filha, uma parte minha, e na época, do Stefan. – quase lamentou. Senti uma dor no peito. Uma dor de negação, novamente uma ‘mãe’ que não me amou. Abaixei a cabeça e esperei o resto. – Mas quando estava no sexto mês de gravidez descobri que você era filha do Damon. – fechou os olhos e deixou algumas lágrimas escorrerem por sua face. – Eu fiquei com nojo de mim mesma ao perceber a burrada que eu havia feito e as consequências dela. – me senti pior ainda ao ouvir isso. – Eu quis abortar, mesmo estando com seis meses eu não a queria mais. Você era um fruto de minha traição e eu me sentia péssima por isso. – confessou.
— E por que não o fez? Seria um peso a menos na sua vida! – Falei entre dentes. Elena deixou suas lágrimas rolarem por seu rosto e logo continuou.
— Filha... – Suspirou. — Stefan disse que lhe criaria como se fosse sua, que seria amada como tal. – Olhei para ele que sorriu carinhosamente. Stefan a acariciou e ela prosseguiu. – Eu fui relutante até o final, eu queria me livrar de você. – Não seria uma novidade para mim... – Mas ao ver seu rostinho, sua boquinha, seus olhos... Ah! Eu me rendi completamente e quase me matei por ter pensando tantas asneiras sobre você.
Saiu do aperto do amado e andou até onde eu estava. Meus olhos a olhavam com dor. Ela acariciou perto deles e beijou minha testa com tanto carinho que acabei relaxando. Ela me abraçou com cuidado e inspirou fundo.
— Meu maior erro foi ter pensado aquilo sobre você, meu bebe. – ri levemente. – A parti do segundo que esteve em meus braços e pude ver como era... Meu amor, o sentimento maternal aflorou em mim. Um instinto de proteção tomou conta do meu ser. Eu a queria para sempre ao meu lado. Eu queria dar-lhe o amor que neguei durante toda a gravidez. – Olhei em seus olhos e vi que falava a verdade. Emocionei-me e acreditei em suas palavras.
— Agora entendo o porquê de ser abandonada pela minha ‘mãe’ Renée, por ter nos trocado quando eu tinha apenas dez anos de idade como se eu não significasse nada em sua vida. –Senti uma lágrima escorrer por meu rosto e Elena logo a secou com cuidado.
— Eu nunca faria isso, meu amor. – Mas outra perguntou se formou em minha mente.
— Por que me abandonaram então? – Suspirou.
— Vivemos um ano e meio de pura alegria e felicidade. Damon se mostrou um pai atencioso e muito presente em sua vida, Stefan também tinha sua vez, te amava tanto quando eu e Damon junto. – riu. – Mas Klaus estava atrás de mim, ele me queria para um ritual, o qual não merece atenção agora. – pulou essa parte. – Eu tinha que lhe proteger, de alguma forma, mas tinha. – olhou em meus olhos e prosseguiu. – Charlie era um primo de segundo grau de minha mãe, ele era casado há dois anos, mas sua mulher não podia ter filhos. Fui desesperada até ele e pedi que cuidasse de você, e foi com o coração completamente partido que a deixei sob os cuidados do Chefe Swan. – Sequei suas lágrimas com cuidado e a abracei carinhosamente. – Eu contava os segundos para poder lhe ver novamente, para lhe abraçar, beijar e poder lhe dizer o quanto te amava. – tremeu em meus braços. – Ah Isabella, minha linda Bella, senti tantas saudades. – beijei seu ombro e nos separei. – Perdão, eu só lhe peço perdão pelas coisas que pensei sobre você e por ter lhe deixado, mas não podia coloca-la em perigo, não quando ainda era um bebê.
— Bom, seus pensamentos sobre mim mudaram? – brinquei e ela sorriu com algumas lágrimas nos olhos. – Se sim esta tudo bem, foi por uma causa maior. – beijou minhas mãos.
— Obrigada filha, muito obrigada!
— Mas te chamar de mãe... – Assentiu como se entendesse. – Não é como está pensando. É apenas difícil... Fiquei constrangida de fala o por que.
— Por... – Matt incentivou.
— Só que é difícil chama-la de mãe sendo que aparentemente é da minha idade, ou se não, mais nova. – ela riu e eu fiquei ainda mais constrangida. – Isso vale para o Sr. também. – Apontei para o Damon.
— Oh pequena, se você soubesse minha idade nem de vô me chamaria. – relaxei um pouco. Ele veio até onde eu estava e me abraçou carinhosamente. – Você terá todo o tempo do mundo para se acostumar conosco. – Sorri para ele.
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