Notas iniciais
Hey gente >

POV. Bella.

Os Salvatore são legais. Damon carinhoso e sexy. Stefan cuidadoso e bondoso. Elena... Elena era uma pessoa que sempre ficava nervosa ao meu lado, creio que com medo de uma possível rejeição ou de achar que está forçando a barra. Mas fora isso ela é perfeita! Uma excelente amiga e tão maternal que é impossível não reconhecer que é minha mãe. Aquilo sim é mãe! Kathy é a alma gêmea do Damon, safada e muito sexy, mas sem deixar de ser carinhosa comigo. Bom, meus “pais” são gente boa.

Passamos apenas mais um mês naquela casa e logo nos mudamos, e nos mudamos e nos mudamos. Havia alguns anos que eu estava com eles, muitos anos. E aos poucos ia me acostumando e me enturmando. Não passávamos de 6 ou 7 anos na mesma cidade, e de preferencia, no mesmo país.

Com esse tempo eu fui me acostumando com eles e mais que aprendi a chama-los de pais. Mas cada um era diferente, um diferente que era bom, um completava o outro, por exemplo:

Damon era mais liberal, amava fazer tudo que eu queria só para me ver feliz, mas Stefan colocava limites e era rígido em alguns casos. Damon era muito ciumento e não dava o braço a torcer, sempre que um garoto se interessasse por mim ele o fazia mudar de ideia. Mas Stefan sempre dizia que um dia eu iria encontrar a pessoa certa e que ela lutaria por mim e enfrentaria a fera que Damon Salvatore era. Stefan era meu pai conselheiro e Damon meu pai aventureiro, ambos se completavam e me fazia ter os melhores pais do mundo.

Katherine, ou Kathy, era a mãe que amava uma farra e sempre me levava numa boate, ela era muito parecida com meu pai D – uma forma de diferencia-los um pouquinho. – Exceto por ela me incentivar a ficar com os garotos... Já deu para perceber que isso nunca dava certo, não é?

Elena era uma mãe zelosa, carinhosa e amorosa. Eu não tinha nada para reclamar dela, muito pelo contrario, só tenho elogios. Elena era calma e compreensiva comigo, às vezes eu dava uma de criança mimada e pedia para que ela dormisse comigo. EU SEI, coisa de criancinha, mas era tão bom dormir em seus braços, era ali que eu tinha os melhores sonhos.

Mãe Kathy também tinha sua vez, adorava dormir com ela quando tinha pesadelos, ela me fazia rir em vez de chorar. Mandava-me contar o sonho inteiro e ameaçava cada pessoa que eu citava. Elena sorria sempre que me via com Kathy, apesar das suas desavenças no passado eu as unia. Elas eram unha e carne quando se tratava em proteger seu “bebê”. Elas eram as melhores mães do mundo!

Parece brincadeira, mas imaginar um mundo sem ter os Salvatore comigo é algo completamente absurdo! Estava com os eles há mais de 20 anos, e esses vinte anos foram os mais incríveis de minha vida. Minha família enfim estava completa, meu amado tio e sua esposa se juntaram a nós para nunca mais saírem. E sabe de uma coisa? Meus tios eram os melhores, sem mas!

Jeremy, ou Jemy – ele disse que era assim que eu lhe chamava. – era um tio maravilindo, sim, meu tio era lindo, gostoso e tudo de bom. Anna teve sorte grande quando o conheceu e se casou. Ele era meu melhor amigo, sempre podia contar com ele para qualquer coisa, principalmente quando eu dava uma de pimentinha e armava algo para o povo de nossa família. Anna também era perfeita, linda, carinhosa e maligna. Sempre tinha algo pior do que eu e armava coisas que nunca pensei existir. Um conselho de amiga? Nunca mexa no cabelo de Anna, isso é sua sentença de morte...

Matt é meio que meu irmão, ele me protegia e se enfiava em encrencas comigo. O seu físico avantajado colocava medo nas pessoas e aproveitávamos disso para nosso autobenefício... E sempre ganhávamos um sermão do Stefan e da Bonnie...

Bonnie... Nem sei o que posso dizer sobre ela, mas a defino em uma palavra: EXPLENDIDA. Essa bruxinha era a minha conselheira em momentos cruciais, ela sempre me ajudava em momentos difíceis e fazia o que estava ao seu alcance, e o que não estava também, para me ajudar. Mas tinha uma coisa que ela e nem ninguém da minha família podia me ajudar.

Era essa coisa em meu peito... Um buraco que eu nunca consegui preenche-lo. E isso doía, não era uma dor qualquer, era mais intensa e profunda. E esse buraco, essa dor ficava bem onde meu coração batia.

Ao longo desses anos eu não consegui ficar com ninguém – com ou sem Damon. – toda vez que eu olhava para outra pessoa, com segundas intenções, um par de olhos dourados invadia minha mente, e neles havia alegria, carinho e muito amor. Isso sempre me segurava no lugar.

Todas as noites eu sonhava com ele, e mais recentemente eu vi uma boca, rosada e pouco carnuda. Mas seu rosto... Sempre que ele ia aparecer eu acordava suando frio e aos gritos...

— Vai Bella, me conta. – fixou seus olhos nos meus e fez um biquinho, um lindo e perfeito bico que eu logo abocanhei e aprofundei o beijo.

Seus lábios, apesar de gélidos, eram macios e maravilhosos, me sentia em casa neles.

— AHHHHHHHHHH. – E mais uma vez eu acordei aos gritos e suando frio. Mais uma noite sonhando com aqueles olhos, com aqueles lábios... Só que dessa vez foi mais intenso, seus lábios tocavam os meus e eu apreciava a frieza e macieis deles.

— Filha. – Elena entrou correndo em meu quarto e logo me abraçou. – Mais um pesadelo? – Perguntou preocupada.

— Eu não sei mãe, foi tão bom para ser isso. – coloquei a mão em meus lábios.

— Então por que estava gritando? – Meu pai D entrou logo em seguida e sentou-se ao meu lado.

— Eu... Eu... – Não fazia ideia de como explicar isso. – Pareciam lembranças, vagas e quase nulas, mas mesmo assim lembranças do meu passado. – Eu me esqueci de mencionar uma coisinha, eu não conseguia lembrar-me totalmente do meu passado. O máximo que eu sabia era de Charlie, Renée e Jacob. Minha vida até meus 16 anos.

— Você quer que Bonnie tente ver seu passado? Sabe que ela pode fazer isso. – minha mãe acariciava meu rosto.

— Amanhã, quando acordamos, eu penso com mais clareza. – sorri para ela. Beijou minha testa e se levantou. Segurei em sua mão e olhou-me sem entender. – Seria muita infantilidade de minha parte pedir para dormir comigo? – perguntei envergonhada.

Ela sorriu lindamente e se deitou ao meu lado, me abraçou protetoramente e eu deitei minha cabeça em seu peito.

— Claro que não, sabe que amo isso. – beijou minha cabeça. – Damon, apague a luz quando sair. – pediu ao meu pai que saiu do meu quarto sorrindo. – Durma pequena, eu estou aqui. – me segurei a ela e dormi tranquilamente. E dessa vez sem sonhos ou pesadelos.

Quando acordei vi que minha mãe me analisava cuidadosamente e prendeu seu olhar em meu braço.

— O que foi? – perguntei sonolenta. Sorriu para mim e acariciou meu ombro.

— Quem é Alice? – Perguntou com certo ciúme na voz. Ri dela e a olhei sem entender. – Voce gemeu esse nome durante a noite!

— Não sei, realmente não sei e... — Esse nome... Eu tenho certeza que já o ouvi antes.

— Deve ser do seu passado, já é uma pista. – Falou se levantando e vindo até mim. – Ela devia ser muito importante para você. Não parava de chamá-la – fez bico.

— Tirei esse bico Sra. Salvatore, por favor. – Rimos. – Não sei como, mas esse nome não me é estranho. Talvez alguém que esteve em minha vida nesse um ano que sumiu. – Presumi.

— Creio que esteja certa. – Virou as costas e foi em direção à porta. – Vou preparar o café, não demore. – Assenti e fiquei fitando o teto, atordoada com essa informação.

— Alice... Quem é você? Quem foi você em minha vida? – Falei comigo mesma antes de ir tomar um banho.

Arrumei-me casualmente, ficaria em casa hoje, apesar de ser um sábado.

— Que animação é essa? – Kathy ironizou a me ver. – Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupada ao perceber que não retruquei. Ela e Stefan foram caçar noite passada.

— Isabella teve outro pesadelo. – Minha mãe só me chamava assim quando ficava preocupada.

— O que foi dessa vez? – Kathy sentou-se ao meu lado e pegou em minha mão.

— Nada mãe, apenas o de sempre. – dei de ombros e comecei a tomar meu café.

— Dormir com ela essa noite e ao amanhecer gemeu um nome peculiar. Alice. – Mãe E falou.

— E qm seria? – Virou-se para mim. – Quem é Alice? – Falou da mesma forma que Elena. Ri disso.

— Se eu soubesse já teria ido atrás dela, não acha? – ironizei. Sorriu maliciosa para mim.

— Está me dizendo que minha filha, quando totalmente humana, era lésbica? – Elena a fitou sem entender. – Para ela gemer esse nome, depois de tantos anos... – riu ainda mais. – Vamos Elena, ela nunca ficou com nenhum menino, nem um beijinho. Liga os pontos. – foi minha vez de fazer isso.

— Você pode estar certa. – levantei da mesa.

— O que? Quem pode estar certa? – Stefan entrou na cozinha e abraçou minha mãe E.

— Eu, quem mais? – Kathy se gabou. – Nossa pequena é lésbica. – Vi Stefan arregalar os olhos.

— Como? – Suspirei.

— Bonnie, a chame, por favor. – Ignorei-o, não era hora para isso.

— Eu ligo para ela, espero um pouco. – Elena se prontificou e discou o numero dela. Conversaram alguns segundos e logo desligou. – Cinco minutos, ela já está chegando. – assenti para ela e fui até a sala onde tinha um espelho.

— Você é uma idiota, sabia? – me bateu.

— O que foi que eu fiz? – Perguntei sem entender.

— O que é isso? – apontou para o meu braço, na verdade era na parte inferior dele, um pouco escondido. Tinha uma letra tatuada ali, uma letra de uma palavra que eu havia feito há quase quatro meses.

Eu havia feito uma tatuagem para homenagear e eternizar a mulher que amo em meu corpo. Queria ter ela para sempre em mim, tanto em memorias como em imagens visíveis aos olhos de todos.

— Você é sem graça. – fechei a cara e me sentei no sofá, perto de todos da família Cullen.

— Me responda. – sentou em meu colo. Suspirei derrotada e levantei a manga da minha blusa, Alice arfou ao vê-la. Era uma pequena imagem de seu rosto e com seu nome escrito embaixo. – Bells. – sorriu. – Isso é lindo...

— Bells. – Bonnie chamou minha atenção. Quando foi que ela entrou aqui?

— Oi? – perguntei ainda atordoada com essa lembrança.

— Você teve outro sonho, sua mãe me contou. O que você acabou de ver? – Bonnie sempre soube me ler bem. Sabia que meu corpo estava ali, mas minha mente...

— Eu... Uma sala e sentada no sofá. Uma linda mulher em meu colo, eu parecia gostar muito dela. Estávamos felizes, eu mostrava a tatuagem e ela sorria lindamente, um sorriso perfeito. – Relatei as imagens que veio em minha mente.

— Não tem explicação essa sua perca de memoria, nossa espécie não é assim! – Damon falou preocupado.

— Mas lembre-se que Bella não é apenas uma vampira, é humana também. Ela perdeu isso ao morrer e se transformar completamente em vampira, mas alguns traços de sua humanidade está nela. – Bonnie explicou. – Deite aqui, pequena. – Apontou para o sofá. – O que você sonhou?

— Lábios gélidos e macios tocando os meus, eu gostava dessa sensação. Ah, seus olhos, dourados e perfeitos, eles me prendiam com uma força incrível! – me fitou preocupada.

— Olhos dourados? Lábios frios? Ela era uma vampira, quem quer que seja ela. – Stefan falou. – E são vegetarianos, eles são de outra espécie, bem diferente da nossa.

— Família Cullen, Alice Cullen. – falei.

— Eu os conheço. Carlisle é um velho amigo. – Kathy falou. – Ele me ajudou em alguns momentos, apesar deu não seguir sua dieta o respeito muito.

— Vamos fazê-la lembrar de mais coisas, fique calma. – Bonnie falou.

— Faça isso o mais rápido possível. Eu estou ficando louca. – Implorei.

Sorriu e pegou algumas coisas em sua mochila. Mandou-me relaxar e fechou meus olhos. Ouvi-a pronunciar palavras em uma língua diferente e logo senti sua mão em minha cabeça. Em poucos segundo eu me vi completamente na escuridão...

— Pois quando nós encontramos nossa parceira, ela é para a vida inteira. – olhei dentro de seus olhos e vi que falava a verdade e estava sendo sincera.

— Nós, seres humanos, não temos certeza de nada nessa vida. – desfez aquele sorriso e se separou de mim. Fui atrás dela e a abracei por trás sussurrando em seu ouvido. – Mas nunca me encaixei bem nessa espécie, pois eu tenho uma única certeza. – a virei para mim e sussurrei por de cima de seus lábios. – Eu a quero pelo resto de minha vida. – Deu um pequeno soluço e me abraçou.

[...]

— Mas é impossível não amar Alice Cullen. – deu o meu sorriso predileto. – Seu sorriso, seus olhos, sua boca, tudo em você me fascinava e me atraia em você.

— Coisa de vampiro. – Edward disse.

— Não, coisa de quem estava completamente apaixonada.

[...]

— Você se preocupa mais com Alice do que com sua saúde. – Carlisle reparou.

— Eu me preocupo mais com minha vida do que com meu corpo. – Sorriu paternalmente e se retirou.

Meu coração se acelerou e eu acordei rapidamente. Minha respiração estava ofegante e todos me olhavam preocupados.

— Então, ajudou em algo? – Elena perguntou.

— Eu a amava. – Afirmei.