Além da Morte
17 Capitulo 1
Notas iniciais
Pov Bella.
A culpa me assolava e aumentava cadê vez mais que os minutos passavam e minha esposa não acordava. Vampiros não desmaiavam, aquela magia deve ter afetado o organismo de minha Alice.
– Filha, acalme-se. – Elena pediu com carinho.
– Não consigo mãe! Alice está inconsciente a mais de duas horas e nada a faz acordar! – Meus olhos arderam e logo senti seus braços me envolveram, e ali, naquele colo, me senti protegida.
– Você sabe que tudo vai sair bem, Bonnie nunca lhe faria mal. – Neguei.
– Eu disse coisas a ela que me arrependo todos os dias, ela ficou magoada e acabou por fazendo isso, sei que foi sem querer e isso que me deixa mais alarmada. – Suspirei. – Como Alice vai seguir com uma gravidez sendo que não tem espaço para aquela criança se desenvolver?
– Bella tem razão. Não há como essa criança se desenvolver no corpo de Alice! – Carlisle também demonstrava preocupação. Soltei-me de minha mãe e segurei na mão da minha esposa.
– Alice, por favor, acorde! Deus, se você existe mesmo, ajude minha esposa. – Estava implorando até mesmo para as coisas celestiais. Eu estava desesperada.
– Calma, pequena, calma. – Meu pai, Damon, tentava me tranquilizar. – Sua mãe está certa, Bonnie nunca falaria algo arriscado demais...
– EU SEI DOS RISCOS, PAI! – Gritei. Nunca elevei meu tom de voz com ele, mas estava desesperada. – Desculpa. – Ele havia arregalado os olhos. — Eu... Bonnie me contou tudo o que aconteceria, seria de risco, um risco que eu não iria correr com a minha esposa. Por que acha que nunca expus essa ideia a ela? Por que sou egoísta e não queria filhos? – Sorri irônica. – Renesmee foi o melhor presente que recebemos, e se pudéssemos ter outro optaria por tal coisa. Mas não dessa maneira! Nunca dessa maneira! – Abaixei minha cabeça e senti um aperto no ombro. Olhei para o lado e vi Stefan ali, me dando forças.
– Temos que pedir ajuda. – Estava sendo coerente. – Sabemos que somente ela pode nos ajudar. – Neguei de imediato.
– Não, ela não nos ajudaria, pai. – Estava aflita agora. – Você nem ninguém sabem como foi à discussão. Não tem ideia das palavras que cada uma disse a outra e o motivo de tal briga! – Suspirei. – Eu não deveria ter feito o que fiz, mas era o certo e... – A culpa pelo passado veio com força total.
– Por que não nos conta o que aconteceu? E, minha filha, se quer mesmo o bem da sua esposa, terá que esquecer o passado e se focar no presente, se não o futuro dela será, para sempre, acabado. – Um frio subiu minha espinha e logo o medo me tomou por completo. Suspirei pesadamente e logo ouvi um choro.
– Mamãe! – Nessie estava assustada com tudo isso. Ela corria em minha direção com os olhos vermelhos. Abaixei-me e a peguei a abraçando forte, bem apertado. – Mamãe, por que a mamãe Alice não acorda? – Chorava sem parar e soluçava muito.
– Calma amor, calma. – Pedi acariciando suas costas. Aproximei-nos de Alice e abaixei para que a visse. – A mamãe Alice está dormindo, só isso. Logo acorda. – Negou.
– VAMPIROS NÃO DORMEM! MAMÃE ALICE NUNCA DORMIU! – Suspirei. Minha filha não era burra. — Mas tem um tempão que ela ta assim! A senhora ta mal também! Por que todo mundo ta triste e tenso se ela ta bem? – Minha filha era muito mais inteligente do que eu poderia enganar. Suspirei e a abracei novamente.
– Por que tem que ser tão teimosa? – Ela relaxou um pouco.
– Mamãe Alice disse que sou parecida com a senhora. – Ri de leve e concordei.
– Por que tem que ser tão parecida comigo? – Mudei e ouvi alguns risos. – Numa outra hora te explico o que está acontecendo, meu amor. Mas agora preciso que me ajude. – Olhei em seus olhos e assentiu. – Fique com a tia Rose e o tio Emm lá na sala. Quando a mamãe Alice acordar e estiver bem, mando te chamar. Pode ser? – Suspirou e me olhou triste. – Não vou te esconder nada, eu juro. – concordou com um bico. – Eu te amo. – Beijei sua testa e ganhei um beijo.
– Te amo. – Olhou para a mãe que estava na cama e correu para a sala.
– Ahm... — Ouvi um gemido e logo o reconheci como sendo o de Alice. Vire-me de imediato e me ajoelhei ao seu lado.
– Meu amor. – falei aflita pegando em sua mão. Carlisle já estava do outro lado e analisava a filha com atenção.
– O que aconteceu? Por que me sinto tão fraca? E... E por que sinto meus peitos doendo? – Colocou a mão no seio esquerdo e gemeu de dor.
– Alice. – Chamei sua atenção e arfei ao ver seus olhos. – Deus... – Acariciei sua pele. Ela não estava tão fria quanto antes. Era mais macia e... Corada? Seus olhos, meu dourado predileto não estava mais ali, o azul tomou conta. – Como... – Arfei. – Carlisle, olhe isso! – Carlisle estava igualmente a mim.
– Alice, como se sente? – Perguntou profissional.
– Estranha. Eu me sinto fraca e mais sensível. Meu corpo está diferente... É como se...
– Você voltasse a ser humana? – Perguntei ainda prendendo a respiração.
– Sim. – Me encarou. – Amor, o que aconteceu? – Acariciou meu rosto e logo arfou ao ver sua mão. – Isso... Minha mão... Como? – Arregalou os olhos ao ver que não era mais tão branca. Levantou-se de presa e logo correu para o espelho. Olhou-se de olhos arregalados e não acreditando. – O que está acontecendo comigo? – Perguntou alarmada. – Pai, o que é isso!
– Eu não sei, Alice! – Ele estava tão preocupado quanto ela.
– Para a criança se desenvolver ela precisava de espaço. Não é óbvio que para isso acontecer ela deveria se transformar em humana? – Kath falou como se fosse à coisa mais normal.
– Mas como isso aconteceu? – Damon questionou. – Como essa magia agiu sobre o corpo de Alice? Quais os efeitos dele futuramente? Será que durará o tempo certo da transformação? – Meu pai criava ainda mais dúvidas em minha mente. Mais medos em meu coração e mais angustia em meu ser.
– Alice, como se sente? – Voltei minha atenção a ela antes que eu pirasse.
– Estranha! – Passou a mão no rosto e desceu até os seios. – Sinto meu coração bater. – Seus olhos encheram de lágrimas e logo estava chorando. – Eu posso chorar novamente! – Estava emocionada. Sorri e logo andei até ela, a abraçando por trás.
– Seu cheiro está mais perfeito do que antes. – Sorriu em meio às lágrimas e me fitou através do espelho.
– O que está acontecendo? – Enxugou as lágrimas ao perguntar.
– A magia é poderosa, mas não sabemos o limite dela. Foi lançada por acidente, pode ter erros e muitas falhas. – Negou. – O que?
– O que está acontecendo? Por que isso? – Suspirei e movi minha mão por seu corpo. Ela acompanhou meu movimento com o olhar.
– Por que agora você carrega uma parte nossa aqui. — Descansei minha mão em seu ventre. Ela sorriu emocionada e voltou a chorar.
– Um filho... Eu vou poder realmente te dar um filho? – Perguntou virando-se para mim. Acariciei seu rosto, bastante molhado pelas lágrimas. Meu semblante era triste e sofrido. – Você não quer? – Perdeu o sorriso e me encarou com medo.
– Tudo que vem de você eu quero, meu amor. Não pensei besteiras. – Tratei logo de me consertar e logo relaxou. – Mas...
– Mas? Por que sempre tem um “porém”? – Sorri triste.
– Não sabemos as consequências. Não sabemos como será o desenvolvimento dessa criança. Como você reagirá a isso. Isso é tão desconhecido quanto a minha raça, meu amor. – falei com medo.
– Quando humana seu maior medo não era a morte. – Assenti.
– Era ficar sem você. – Lamentei.
– Não vai me perder, mas sim ganhar outra parte de mim. – Tentou me animar.
– Não vou suportar se algo lhe acontecer. Precisamos ver do que se trata isso, imediatamente! Porque se isso a colocar em perigo... – Me calou.
– Você não fará nada, cuidará dele como cuida da nossa menina! – Foi dura comigo. Nada respondi. Pegou minha mão e colocou novamente por cima do seu ventre. – Aqui dentro está se formando um novo ser. Uma parte minha e outra sua. É o nosso amor tomando forma. – Sorriu lindamente. – Não estrague esse momento especial e único de nossas vidas. Por favor, Bella, fique do meu lado e ame nosso filho tanto quanto eu estou o amando agora. – Sorri triste. – O que foi?
– Está vendo porque nunca te contei dessa possibilidade? – Riu.- Você iria aceitar de imediato. – Concordou.
– Está como humana... Quer dizer, aparentemente está como uma, mas não sabemos sobre seu organismo. Como será sua alimentação. Como essa criança será. – Carlisle se aproximou e tocou seu ombro, mas logo o retirou ao ver que ela se encolheu pelo frio. – Perdão. – Ela sorriu sem graça.
– Eu vou me acostumar com isso, mas me sinto tão quente que... – Sua euforia me fez rir. – O que foi? – Perguntou desconfiada ao ver meu sorriso malicioso.
– Antigamente você ficava quente de outra forma. – Tossi de leve e recebi um tapa seu, que foi o mesmo que nada. – Isso era para doer? – Bufou e ri.
– Quando eu recuperar minha força... – Me olhou ameaçadora, ou melhor, tentou.
– Faz de novo. – Pedi. Olhou-me sem entender. – Esse bico de brava. – Revirou os olhos e todos riram. Eu tinha que quebrar esse gelo que estava em mim, essa angustia estava me atormentando.
– Isabella Marie Salvatore Cullen! – Enlacei sua cintura e a beijei intensamente. Era estranho, mas era gostoso. Maravilhoso. O calor que seu corpo exalava era tão acolhedor que... Que me sentia em casa. Seus lábios estavam macios, tão macios quanto os meus. Língua quente, um quente que me fez gemer. Aprofundei o beijo e acabei machucando seus lábios, fazendo assim seu sangue escorrer para minha boca. – O que foi? – Questionou quando me separei rapidamente dela e fechei meus olhos. Apreciei seu sabor e rosnei de leve.
– Eu te machuquei. – Falei de olhos fechados.
– Foi nada. Isso não foi nada. – Acariciou meu rosto e abri meus olhos. – Seus olhos... – Parecia assustada.
– Filha... – Elena logo se aproximou e segurou em meu ombro.
– Ótimo! – Rosnei frustrada e tentando me segurar. O sabor dela era intenso. Perfeito. Nada poderia ser igualado.
– Acho que agora você sentirá o que Alice teve que suportar para ficar com você quando humana. – Jasper falou o óbvio.
Meu coração acelerou e senti as presas saírem. Eu estava perdendo o controle sobre a parte vampírica em mim.
– Merda! – Me virei e respirei fundo diversas vezes. – Eu preciso sair daqui! – Senti o toque da minha esposa e logo seus braços rodeavam minha cintura.
– Me desculpa. – Pediu descansando sua cabeça em minhas costas.
– Eu que peço perdão. – Rosnei de novo. Eu sentia meu corpo tremer, o que me restava de controle estava se perdendo.
– Acho melhor você sair, Bells. – Damon me orientou. – Depois que caçar conversaremos, principalmente vocês duas. – Assenti e me virei. Olhei para Alice e prendi minha respiração.
– Perdão. – sussurrei e sai daquele quarto imediatamente.
Como se não bastasse à vida da minha esposa estar em risco por conta de uma gravidez, eu tinha que piorar a situação sendo fraca desse jeito...
E a lei de Murphy estava inteiramente ali.
“Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível”
Edward Murphy
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