Notas iniciais
Bom, não tinha isso na outra fic, achei interessante colocar alguma coisa antes de tudo, não?Espero que gostem ;)

POV. Bella.

Ter 16 anos, ser bissexual e ter uma família incompleta, bom, acho que isso já é demais para uma adolescente, não acham? Pois bem, não, não é!

Minha mãe fugiu de casa quando eu tinha apenas 10 anos de idade. Meu pai me achava nova demais para saber dessas coisas e não me contava nada, mas eu sabia o porquê dela ter fugido, eu sabia que ela tinha outro. Uma vadia, minha “amada mamãe” era uma vadia de primeira. Largou uma família por um homem 10 anos mais novo que meu pai... Sinceramente, a odeio com todo meu ser!

Mas como ser abandonada pela mulher que você tinha como heroína não fosse o bastante, meu estado de saúde não estava muito bom, eu estava debilitada. Há alguns dias eu venho sentindo dores estranhas em meu peito, principalmente quando respiro, parece que vou desmaiar de dor. Minha vida se resumia há: Um dia na escola, dois em casa e um mês no hospital. E adivinhem só? Eu odeio hospital!

– Bella, minha criança. – Dr. Phil, amigo da família há anos, entrou no quarto em que eu estava internada... Pela segunda vez na semana.

– Oi Tio. – Sorriu. Eu sempre o chamava assim.

– Como está seu pai, criança? – Perguntou enquanto olhava os aparelhos que eram ligados a mim, mas principalmente os que eram ligados ao meu coração.

– Na delegacia, mas quando soube do desmaio largou tudo e deve está para chegar. – Falei. Bom, o motivo de estar, pela segundo vez aqui, era que novamente minha pressão caiu e acabei desmaiando no pátio da escola. Meus amigos ficaram desesperados e logo me trouxeram para cá.

– Isso está me preocupando, Bella. – Falou sério ao terminar de olhar os aparelhos e me encarar com o semblante cansado.

– Tio Caio... O senhor sabe o que tenho, não é? – Respirou fundo e começou a fazer anotações. Segurei em seu jaleco e não deixei que saísse do meu lado. – Eu não sou mais aquela garotinha de 10 anos que os outros pensavam que não sabia de nada e escondia que minha mãe era uma vadia, que havia nos trocado. – Olhou em meus olhos. – Tenho 16 anos agora, sou quase uma mulher, por favor, não me esconda mais nada! – Respirou fundo e colocou sua prancheta em cima do criado mudo ao lado da minha cama e sentou-se do meu lado. Pegou delicadamente em minha mão e a acariciou.

– Você está muito mal, minha criança. – Sorri irônica. – Não ironize, não seja sarcástica... Sua doença é grave. – Respirei fundo.

– O que eu tenho? – Perguntei de olhos fechados.

– No ultimo exame fizemos uma tomografia em seu cérebro, para saber o motivo dos desmaios. – Abri os olhos e assenti. – Mas sua cabeça está normal. – O fitei confusa. – Mas quando fizemos um Raio-x em seu tórax... – Suspirou.

– Tio... Não me esconda, eu aguento, suporto as consequências. – Apertei sua mão fortemente.

– Você tem câncer, minha pequena. – Prendi a respiração e senti meu coração acelerar. – Acalme-se, por favor. – Pediu tranquilamente.

– Câncer? – Perguntei num fio de voz, mas logo sai daquele choque com o barulho da porta se batendo e meu pai mais pálido do que uma folha de papel ao seu lado.

– Minha princesa... – Ele olhou-me com dor nos olhos. Fechei meus olhos com força e suspirei.

– Me desculpa, pai. – Pedi chorando.

[...]

O câncer com certeza estava acabando comigo, me deixando para baixo e desanimada com a vida. Eu evitava ao máximo falar com meus amigos, eu poderia morrer a qualquer momento e a ultima coisa que gostaria era de alguém chorando pela minha morte.

Caio disso que havia uma esperança para mim, que havia um tratamento que poderia me dar uma oportunidade de viver mais, ou pelo menos mais que o esperado. Mas era caro, meu pai não teria nenhuma chance de paga-lo.

– Filha... – Charlie entrou em meu quarto e logo se sentou numa cadeira de frente para mim.

– Não vou sair, não estou a fim de ir para La Push ou muito menos ver futebol. – Falei antes que perdesse tempo.

– Filha... Eu... Eu não mais aguento vê-la assim...

– Morrendo? – perguntei sorrindo irônica e tomando um dos vários comprimidos que foi me dado.

– Perdendo a esperando, sua fé. – Acariciou meu rosto e meu cabelo delicadamente. Mas quando fez isso uma pequena mecha caiu. Eu via a dor em seus olhos.

– Com minha morte esse brilho em seus olhos nunca mais existirá. Esse brilho de dor. – Ele suspirou.

– CHEGA! – Exclamou com raiva e levantou-se da cama rapidamente. – Levante dessa cama, vá sair com seus amigos, pare de tomar esses remédios, se é morrer que você quer, ao menos curta sua vida! – Pediu com lágrimas nos olhos. O olhei com tristeza e o abracei com força.

– Me desculpa. – Repeti as mesmas palavras de quando descobrimos sobre a doença.

– Eu quero minha filha de volta. Vá namorar, sei que ama paquerar e beijar na boca. – Ri dele. Meu pai sabia que eu era bissexual e me apoiava em minhas decisões. – Namore, seja feliz. Divirta-se! – Beijei suas mãos e logo o abracei com força.

– Eu te amo. – Sorriu e resolvi sair de casa.

[...]

Os meses passaram e eu comecei a fazer o que meu pai tanto pediu. Curtir a vida. Minha doença nunca se espalhou pela cidade, implorei muito ao meu pai para que isso não acontecesse e somente meus amigos mais próximos sabiam e me apoiavam.

Sexo. Isso foi o que me fez esquecer a minha doença. Somente esse prazer de ter uma mulher por baixo ou um homem sendo submisso aos meus toques, me fazia relaxar. Apostas, com certeza era isso que meus amigos faziam comigo para me deixar mais feliz ainda. Qual era? Quem pegava mais. High School Forks inteira com certeza me conhecia, ao menos 70% já foram para cama ou me beijaram.

Mas tudo que é bom sempre acaba. Caio me proibiu de me divertir dessa maneira, disse que já estava ficando arriscado e que meu tempo estava diminuído muito devido à falta da medicação diária. Eu resolvi largar de vez o tratamento, não queria mais ficar fraca. Eles com certeza acabavam comigo.

– Isabella, ou pare com esse hobby ou morrerá enquanto estiver tendo um orgasmo!

Com certeza essa frase acabou comigo. Parar de transar foi uma coisa difícil, lógico, quem gosta de ficar sem prazer?

Meu pai sugeriu um namoro... Apenas beijos e carinhos, ele queria que eu tivesse mais sentimos.

– Pai, namorar não é para mim. – Falei quando estávamos na mesa jantando.

– Por que, Bella? – Questionou limpando a boca e me fitando atento.

– Eu vou morrer. – ele riu.

– Um dia todos nós vamos, filha. – revirei os olhos.

– Eu posso morrer amanhã. – Suspiramos juntos. – Não quero iludir uma pessoa dizendo dar um futuro incrível e feliz sendo que meu coração a qualquer hora pode parar.

– Filha... – O cortei.

– Pai, às vezes eu olho para os meus amigos... Eles são tão felizes com suas namoradas que tenho vontade de ter um ou até mesmo uma. Mas quando penso em dar carinho a alguém, a imagem dela chorando em meu velório vem com tudo. A dor de saber que vou causar o sofrimento de alguém que me amar... – Pegou em minha mão, por cima da mesa, e a acariciou. – Pai, eu queria muito receber carinhos de alguém que dissesse “Eu te amo” e me beijasse logo em seguida. Gostaria muito de dormir abraçada a alguém e poder sentir seu perfume. Poder dizer palavras de carinho e vê-la sorrindo ou ouvir. – Sorri comigo mesma. – Mas não posso.

– Filha... Não pense assim... – Me levantei da mesa.

– Pai, por favor, o amor é algo que eu sempre soube que nunca teria e essa doença só comprovou. – Sorri triste e subi as escadas.

[...]

Horas, poucas horas de sono eu tive até ter que acordar e ir para escola novamente. Olhando para o meu travesseiro acabei suspirando pesadamente. Algumas mechas estavam ali, misturadas ao sangue.

Corri para o banheiro e limpei meu nariz e boca. O câncer estava avançando rapidamente, isso era notável. Logo tomei um banho e me arrumei. Não queria ficar vendo aquilo o resto do dia. Quando voltei para o quarto meu pai estava olhando fixamente para a cama.

– Bella... – A tristeza em sua voz fez meu coração se apertar.

– Pai, saia do meu quarto, por favor. – Pedi recolhendo o jogo de cama e o enrolando para logo em seguida jogar no cesto de roupa suja.

– Você não pode ir para escola. – Falou sério.

– Eu vou sim, pai. Vou curtir minha vida, nem que eu morra no caminho, não vou ficar mais presa no quarto. – Beijei seu rosto. – O senhor quis assim. – Me apertou fortemente e logo desci as escadas.

O caminho para escola foi tranquilo, mas quando entrei no estacionamento vi que havia dois novos carros no estacionamento. Estranhei aquilo. Alunos novos no meio do semestre?

– Bella! – Jessica gritou quando me viu e logo pulou em meu colo. Ri de sua animação e a apertei a mim com força. Amava meus amigos. E mesmo Jess sendo metida, ela sempre me ajudava. – Senti sua falta! – Revirei os olhos.

– Ontem ficamos o dia inteiro juntas, o coisa. – bati em sua testa e os outros riram. Logo ela foi para o seu namorado, Mike, e se beijaram rapidamente. Evitei olhar aquilo. – Alunos novos? – Perguntei apontando para os carros.

– Sim, são os Cullen. – Tyler respondeu abraçando a Lauren.

– Cullen? – O olhei confusa.

– É uma família de sete pessoas perfeitas. Sendo elas: Um médico perfeito e gostoso, mas que é casado com uma linda e encantadora mulher. Um ursão de 1.90, forte e puro músculos, mas que namorada a própria irmã miss universo. – Ri da narração da Jess. – Um cabelo de miojo, lindo de morrer, mas sério e que dá medo. Uma morena que parece uma fadinha e por ultimo um GATO lindo de morrer. Se eu não amasse meu Mike dava em cima dele. – Mike a olhou feio fazendo todos rirem.

– Bom... Bela descrição, Jessica. – Ri novamente e olhei quando todos resolveram sair. – Uau! – Falei ao vê-los saírem do carro. Mas a beleza deles era realmente algo chamativo, atrativo. Mas nenhum daqueles rostos me chamou tanta atenção quanto o daquela morena.

Nunca em minha vida um par de olhos me prendeu tão intensamente como os dela fez. Aquela Cullen, aquela linda e perfeita fadinha fez meu coração disparar. Coloquei a mão, por instinto, em meu peito e fiquei sem entender o porquê daquilo tudo. Meus amigos logo ficaram preocupados, mas não falei nada, apenas voltei meus olhos para os da morena linda e perfeita.

– Bella, está bem? – Quando Eric disse meu nome, percebi que ela sorriu radiante. E aquele sorriso... — Bella! – Voltou a perguntar preocupado.

– Calmo amor. – Ângela abraçou o namorado de lado e seguiu meu olhar. – Só acho que alguém quebrou sua promessa. – Desviei meus olhos da linda anja e olhei para Ângela.

– Do que está falando? – perguntei respirando fundo.

– Acho que nossa Bells se apaixonou. – Todos riram e eu revirei os olhos. Ajeitei-me e voltei a olhar para todos ali. Um arrepio subiu em minha espinha quando todos me encararam.

– Só acho que se ferrou com os cunhados. – Mike falou rindo.

– Cala a merda da sua boca, Newton, eu nunca vou me apaixonar! – Virei às costas e deixei meus amigos para trás.

– UM MÊS! – Gritaram juntos e rosnei com raiva.

– Idiotas!

[...]

– SAI DA MINHA CABEÇA, ALICE CULLEN! – Gritei comigo mesma debaixo de uma arvore na escola.

Alice, esse era o nome daquela mulher linda e perfeita que me encarou no estacionamento da escola há um mês... Mas tem um mês que não consigo tira-la da minha mente. Meus pensamentos são completamente dela! Seu sorriso, sua voz, suas manias... Tudo nela me encantava de uma maneira tão assustadora que o que eu fazia para amenizar isso era me afastar.

– Se afasta de mim e depois pede para eu sair de sua cabeça? – Me arrepiei ao ouvir sua voz ao pé do meu ouvido. Rapidamente me levantei e dei de cara com ela, a dona do meu coração.

– O que faz aqui? Não deveria estar com seus irmãos? – Perguntei tentando controlar minha respiração. Ela riu e andou até onde eu estava. Dei um passo para trás, mas logo fiquei entre a arvore e seu corpo.

– Por que foge tanto de mim? – Questionou me olhando com tanta intensidade que fiquei desnorteada. – Isabella? – Perguntou sorrindo.

– Eu não sou a pessoa certa para você se aproximar, muito menos para tentar algo. – riu levemente, e que risada perfeita...

– E desde quando você sabe o que é certo ou errado para mim? – Questionou com uma sobrancelha levantada. Mordi minha língua para não contar da minha doença, mas o desejo de beijar aquela boca só aumentava. – Isabella... Você é misteriosa e ao mesmo tempo divertida. Você é inteligente e ao mesmo tempo sexy... Só você conseguiu a minha atenção... – Não resisti mais. Inverti nossas posições e logo beijei seus lábios.

Alice se assustou com a minha atitude, mas logo sorriu contra meus lábios. Sua temperatura era um pouco baixa, bem gélida. Mas eu estava tão concentrada em seus lábios carnudos e perfeitos, que sua temperatura era irrelevante. Sua mão foi para minha nuca e a minha para sua cintura. Quando enfim tomei coragem para aprofundar o beijo e pedir permissão para invadir sua boca com minha língua, ela nos separou. Olhei em seus olhos, confusa, mas logo relaxei quando sorriu lindamente para mim.

– Um mês para receber isso... Por que não vim antes? – Ri e neguei.

– Você pode se arrepender. – ela acariciou minha nuca e me abraçou pelo pescoço.

– Sei que sim. – Concordei. – Mas pode ser que não. – Sorriu de lado.

– Por que eu? – Questionei com o coração acelerado.

– Por que meus olhos me prenderam em você. Quando quero uma coisa vou até o fim. — Mordi os lábios e sorri. – O que foi?

– Eu jurei não me apaixonar até... Nunca, nunca me apaixonar. – me olhou intensamente.

– E se apaixonou? – perguntou com receio.

– Quando meus olhos se cruzaram com certa morena em certo estacionamento. – Sorriu e selou nossos lábios novamente.

Notas finais
Eai gente, gostaram?