Thay ao ouvir seu pai praticamente a expulsando de casa não teve outra atitude além de dar um beijo em sua mãe e sair daquela casa. Saindo de lá ela foi direto para o hospital ver Beta. Ela cumprimentou os pais de sua namorada e entrou no quarto.

Thayane: Oi meu amor. — Deu um beijo em sua testa. — Dei uma passadinha só pra te dar um beijo antes de ir à empresa. — Ela acariciou os cabelos de Roberta enquanto lembrava da discussão com seu pai. — Ninguém vai separar a gente, minha princesa. Ninguém! — Apertou com cuidado a mão dela. Thay deu mais um beijo em Roberta e foi para sua empresa.

Mais duas semanas se passaram, ainda não havia nenhuma novidade sobre o estado de Roberta.

Thay trabalhava bastante já que tinha que provar para seu pai o quão longe poderia ir. Enquanto analisava uma estratégia de marketing, sua secretária entrou na sala.

Secretária: Com licença Thay, tenho uns papéis pra você assinar. — Os entregou.

Thayane: E o que são? — Começou a passar o olho neles.

Secretária: Hãm..é..trata-se do seu pai tirando as empresas dele da sociedade com você. — Thay respirou fundo e começou a analisar o que estava escrito.

Thayane: Estão faltando duas empresas dele.

Secretária: Correto, essas estão em nome de sua mãe e ela não quis desfazer a sociedade.

Thay, apesar de triste assinou os papéis e os entregou a sua secretária. No fim do expediente, Christian passou para pegá-la e jantarem fora. Enquanto esperavam a comida, eles conversavam. Thay contou toda sua discussão com seu pai e a atitude dele.

Christian: Era de se esperar já. Você sabe que pode contar comigo e a galera, não é? — Thay sorriu.

Thayane: Sei sim. Obrigada!

Depois de jantarem, Chris a levou para o hospital, deu uma olhada em Beta e foi embora. Thay praticamente havia se mudado para o hospital. Durante o dia ela ia para o serviço, fazia suas viagens rápidas a negócios e sempre no final da tarde voltava para o hospital ficar com Roberta. O pessoal até tentava revezar com ela no hospital a noite, mas ela nunca aceitou. Dizia que não sairia do lado de sua namorada, eles poderiam pedir qualquer coisa, menos isso.

Em uma manhã de sexta-feira, Thay estava segurando a mão de Roberta e quase cochilando ao mesmo tempo quando sentiu Beta apertar sua mão. Rapidamente ela a olhou.

Thayane: Amor? — Thay esperou mais um pouco e logo correu para chamar o médico. Nisso estavam chegando os pais de Beta, Chris e May.

Enfermeira: O que foi? — Entrou apressada no quarto e eles juntos.

Thayane: Ela se mexeu, eu segurava sua mão e ela apertou a minha.

Christian: Não acredito! — Sorriu.

Enfermeira: Deixe-me dar uma olhada.

A enfermeira examinou Roberta duas ou três vezes, mas não constatou nada de diferente.

Enfermeira: Sem novidades.

Thayane: O que? Ela apertou minha mão, eu juro! Eu senti!

Enfermeira: Certo, vamos aguardar as próximas horas. — Ela olhou para Chris. — Venha comigo, por favor. — Eles retiraram-se do quarto.

Thayane: Mexa-se Beta, mexa-se, por favor. — Ela começou a chorar.

Mayane: Calma Thay.

Thayane: Não, ela se mexeu, eu senti.

Enquanto isso do lado de fora do quarto

Christian: Isso pode ter acontecido mesmo, não é?

Enfermeira: Sim, mas como não constatei nada de diferente na Roberta, acredito que Thayane imaginou isso. Venho notando há dias que ela está bastante esgotada. Ela sai cedo para o serviço e volta tarde, dorme mais tarde ainda por ficar conversando com Roberta e isso abala o psicológico de qualquer pessoa. Sugiro que vocês procurem um tratamento psicológico para ela, não que tenha algo de errado com ela, mas é sempre bom ter um acompanhamento nessas horas.

Christian: Pode deixar e obrigado. — A enfermeira retirou-se.

Depois que saíram do hospital, Chris contou para May o que a enfermeira havia dito à ele. Eles concordaram e começaram a pensar em um jeito de fazer Thay querer se consultar com um psicólogo. No dia seguinte, eles foram ver Roberta e aproveitaram para falar com Thay.

Mayane: Thay, nós achamos que seria bom você ter um acompanhamento psicológico.

Thayane: É por causa de ontem, né? Eu juro pra vocês que senti a Beta apertando minha mão.

Christian: Não Thay, não é por isso. Você ta enfrentando uma barra, tem mais os problemas com seu pai, seu trabalho. Não há psicológico que aguente. Sem contar que você saberá melhor como lidar com isso tudo. Você não pode ficar a base de calmantes.

Mayane: Conversa com um amigo meu psicólogo uma vez só e se você não gostar não precisa ir mais.

Christian: Pela Beta, Thay.

Thay respirou fundo e acabou aceitando. Ela mesmo sabia o quanto estava no seu limite.

Após isso Thay foi para sua empresa, um pouco antes de acabar seu expediente, alguém foi visitá-la.

Vitor: Oi. — Thay o olhou.

Thayane: Oi.

Vitor: Como você está?

Thayane: Cansada.

Vitor: Podemos conversar?

Thayane: Hoje não dá Vitor, eu to muito cansada, não foi um bom dia pra mim.

Vitor: Por favor Thay, prometo que será a última conversa.

Thay respirou fundo e aceitou conversar.

Vitor: Quero saber se ainda posso ter esperanças.

Thayane: Não dá Vitor.

Vitor: Eu não falo em agora, mas quem sabe daqui algumas semanas, meses, anos? — Thay suspirou.

Thayane: Não dá mesmo, Vitor. — Ele tentou uma última cartada.

Vitor: Você sabe que a sociedade entre nossos pais acabará, não é?

Thayane: Já falei mais de uma vez que não me interessa esse maldito dinheiro! — Falou brava.

Vitor: Calma Thay, falei isso por falar. Você sabe que eu nunca estive com você por causa dessa sociedade. Eu sempre fui apaixonado por você, desde a nossa adolescência. Eu te amo, Thay.

Thayane: É por isso que estou terminando com você. Você não merece isso, Vitor. — Ele ficou cabisbaixo e em silêncio pensou um pouco.

Vitor: Se você não está comigo por dinheiro e está terminando tudo, é porque você também não está comigo por amor. — Ele a olhou. — Você tem outro, não é? — Thay respirou fundo.

Thayane: Aconteceu Vitor, eu não pedi. — Vitor desviou o seu olhar do dela.

Vitor: Eu não te condeno. — Sentou-se em um sofá que havia ali. — Saber isso só me faz ter mais certeza de que não fui homem o bastante pra você e não falo isso só sobre a hora da cama, mas sim no papel que o homem tem de fazer a sua mulher amada, respeitada, protegida e feliz. — Seus olhos encheram-se de lágrimas.

Thayane: Não fala isso, Vitor. — Sentou-se ao lado dele e pegou suas mãos. — Você me fez muito feliz e amada esses anos todos, mas aconteceu. Eu não pedi.

Vitor: Tudo bem, Thay. — Levantou-se. — Acho que está na minha hora.

Thayane: Aonde você vai? — Levantou-se também.

Vitor: Procurar um novo rumo pra mim. Eu já não faço parte da sua vida então não me resta mais nada a fazer aqui. — Ele aproximou-se dela e deu um beijo em sua testa. — Boa sorte. — Retirou-se.

Thay ficou o observando até que ele sumiu de suas vistas. Talvez Vitor tenha aceitado o fim do relacionamento de anos por não saber que Thay havia se apaixonado por uma mulher. Provavelmente seu orgulho tornaria tudo mais difícil. Vitor sempre foi um homem maravilhoso para Thay, mas ambos sabiam que ali nunca existiu amor de verdade por parte dela. Apenas um contrato. Um contrato que sem ninguém saber tinha prazo de validade.

O resto do dia passou se arrastando, Thay não via a hora de chegar o final do expediente para ver sua namorada. Assim que saiu de sua empresa, Thay passou em uma loja e comprou um ursinho branco para Beta. Ele não era muito grande, nem muito pequeno. Em seguida ela foi até o apartamento de Diego.

Diego: Oi Thay. Como está a Roberta? — Ele deu passagem para ela entrar.

Thayane: Ainda sem novidade, mas sinto que logo logo ela acordará. — Sorriu.

Diego: Amém!

Thayane: E o nosso filho? Andei me esquecendo dele com tudo o que aconteceu. — Thay mal terminou de falar e Tchesco apareceu na sala e correu para ela. — Ah, aqui está. — Sorriu e o pegou no colo.

Diego: Acho que ele sentiu tudo o que aconteceu. Nos últimos dias ele tem andado muito quietinho pelos cantos.

Thayane: Ele e Beta eram muito apegados.

Thay brincou um pouco com ele, deu uns amassos e logo foi para o hospital. Ao chegar lá, ela despediu-se dos pais de Roberta e entrou em seu quarto.

Thayane: Oi minha princesa. — Largou suas coisas no sofá que havia ali. — Olha o que eu te trouxe. — Pegou o ursinho e andou até a cama de Roberta. Thay deu um beijo em seus lábios. Era a primeira vez depois de tudo o que aconteceu que ela a beijava. — É um ursinho. Ele é médio e branquinho, uma fofura! Só comprei sem nada escrito pra ninguém desconfiar. — Sorriu. — Ainda tenho que pensar em uma desculpa pra esse.

Oito meses se passaram, ao todo eram nove meses que Beta estava inconsciente. Thay, apesar da dor contínua de ver sua pequena naquele estado, voltou a sua vida 'normal'. Apesar de ainda viver do hospital para o trabalho e do trabalho para o hospital, ela voltou a trabalhar dedicadamente e a passar algumas poucas horas com seus amigos.

Três e meia da madrugada


Angel: Amor, acorda! — Christian virou-se de lado.

Christian: To acordado.

Angel: É sério amor, acorda!

Christian: Não vai me dizer que você está tendo mais um daqueles desejos anormais no meio da madrugada?

Angel: Não. Eu acho que o nosso bebê quer nascer. — Falou com voz de dor.

Christian: Ah, agora não! — Christian cochilou, logo acordou e virou-se para Angel. — O que você disse?

Angel: Eu to com dor, acho que ele vai nascer. — Ela estava com a mão na barriga. Chris deu um pulo da cama.

Christian: Tá, tá, tá. Vamos manter a calma. — Falou ofegante enquanto vestia sua roupa apressado. — Cadê a bolsa dele?

Angel: Ta ali. — Apontou e deu um grito de dor. — Aiiii.

Christian: O que foi? Ele desceu?

Angel: Não, mas tá doendo muito. Aiii. — Deu outro grito de dor.

Christan: Ai meu Deus, vamos pro hospital logo. — Ele pegou a bolsa do bebê e logo segurou Angel. Em passos não muito rápidos eles chegaram ao carro. Chris saiu cantando pneus.

Angel: Vai devagar Chris!

Christian: Nosso filho tá nascendo. Liga pro Diego e pra May. — Deu o celular pra Angel que antes de pegá-lo soltou mais um grito de dor. — Esquece, acho que eles não vão te entender muito. — Chris ligou para o Diego.

Diego: Alô. — Falou sonolento.

Christian: Cara, meu filho tá nascendo!

Diego: Que? Quem tá falando?

Christian: Sou eu, o Chris. Meu filho tá nascendo mano!

Diego: Você tá falando sério?

Christian: Não, eu resolvi acordar as quatro da manhã pra te passar esse trote! Claro que eu to Diego, avisa a May, por favor. Diz que estamos a caminho do hospital.

Diego: Tá, tá. — Deu um pulo da cama. — Pra qual hospital vocês estão indo?

Christian: Pra aquele que a Beta está, só que na área da maternidade, né? — Angel deu outro grito de dor.

Diego: Eu vou avisar a May e estamos indo pra lá, aguenta aí meu velho! — A ligação foi finalizada.

Christian: Calma amor, já estamos chegando.

Enquanto Chris e Angel chegavam ao hospital, Diego entrou no quarto de May gritando.

Diego: May, May, acorda! — Ela acordou assustada.

Mayane: O que foi? O que tá acontecendo?

Diego: Levanta, precisamos ir ao hospital.

Mayane: Ai Jesus, aconteceu algo com a Beta?

Diego: Não, a Angel tá ganhando bebê.

Mayane: O que? — Ela deu um pulo da cama, vestiu qualquer roupa e logo eles foram para o hospital. Durante o caminho, May avisou Thay e ela foi ficar com Chris.

Thayane: E a Angel?

Christian: Foi trocar de roupa. — Ele estava muito nervoso e com uma câmera na mão.

Enfermeira: Você é o pai?

Christian: Sim, sou eu.

Enfermeira: Vai querer acompanhar o parto?

Chrsitian: Entrar e ficar vendo tudo?

Thayane: Vai lá Chris, entra logo, é seu filho!

Christian: Não sei se aguento.

Enfermeira: Vamos, vai ser uma experiência inesquecível. — Chris deu tchau para Thay e entrou. Logo chegaram May e Diego e ficaram esperando por notícias com Thay.

Sala de parto

Christian: Oi amor. — Ele usava uma roupa especial e uma máscara.

Angel: Nosso filho vai nascer. — Sorriu e ele sorriu junto.

Christian: Vai sim amor, nosso filhão vai nascer.

Logo as dores de Angel aumentaram e os médicos começaram o parto. Chris filmava tudo e segurava a mão de Angel em certos momentos. Depois de muitos gritos de dor, ouviu-se o primeiro choro do bebê de Chris e Angel. Angel já estava chorando há muito tempo, assim que ouviu o choro do seu filho, Chris não conteve as lágrimas.

Christian: Nasceu amor, nasceu! — Falou chorando enquanto segurava a mão de Angel e via seu filho nas mãos da enfermeira todo sujinho.

Médico: Parabéns papai, é um menino enorme, cheio de saúde! — A enfermeira enrolou o bebê em uma toalha e trouxe para junto de Angel e Chris.

Enfermeira: Da oi pro seu filho, mamãe. — Encostou o rostinho dele no rosto de Angel.

Angel: Oi meu amor. Como você é lindo. — Ela estava chorando. — Da oi pro papai.

Christian: E ai filhão! Seja bem vindo!

Enfermeira: Eu vou limpar esse garotão aqui e já trago ele pra vocês.

A enfermeira retirou-se levando o bebê. Enquanto os médicos finalizavam com Angel, Chris foi pra sala de espera.

Thayane: E ai Chris? — Todos se aproximaram dele.

Christian: Nasceu gente, meu filhão nasceu! — Voltou a chorar. Todos sorriram e o abraçaram. Nessa hora, todos estavam chorando com Chris.

Diego: Parabéns meu velho!

Mayane: Parabéns papai!

Thayane: Parabéns Chris!

Mais um pouco e logo Angel estava no quarto descansando, sendo assim, eles olharam o bebê na maternidade. Depois que Angel acordou, levaram o bebê para ela amamentar e logo liberaram a visita. Diego, May e Thay deram os parabéns para ela e para Chris e ficaram babando em cima do bebê, logo chegou Josy e fez o mesmo.

Diego: E qual o nome dele?

Christian: William.

Mayane: Adorei o nome!

Thayane: Ele é muito lindo!

Josy: É uma fofura!

Cada um pegou o bebê um pouco, chegou até dar briga para ver quem segurava primeiro. Chris e Thay sentiram em silêncio um aperto no peito. Aquele era um momento marcante e ambos queriam que Beta estivesse ali com eles. Assim que tudo se acalmou, Thay voltou para junto de Beta.

No quarto de Roberta


Thayane: Ei amor, sabe de onde tô vindo? — Sentou-se ao lado dela. — Da maternidade. O filho do Chris e da Angel nasceu. É um menino, se chama William. — Sorriu. — Ele é muito lindo.

Mais umas horas se passaram e Angel recebeu alta. Antes de irem embora, Chris pegou William e foi até o quarto de Beta. Antes de entrar ele mostrou o bebê para os pais de Beta que também deram parabéns à ele e babaram no menino. Chris entrou e andou em passos lentos até a cama de Beta.

Chris: Oi Beta. — Falava baixinho. — Tem alguém aqui que quer te conhecer. — Sorriu. — A Thay disse que você pode ouvir a gente, então eu tô aqui pra te contar que o meu filho nasceu. — Seus olhos encheram-se de lágrimas. — Ele é lindo, parece comigo. — Sorriu de novo. — Brincadeira! — Chris colocou William deitado ao lado dela. — Você pode sentir ele? — Ele ficou em silêncio por alguns segundos e pegou William de novo. — Espero que sim. — Ele olhou para William. — Essa é sua tia Beta. — Chris ficou mais uns minutos ali e logo retirou-se para levar William e Angel para casa.

Thay foi trabalhar normalmente, mas antes de voltar ao hospital no final da tarde, ela passou em um lugar onde faziam tatuagens. Uma vez ela havia prometido a Roberta que faria uma tatuagem e resolveu cumpri-la. Sua tatuagem eleita era o símbolo do infinito, onde havia a letra T em uma ponta dele e a letra R na outra ponta. Abaixo do símbolo tinha o desenho de um pinguim com um coração de cada lado dele, já que Beta adorava a história do pinguim. Thay fez a tatuagem no pulso esquerdo.

História dos pinguins

"Diz na história dos pinguins que a grande curiosidade sobre eles é sua fidelidade conjugal: eles costumam passar a vida inteira com o mesmo parceiro. O pinguim quando escolhe sua parceira, só tem relação com ela até seus últimos dias. É fiel e caso um morra primeiro que o outro, ele não arruma mais ninguém."

Assim que chegou ao hospital, ela contou a Roberta sobre a tatuagem e no dia seguinte mostrou para todos os seus amigos.

Notas finais
Besos! sz