Além da Eternidade - 1° temporada
95 Três anos depois
Notas iniciais
Três anos se passaram
Nada ainda havia mudado. Roberta continuava inconsciente, mas sem nenhuma piora. Thay continuava indo ficar com ela todas as noites. Sua empresa ia muito bem e ela ia conseguindo recuperar a quantia perdida. Seu pai não mais lhe dirigiu a palavra desde que ela havia terminado seu noivado. Sua mãe falava raramente com ela por telefone, escondido de seu pai. William já estava com três anos e dava seus primeiros passos e arriscava suas primeiras falas. Mayane conseguiu abrir seu próprio consultório de psicologia. A boate de Roberta e DJ ia muito bem aos cuidados dele e da Thay.
No apartamento de Roberta
Thay estava lá arrumando umas coisas para levar ao hospital quando a campainha tocou.
Thayane: Mãe?
Blanca: Oi minha filha. Posso entrar?
Thayane: Pode. — Deu passagem a ela e as duas dirigiram-se ao sofá.
Blanca: Como você está?
Thayane: Bem e você?
Blanca: Bem. Como você está magra, minha filha. O que anda fazendo?
Thayane: Trabalhando muito mamãe. Preciso recuperar o dinheiro que perdemos três anos atrás. Prometi ao papai que chegaria onde ele está hoje e vou cumprir!
Blanca: Seu pai está com saudade de você.
Thayane: Eu também estou, mas ele não quer me ver e eu respeito isso.
Blanca: Só anda trabalhando muito mesmo?
Thayane: Sim.
Blanca: E esse olhar triste deve-se a que?
Thayane: Quer mesmo saber?
Blanca: Claro minha filha.
Thay respirou fundo e abriu o jogo com sua mãe. Ela não falou que Roberta estava no hospital, mas falou quem era Roberta. A principio sua mãe ficou surpresa, aliás, muito surpresa! Em seguida ela foi entendendo as coisas.
Thayane: Agora que você já sabe de tudo, fala alguma coisa, mamãe!
Blanca: Eu não sei o que dizer. Quer dizer, saber que você namora uma menina me pegou de surpresa, jamais imaginei isso, mas não vou te abandonar como seu pai fez. E olha que ele nem sonha com isso.
Elas conversaram mais um pouco sobre Roberta. Blanca via claramente como os olhos de Thay brilhavam ao falar nela.
Blanca: Nunca pensei que viveria algo assim, mas o que posso fazer se é ela quem te faz feliz? Eu só posso dar a minha benção e avisar a ela que se te fizer infeliz se verá comigo. — Elas sorriram.
Thayane: Então você aceita?
Blanca: Claro minha filha. A única coisa que me importa é te ver feliz e se te faz feliz não é errado. — Elas se abraçaram e Thay começou a chorar.
Thayane: Obrigada mamãe, não sabe como é importante ouvir isso agora.
Blanca: Minha filha, o que mais anda acontecendo? E não me fale que é trabalho porque eu sei que não é!
Thayane: É a Roberta, mamãe. — Thay abaixou o olhar e logo voltou a olhá-la. — Quer conhecer ela?
Blanca: Quero.
Blanca sabia muito bem que algo de errado havia ali. Assim que Thay terminou de arrumar suas coisas, elas foram para o hospital, ainda que Blanca não entendesse o que iriam fazer lá.
Blanca: Ela é enfermeira? Médica?
Thayane: Não.
Blanca: Então o que estamos fazendo no hospital?
Thayane: Você já vai entender, mamãe.
Blanca não disse mais nada, apenas acompanhou Thay até o andar do quarto de Roberta. Chegando lá ela apresentou sua mãe aos pais de Roberta e logo entrou com sua mãe no quarto.
Thayane: Essa é a Roberta, mamãe.
Blanca surpreendeu-se ao ver aquela menina com algumas cicatrizes pelos braços e rosto, de olhos fechados.
Blanca: O que aconteceu com ela?
Thayane: Vem, vamos tomar um café e eu te explico tudo.
Thay e Blanca foram até a cafeteria do hospital e enquanto tomavam um café, Thay contou toda a história delas, desde o momento em que se conheceram, até os dias de atuais.
Após uma longa conversa com sua mãe, Thay voltou para junto de Roberta e sua mãe foi embora.
Thayane: Oi meu amor. — Sentou-se ao seu lado e segurou sua mão. — Contei de nós pra minha mãe. — Sorriu. — Ela aceitou neném! — Thay acariciava a mão de Roberta enquanto falava com a mesma. — Acorda logo, meu amor. Ando precisando tanto de você. — Ela levou uma mão até os cabelos de Roberta e os acariciou. — Ouvir sua voz, ver seus olhinhos e seu sorriso, sentir você me pirraçando. — Sorriu enquanto uma lágrima caía por seu rosto. — Acorda minha princesa, por favor.
Thay encostou sua cabeça no ombro de Roberta e minutos depois acabou pegando no sono. No dia seguinte ela acordou cedinho, tomou um banho e um café e foi para a empresa cuidar de seus negócios e assuntos relacionados a boate de Roberta. O dia passou voando até. No final da tarde a mãe de Beta ligou para ela dizendo que os médicos queriam conversar com os familiares dela. Thay não pensou duas vezes, pegou suas coisas e foi imediatamente para o hospital. Seu coração ia a mil durante o trajeto, ela tinha medo do que eles poderiam falar, mas ao mesmo tempo esperanças por serem notícias boas.
Thayane: O que eles querem falar dona Luiza?
Luiza: Ainda não sabemos. Como você esteve todo o tempo com nossa filha, resolvemos te chamar para participar dessa conversa.
Thayane: Bom, então vamos até eles. — Eles foram até o doutor.
Médico: Bom, eu os chamei aqui porque tenho algumas coisas a falar a respeito de Roberta. Vocês sabem que fazemos exames rotineiros nela e em um desses exames foi constatado um problema.
Luiza: O que?
Médico: Calma, eu vou explicar, mas antes preciso falar desse remédio que a Roberta vem tomando. Ele é um remédio muito, muito forte por isso as possibilidades do paciente acordar são maiores. Porém, em estudos feitos, por ser um remédio muito forte, ele melhora o paciente de uma coisa, mas acaba fazendo mal a outro órgão. No caso da Roberta ele atingiu o coração dela. Notamos de uns tempos para cá que o coração da paciente vem enfraquecendo os batimentos cardíacos e isso é arriscado, afinal, não podemos correr o risco dela ter uma parada cardíaca.
Ricardo: Tá doutor, mas então o que devemos fazer?
Médico: Há duas opções. Uma delas é começar desde agora a procurar um coração para caso de um transplante futuramente, já que parar com o remédio será impossível.
Thayane: E a outra opção, doutor? — O semblante do médico ficou mais sério do que já estava.
Médico: Bom, como se passaram três anos já, a outra opção seria parar de vez com o remédio.
Ricardo: Mas o senhor não falou que seria impossível parar com o remédio?
Médico: Falei, mas como se passou alguns anos e ela não acordou, pouparia o sofrimento de vocês e dela.
Thayane: Você tá dizendo pra gente deixar a Roberta morrer? É isso?
Médico: Senhorita Thayane, isso pouparia o sofrimento futuro de vocês e da própria paciente. — Thay levantou-se indignada.
Thayane: Você enlouqueceu? Me admira ouvir isso de você doutor! Ninguém vai deixar a Roberta morrer, você não é ninguém, absolutamente ninguém pra sugerir isso! Eu não vou desistir da Roberta enquanto ela respirar, entendeu? — Retirou-se da sala do médico batendo a porta.
Médico: Preciso da decisão de vocês. — Os pais da Roberta se olharam.
Luiza: Acho que a Thay já falou tudo, doutor.
Médico: Certo. Vamos começar a procurar um coração compatível para Roberta.
Assim que saiu da sala do médico, Thay foi para o quarto de Roberta. Ela estava chorando, ainda que tentasse se conter. Ela segurou a mão de Roberta e não falou nada. Ela sentia que sua pequena conseguia ouvi-la e não queria que ela soubesse do que o médico havia falado. Depois de alguns minutos, os pais de Beta a chamaram no corredor.
Luiza: Acalme-se Thay!
Ricardo: Não vamos deixar fazerem nada com a Beta.
Luiza e Ricardo não foram embora enquanto May não chegou, eles não queriam deixar Thay sozinha. Assim que eles foram embora, Thay contou tudo para sua prima e ela ficou chocada.
Um mês se passou
Era domingo a tarde, o doutor chamou novamente Thay e os pais de Roberta para conversarem. As notícias não eram boas. Eles ainda não haviam achado nenhum coração compatível para Roberta e a cada dia seu coração ia ficando mais fraco. Eles tentavam achar uma solução a todo custo enquanto Thay só escutava, até que resolveu falar.
Thayane: Eu quero fazer esse exame. — Todos o olharam.
Médico: Você tem ideia do que está falando?
Thayane: Sim!
Luiza: Como você vai doar seu coração, Thay?
Thayane: Eu quero fazer esse exame. Quanto ao meu coração, tentem achar um compatível com o meu, sei lá.
Ricardo: Não permitiremos isso.
Depois de muita briga, o médico aceitou fazer o exame. Nada ainda havia sido decidido, apenas o exame iria ser feito para saber se o coração de Thay era compatível para Roberta. Os pais dela também exigiram fazer o exame e o médico aceitou.
No quarto de Roberta
Thay segurou a mão de Roberta.
Thayane: Você precisa aceitar meu coração, minha pequena. Por favor, aceite-o! — Ela implorava a Roberta enquanto algumas lágrimas caíam.
Mais uns dias se passaram e o médico já tinha o resultado dos exames.
Médico: Chamei vocês para dar o resultado. O exame do senhor Ricardo e da senhora Luiza deram negativo.
Thayane: E o meu?
Médico: Até o momento ele foi aceito pelo corpo de Roberta. Também fizemos um para a senhorita e encontramos um coração compatível com o seu.
Thayane: Ótimo, é só marcar o transplante então.
Médico: Eu não posso fazer isso, você corre um grande risco de morrer, senhorita.
Thayane: Se não fizer esse transplante a Roberta também corre esse risco. Eu me responsabilizo pelos meus atos.
Médico: Isso é loucura!
Thayane: Que seja então! Você vai negligenciar isso? — O médico calou-se por alguns segundos.
Médico: Certo. Vou providenciar tudo e lhe chamo quando estiver tudo acertado.
No começo os pais de Roberta tentaram convencê-la de que aquilo era loucura, mas Thay estava decidida. Ela reuniu seus amigos na casa de Chris para dar-lhes a noticia. Ela explicou a situação à eles, em detalhes.
Diego: Deixa eu ver se entendi. Você vai doar seu coração pra Roberta?
Thayane: Exatamente.
Christian: E você vai ficar com um coração de outra pessoa.
Thayane: Isso.
Angel: Você enlouqueceu?
Mayane: Você parou de ir no psicólogo, né? Só pode!
Josy: Você ta ciente de que corre mais risco de morrer do que a Roberta?
Angel: Thay, você pode morrer! — May e Angel choravam.
Thayane: Minha decisão já está tomada, só vim avisá-los.
Mayane: Meu Deus!
Christian, Diego e Josy nao falaram mais nada, embora soubessem que aquilo era uma loucura, eles sabiam muito bem que nada e nem ninguém convenceria Thay a mudar de decisão.
Thayane: Bom, preciso ir porque amanhã é o dia. Espero que estejam lá amanhã. — Ela olhou nos olhos de cada um. May e Angel continuavam chorando. Os outros tentavam a todo custo permanecerem sem chorar, mas estava estampada em seus rostos a tristeza. — Não chorem pela minha decisão. Se caso acontecer algo comigo, tenham a certeza de que eu estarei mais viva do que nunca dentro dela.
Isso foi a gota, quem estava chorando, chorou mais e quem não estava, começou a chorar. Thay não falou mais nada, apenas deu as costas e saiu do apartamento. Ela foi direto para o hospital e ficou com Roberta. Ela não falava nada, apenas olhava cada detalhe do rosto de Roberta e lembrava de toda a história delas. Thay ficou assim a madrugada toda, até que pegou no sono.
Na manhã seguinte ela acordou cedo, tomou um banho e voltou a ficar junto de Roberta. Ela sabia que poderia morrer após o transplante e por isso queria ficar o máximo que podia com sua pequena.
Thayane: Meu amor, minha pequena. — Sorriu com os olhos cheios de lágrimas enquanto segurava firme a mão de Roberta. — Lembra daquela noite em que estávamos deitadas na cama conversando sobre nosso futuro? Você havia me dito que quando morresse se tornaria uma estrelinha pra ficar me cuidando lá de cima e me esperaria lá pra quando eu fosse te encontrar iríamos juntas viver a eternidade. Ta lembrada neném? — Thay limpou uma lágrima sua. — Então, se acontecer algo comigo eu te digo o mesmo. Vou te esperar pra passarmos a eternidade juntas. E vou te cuidar lá de cima, muito juízo, viu? — Sorriu enquanto limpava outra lágrima sua.
Antes que pudesse falar uma palavra mais, Thay sentiu sua mão ser apertada. Ela olhou fixa para Roberta e seu coração disparou. Beta mexia um pouco seu rosto ainda que tivesse de olhos fechados.
Thayane: Beta? — O coração de Thay faltava sair pela boca. — Meu amor? — Com a mão que estava livre ela apertou a campainha e a enfermeira foi as pressas até o quarto.
Enfermeira: O que houve?
Thayane: Ela está se mexendo!
Enfermeira: Não posso acreditar!
Roberta tentava abrir seus olhos, mas estava quase impossível, afinal, ela havia ficado anos desacordada, a claridade a incomodava demais, até que finalmente ela conseguiu abrir seus olhos.
Roberta: Ai. — Gemeu de dor. Thay soltou sua mão e afastou-se um pouco para dar passagem a enfermeira.
Enfermeira: Como se sente Roberta?
Roberta: Minha cabeça dói muito! — Sua voz estava fraca e um pouco rouca. Ela levou uma mão sua até sua cabeça. Thay olhou a enfermeira aguardando uma resposta.
Enfermeira: É normal, você sofreu um acidente e bateu a cabeça. Vou pegar um remédio pra essa dor.
Enquanto a enfermeira preparava o medicamento, os olhos de Beta e Thay se encontraram. Thay estava nervosa, não sabia o que falar e nem como agir. Ela aproximou-se de Roberta.
Thayane: Você não imagina como estou feliz de te ver acordar.
Roberta: Acho que eu dormi demais, né?. — Sorriu e Thay sorriu junto.
Thayane: Nossa e como! — Sorriram novamente. A vontade de Thay era de abraçar e beijar Roberta, mas ela conteve-se. Estava estranho, parecia que elas estavam se conhecendo de novo. Thay levou sua mão até o rosto de Beta e acariciou sua bochecha. Roberta a olhou fixa. Logo Thay segurou sua mão e Beta olhou suas mãos juntas. Thay estranhou o semblante de Roberta. — Ta tudo bem?
Roberta: Você parece me conhecer tão bem, mas eu não to lembrando de você. — Thay ficou séria.
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