Além da Coragem - Livro 3
33 Capítulo 33
Notas iniciais
Um paraíso no Inferno:
\"Depois de tanta luz e tanta escuridão, finalmente chegamos ao outro mundo. Dizem que há uma enorme planície rio Aqueronte acima, no leito do rio Lethé. O Paraíso: um lugar habitado apenas por aqueles escolhidos por Deus após a morte. Ali não existe fome, guerra ou tristeza... É uma terra santa, livre dos sofrimentos físicos e morais. O nome desse lugar é Campos Elíseos\"
- Nala... Ei, Nala, acorde.
- Hum... Ai, minha cabeça... A gente já chegou?
- Já, veja.
Olhei à nossa volta, milhares de flores cobriam o chão, a luz era aconchegante e tinha um calor que nos enchia de uma energia pura, a brisa suave acariciava nossas faces, cheia de um perfume delicado e doce que nunca tinha sentido. Havia alguns pilares e templos gregos, em pedras completamente brancas, como se o tempo não agisse na matéria por ali. Tudo era simplesmente perfeito e cheio da mais pura beleza.
- Incrível... Nem parece que isto aqui faz parte do Submundo.
- Tem razão. Este lugar está fora de tudo o que eu já tenha imaginado.
- Vamos. – chamou Shiryu – Temos que encontrar os outros dois.
---ooo---
Uma bela música vinha do majestoso templo, de acordes perfeitos e suaves. As flores se espalhavam pelo chão, os vasos eram ricamente trabalhados, as estátuas eram de mármore, tudo era cheio de beleza e perfeição. Um grupo de lindas jovens rodeava aquele que tocava a harpa, com suas togas de seda branca, jóias finas e cabelos enfeitados de pérolas e flores.
O homem estava sentado, mas mostrava ser alto e forte, detentor de uma grande beleza, realçada por seus cabelos prateados e longos e por seu calmo sorriso. Vestia uma armadura vermelha escura, com detalhes prateados, cheia de brilho, o elmo tinha uma asa maior que a outra, do lado esquerdo da cabeça, e a armadura era encoberta por um majestoso manto branco.
Frutas e vinho eram servidos, em bandejas e taças de prata, cheias de detalhes, quando duas jovens chegam ao lugar em grande correria e desespero, desfazendo a completa paz que reinava.
- Vossa majestade, Thanatos, é terrível!
- Ora, porque tanto barulho? – perguntou sem perder a tranqüilidade – O que vocês aprontaram dessa vez? – completou, como se falasse com crianças que gostam de fazer peraltices inocentes.
- Não é isso...
- Um homem coberto de lama, suor e sangue apareceu por aqui, como se um dos demônios do inferno tivesse caído nos Campos Elíseos!
- É assustador!
- O que? – surpreendeu-se, finalmente abrindo os olhos, que emanam um nobre brilho prateado.
Seiya tenta se levantar, mas está completamente atordoado. Mesmo protegido pelo sangue de Atena, a viagem pelo espaço interdimensional era desgastante. Ele vê uma bela jovem, mas nem percebe o quanto está assustada.
- Ei... Em que parte do Elíseos estamos? Você sabe onde está Atena? E Hades? Por favor... me conta...
A menina tremia, sem poder reagir, até que finalmente consegue correr, fugindo do Cavaleiro num grito desesperado. Seiya não entende nada.
- Mas o que...? Espere...
- Que ridículo... Você a assustou. Nos campos Elíseos só entram seres bons e puros, e é normal que você, todo coberto de sangue, seja confundido com um demônio. Por sua causa, minhas fadinhas estão desesperadas, sabia?
- Quem é você?
- Eu sou Thanatos...
- Thanatos? Você é outro espectro?
- Tolo... Sou o braço direito de Hades, o sirvo desde o início dos tempos.
- Ah, é? Então isso me poupa tempo... Cadê Atena? E Hades?
- Pff... – respondeu com desprezo – Atena está morta.
- O que? Isso é mentira! Cadê o Hades?
Ele não perde a calma em sua expressão. De sua mão surgem raios que tomam conta do lugar, lançando Seiya rapidamente ao chão, quase sem forças.
- Insolente... Eu não sou obrigado a responder suas perguntas. Você fez um milagre atravessando o Muro das Lamentações e as dimensões, sua fidelidade àquela Deusa é admirável. Mas agora chegou a hora de morrer... Junte-se a Atena!
- Espere... – pronuncia uma terceira voz, às costas de Thanatos.
Vestido de forma idêntica a este, apenas seu elmo tinha a asa maior do lado direito, como se uma vestimenta fosse parte da outra. Suas feições são idênticas, a única diferença é a cor dos cabelos e dos olhos. Este homem os possuía dourados como jóias cintilantes. Era óbvio que os dois eram gêmeos.
- O que está fazendo? Se manchar este solo sagrado, imaculado desde o início dos tempos, como nos desculparemos com Hades depois?
- Ora, Hypnos, e o que quer que eu faça? O deixe andar impunemente por aí? O Elíseos se sujaria do mesmo jeito.
- Thanatos, você enxerga a vida e a morte com muita leviandade... Agora me diga, por que matou Pandora?
- \"Por que?\" Ela traiu Hades, e guiou Fênix para cá.
\"O que...?\" – pensa Seiya, ainda caído – \"Pandora...? Ikki...?\"
- Sim... Mas ela protegeu a alma de sua majestade desde o nascimento, não precisava tomar sua vida...
- Ela era apenas uma escrava, como os 108 espectros que, aliás, estão mortos. Mas nós podemos fazer tudo sozinhos... Prova disso é que capturamos Atena sem dificuldades, e você a eliminou, não e mesmo?
- Eu a capturei, sim... Mas não tirei sua vida.
- O QUE? Por que? Ela veio para cá querendo assassinar Hades!
- Já disse... Esse lugar é imaculado desde o início dos tempos, só Hades tem direito de vida e morte aqui.
Ao ouvir isso, Seiya novamente se levanta, impetuoso e impertinente como sempre, tentando se impor aos Deuses que, apesar de gêmeos, tinham personalidades completamente diferentes. Se bem que isso parece natural entre gêmeos, serem quase opostos, como se um completasse a personalidade do outro.
- Ah... Agh... O que aconteceu com Atena? Respondam! Cadê ela?
Hypnos simplesmente aponta na direção de um grande templo no centro do infinito jardim.
- Aquele é o templo onde está o verdadeiro corpo de sua majestade, e agora Atena dorme lá também.
- O que? Atena ta dormindo?
- Sim... Mas não um sono qualquer, eu a mergulhei no sono eterno. Seu corpo está preso num enorme vaso sagrado, nada pode quebrá-lo, nem mesmo a fúria de Zeus. Ele absorve lentamente o sangue de quem está nele, tornando-se, de branco, ao púrpura, e quando se tornar completamente vermelho, Atena terá perdido todo o seu sangue, e sua vida se extinguirá.
O garoto se desespera, correndo com mais velocidade do que seu corpo cansado e ferido lhe permitiria. Empurra Hypnos de sua frente e vai em direção ao templo, sem querer se preocupar com aqueles dois.
Thanatos não está nem um pouco satisfeito, parecia que Hypnos o deixaria entrar sem problemas no templo de Hades. Não importava, para ele, se estaria manchando ou não o Elíseos, só importava que deveria matar Pégaso e livrar o local de seus pés imundos. Hypnos acaba por concordar.
- Faça o que quiser, Thanatos, mas faça rápido e bem feito... Não deixe seu sangue respingar no templo de Hades.
- Você enlouqueceu de vez? Eu o destruirei sem que sobre vestígios.
Lança uma poderosa rajada de seu cosmo na direção do garoto, era energia suficiente para pulverizar o corpo de um humano. Mas se surpreende ao ver brotarem as asas de Pégaso nas costas do Cavaleiro, que se eleva rapidamente ao ar, voltando em sua direção e arremessando seus meteoros sem pensar duas vezes. O Deus os para facilmente, mas seu manto, que não tinha o poder de um corpo divino, se rasga, mostrando os braços de sua armadura.
- Não será tão fácil... – diz Hypnos – Ele é impulsionado pelo desespero, e não tem mais nada a perder. Você está acuando um rato, e dizem que eles podem morder os gatos quando estão em tal situação.
O Deus do sono lhe dá as costas e se afasta, enquanto o gêmeo fita descontente o rapaz, que rapidamente voa para o local onde estaria Atena.
- Não me subestime rapaz!
Sua rajada de energia se divide em várias outras, igualmente poderosas, que envolvem o Cavaleiro, despedaçando suas asas e boa parte de sua vestimenta, e como num turbilhão ele cai de cabeça em meio às flores.
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