Além da Coragem - Livro 3
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Uma Triste História de Amor:
Os olhos se abrem. Não estão mais na Segunda Prisão, e o vento trás consigo pétalas de flores, junto com seu suave aroma.
- Flores no Submundo? – indaga Shun, cheio de surpresa e curiosidade.
Seguem o caminho das pétalas, encontrando um enorme campo florido, mas não é isso o que os deixa mais embasbacados. Em meio ás flores uma bela imagem feminina se ergue, petrificada até pouco abaixo dos ombros. Sua pele era alva, e os cabelos, longos, lisos e loiros, voavam delicadamente ao vento. Aproximam-se cautelosamente, vendo-a abrir os olhos, negros, cheios de uma profunda tristeza.
- Está viva? – espantou-se Shun.
- Vocês são Cavaleiros? – perguntou timidamente.
- Sim. – responderam.
- Ah... Que bom! Esperei tanto por esse dia... Eu queria lhes pedir algo.
- ... – permaneceram esperando.
- Por favor... Salvem Orpheu, eu imploro.
Seu nome era Eurídice, e queria desesperadamente que os Cavaleiros levassem Orpheu de volta à Terra. Quando lá vivia, ela e o Cavaleiro se amavam, e estavam sempre juntos. Ele lhe prometera estar sempre ao seu lado, e sempre tocar para ela sua lira. Mas a morte os separou quando Eurídice foi picada por uma cobra. Em desespero, Orpheu desce ao Mundo dos Mortos e chega ao palácio de Hades, onde implora pela vida de sua amada. Comovido com o som de sua lira, o Deus concede a segunda chance à jovem, mas avisa que, no caminho de volta, Orpheu jamais deveria olhar para Eurídice, até encontrar a saída do Submundo.
- Sua Majestade se encantou com a música desse rapaz, – disse Pandora à Faraó, na Segunda Prisão – seria uma pena deixá-lo ir. Além disso, Hades nunca concede segundas chances, não podemos abrir uma exceção – e dando-lhe seu espelho com armação de bronze – Quando passarem por aqui, faça com que não possam chegar à saída do Mundo dos Mortos.
Orpheu e Eurídice andavam pelo Submundo, era uma caminhada longa e cansativa, e a jovem, levada pelas mãos de seu amado era delicada demais para um lugar tão hostil.
- Não desanime, Eurídice, estamos quase chegando...
Uma luz intensa vinha do alto, refletindo-se nos olhos esperançosos do rapaz. Ele tinha certeza, eram fortes como os raios do sol, estavam diante da saída. Empolgado, ele se vira para a amada, mas ela simultaneamente tem seu corpo transformado em pedra até os ombros. As lágrimas brotam dos olhos de Orpheu, cheio de remorso diante de sua falha.
Ele resolve ficar no Submundo, cumprindo a promessa de não abandonar Eurídice, confortando-a com sua música. Porém, para ali permanecer, havia de servir a Hades, e assim o fez. Mas a garota não suportava ver seu sofrimento, e queria que ele pudesse seguir sua vida.
Orpheu aparece, com uma expressão quieta assustadora, mandando que os Cavaleiros fossem embora, Cavaleiros de bronze jamais seriam capazes de enfrentar Hades sozinhos. Mas eles não poderiam partir, afinal, Atena se dirigia, naquele momento, para o lugar onde estaria Hades, para enfrentá-lo pessoalmente. Sem sua armadura, porém, ela jamais o venceria, entregá-la era exatamente a missão que eles tinham.
Orpheu hesita por um momento, diante da idéia de que Atena poderia morrer, mas logo volta à indiferença de antes. Ele nada podia fazer, já que tinha uma divida para com Hades. O Deus o deixara permanecer ali, junto de Eurídice, com a condição de que ele o servisse. Tal atitude entristece Shun, e Seiya está indignado.
- Vamos embora, Shun, ele não passa de um traidor.
Orpheu não se importa, até uma estranha luz, parecendo-se com raios solares, brilhar no céu, apenas por alguns segundos. Faraó aparece atrás dos Cavaleiros, sobre um morro e, como num passe de telecinese, toma a armadura de Atena das mãos de Seiya, com a intenção de entregá-la a Pandora.
- Por que você não matou os Cavaleiros como disse que faria, Orpheu? Por acaso é um traidor e já se esqueceu da bondade de Hades?
- Antes de perguntar, me responda uma coisa, Faraó: A luz que eu vi no dia em que Eurídice ficou eternamente presa aqui, era você?
- E se fosse, o que você faria?
- O que eu faria...? – repetiu com seriedade e calma assustadoras – Se realmente era você... Este lugar será seu túmulo!
Toca a lira, com seu cosmo elevado, e a mão de Faraó começa a se mover involuntariamente. A armadura de Atena cai, sendo amparada, ainda no ar, por Seiya, que está agora entre os dois guerreiros que se enfrentam. Shun está ao seu lado. O espectro revida, tocando também sua harpa, os cosmos entram em conflito. O guardião da Segunda Prisão começa a ganhar a vantagem, sua música ataca todos à volta, para Eurídice aquilo era insuportável.
Uma das cordas de Orpheu se rompe, uma corda essencial, a nota base de todos os acordes e arpejos de sua música. Faraó utiliza a \"Balança da Maldição\" tentando arrancar o coração do Cavaleiro, mas é o seu que salta do peito, numa dor aguda jamais imaginada pelo dono desta técnica. Com os dentes, Orpheu segura a corda estourada e continua a tocar, com seu cosmo ainda mais elevado, derrubando da armadura do espectro um certo espelho.
- O espelho de Pandora... – e esmigalhando-o sob seu pé – Foi com isso que você criou luzes tão fortes para me enganar...
Faraó permanece estático, enquanto Orpheu admite ter de agradecê-lo.
- Agora reconheço o quanto uma vida é preciosa e única. Eu tentei devolver uma vida que foi tirada, mas ressuscitar alguém é errado. Uma chama que se apaga não pode ser reacendida.
Ele tinha as faces banhadas em lágrimas, e os olhos cheios de carinho para Eurídice, que se felicitou com suas palavras.
- E o que você vai fazer agora? – perguntou Faraó.
- Eu...? Lutarei novamente como um verdadeiro Cavaleiro de Atena.
O espectro não confia na capacidade do jovem, mesmo depois de ter voltado seu ataque contra si, e empunha novamente sua harpa. Mas todas as cordas se rompem diante de seus olhos, o cosmo do Cavaleiro está mais concentrado do que nunca, e não há ressentimentos em seu coração.
- ACORDE NOTURNO!
Seu golpe o atinge por completo, não há como se defender, Faraó de Esfinge está definitivamente morto. O jovem chama novamente pelos Cavaleiros de bronze. Hades o ouvia tocar sua harpa a cada treze dias, e este era o dia de se apresentar, Orpheu os guiaria por um caminho oculto até seu templo, em -se de Eurídice antes de seguir caminho, para nunca mais vê-la em vida. Seus dedos sobre as cordas da lira seguram-se, ele não deve mais tocar para ela, não neste momento. Não há exatamente tristeza, mas a dor profunda da saudade. No fundo, porém, pressentia que seu reencontro seria próximo. A imagem da bela jovem desaparece, como uma miragem em meio às flores.
Notas finais
Seiya: Xiii... Q q foi...?
Hyoga: Dexa de ser tonto, Seiya. Ñ tá na cara q ela tá emocionada? ¬¬
Seiya: Ah...
Shun: Q história triste... Ç.Ç
Tadinhus deles... T.T
Shun: Verdade... T.T
Seiya: Gente... A gente num tava indo atrás do Hades?
Shun (olhos opacos e sinistros): Não precisa procurar muito...
Nala, Seiya e Hyoga: Heim?
Shun (normal de novo): Hã... Heim... Q foi...?
Nala, Seiya e Hyoga: Nada. -.-
Q estranho... Bom... Próximo capítulo, então...
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