Além da Coragem - Livro 3
18 Capítulo 18
Notas iniciais
O verdadeiro poder fora da barreira de Hades:
Estava dentro do salão principal, na Mansão do Juízo, sem um arranhão sequer. Não entendia o que acontecera, mas sabia que alguém o livrara do ataque final de Lune. Acorda o companheiro, que ainda jazia desmaiado ao seu lado. Ele se levanta, sem entender também toda aquela calmaria repentina. Atravessam a porta dos fundos da mansão, indo em direção ao caminho que os levaria adiante no Mundo dos Mortos.
Do lado de fora, na ponte que atravessava um abismo de profundidade infinita, o Vale da Ventania Negra, Lune tentava entender o que teria acontecido. Certamente alguém lhe impôs uma poderosa ilusão. Mas para ser capaz de tal façanha contra um espectro de seu nível, com certeza era alguém de poder descomunal.
O poderoso cosmo inimigo se apresenta, reconhecido por Radamanthys de imediato: alguém de tamanho poder, só poderia ser ele, o homem que foi capaz de enganar um Deus. Lune lança seu chicote, que envolve algo invisível no ar.
Envolto num dourado cosmo de grande poder e vestindo sua reluzente armadura de Gêmeos, Kanon aparece. Sua expressão é calma e fria.
- Hum... Eu pensei em fazê-lo me guiar pelo Mundo dos Mortos com essa ilusão, mas parece que terei de chegar a Hades por outros meios...
- Como pode ter a petulância de falar com tal segurança estando prestes a morrer pelo poder do meu chicote?
- Acho que você ainda não entendeu sua situação, Lune... É você quem está prestes a morrer.
- O que?
- Alem disso, eu jurei lealdade a Atena, e não permitirei que seres malignos como vocês continuem com seus planos.
- Hum... Que coragem dizer isso depois de tudo o que você fez, depois de ter planejado contra os Deuses. Você sentirá o castigo por seus pecados.
- Ora, você mesmo disse que os homens não podem usar desculpas para matar os outros por justiça. Então você também está hipocritamente atuando como Deus ao julgar os mortos à sua maneira. Se eu tiver de ser julgado por meus pecados, eu aceitarei o castigo, mas até lá, eu seguirei lutando por Atena. Então é a sua vez de sentir o castigo divino por seu abuso de poder.
Sob os olhares incrédulos dos dois, Kanon nada mais faz além de tocar com o indicador o chicote que prendia seu braço. Não só este, mas todo o corpo de Lune se desfaz instantaneamente sem poder entender como aquilo acontecia, sem poder pensar em reagir. Radamanthys não tem palavras. Vira-se para o juiz, com olhar ameaçador.
- Então... Você me levará até Hades, ou será o próximo a me enfrentar?
O espectro se irrita diante de tamanha arrogância, e avança contra Kanon. Mas este facilmente se esquiva, desaparecendo da visão do adversário. Sua voz soa de trás deste, de cima de um alto pilar onde pousara levemente num movimento tão rápido quanto a luz.
- Meu corpo está leve... Parece que você só conseguiu derrotar Mu, Milo e Aiolia por estarem com seus poderes tão reduzidos graças ao poder de Hades imposto sobre aquele castelo.
- Como é?
- Claro... Se estivessem com seu poder total, você não venceria nem mesmo um deles. Mas parece que aqui não há tal barreira, por isso posso agir livremente. Portanto, prepare-se para conhecer o verdadeiro poder de um Cavaleiro de ouro!
Ele avança rapidamente contra Radamanthys, obrigando-o a se esquivar o mais depressa possível. Shun e Seiya chegam ao local, agora percebiam quem os tirara da enrascada em que estavam. Seiya aproxima-se alegremente de Kanon, e Radamanthys é completamente ignorado por alguns instantes.
- Kanon! Que bom saber que temos um aliado como você...
- Quem disse que sou seu aliado?
- O que? Mas você se arrependeu do seu passado e...
- Eu disse que jurei lealdade a Atena, mas não que me uniria a vocês. – e dando um soco que parou a dois dedos do rosto de Shun – Olhem para vocês... São tão frágeis que não durariam nada neste submundo. Entregaram-se facilmente no começo do combate só porque alguém lhes disse que feriram seus adversários no passado. Vocês são Cavaleiros, deixarão então que o mundo inteiro sofra por não quererem ferir seus inimigos?
- Kanon... – resmunga Shun.
- Vocês têm uma missão – diz afastando-se – têm que levar a armadura até Atena, então não fiquem aí parados.
Os dois partem rumo a segunda prisão, enquanto Radamanthys espera pacientemente por seu duelo.
- Hum... Eu sei que não sou a pessoa certa para dar lições de moral para eles, mas...
- Já terminou de se despedir?
O espectro ataca com seu principal golpe, mas a \"Máxima Precaução\" é contra atacada com o \"Satã Imperial\". O inimigo estaria sob seu comando agora, mas aquilo não parece funcionar contra o juiz.
Kanon é cercado por uma tropa de cerca de dez soldados de Hades. Eles querem continuar a briga no lugar de Radamanthys, pois este fora convocado por Pandora ao Castelo de Hades. Os outros juizes, Minos e Aiacos, já se dirigiam para lá, e a jovem não toleraria demoras.
- Pode deixar, senhor Radamanthys, nós acabamos com este Cavaleiro.
- Idiotas... Vocês não conhecem o poder desse homem, mesmo que fossem cem, não seriam páreos para ele. Se prezam suas vidas, saiam daqui.
De qualquer forma, ele parte, prometendo que voltariam a se enfrentar. Os espectros, porém, não parecem dar crédito às palavras de seu comandante, e avançam com todas as forças contra o Cavaleiro.
- \"EXPLOSÃO GALÁCTICA!\"
Um brilho sobe às alturas, e todos os adversários são instantaneamente pulverizados. Ergue os olhos serenamente para o alto.
- Adeus...
---ooo---
Hyoga e Shiryu estavam juntos quando acordaram no Submundo, Dohko não estava mais com eles.
- Onde está Nala?
- Calma, nós conseguimos, ela deve estar bem. E o Mestre Ancião também, tenho certeza.
Shiryu podia enxergar normalmente, ao alcançar o Arayashiki, nenhuma das barreiras impostas ao corpo humano tinha mais influência sobre eles.
Olham para o céu, o brilho de um cosmo conhecido se eleva como uma estrela ascendente. Era Kanon, dizimando uma dezena de soldados, a batalha já começara, eles deveriam se apressar.
Passam sem grandes problemas pelo rio, Caronte está destroçado, e é obrigado por Hyoga a leva-los, ele não parece querer mais briga. Quando chegam à morada do juízo já não encontram ninguém, e seguem o caminho.
---ooo---
Abro os olhos, ninguém á minha volta, estava sozinha. Chego á margem do rio, de onde vejo o cosmo de Kanon se elevar ao longe, era melhor correr. Nesta parte do Aqueronte não havia nada nem ninguém, só a sombra de um barco que se aproximava entre a névoa. Avancei devagar, com cautela, vendo apenas os pés que estavam para fora da barca. O homem, lá dentro, estava bastante ferido, e dava para reconhecer facilmente os ferimentos dos meteoros.
- Hei... Você é o barqueiro?
- Aaaarg... – resmungou enquanto se erguia – Deu pra você perceber?
- Então não se incomodaria em me levar pro outro lado...
- Claro que não... Contanto que pague...
- Você já não apanhou o bastante por hoje, não? – perguntei ironicamente com os olhos perigosamente estreitos.
- ... – disfarçou – Entra, vai, você eu levo de graça...
Estávamos no meio do caminho, mantendo-me sempre de pé, fitava o longe, até que me virei para ele, não contendo a curiosidade, e cortei sua cantoria de mau gosto.
- Quantos Cavaleiros atravessaram?
- Hã...?
- Os meteoros do Seiya são bem fáceis de serem reconhecidos. Dá pra ver que você o trouxe. Mas além dele, quem mais veio?
- Só o garotinho de armadura rosa...
- Só os dois? Tem certeza?
- Ah... Por que é que eu ia mentir nisso?
Voltei a fitar o longe, preocupada: \"Hyoga... Shiryu... Será que estão bem?\" O espectro se aproxima lenta e perigosamente, fico atenta.
- Mas por que tanta preocupação? Aliás, uma menina bonita como você não devia ser trazida para cá, não acha? – disse, aproximando a mão de minha cintura. – Aaaaaaaargh!
Minhas garras cravaram em seu queixo numa velocidade que não o permitiu ver sequer que me virara, e ele tombou ensangüentado do outro lado do barco, erguendo-se num susto amedrontado.
- Mantenha suas mãos no remo e seus olhos no rio, barqueiro, ou você não passa de hoje.
Calou-se imediatamente, e terminou a travessia sem mais transgressões. Tenho certeza de que sequer pensou em se opor a Shiryu e Hyoga quando os encontrou. Se pensasse, com certeza viraria um cubo de gelo.
Notas finais
Er... O.o
Shun: Xiiiiii... Olha o ciúmes... =P
Hyoga: Se eu soubesse... Tinha botado ele num esquife e espatifado depois! ò.ó
Q medo... '~'
Shun: Se bem q... Se fosse a June eu tb ficava bravo. u.u
Shiryu: Se fosse a Shunrey eu trucidava c/ gosto... u.u
Er... 0 Próximo Capítulo...
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