Além Do Bem E Do Mal

19 Capítulo 19 - SOLIDÃO ACOMPANHADA


Notas iniciais
Oi gente!!
Tardo mas não falto! Eis aí um capítulo novinho. Confesso que ele não é meu preferido, mas é o início da estada da Bella na casa dos Cullen.
Vcs vão notar que eu fiz algumas mudanças na história original, principalmente no que se refere à gravidez de Bella. Para deixar bem claro, ela vai transcorrer quase que normalmente.
Notarão também que introduzi uma nova personagem.
Um beijo enorme para a "danniprado" pela recomendação da fic. Obrigada, menina!!
Beijão também para todas(os) que continuaram comentando. Fiquei super feliz com o número de reviews!! Vcs são especiais e não poderia desejar leitoras(es) melhores!!

CAPÍTULO 19 – SOLIDÃO ACOMPANHADA


...”Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados: a carência, a saudade, a mágoa. Um quase desespero. Uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo”...

(Martha Medeiros)


Bella entrou no carro de Jasper e Alice e não viu Edward mais. Continuou tentando ignorar a presença do assassino de seus pais. Era estranho estar tão próximo dele depois de tudo. Dava para notar que ele também estava incomodado. Seus olhos sempre se voltavam para o chão quando ela o fitava, mesmo que sem querer.

Ao contrário do que imaginou, Edward não chegou em casa logo após eles.

Nem a recepção calorosa de Esme e Carlisle fez Bella se desligar da curiosidade de saber onde o pai de seu filho tinha se metido.

Depois de ser cumprimentada por Emmett, que lhe desejou boas vindas e afagou carinhosamente sua barriga, deixando-a desconcertada, Bella foi convidada a conhecer seus novos aposentos.

– Branco, sua cor preferida. – Esme falou ao abrir a porta, sorrindo. – Conversei com Edward para decorá-lo. Pena que o tempo foi muito curto. Queria ter caprichado mais.

O quarto estava tão perfeitamente decorado que parecia ter sido cuidadosamente planejado e construído para recebê-la desde a época da construção da casa.

Bella se perguntava como aqueles vampiros conseguiam fazer as coisas tão rápidas, mesmo as que não dependiam unicamente da extraordinária velocidade física deles. A melhor resposta que lhe vinha à mente era “dinheiro”. Sim, os Cullen tinham riquezas suficientes para construírem um castelo em dias, se quisessem. Aquele belo quarto diante dos seus olhos era só um mísero sinal do poderio que aquela família ostentava. Se eles desejavam, eles tinham...

– Está perfeito. Obrigada! – Bella agradeceu.

– Vou deixa-la sozinha, querida. Se precisar de algo é só nos chamar. Carlisle pediu para avisá-la que vai querer te examinar amanhã pela manhã. Eu venho chamá-la se for preciso. Durma bem.

– Obrigada.

O banheiro era tão lindo quanto o quarto. Um banho naquela banheira gigantesca era tudo o que Bella estava precisando.

Enquanto morgava na água quente e aromatizada com sais de lavanda, algo não saía de sua cabeça: Onde estaria Edward? Será que tinha sido dura demais com ele? Será que ele tinha se zangado verdadeiramente com ela?

E o que isso importa, Bella? Não existe mais nada entre vocês!”

Era o que Bella tentava se convencer, mas não podia negar que preferia tê-lo por perto.

Já estava deitada em sua cama quando ouviu um leve toque na porta.

Sorriu. Enfim Edward resolvera dar-lhe boa noite como um bom anfitrião, pensou.

Tentou disfarçar a cara de decepção quando viu Esme segurando uma bandeja na mão.

– Mil desculpas, querida! Não sei como pude me esquecer que precisa se alimentar. Por favor, perdoe-me! Fiz um lanche para você. Tomara que esteja do seu gosto.

– Não precisava se preocupar, não estou com fome. Mas mesmo assim muito obrigada! – Bella agradeceu, pegando-a das mãos de Esme.

– Eu me sinto péssima pelo meu esquecimento. Você precisa se alimentar da melhor maneira possível e vou me empenhar pessoalmente nisso.

– Não quero lhe dar trabalho.

– Não é trabalho nenhum! Na verdade será um grande prazer.

Depois de comer o último croissant da travessa, Bella olhou espantada... Tinha comido tudo o que a ex-sogra havia lhe levado. Realmente tinha subestimado a sua fome de grávida.

Grávida!... Sempre que pensava nesta palavra sentia um frio na barriga. Ainda não tinha tido tempo suficiente para assimilar essa mudança drástica em sua vida.

O cansaço a dominou e Bella se entregou às delícias de sua cama king size, forrada com lençóis de algodão egípcio de seiscentos fios.

Acordou com a voz doce de Alice chamando-a, enquanto batia na porta.

– Carlisle quer te ver, Bella. Você precisa fazer alguns exames. Ele está te esperando lá embaixo. Arrume-se e desça. Esme já preparou o seu café-da-manhã. Não se assuste com a quantidade, ela está muito empolgada em ter alguém para quem cozinhar. – A vampirinha disse rindo, depois de Bella ter aberto a porta do quarto.

– Tudo bem, estarei lá em alguns minutos.

Por incrível que pudesse parecer, Bella estava começando a achá-la agradável.

Tomou um banho rápido e desceu. Alice não tinha exagerado, tinha comida na mesa suficiente para alimentar metade de Forks. Só estava faltando uma coisa... Edward.

Ele tinha simplesmente evaporado desde o episódio do aeroporto.

– Pronta, Bella? Podemos ir? – Carlisle perguntou, assustando-a com sua chegada sorrateira e interrompendo seus pensamentos.

– Já terminei sim, podemos ir.

– Hoje seus exames serão feitos no hospital, mas já providenciamos a compra dos equipamentos. Montaremos uma pequena clínica aqui em casa para termos mais privacidade e também para que possamos te dar um atendimento rápido, caso necessite.

– Uma clínica aqui?

– Serão só alguns equipamentos básicos: aparelho de ultrassom, raio X, um centro cirúrgico, enfim, o necessário para acompanharmos sua gestação e realizarmos a cesariana, se necessário.

– Aqui? Vão trazer tudo isso pra cá? Quanto custam essas coisas?

– Não se preocupe com isso, Bella. Dinheiro é o menor dos nossos problemas.

Não estranharia se tivesse um McDonald’s ao lado da churrasqueira... Será que tem?”

– Além de nós dois, mais alguém irá conosco? – Bella perguntou, querendo saber se Edward a acompanharia também.

– Quer que Esme vá? Se sentir-se melhor em sua companhia, basta pedir que ela com certeza irá com o maior prazer.

– Não, não é necessário. Não quero incomodá-la. Só perguntei por perguntar.

O próprio Carlisle realizou todos os exames.

Alguns deles a deixaram bastante envergonhada, mas ela sabia que estava na mão de um médico com centenas de anos de experiência e que conhecia a espécie dos vampiros como ninguém. Não podia haver nada melhor para garantir a segurança de seu filho do que isso, portanto qualquer esforço e constrangimento valeriam à pena.

– Bella, por enquanto está tudo transcorrendo normalmente. O embrião está compatível com as seis semanas de gestação e seu quadro clínico está excelente. Não tenho como prever o que virá daqui para frente, mas estaremos atentos para qualquer mudança.

– Quantas crianças como essa já vieram ao mundo?

– Não sabemos, Bella. Até ontem eu achava que essa concepção era impossível. Procurei tudo o que já foi escrito em livros sobre isso, mas muito pouco se aproveita. Edward e Tanya estão pesquisando mais sobre o assunto. Tanya, além de vampira, é antropóloga e historiadora e está ajudando-o muito. Veio para Forks a pedido de Edward. Chegaram praticamente juntos, ontem.

– Quem é essa?

– Ela faz parte do Clã Denali. Eles moram no Alaska e também seguem a nossa dieta. Somos muito próximos, quase como uma família. Irá conhecê-la. Ela está hospedada lá em casa.

Bella apenas sorriu. Então havia uma explicação para o sumiço de Edward... Ele estava ocupado, fazendo pesquisas sobre sua gestação.

– Bella, se você quiser interromper essa gravidez, o momento é esse.

– Interromper? Como assim?

– Um aborto, Bella. Edward me pediu que te desse essa opção. Ele teme muito pela sua saúde.

– Ele quer que eu mate o nosso filho? – Bella estava a ponto de explodir. Não conseguia acreditar que Edward cogitasse aquela possibilidade.

– Eu não disse isso, Bella. Apenas quero que saiba que respeitaremos e entenderemos qualquer decisão que tomar. Estou pronto para te ajudar no que for preciso.

– Eu jamais faria isso. Se for preciso eu dou a minha vida para salvar essa criança, ao contrário do pai dela que a rejeita antes mesmo dela nascer.

– Bella, não interprete mal o que eu disse. Você e Edward precisam conversar. Não é bom que fiquem tirando conclusões erradas um do outro.

– Agora não importa mais o que eu penso dele...

A volta para casa foi longa e angustiante. Bella estava menos preocupada com o bebê, mas as palavras de Carlisle sobre Edward cogitar um aborto ainda feriam seu coração.

Se sua gravidez continuasse a transcorrer normalmente por mais alguns semanas, voltaria para Washington e só retornaria para o parto. Por mais acolhedores que os Cullen fossem, morar na mesma casa que Jasper e Rosalie não era muito agradável. Sentia-se sozinha. A falta de carinho de Edward com o filho deles, por mais que ela mesma o tivesse afastado de suas vidas, doía intensamente em Bella.

Assim que chegou, foi direto para o quarto. Estava magoada e temia cair no choro na frente de todo mundo.

Mal se jogou na cama, enterrou o rosto nos travesseiros e chorou. Deixou sair junto com as lágrimas toda a dor e desespero que estava guardando, na tentativa frustrada de fazer-se de forte. Naquele momento queria o colo da mãe, o abraço do pai, ou, quem sabe, uma palavra de apoio de Edward. Queria que ele estivesse tão feliz quanto ela com a vinda daquele bebê.

Na verdade Bella nem sabia por que chorava. Apenas sentia uma tristeza sem fim.

– O que foi, Bella? – A voz de Edward soou ao seu lado e só então ela percebeu que ele estava sentado na beirada da cama.

– Como entrou aqui? Eu fechei a porta. – Bella falou aos prantos, como se aquilo também fosse um motivo para se esvair ir lágrimas.

– Isso não importa. Por que está chorando? Está sentindo alguma dor? – Edward perguntou, acariciando seus cabelos com ternura.

– Eu só queria estar bem longe daqui! Queria ter meu filho em paz, longe disso tudo e de todos!

– Eu sei que está fazendo um esforço absurdo convivendo comigo e minha família, mas não há outro jeito, Bella. Você precisará de um médico por perto e não poderá ser um médico qualquer.

– Eu quero que saiba que por mais que rejeite esse bebê, Edward, eu jamais vou por fim à vida dele! Não preciso de você para criá-lo! Não precisaremos do seu dinheiro. Pode ficar despreocupado, não vou exigir nada de vocês, nem mesmo que você o registre em seu nome. Esse filho é só meu e vou fazer de tudo por ele. Sou mulher o bastante para educá-lo e sustentá-lo sozinha.

– O que você está falando, Bella? Quem disse que vou abandonar essa criança? – Edward perguntou surpreso.

– VAI NEGAR QUE QUERIA QUE EU ABORTASSE? CARLISLE ESTAVA MENTINDO QUANDO ME PERGUNTOU SE EU QUERIA TIRAR NOSSO BEBÊ, A PEDIDO SEU? – Bella se exaltou, sentando-se na cama.

– Calma, Bella! Ficar nervosa assim não faz bem pra vocês. Eu só pedi que ele lhe desse opções. Queria que soubesse que te apoiaríamos em qualquer decisão que tomasse. Se quer entender tudo errado, então entenda! Pensei que me tivesse num melhor conceito.

– Deixe-me sozinha, Edward, eu preciso descansar. Essas últimas horas foram muito difíceis. Não estou em condições de discutir nada agora.

– Sei que não me quer por perto e eu respeito isso, mas quero que saiba que eu estarei aqui sempre que precisar. Estamos nisso juntos, Bella. Não precisar passar por essas dificuldades sozinha.

Edward se levantou e pulou a janela, se atirando para fora como se tivesse asas. Por mais que soubesse dos “poderes” que os vampiros tinham, Bella ainda se assustou com o que viu.

Ficou no quarto o resto da manhã. Chorou todas as lágrimas do mundo.

Resolveu não descer para almoçar. Além de estar sem fome, não queria ver ninguém.

Por volta da uma da tarde bateram na porta.

Bella abriu por educação. Não estava nem um pouco interessada em socializar-se.

Uma loira estonteante, na faixa de uns vinte e poucos anos, trazia uma bandeja nas mãos.

– Prazer, Bella! Meu nome é Tanya. Sou amiga de Edward e, a pedido de Esme, que teve de sair para fazer compras, vim trazer seu almoço. Ficamos esperando que descesse...

A “historiadora” não seguia muito bem o estereótipo que Bella tinha imaginado. Ao invés de uma senhora de óculos e cabelos grisalhos, tinha diante de si uma verdadeira top model digna de uma capa de revista.

OMG, então essa é a amiga de Edward?”

– Prazer... Obrigada, mas não estou com fome.

– Pelo amor de Deus, tem de comer. Esme me mata se eu a deixar sem comida! Esse bebê poderá ser bem forte e necessitará de muitos nutrientes para se desenvolver. Carlisle elaborou uma dieta especial para você. Ela me fez prometer que cuidaria de sua alimentação pessoalmente, então...

– Tem razão, vou almoçar sim. Obrigada! Da próxima vez vou descer e fazer minha refeição na cozinha para não dar tanto trabalho.

– Faça como achar melhor. Ah, eu e Edward vamos sair. Se precisar de alguma coisa, Alice e Rosalie estão em casa, é só chamar.

Bella teve vontade de voar no pescoço da loira quando viu o sorrisinho cínico que ela deu ao pronunciar o nome de Edward. Só não o fez porque sabia que com apenas um dedo aquela vampira vadia acabaria com ela. Na verdade a tal Tanya não precisaria usar a força física para destruí-la, pensou Bella...

Seus pensamentos durante a tarde, presa em sua torre, ou quarto, dava no mesmo, se limitaram a fantasiar se Edward já tinha mostrado para a loira de olhos dourados as suas novas habilidades.

Por mais que Bella quisesse negar, achava sim que aquela era a mulher perfeita para ele. Não havia nenhum passado separando eles, eram lindos e da mesma espécie e deveriam contar com a torcida da família toda para ficarem juntos.

Mas Tanya nunca teria de Edward o que ela tinha... Um filho!

Bella sorriu vitoriosa, ainda que seu sorriso durasse apenas alguns segundos.