Além Do Bem E Do Mal

20 Capítulo 20 - FORÇA DA NATUREZA


Notas iniciais
Oi, gente!!
Quanto a demora, só me resta pedir desculpa. Eu estou cheia de trabalhos na faculdade e tem me sobrado poco tempo.
Mas aí está um capítulo novinho!! Espero que curtam os momentos do nosso casalzinho preferido.
Um beijo enorme pra todos vcs e obrigada pelos reviews. Amei cada um deles.

CAPÍTULO 20 – FORÇA DA NATUREZA

Sem remédio

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a dor
À minha porta e nesse dia entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e aonde vou!!

Sinto os passos de dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

(Florbela Espanca)

- Por que você está com ciúmes, Bella? Ele não é mais nada seu!

- Eu sei que não, mas também não quero que ele seja de mais ninguém!

- Isso é egoísmo. Deixa ele viver a vida dele, oras!

- Não deixo não! Quem essa morcega velha acha que é para ficar dizendo que vai sair com ele? Eu devia ter quebrado a cara dela!

- Tudo bem, devia mesmo! Mas lembre-se que ele te chamou de “meu amor” e você brigou com ele, agora aguenta!

- Pois é, eu falei um monte de besteira mesmo, mas... Mas estou arrependida. Pronto, falei!!

- Então peça desculpas para ele... Diz logo que ainda o ama loucamente e que o quer de volta.

- Se fosse fácil assim... Eu não posso fazer isso!

- Então vai entregá-lo de bandeia para essa tal da Tanya? É isso mesmo o que você quer, Bella?

- Não, não é...

- Mas é o que vai acontecer se você não fizer nada.

- Para de me encher o saco! Isso é problema meu!

Bella parou por alguns segundos, assustada, depois começou a rir descontroladamente.

Pronto, era só o que me faltava... Fiquei louca!”

Estava conversando em voz alta com ela mesma, na frente do espelho do banheiro, numa atitude que beirava a esquizofrenia. O diálogo era entre a “Bella Razão” e a “Bella Coração”.

O que não sabia era qual das personagens era a verdadeira Bella. Em qual delas devia confiar e seguir os conselhos.

Uma queria viver o amor acima de qualquer coisa, a outra não se desligava do seu passado, colocando a mágoa e o ressentimento em primeiro lugar.

Por mais estranha que aquela situação fosse, uma coisa era certa... Edward estava lhe escapando por entre os dedos. Isso era um fato incontestável.

Se era por sua vontade ou pela dele, só o tempo iria dizer, pensou Bella.

No meio da tarde começou a se sentir sufocada, presa naquele quarto. O teto parecia cada vez mais baixo e uma sensação claustrofóbica começou a lhe dar falta de ar.

A casa parecia vazia quando desceu, mas bastou que girasse a maçaneta da porta da frente para Rosalie aparecer do nada, como se fosse um fantasma.

- Nossa, você me assustou! – Murmurou Bella, quase sem voz.

- Vai sair?

- Vou dar uma volta no jardim.

- Não vá muito longe. Edward é capaz de ter uma crise histérica se souber que te deixei correr algum risco. – Rosalie falou com seu costumeiro tom irritante.

- Não preciso de babá, já sou bem grandinha para me cuidar sozinha. Mas se quer saber, vou ficar por perto. Se bem que às vezes desconfio que corro mais risco aqui dentro do que lá fora.

A paciência de Bella tinha se esgotado. Não ia mais ficar aguentando as grosserias da ex cunhada.

- Então diz isso para o Edward! Essa preocupação dele com você está ficando insuportável!

- Quer saber, Rosalie, se está incomodada com a minha presença, volte para a Transilvânia e me deixe em paz! Não pedi para ninguém cuidar de mim! – Bella explodiu, pisando duro ao deixar a sala. Se bem que virar as costas para a loira enraivecida deu-lhe um pouco de medo.

O crepúsculo deixava o céu com uma bela cor laranja. Apesar da beleza, a paisagem era triste e bucólica. Bella foi sentindo o peito se apertar e a melancolia tomar conta de si. Sentou-se num dos bancos que adornavam o jardim e deixou sua tristeza e raiva escorrerem por sua face em forma de lágrimas.

Seu coração se acelerou quando viu Edward se aproximando.

- Posso me sentar aqui?

- Claro, o banco é seu. – Bella respondeu mal-educada, reforçando a distância segura que estava dele.

Edward apenas riu baixinho.

- Rosalie mais uma vez conseguiu te deixar irritada, não é mesmo? Prometo que isso não vai mais acontecer.

- Não preciso que a deixe de babá enquanto você passeia com sua amiguinha. Por sinal voltou cedo, achei que ia passar a noite fora.

- Por que a ironia, doutora? – Ele perguntou ainda com o riso no rosto.

- Posso saber por que está me chamando assim?

- Desde que passou a me tratar como se eu fosse um monstro , agindo novamente como aquela Agente do FBI que foi me visitar na prisão, lembrei-me que era assim que eu a chamava.

- Isso mesmo, Edward, comporte-se como um moleque de dezessete anos. Não é isso mesmo o que você é? – Bella falou irritada, zangada com o tom sarcástico das palavras de Edward.

- Se não gosta que eu a chame assim, posso te chamar de professora. Ainda me lembro das lições maravilhosas que me ensinou. – Ele falou cinicamente, se divertindo como um adolescente inconsequente.

- Eu devia ter te dado aulas era de boas maneiras... – Bella disse, balançando a cabeça como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir. — Mas acredito que o que te ensinei esteja sendo bem útil agora que arrumou uma nova namorada. – Dessa vez Bella foi sarcástica, se levando para sair.

Antes que seu corpo desse a volta completa para dar as costas a Edward e ir embora, sentiu as mãos dele lhe segurando, forçando-a a ficar de frente para ele.

- Acha mesmo que eu sairia com outra mulher enquanto você arrisca sua vida carregando meu filho na barriga, Bella? É isso realmente o que pensa de mim? – Os olhos dele a fitavam intensamente.

“Meu filho”... Era a primeira vez que Bella o via se referir ao bebê que esperavam de forma fraternal. Aquela frase mexeu com seu emocional de uma forma tão intensa que não conseguiu segurar as lágrimas. Sempre fora chorona, mas os hormônios da gravidez estavam dando uma mãozinha para se tornar uma verdadeira manteiga derretida.

- Já não sei mais de nada. Eu estou tão cansada, Edward... Eu só queria dormir por dias seguidos para ver se esse aperto no meu peito passava.

Edward a abraçou e Bella se deixou ser amparada por aqueles braços que tanto lhe fizeram falta.

Odiou-se por estar tão frágil. Sua cabeça dizia que estava caindo em uma armadilha sem saída, mas seu coração encontrou, enfim, o alento que tanto necessitava, deixando suas batidas aceleradas gritarem aos quatro ventos que era ali que se sentia plenamente feliz.

- Edward, querido, os livros chegaram. Acabaram de avisar. Precisamos ir a Port Angeles pegá-los.

A voz perfeita de Tanya feriu os ouvidos de Bella como se fosse um ruído, fazendo-a se afastar rapidamente de Edward, que fez uma cara de descontentamento, mas foi educado, dando atenção à vampira.

- Vamos sim, Tanya, apenas me dê uns minutos.

- Vai ficar bem, Bella?

- Eu sempre fico, Edward. – Bella falou cheia de ressentimento, correndo para dentro da casa. Tinha retirado a casca de sua ferida já quase cicatrizada, e ela agora sangrava e doía mais ainda. Estivera nos braços de Edward novamente e aquilo só tinha servido para mostrar-lhe o quanto ainda o amava... O quanto ainda precisava dele...

Na verdade queria correr para a estrada, para bem longe dele e de qualquer coisa que a fizesse se lembrar do vício que tinha por seu toque, por seu cheiro e pela felicidade que ele a fazia sentir.

Debaixo do chuveiro, tentando disfarçar os soluços dos ouvidos atentos de seus anfitriões, chorou de dor e de raiva. A dor era por Edward e raiva era de si...

Disfarçou o rosto inchado com maquiagem e desceu para jantar. Não queria ficar recebendo comida no quarto, dando mais trabalho ainda para Esme, sempre tão prestativa. Encontrou-a na cozinha.

- Que bom que desceu, querida! Sente-se à mesa de jantar, vou servir seu prato.

- Importa-se se eu comer aqui mesmo? Acho menos formal – Bella pediu.

- Claro, do jeito que achar melhor!

Enquanto comia a deliciosa comida que lhe fora servida, Bella percebeu que Esme estava aflita, como se quisesse lhe dizer algo.

- Parece-me ansiosa.

- E estou mesmo, Bella. Odeio ver você e meu filho sofrendo por estarem separados. Sei que tudo o que você ficou sabendo sobre seus pais e nossa família mexeu muito com seu emocional, mas acho que está mais que na hora de superarmos esse passado cheio de desgraças e decepções que tivemos. Edward te ama mais que a própria vida, Bella. Não desperdice um amor como o de vocês por causa de mágoas. Eu sei o que a dor pode nos levar a fazer, e como sei! Mas também conheci a força que o amor verdadeiro tem em nossas vidas. Carlisle me devolveu a paz que eu havia perdido. Dê uma chance para sua felicidade, querida. Você e Edward terão um filho. Experimentarão a maior alegria que pode haver na vida de uma pessoa. Precisam curtir essa bênção juntos.

- Eu nem sei se Edward quer mesmo esse filho.

- Não diga uma bobagem dessas, Bella. Não pode pensar isso dele! Depois que terminar quero te mostrar uma coisa.

Após comer, Bella seguiu Esme até a porta do quarto de Edward.

Antes de abri-la, a vampira vacilou um pouco.

- Sei que estou invadindo a privacidade do meu filho, mas é por uma boa causa. – Disse a si mesma, em voz alta.

Com um impulso mínimo, Esme saltou até o alto do armário e pegou um pacote que estava guardado ali, entregando-o à Bella.

- Abra!

- Não é certo fazer isso. Não tenho esse direito.

- Abra, Bella. Precisa ver o que tem aí.

Bella retirou devagar a tampa da pequena caixa e se deparou com algo que não esperava.

Pousado sobre um papel de seda branco havia um par de sapatinhos de bebê, tricotado em lã branca.

Era tão lindo e tão significativo que Bella não se conteve. Mais uma vez deixou sua emoção escorrer pela face.

- Ele deve ter comprado ontem mesmo, pois o trouxe com ele da viagem.

- Mas eu pensei que ele não... Que ele não... – Bella sequer conseguia formular a frase.

- Que ele não queria esse filho, Bella?

- É.

- Você está dando ao meu filho a maior alegria da vida dele. Está lhe devolvendo parte da vida que lhe foi ceifada quando se tornou um vampiro. Como consegue não ver a alegria nos olhos dele? É verdade que ele ficou preocupadíssimo com você. Que se sentiu péssimo com a possibilidade de ter colocado sua vida em risco, mas em nenhum segundo deixou de desejar esse filho mais que tudo na vida... Ele está fazendo o impossível para conseguir informações sobre algum caso parecido com o de vocês. Está em busca de qualquer coisa que possa amenizar os perigos dessa gravidez.

- Mas... Mas ele pensou em aborto.

- Bella, Edward apenas queria que você soubesse que te apoiaria em qualquer decisão que tomasse. Edward pensou que você estivesse odiando o fato de estar esperando um filho dele. Que não quisesse nada os unindo novamente. Ele sofreu muito com essa possibilidade.

- Como ele pode pensar isso de mim?

- Da mesma forma que duvidou dele.

Esme tinha razão. Tinha esperado o pior de Edward e não podia estranhar o fato de ele ter feito o mesmo.

- Edward te ama, Bella. Não o jogue no colo de Tanya. Ele é tudo o que ela sempre quis. E acredite, ela vai se aproveitar da fragilidade dele.

Bella fitou em silêncio o interior da caixa. As palavras de Esme tinham sido reveladoras, mas nada era mais significativo do que aqueles sapatinhos.

- Parecem tão pequenos. É difícil imaginar que nosso bebê será tão pequenininho.

Bella não teve coragem de olhar para trás. Pela voz, já sabia quem estava ali.

- Ficarão perfeitos nele. – Sussurrou sem forças, sentindo a vontade de chorar se intensificar.

Lentamente se virou e viu que só estavam os dois no quarto.

- Eu não devia estar aqui, me desculpe...

- Se esta invasão serviu para você mudar de ideia quanto a mim, está desculpada...

- Eu não devia ter sido tão dura com você...

- Eu não devia ter te deixado partir...

- Eu não devia ter ido...

Sem saber quem se aproximou primeiro de quem, Bella e Edward se abraçaram com a força de uma maré, daquelas que fazem o mar retomar a posse de tudo o que anteriormente lhe pertencia. Seus corpos se juntaram seguindo uma força natural que não podia ser contida. Eles não tinham mais o controle sobre suas vontades. Sabiam apenas que tinham nascido um para o outro, e pouco podiam fazer contra isso.

- Eu te amo, Bella. Talvez isto não baste, mas é a única coisa que tenho a lhe oferecer.

- Eu também te amo, Edward. O melhor de você já está em mim. – Bella disse, alisando carinhosamente a barriga.

E suas bocas se uniram enfim num beijo sôfrego, carregado de saudade.