Além Do Bem E Do Mal

15 Capítulo 15 - MAL IRREPARÁVEL


Notas iniciais
Oi gente!!
O capítulo está pequeno, eu sei, mas é que eu queria que ele parasse exatamente onde parou. (Mesmo sabendo que vcs vão me matar).
Queria ter postado mais cedo, mas tem dois dias que não consigo acessar minha conta. Já estava a ponto de desistir do Nyah. Agora a pouco, sem mais nem menos, consegui acessar.
O fato é que com essas manutenções do site e com a indisponibilidade de entrar na minha conta, perdi um tempo precioso para responder os reviews. Estou postando sem respondê-los, mas vou dar um jeito de colocar tudo em dia o mais rápido possível.
Beijão enorme pra todas vcs e obrigada pelos comentários.

CAPÍTULO 15 – MAL IRREPARÁVEL


“Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca.”

( Dom Quixote)


De repente Bella se viu sozinha. A sala antes acolhedora era agora fria e opressora.

Queria fugir, mas estava paralisada. Um medo desmedido começou a invadi-la. Longe de Edward as coisas já não pareciam tão naturais como antes. Estar na casa de vampiros lhe provocava arrepios.

Bella percebeu que estava mais sozinha do que supunha. Não era pela falta de pessoas ao seu lado que se sentia assim. O sentimento de solidão que a acompanhara desde os cinco anos estava de volta. Estava sozinha porque nada ali fazia mais sentido. Seus sentimentos eram únicos e não podiam ser compartilhados com ninguém. Era por esse motivo que se sentia só.

Com muito esforço alcançou a porta de frente. Estava decidida a ir embora. As palavras de Rosalie ainda ecoavam em sua cabeça, fazendo-a entender que não era a primeira Swan que os Cullen conheciam.

Mas como podia ser isso? Era filha única e seus pais haviam morrido há anos. A menos que...

Bella sentiu um calafrio percorrer todo seu corpo. Não queria nem pensar nessa hipótese. Edward já tinha lhe prometido que não tinha nada a ver com a morte de Charlie e Renée, e ela acreditava nele. Mas então...

As dúvidas deixavam-na tonta. Toda a dor e desespero que envolviam a morte de seus pais estavam de volta, anestesiando até mesmo o medo de ir caminhando até o asfalto, onde pegaria uma carona. Na altura dos acontecimentos, ser atacada por um animal seria um alento para seus tormentos. A morte lhe parecia um descanso merecido.

Se acostumar com a escuridão era uma questão de tempo. A lua até estava dando uma ajudazinha.

Quando Bella desceu as escadas da frente da casa, vozes chamaram sua atenção. Vinham da parte lateral da mansão.

A culpa é toda sua, Edward! – Era a voz de Rose.

Não é hora para culparmos ninguém! Temos de resolver o problema que Jasper causou antes que seja descoberto.

Falavam tão baixo que Bella não conseguiu definir quem havia ponderado, apenas sabia que era um homem.

... Devia ter matado aquela infeliz da Bella também! Pouparia a gente desse transtorno.

O som oco de algo que parecia um soco deu a entender que Rose, que havia proferido a frase, tinha sido agredida.

Parem com isso agora!

O quê? Quem devia ter me matado?”

Bella levou a mão à boca para refrear o grito que se formou na sua garganta. As lágrimas desceram rapidamente por seu rosto, externando a dor que a aterrorizava.

Sem pensar nas conseqüências de seus atos, ou talvez numa atitude inconscientemente suicida, Bella se encaminhou para onde estavam as vozes. Precisava colocar aquilo à limpo.

– O que você disse? – Perguntou à Rose, tentando em vão conter o choro que a dominava.

Por incrível que pareça sua presença pareceu surpreender os vampiros. A coisa devia ser muito séria para suplantar seus sentidos sobrenaturais.

– Bella, o que está fazendo aqui? Falei para esperar na sala. – Edward pareceu assustado.

– Um de vocês matou meus pais? – A pergunta saiu sofrida. Bella tampou os ouvidos em desespero, como se não quisesse ouvir a resposta. Seu corpo tremia inteiro.

Em segundos Edward a abraçava.

– Meu amor, não é nada disso. Não ligue para o que essa destemperada disse. Vamos sair daqui. Eu te levo pra casa.

– EU NÃO VOU SAIR DAQUI SEM VOCÊ NÃO ME EXPLICAR O QUE ESTÁ ACONTECENDO! EU NÃO TENHO NADA A VER COM OS PROBLEMAS DA SUA FAMÍLIA, MAS QUANDO MEU NOME É CITADO COMO ALGUÉM QUE DEVERIA ESTAR MORTA, EU ACHO QUE MEREÇO UMA EXPLICAÇÃO! – Bella gritou, totalmente descontrolada, decidida a não sair dali sem resolver a questão.

Todos olharam com raiva para Rose, menos Emmett. Edward parecia querer matá-la, se fosse possível... E era. Ele já tinha contado a Bella que vampiros poderiam ser mortos por outros vampiros.

– Bella, você está nervosa. Vamos embora, depois a gente conversa.

Bella nem viu quando sua mão socou violentamente o rosto pétreo de Edward. Apenas a dor lancinante a fez retomar os sentidos. Ouví-lo dizer mais uma vez a palavra “depois” tinha sido demais para seu deplorável estado emocional.

– Áiiiiiiiiiiiiii!

– Você está louca, Bella? – Edward perguntou estupefato, parecendo não acreditar que ela tinha feito uma sandice daquela. Seu murro não tinha feito nem cócegas nele. – Deixe-me ver sua mão, deve estar quebrada.

Bella segurava-a junto ao peito, sentindo o latejar doloroso. Pela dor, realmente deviam ter partido alguns ossos.

Carlisle logo se prontificou a examiná-la, preocupado com o que podia ter acontecido.

– Vamos para dentro, Bella, preciso ver sua mão.

– NÃO TEM NADA COM MINHA MÃO! SÓ ESTÁ DOENDO UM POUCO. SE NINGUÉM ME CONTAR O QUE ESSA LOIRA GELADA QUIS DIZER, POSSO ATÉ QUEBRAR MAIS ALGUNS OSSOS, MAS ACABO COM PELO MENOS UM DE VOCÊS!!

– Eu não duvido disso. – Disse Edward, imobilizando-a facilmente e levando-a à força para dentro da casa.

Os gritos e o esperneio de Bella não serviram para nada. Quando viu, já estava na sala e Carlisle examinava sua mão, mesmo contra sua vontade.

– Bella, você está agindo como criança! – Edward a repreendeu, enquanto a segurava firmemente, demonstrando não ter de fazer a menor força.

– Você é que me trata como se eu fosse uma. Acha mesmo que vou esquecer o que ouvi? – Bella sentia que estava à beira de um ataque de nervos. Ultimamente seu emocional estava bastante desequilibrado.

– A princípio parece ter três falanges quebradas. Vou enfaixar para aliviar a dor, mas você precisa de um raio-X e de gesso. Vou medicá-la com um analgésico forte. Isso deve estar doendo muito. – Carlisle disse preocupado, voltando com ataduras nas mãos antes mesmo que Bella tivesse piscado.

Com a mão enfaixada, a dor recuou um pouco. Bella já começava a sentir o alívio vindo da medicação.

Agora estavam apenas ela e Edward na sala, sentados no sofá.

– Como pode ser tão irresponsável, Bella? De onde tirou essa idéia maluca de socar a cara de um vampiro? – Edward perguntou carinhosamente, embora indignado.

Quando ele quis abraçá-la, Bella afastou-se.

– Não agüento mais ver você esconder as coisas de mim. Isso me tira do sério. Edward, eu preciso saber o que vocês têm a ver com a morte dos meus pais. Não há a mínima condição de nosso relacionamento continuar sem que eu saiba a verdade, por mais que ela me doa.

– Se o meu silêncio vai nos separar, Bella, não acho que será a verdade que salvará nosso amor.

– Não me faça odiar você...

– Você vai odiar de qualquer jeito. – Ele falou cheio de tristeza.

– Por quê? – Bella perguntou com o coração acelerado. Já era evidente que o que quer que fosse que Edward dissesse, nada mais seria como antes na vida deles.

– Porque o que você quer saber vai mexer com coisas que deveriam ser deixadas onde estão. Tem passado que não deve ser revolvido, Bella. Acho melhor não levantarmos esse tapete.

– Esse passado a que você se refere é minha vida, é a minha história, não dá para esquecê-lo.

– A gente está reescrevendo sua história, meu amor. Está ficando tão linda. Me deixe fazê-la feliz!

– Foi você, Edward? – Bella teve enfim coragem de perguntar.

– Não Bella, já te disse que não fui eu.

– Então quem foi?

– Foi eu! Eu matei seus pais, Bella.

O chão sob seus pés sumiu. Bella cambaleou para frente e para trás e só não caiu porque os braços fortes de Edward a seguraram.

Bella virou a cabeça devagar e se deparou com os olhos vermelhos de Jasper.

– Eu sinto muito... – O vampiro loiro falou.

Com movimentos compulsivos, Bella olhava para ele e para Edward alternadamente, como se quisesse que um deles desmentisse aquela absurda afirmação.

Estava diante do homem, ou melhor, do monstro que tinha assassinado sua família... Que tinha condenado-a a viver em abrigos para menores... Que tinha acabado com todos os seus sonhos e felicidade. E o pior era saber que ele era irmão do vampiro que ela amava e no qual tinha confiado cegamente.

– Amor, vamos subir. Você não está em condições de ter esta conversa agora. – A voz de sino de Alice não escondia sua aflição e angústia.

Os dois subiram para o andar de cima, deixando um abismo separando-a de Edward.

Por que os olhos dele estão vermelhos?”

No emaranhado de emoções e pensamentos que fervilhavam na cabeça de Bella, essa pergunta se sobressaía entre as outras.

Mas a única e mais importante pergunta que Bella queria fazer estava entalada em sua garganta, pois ela sabia que independente da resposta, só havia uma coisa a ser feita... Uma atitude a ser tomada.

– Por quê? – Ela desabafou, olhando para Edward com os olhos cheios de lágrimas e o coração aos pedaços.

Por quê? Bella se perguntava. Por que ele tinha se aproximado dela e feito com que se apaixonasse se ele sabia que sua família estava envolvida na morte dos pais dela? Que mórbida crueldade era aquela? Para que fazê-la se socializar com o assassino de seus pais? Por qual motivo Edward via graça em juntá-la a Jasper?

– Eu tentei me afastar de você, Bella. Suprimi meu amor por muito tempo, mas quando o destino nos colocou frente à frente naquela cela não deu mais para resistir. Eu te amo demais. Foi mais forte do que a razão... Desculpe-me.

– Amor? Chama isso de amor? – Bella mal conseguia falar. – O que você fez não tem perdão, Edward!

– Bella, Jasper não teve culpa, ele...

– POR TUDO QUE É SAGRADO, NÃO FAÇA ISSO! NÃO ME VENHA QUERER DEFENDER UM ASSASSINO! ELE MATOU MEUS PAIS, EDWARD... ELE OS MATOU NA MINHA FRENTE. FOI HORRÍVEL, FOI MOSNTRUOSO! – Bella gritava para a voz superar os soluços que saíam de sua garganta.

– Eu sei, Bella, eu estava lá. Mas tem coisas que você não sabe.

– Vo...Você es... estava lá? – Quanto mais Edward falava, pior a situação ficava.

– Eu tentei evitar, mas cheguei tarde demais. Só deu para salvar sua vida.

– Eu estava certa... Eram seus olhos...

– Sim, era eu, Bella.

– Por que não me deixou morrer, por quê? Teria sido tudo tão mais fácil. Agora está doendo tanto! Eu queria estar morta! – Bella desabou de joelhos no chão, totalmente vencida pela dor e pelo desespero.

Edward se aproximou, segurando em seu rosto.

– Eu sei que está doendo, meu amor, foi isso que tentei evitar. Por isso não queria que soubesse dessa história.

– ME SOLTA! – Bella bradou entre dentes. – Nunca mais vai me tocar, Edward. Eu quero distância sua e dessa família maldita. De você só quero um último favor: peça um taxi.

– Bella, não faz isso, eu te amo. Faço qualquer coisa para você me perdoar. – Ele não tinha lágrimas nos olhos, mas parecia em prantos.

– Qualquer coisa? Então, se me ama mesmo como você diz, mate o monstro que fez aquilo com meus pais. – Bella disse com convicção, fitando o semblante perplexo e apavorado de Edward.


Notas finais
Não tive muito tempo para corrigir o texto. Vou editando quando achar os erros. Sorry!!