Akuma No Mai

4 In the Afternoon: Esse mordomo na Guerra de comida


Notas iniciais
Yo! Capitulo novo pra voces e um agradecimento a Lady Faustus e Kagamine Rin que me mandaram reviews! Boa leitura!

Com o almoço à mesa, cada mordomo serviu seu amo. Louise passou o tempo todo ao lado direito de Lilian, enquanto que Sebastian ficou do lado oposto com Ciel.

— Tenho de admitir que esta comida está realmente saborosa – Ciel disse, colocando mais uma garfada na boca com certo gosto.

— É lógico. Louise tem um dom especial para com os alimentos. Já superou os melhores cozinheiros deste continente. Já seria de se esperar que a comida dela fosse melhor que a de seu mordomo – a menina sorriu maldosamente.

— Cale-se. Está de favor em minha casa, tenha mais respeito com o empregado alheio.

— Ora, ficou irritadinho? Coitadinho do cãozinho da rainha... – Lily nota uma pequena mancha mal limpa de salada na boca de Ciel – Cãozinho esse que nem se limpar consegue sem o seu mordomo... Consegue limpar isso? – a menina perguntou, ao mesmo tempo em que sujara o nariz do Phantomhive com um pouco do molho da salada. Tal ato fez surgir uma aura negra em torno do moreno, mas ele se manteve firme em sua pose calma e séria.

— Por favor, não tente qualquer tipo de intimidade ou amizade comigo. Não gosto de brincadeiras desse calão, ao contrário da senhorita – ele próprio limpou-se do molho, retornando ao almoço.

— Mas nós agora somos irmãos! Deveria ser mais compreensivo com sua irmãzinha caçula! – a menina insistia em sujar Ciel, dessa vez jogando-lhe uma uva passa na testa.

— Sua... – beirando perder o controle, ele conta até cinco e consegue se conter mais uma vez.

— Hihi... Irmãozinho irritado... – Lilian insistia, e desta vez jogou uma colherada de salada de batata na cara de Ciel, por pura diversão.

— Então é assim? – O garoto perdeu seu autocontrole e virou raivosamente a tigela de salada na cabeça da menor. Em resposta, ela jogou o conteúdo de seu prato no moreno, e assim, iniciou-se uma grande guerra de comida. Faisão, arroz e salada, juntamente com os aperitivos, água, sucos e uma garrafa de vinho sem álcool foram lançados vorazmente pela sala de jantar. sem contar garfos, facas, taças e pratos atirados entre si em uma espécie de tiro ao alvo. Nenhum dos mordomos fez realmente questão de impedir tal lambança, contudo, ambos foram acertados: Sebastian por um filé de faisão ao molho no fraque, e Louise por um punhado de arroz no rosto. Quando não havia mais comida alguma para ser metralhada, ou louça para ser atirada pelas crianças, seus mordomos finalmente se pronunciaram.

— Senhor, permita-me levá-lo ao banho para que se limpe dessa comida – Sebastian pediu, já carregando o garoto para o quarto. Assim que os anfitriões deixaram a sala, Louise inspirou fundo e perguntou à sua ama:

— O que a levou a agir desta forma tão descomposturada, senhorita?

— Eu quis apenas me divertir e tirar sarro da cara dele. – a menina respondeu sem cerimônia – Agora, me leve para tomar um banho quente. Estou toda melada com esse molho de queijo.

As duas também se encaminharam então para seus quartos.

Ciel passou a tarde trancafiado em seu escritório particular. Queria evitar ao máximo encontrar com "a maldita pirralha".

— À noite, teremos a montagem do plano de ação. Não poderá evitar Lady Lilian por muito tempo – Sebastian alertou enquanto terminava de arrumar as estantes de livros.

— Ela já me fez perder o controle, deixe-me ao menos me recompor em paz. Assim que descermos, montaremos o plano e logo estarei longe dessa pirralha. – o garoto esbravejou.

Horas mais tarde, todos se reuniram na sala de estar, e Louise começou a falar sobre o plano.

— Pais de família estão desaparecendo nas festas dessa temporada. Nosso plano é ir à festa do Barão Gray com o disfarce de família feliz e amável, para apresentarmos Lady Lilian à sociedade. Para esconder o contrato do Sr. Ciel, usaremos a desculpa de que ele sofreu um acidente quando andava a cavalo. Eu e o Sr. Sebastian agiremos como marido e mulher, fazendo, discretamente, com que sejamos percebidos pelos raptores. Assim que “meu marido” for raptado, eu levarei vossas senhorias a um local seguro, e passarei a me comunicar pela freqüência sonora dos demônios com o Sr. Sebastian. Alguma objeção?

Depois de um pouco pensarem, os anfitriões da casa aceitaram o plano, e Sebastian fez uma ressalva:

— Por favor, não se preocupem quanto à execução do plano, pois desta vez, tudo será pensado por nós, os demônios.

— Quase me esqueço de apontar nosso plano de emergência: se outra pessoa for raptada, o Sr. Sebastian retorna para a mansão com os amos, enquanto eu rastreio e vou atrás de nosso criminoso – a mulher continuou.

— Mas por que tem de ser você a ir à caça? – Ciel objetou prontamente.

— Eu detenho um dom a mais do que seu cão domesticado: o Soul’s Sensor, que me permite enxergar o coração das almas dentro de cada ser vivo da terra. Seu mordomo pode enxergar muito bem, mas não possui tal técnica – Louise vangloriou-se, fazendo o possível argumento do garoto ser enterrado sob sua língua.

— Sim. Eu posso ser um bom cão, mas não sou treinado pra farejar as almas – Sebastian assentiu com a cabeça e fitou Louise com suficiente ódio, mas quando percebeu a reciprocidade do olhar, imediatamente o desviou.

A noite passou mais calma na mansão Phantomhive. E isso se deu graças ao isolamento em que Ciel se encontrou, passando o dia inteiro no quarto, pensando e repensando o plano que não fora traçado por si, mas por uma “pirralha”, como ele mesmo tomou gosto por denominar Lilian.

“Ela me irrita. Me irrita e me tira do sério. E ainda consegue me abalar do fundo da minha mente. Seria melhor se Elizabeth estivesse aqui me atazanando. Sim. Lizzy é minha salvação... Não. Ela também é meu tormento. Mas é um tormento que eu irei superar, afinal é minha noiva. Já aquela pirralha, me atormenta sem qualquer motivo. A odeio.” Eram os pensamentos mais recorrentes do garoto.

Já Letícia passeou a cavalo pela propriedade, procurando algo em que pudesse atirar com sua espingarda. Ao checar um arbusto e notar um buraco no chão, atirou lá dentro friamente. Descendo de sua montaria, enfiou o braço na toca e retirou de lá uma raposa e dois coelhos. “Perfeito! Um tiro e três alvos acertados! E ainda teremos um ótimo jantar, tirando, claro, a pele nova que eu tanto buscava.” Assim, ela retornou satisfeita à mansão e entregou a caça a Louise, que imediatamente chamou Sebastian para ajudá-la a preparar o jantar.

— Perdoe-me o questionamento, mas qual é o motivo de me chamar para o preparo dos alimentos? O almoço foi inteiro de sua autoria, pensei que fosse fazer o jantar também – o moreno provocou.

— Por incrível que pareça, não sou tão boa na cozinha como parece. Não tenho qualquer coragem para preparar animais abatidos. Não sei sangrar ou tirar-lhes a pele. Acho o ser humano um tanto desprezível por utilizar técnicas tão grotescas para o abate de suas presas – a loura confessou, complementando suas palavras com uma face distorcida pelo nojo – Penso também ser um costume repugnante.

— Então, a senhora não é tão perfeita como parece, não é mesmo...? – o maior sorriu, tomando confiança. De repente, uma faca grande foi atirada contra ele, fincando-se rente à lateral de seu rosto.

— Ambos sabemos o que somos. Não tens qualquer direito de abrir esta boca suja para falar do que lhe pareço ou deixo de parecer. Como sabe, o monstro que represento é seu pior pesadelo. Não vais querer perder seu contrato, não é mesmo...? – Louise ameaçou Sebastian a prncípio de longe, chegando mais perto a cada palavra – Abra teus lábios sedentos mais uma vez desta forma, e eu os arranco de você. Tanto os deste disfarce imundo, quanto os de seu real corpo – ela rosnava, pegando a faca da parede e saindo de perto – Ah, e jamais me chame de senhora – ela então sorriu docemente. Sebastian sentiu medo pela primeira vez em sua existência. A mulher voltou para perto dos animais abatidos e tornou a falar:

— Então, será possível que prepare as carnes para mim, Sr. Sebastian? – ela disse serenamente, como se nada tivesse acontecido. O moreno ficou paralisado por alguns segundos, e ao retornar a seu modo habitual, acenou com a cabeça positivamente.

Sem demais complicações, o jantar foi preparado com tranqüilidade, servido com tranqüilidade e apreciado com tranqüilidade. Ciel se manteve sempre na retaguarda, atendo à possibilidade de ser acertado novamente com algum alimento, mas isso não aconteceu. Lilian degustou a comida com uma destreza incrível, e ao fim da refeição, agradeceu ao garoto pela hospitalidade. Incrédulo, ele deixou a mesa e retornou ao quarto, enquanto os mordomos se encarregavam de retirar a mesa. Antes de dormir, a menina foi até o quarto de Ciel e lhe desejou boa noite, saindo a sorrir.

Mais uma vez, os demônios se deram ao luxo de dormir. Mais uma vez, sonhos deixaram Sebastian confuso e atormentado. A madrugada crescia lenta e linda, e os sentimentos apareciam mortos e obscuros.

Notas finais
Revisão em andamento