Akuma No Mai

6 At Night: Esse mordomo, dançando


Notas iniciais
O humor vai sendo deixado de lado, dando lugar à seriedade. Aqui, a saga do mordomo mais temeroso.

A festa parecia como outra qualquer. Muitas pessoas, músicas, danças e galanteios. Sebastian e Louise entraram na mansão primeiro, sendo seguidos de seus “filhos”. seguiram pelo salão principal e se acomodaram em uma mesa com destaque suficiente para que os raptores os notassem.

Se comportando como uma perfeita família, as crianças se divertiam com pequenas brincadeiras à mesa. Os carinhos de marido e mulher eram realmente convincentes e até as broncas pela filha mais nova correr pelo salão quando deveria se apresentar a algum cavalheiro eram realistas.

— Senhorita, veja. Aquele é o barão Gray. Vá até lá e se apresente a ele – Louise apontou para o salão. E assim, a menina se dirigiu até o barão, um jovem alto, magro e de cabelos acinzentados, com olhos azuis capazes de hipnotizar qualquer jovem.

— Boa noite, Sr. Gray – Lilian apresentou-se rigidamente ao homem – Vossa festa está esplendorosa.

O rapaz sorriu.

— Sim, à altura de jovens damas como você. Daria-me a honra de saber seu nome? – ele se curvou, segurou a mão direita da menina e a beijou delicadamente.

— Sou Annabell. Minha família acabou de se mudar para a cidade. Esta é minha primeira festa, e talvez se torne a melhor de todas – ela derramava elogios para todos os lados, fazendo com que o jovem admirasse-a.

— De que família você vem?

— Dos Goldriver. Viemos de uma região mais afastada de Londres.

— Certo. A dança logo começará. A senhorita me concederia esta honra? – Gray a tomou levemente pela mão, e assim que a música iniciou, ela dançou belamente com o anfitrião. Sua habilidade era bem notada, e ela parecia quase levitar. Ao fim, o próprio barão conduziu Lilian até onde estava sua “família”, elogiando-a várias vezes.

Um jantar então foi servido, e tudo correu normalmente. Ao final da refeição, o barão anunciou junto à orquestra:

— Hoje, teremos uma música a mais. Trouxe a Londres o fervor da música espanhola! Quem ousa se arriscar? – perguntou alegremente. Todos os convidados ficaram em suas mesas se entreolhando meio chocados, porém, quando se deu início à melodia, Louise ficou eufórica.

— Senhor Sebastian, me daria a honra desta dança? – indagou, já tomando a mão do moreno e o fazendo levantar-se de seu lugar.

— Perdão, mas eu não possuo qualquer conhecimento acerca da dança espanhola – ele tentava se esquivar.

— Não minta para mim. Você sabe muito bem o que é realmente a dança espanhola – ela o fitou com olhos brilhantes e um sorriso macabro.

— O que ela pensa estar fazendo? – Ciel parou de comer para observar a situação.

— Ela vai seduzi-lo. Esse sempre foi seu propósito. – a menina sorriu.

— O Sebastian não vai cair na lábia dela.

— Vai sim.

— Aposto que não!

— Tudo o que tem na carteira?

— Feito!

Assim, a aposta foi feita. Quando a melodia ficou mais forte, Louise começou seus passos rápidos e bem aprumados, e por causa do mau jeito do moreno, ambos quase se desestabilizam. A loura ia guiando o moreno em passos para frente, com ele totalmente desajeitado; ela se soltou das mãos dele dando várias piruetas, reverenciando-o em seguida. Quando retornou seu olhar para cima, viu o homem caído sentado no meio do salão.

— Ora, o que faz aí? – ela parou com as mãos na cintura. Irritado, ele levantou e a segurou novamente.

— Vai tentar de novo? – ela sorria.

— Sim.

— Está pronto?

— Sempre estive pronto. – o moreno retrucou, pegando a mão de Louise e segurando com vontade em sua cintura. Ela se surpreendeu com os atos, recomeçando com seus passos mais rápidos, que eram devidamente respondidos pelo mordomo, até ele prender as pernas da mulher entre as suas, a fazendo se desequilibrar. Ela retornou em seguida e ambos dançaram em linha reta com seus rostos quase unidos. A face séria do moreno traduzia sua rapidez e destreza, enquanto a garota seguia para o lado oposto. Se deram então as mãos e fizeram movimentos espelhados e rápidos. Unindo-se novamente, andaram para trás, com Lou se soltando e girando para longe, e ao voltar, segurando-se firme em Sebastian e levando sua perna esquerda até a cintura dele.

Naquele segundo, tudo parou. O demônio paralisou completamente ante a investida de sua parceira, fitando a pele clara dela junto às suas roupas. A mão direita dele moveu-se quase sozinha, chegando perto devagar. Louise novamente sorriu.

— Mas o quê... – Ciel atentava para a situação.

— Ele vai tocá-la. – Lilian afirmou.

— Duvido!

— Metade do prêmio?

— Feito!

O moreno ficou mais algum tempo no transe, com lapsos de memória lhe vindo na mente. Sem hesitar, ele se descontrolou, puxando Louise com um movimento brusco, mais violento e veloz como nunca. Ele guiou a loura de modo a não permiti-la mais dar qualquer investida, com ela o acompanhando da mesma forma. Segurando a mão dela no alto, a deixou girar em torno de si mesma e dele, depois voltando à posição original com uma parada. O jogo de pernas da dupla era impressionante, e os passos se concentraram no mesmo lugar do salão. Os dois se encaravam sérios, e ele a guiava com uma chama ardente há muito adormecida. Por fim, Sebastian deslocou Louise para a esquerda, para a direita e para frente. Os lábios um do outro quase se tocaram, e o moreno a segurou pelas costas, deslizando-a quase até o chão no exato instante em que a música chegou a fim. Ofegantes, os dois demônios se entreolharam e ela sorriu uma vez mais, levantando-se. Sebastian então retornou com a loura a seu lugar na mesa e lá permaneceram. Os aplausos eram deveras calorosos, e o barão declarou em alto e bom tom:

— Se fosse um concurso, teríamos aqui os grandes vencedores! – ele ria e incitava mais aplausos.

Mas não tardou para que tudo voltasse ao normal. As valsas e demais danças foram apreciadas pelos convidados, e na mesa dos akumas, Sebastian estava visivelmente irritado. De repente, uma sombra pairou sobre Louise, e quando todos se voltaram para olhar o sujeito, perceberam ser o barão.

— Esteve ótima, Sra. Goldriver. Sr. Goldriver, peço para que se hospedem esta noite em minha casa, junto com mais alguns convidados.

— Estou lisonjeada, barão. – ela disse, simpática.

— Ora, sendo um pedido do anfitrião, seria uma desfeita recusar. – o moreno tentava ser simpático também.

Depois da festa, os “convidados” foram encaminhados para os quartos da mansão.

— As crianças ficarão juntas. Os senhores podem ficar nesse quarto – a criada mostrou uma porta de carvalho decorada em prata, a abrindo em seguida – aqui há tudo o que necessitam, inclusive roupas para dormir — a dupla entrou, Louise agradeceu e fechou a porta.

No mesmo segundo, o barão passou pelo corredor e cruzou com aquela criada. Ele não a reconheceu, mas passou batido pensando se tratar de uma nova empregada.

Enquanto o moreno foi para o banheiro mudar de roupa, Louise o fazia perto da cama. Ela se livrou do vestido e colocou uma camisola branca. Olhando no espelho, viu que acertaram no seu tamanho. Distraída, a mulher arrumava levemente os cabelos enquanto bailava sozinha pelo quarto.

De repente, Lou sentiu-se prensada bruscamente contra a porta maciça de carvalho, e surpresa, fitou Sebastian, que a segurava pelos ombros com toda a força que possuia. Com a fenda das pupilas em seu tamanho mínimo, dentes e garras à mostra, o demônio rosnou:

— Me responda uma coisa antes que eu te mate: Por que me provocou daquela maneira diante de todos os convidados? – ele a segurava com mais força a cada segundo, logo tirando sangue da garota.

— Eu não fiz nada. Só estava tentando descontrair um pouco o clim... – ela tentou desviar do assunto.

— NÃO MINTA PRA MIM! Você queria que eu perdesse o controle no meio de todas aquelas pessoas, e quase conseguiu! Queria ver nosso maldito disfarce ir a baixo? Hein? – o homem a empurrava em direção ao chão a cada palavra.

— Você é idiota? — com tais palavras, o ódio do moreno se desfez em dúvida – Pare de fazer de conta que não sabe quem eu sou. Eu passei milênios à sua procura. E sim, eu te provoquei a todo momento. Mas não foi por isso que você se descontrolou. Já esqueceu que a dança espanhola é derivada da Akuma no Mai?

Com isso, o moreno cessou completamente. Ele observava a loura, que a esta altura já estava completamente sob seu corpo, submissa, sem demonstrar qualquer porção de seu poder.

— O quê? Você... Você deve estar louca. E por que ainda não me lançou para longe, mesmo vendo que estou lhe submetendo dessa forma? – ele perguntou, confuso e saindo de cima da loura.

— Definitivamente, você não tem qualquer lembrança de mim, certo...? – ela levantou devagar – Por um acaso recorda da tua terra natal?

— Sim. Mas ainda não consigo lhe entender. Não sei quem é você ou o que quer comigo.

— Então vai descobrir agora – ela pulou vorazmente em cima do moreno e o jogou na cama, selando os lábios do demônio com os seus, e abrindo passagem. Ela tocou-lhe levemente a língua com a sua, separando-se em seguida.

A mente de Sebastian foi invadida por milhares de lembranças ao mesmo tempo.

“Eu me uniria a ela por toda a eternidade.

Louise, a filha da rainha dos demônios, o único Corvo Branco, prometida a mim desde o início de sua existência.

Não posso me unir a ela, não tenho coragem para isso

Estarei morto em algumas horas

Vou fugir daqui antes que seja tarde

Akuma o Mai, a dança de união de dois demônios, que terei de fazer no dia da lua Minguante.”

Notas finais
Espero que a leitura tenha sido proveitosa