Akuma No Mai
7 At Midnight: Esse mordomo teme a morte
Notas iniciais
Depois das lembranças atordoantes, Sebastian fitou Louise por um longo tempo, até conseguir pronunciar algumas palavras.
— Até que enfim, encontrei você... – sem pensar, agarrou a loura e a abraçou fortemente – Me perdoe por ter fugido. Eu era imaturo e não pensava direito. Passei tantas eras sem lhe ver que sequer a reconheci – o demônio derramou algumas lágrimas.
— Ora... Feche essa boca e me beije logo – a garota sorriu.
Assim, o moreno prendeu a akuma contra a cama, avançando nos lábios dela, beijando e mordendo-a. Por sua vez, Louise puxou a camisa de Sebastian e retribuiu abraço. Ele começou então a descer uma das mãos pelo corpo da loura, mas ao senti-la arranhar suas costas, parou imediatamente tudo o que fazia, sentindo algo como um enorme buraco se formando em seu peito. O akuma sentou na cama, abaixando a cabeça.
— Eu não posso. Não posso me entregar a você – ele estancou mais lágrimas com a mão, sem olhar a garota.
— Por quê?
— Esqueça isso. Temos uma tarefa a cumprir e um contrato a zelar.
— Mas... – ela tentou tocá-lo nos ombros.
— EU NÃO QUERO MORRER! Tenho medo de que você me mate enquanto estivermos nos unindo! A primeira noite de um demônio é a mais dolorosa de sua existência! Foi isso que meu pai me disse, e por isso fugi de nosso mundo! Eu já possuí uma humana, mas ser possuído por uma akuma é uma situação completamente diferente! – Sebastian gritou com raiva e vergonha de si mesmo, tornando a abaixar a cabeça e esconder os olhos com os cabelos negros. Já não conseguia mais parar as insistentes lágrimas que teimavam em cair de seus olhos.
— Morrer... – a loura tinha a voz em um sussurro – Eu... Nunca tinha pensado nisso... Nós, Woman Demons temos mesmo essa característica mal-fadada de envenenar o companheiro na primeira noite... – olhou para as próprias mãos, fitando as garras que já haviam começado a voltar a seu tamanho original – Você não fugiu da escassez de almas, mas sim, de mim...
— Temo por minha existência e... – antes que terminasse de falar, novamente Sebastian se viu calado pelos lábios da loura.
— Juro pela alma que já não possuo. Farei todo o possível para lhe proteger de mim mesma. Eu vago por esta terra desde que você sumiu. Quando estava quase à beira da morte, minha Ama apareceu e firmei o contrato com ela, o que me fez persistir em te encontrar. Não te perderei uma segunda vez.
E então, as últimas velas perderam suas luzes. A camisola branca de Louise deslizou docemente por sua pele alva, lhe revelando os seios, quadris e coxas. Sebastian se mostrou muito receptivo ao ritual, ao passo que a akuma lhe puxava as calças do pijama de seda. Ela subiu pela perna esquerda do moreno com beijos e leves mordidas, dando-lhe uma lambida na virilha. O suspiro abafado do demônio incentivou Lou a continuar os estímulos, e ela passou uma lambida lenta pela extensão do maior, o envolvendo com a boca e sugando. Sebastian se sentia completamente vulnerável àquilo, puxando inutilmente os lençóis à sua volta tentando conter os espasmos de prazer.
Em outro quarto, duas crianças se encaravam furiosamente de suas camas.
— Dorme — exigiu Lilian.
— Dorme você — retrucou Ciel.
— Só me sentirei segura depois que você pegar no sono. Não quero acordar com um tarado me tocando.
— Tarado? — o garoto estava escandalizado — Seu demônio é quem tenta seduzir o meu e eu é quem sou o tarado da história toda?
— Prefiro prevenir a remediar. Gostaria de lhe prender ao pé de sua cama, porém não possuo os equipamentos necessários para tal — Lilian é um misto de sarcasmo e incerteza
— Chega — Ciel levanta de sua cama e se dirige até a senhorita Brook, agarrando-lhe a gola chega de babados da camisola fornecida pelo conde Gray — Você denigre a imagem dos Phantomhive como se tivesse todas as certezas do mundo. Age como uma menininha mimada e está me tirando do sério.
— Me solte, ou sofrerá graves consequências — o tom de voz da garota chegou a ser sombrio, mas nada que amedrontasse Ciel.
— Fará o que? Irá chamar Louise ou tomar conta de si sozinha? — o rapaz tinha ira no olhar. Estava cansado daquela criaturinha caricata e irônica à qual ameaçava com um punho muito fechado segurando firmemente suas vestes.
— Acha que não sou capaz de lhe dar uma bela surra? — ao ver o sorriso de Ciel, ainda mais irônico que o seu, Lilian finalmente perdeu a cabeça e partiu para cima do Phantomhive. Arranhou-lhe a face para tirar o tapa-olho e o empurrou com força em direção ao chão, pisando fortemente sobre o peito do garoto.
Quando se preparava para retornar à cama, Lilian foi surpreendida por uma mão que puxou seu pé violentamente, a fazendo cair com um baque surdo no chão. Ela ainda teve tempo de se virar, apenas para ver Ciel desferir-lhe um pontapé que passou raspando por sua costelas. Ao que se levantou, sem se importar com maus nada, Lilian passou a bater irrefreadamente em Ciel, e a recíproca foi mais do que verdadeira.
Os dois jovens se engalfinharam pelo quarto durante cerca de vinte minutos, até que, sem mais forças ou fôlego, Ciel, a esta altura sentado sobre o abdome de Lilian para prendê-la ao chão, passou a fitar a menina sob si. Ela arfava em busca de ar; os cabelos castanho-escuros completamente desgrenhados, a camisola amarrotada aberta até o fim do peito. A marca do contrato com o demônio gravada entre as claviculas.
— Sua marca de contrato é idêntica à minha... — Ele passou os dedos delicadamente pela abertura da camisola de Lilian, que também parara para olhar o rapaz sobre si.
Mais alguns segundos se passaram antes que os dois se dessem conta de que os dedos de Ciel haviam deslizado por entre os pequenos seios de Lilian e que ali pararam.
O Phantomhive enrubesceu absurdamente e pulou para sua cama, segurando uma mão com a outra e tentando não gaguejar.
— M-me perdoe... Lilian... Eu não quis... — ele lembrou da conversa que os levou à briga — É que... É realmente... — respirou fundo — Não... Não há justificativa para esta mácula.
Lilian se levantou devagar, abotoou a camisola e sentou sobre sua cama. Olhou para um Ciel envergonhado e perdido, e notou que sim, sua marca e a dele eram idênticas. Aquilo não poderia ser nenhum tipo de coincidência. Então, após um longo silêncio, ela finalmente se pronunciou.
— Enquanto rolavamos no chão trocando socos, notei que você possui uma cicatriz de marca a ferro nas costas... Posso vê-la?
Ciel, que sempre escondera de forma maestra sua cicatriz, simplesmente deixou cair a camisa de dormir para que Lilian classe a marca de perto.
— Isso doeu tanto... — ela afirmou com grande certeza.
— Tanto faz — ele tentava soar indiferente.
— Pode admitir que foi doloroso. Eu também possuo algo parecido.
Ciel se virou de repente, beirando a surpresa.
— Mas quem seria capaz de marcar uma dama a ferro?
— Uma mãe em meio a um surto psicotico. Acertou minhas costas duas vezes com o atiçador da lareira ardendo.
Ciel imediatamente se arrependeu mentalmente de ter socado a garota duas vezes nas costas. Em seguida, perguntou:
— Foi o motivo de ter feito seu contrato?
— Sim. Depois da surra que minha mãe me deu com vasos de vidro, quadros caros e o atiçador, corri para a mata da fazenda e encontrei Lou, que não estava muito diferente de mim — ela ajudou Ciel a recolocar a camisa — e você?
— Eu? Fui capturado por uma seita secreta e usado como sacrifício. Sebastian me salvou — ele virou-se de frente para a garota — Somos parecidos…
Foi instintivo. O rapaz puxou Lilian levemente pela cintura e os dois se aproximaram até tocarem os lábios. Ficaram assim por um longo período, e ao se separarem, Ciel puxou a menor para se deitar ao seu lado, abraçando-a com força.
— Por favor, não me leve à mal... Pessoas como nós não podem ficar separadas. Nem que seja por esta noite, permita-me dormir ao seu lado.
Lilian não precisou responder.
Em outro quarto, a Dança dos Demônios segue, rumo ao seu ápice.
Sebastian se move já descontroladamente sobre Louise, permitindo à sua voz exprimir gemidos e suspiros, enquanto sente o corpo da akuma o envolver. Por sua vez, Lou ainda tenta manter a sanidade, impedindo que suas garras liberem o tão temido e mortal veneno, mas os espasmos de prazer lhe incendeiam como as próprias chamas do inferno, a fazendo arranhar as costa do moreno ao ponto de lhe tirar filetes de um vivido vermelho sangue.
Enquanto trocam mordidas nas orelhas e pescoço, eis que o medo de Sebastian se solidifica: o veneno de Lou lhe escorre das unhas para os arranhões nas costas do maior, que tem seu sistema nervoso imediatamente afetado, com ondas de dor se espalhando intensamente por todo o seu corpo.
— Você prometeu... Se controlar... — a voz de Sebastian era um sussurro. Vendo que Lou aparentemente não poderia fazer muita coisa, acabou refazendo a frase — Dane-se. Hoje é o único dia em que posso dizer que estou feliz. Não me importo em morrer.
A akuma sorri e enlaça as pernas em torno da cintura de Sebastian, o forçando a entrar completamente em si. Ela repete a ação quantas vezes é capaz, até chegar em seu limite, o anunciando com um gemido abafado. O akuma também termina, agarrando os lençóis e paralisando por poucos segundos antes de desabar, agonizando de dor sobre Louise.
— Não se preocupe. Tudo vai ficar bem — a loura sussurrou, encharcando suas unhas com a própria saliva e as deslizando profundamente nas costas do moreno. O veneno é neutralizado, e as feridas são curada instantaneamente.
Sebastian sorriu verdadeiramente pela primeira vez.
— Como pude... Fugir disso...?
— Eu me perguntava isso todos os dias – Lou sorriu também – Mas agora fique quieto. Deve estar exausto.
— Como sabe disso? – ele fitou os olhos violeta dela.
— Tirei muito de sua força vital. Mas isso logo volta. É só descansar.
Sebastian ficou ali, sobre o corpo de Louise, que lhe acariciou os cabelos, não contendo um sorriso.
— Como... C-contaremos isso aos nossos amos...? – ele perguntou.
— Lilian sabe disso desde que firmei o contrato com ela. O seu dono é que ficará irado.
— Sim, eu sei. Mas isso não me importa – o moreno se levantou, sentando na cama – Porém, agora... Vamos nos aprumar... Pode ser que logo o raptor apareça – mas ao tentar se levantar, o maior sentiu uma tontura forte e foi ao chão, caindo de joelhos.
— Eu disse para descansar. Volte para a cama – a loura o levantou pelos braços e o deitou novamente na cama, indo depois vestir sua camisola. Ela o cobriu e se deitou ao lado dele.
Após mais algum tempo, Louise já pegara no sono, assim como Sebastian. Contudo, uma sombra passou por debaixo da porta do quarto, se materializando na forma de uma criada e apunhalando o peito do moreno, que despertou e segurou a mulher pelo pescoço firmemente.
— Louise! Agora! – Lou prendeu a criada com os braços para trás, impedindo seus movimentos – Então é você a assassina?
— Assassina? Eu? Huhu, sim, eu realmente venho acabando com os homens desta cidade. Venho destruindo todas as famílias deste lugar nojento! E não é você quem vai me impedir – a criada de cabelos azulados se desfez em sombras e apunhalou Sebastian mais uma vez.
— Isso não é capaz de me atingir – ele riu— Lou, é apenas um espírito obsessor. Tivemos todo este trabalho à toa. – ao acabar de falar, Sebastian tossiu, cuspindo sangue no carpete branco do quarto de hóspedes. Uma dor lancinante se espalhou por seu corpo, exatamente como a dor que surgira com o veneno das garras da akuma havia poucas horas atrás.
— Eu sabia que você era um demônio, então encharquei a lâmina com o veneno de uma Woman Demon. Logo estará morto, verme imundo.
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