Akuma No Mai
8 At Midnight II: Esse mordomo...
Notas iniciais
Já no chão, Sebastian olhou para Louise parada diante do espírito da criada sem qualquer reação. Segurando o peito, ainda conseguiu gritar:
— Louise! O que faz parada aí? Termine logo o serviço! Não a deixe... – antes de finalizar suas palavras, o demônio tossiu novamente, cuspindo um jorro de sangue.
Ao ver a situação do moreno, Lou avançou sobre o espírito com todo o seu ódio, liberando uma enorme quantidade de energia no quarto escuro.
— Bem, aqui meu trabalho está feito – a criada riu, se esquivando de todos os ataques ensandecidos da akuma – Assim você jamais encontrará o coração de minha alma... – ela ironizava enquanto continuou a esquivar dos golpes.
— Cale-se, alma imunda. Seu direito de matar é completamente revogável, se olharmos você de perto – Louise parou de repente.
— Eles tiveram o direito de me matar! Então eu também tenho o direito de matar a todos! Eu vou assassinar todos os homens deste país! E não será você a me impedir! Eles fizeram tudo o que queriam comigo e depois me largaram à míngua em um beco qualquer! Todos eles são iguais! E todos irão temer minha ira! – assim que a criada levantou seu punhal ao ar, foi acertada pela mão esquerda de Louise exatamente no meio do peito, tendo seu coração de alma retirado e imediatamente engolido pela mulher.
— M-mas... Como...? — a imagem da criada se desvanecia lentamente.
— Seu coração pode ser mutatório, mas a plenos poderes eu o encontro e devoro sem qualquer problema... E sinto lhe dizer, mas nem todos os homens são monstros — Louise estava completamente transformada.
Assim, a sombra desapareceu, e Louise, em sua vestimenta branca, com cauda e chifres à mostra, se ajoelhou, fitando o semblante dolorido de Sebastian.
— Você... Está linda... – ele sorriu.
— Fique calado. Preciso me concentrar em achar o veneno – ela respondeu rispidamente, lambendo as garras dos dedos anelares. Em seguida, a loura introduziu uma garra em cada ferimento.
— O que... Está fazendo...? – o moreno parecia insistir em falar.
— O único antídoto contra nosso veneno, é nossa própria saliva. Foi assim que eu te livrei da morte hoje mais cedo – ela explicou, retirando os dedos e lambendo novamente, voltando a colocá-los nas feridas.
— Da outra vez funcionou mais rápido... – ele sentia as pálpebras pesadas, como se devesse se fechar – Desista... Já deve ter se espalhado pela porcaria da corrente sanguínea. Eu deveria ter me transformado enquanto tinha tempo... — as palavras do maior só faziam piorar a situação.
— Eu mandei ficar calado – a akuma seguiu com o movimento anterior, mas o efeito realmente não aparecia, o que começou a deixar Lou desesperada.
— Pode parar... Eu já consigo sentir este corpo deteriorando. Não vou sobreviver.
O peito do corpo humano de Sebastian se movia cada vez ais lentamente. Sua respiração diminuiu, assim como seus batimentos cardíacos. Pouco tempo depois, o maior fechou os olhos e não respondeu ao chamado de Louise
— Não... Não durma... Sebastian, não durma. Por favor... – ela pediu, mas já era tarde. Sebastian acabara de morrer – Não...
Louise então se deitou sobre as feridas do moreno, onde deixou cair algumas lágrimas. Ela envolveu o corpo sem vida de Sebastian em um tênue abraço, desejando que aquele espírito obsessor voltasse do inferno mara que Louise pudesse morrer também. Com o rosto sujo de sangue, ela olhou novamente o maior, seguindo a chorar, derramando incessantes lágrimas pela face dele.
— Você não podia ter feito isso comigo... Não podia morrer. Não agora, que finalmente te encontrei. Meu reflexo e parceiro de tantas eras já passadas. Demônios podem ser incapazes de sentir, mas sinto amor. Sim. Eu Te Amo...
Ainda transformada, a loura cobriu o corpo de Sebastian com suas asas brancas, passando horas deitada sobre o peito do maior. O corpo frio dele era um alento e uma maldição, e a akuma queria apenas poder ouvir a voz do moreno uma vez mais.
— Louise... Por que está chorando...?
— Eu perdi o akuma a quem pertencia. Posso ser um demônio, mas nós também temos o direito de chorar a morte de um companheiro.
— Mas... Eu não estou morto...
— Ele está sim... Eu o vi morrer em minhas mãos.
— Eu estou vivo... Abra seus olhos e veja... – o moreno tocou a face de Louise com a mão, e ela abriu os olhos rapidamente.
— S-sebastian... Sebastian! – ela exclamou, abrindo um enorme sorriso, abraçando o maior e o beijando. Ele gemeu, mas retribuiu aquele carinho todo, se sentando em seguida – Mas como?
— Eu não sei... Do nada, minha essência retornou a meu corpo e eu te vi sobre mim... – ele acariciou docemente o rosto da menor, ainda corado e sujo de sangue – Você me salvou. Sempre pensei que as Woman Demons fossem sanguinárias, mas você me trouxe de volta. Sua voz me guiou até aqui.
— Eu sou diferente do resto de minha raça por sua culpa. Pode-se dizer que sou o único demônio que consegue amar – ela olhou para o lado – Eu Amo você, Sebastian Michaelis. E espero que não me deixe por causa disso.
— Posso conviver bem com essa situação – ele a encarou sério, e depois desferiu seu primeiro beijo por vontade própria em Louise, que retribuiu prontamente. O maior a segurou pelas costas e a prendeu contra si, sentindo o calor do beijo. Parecia não querer mais se soltar das garras da menor.
Ao se separarem, Sebastian notou que a akuma ainda estva transformada.
— O único Corvo Branco de nossas raças. Você realmente fica linda assim – ele passou as mãos pelos chifres que despontavam de cima de cada orelha da garota, que tornou a sorrir.
Aos poucos, o céu da grande Londres clareou, trazendo consigo o canto dos primeiros pássaros da manhã. Os akumas levantaram-se do chão do quarto, e Sebastian fez uma observação.
— Precisamos dar um jeito nesse sangue todo.
— "Precisamos", vírgula. Você vai se deitar e descansar – Louise tirou a camisa clara e ensanguentada do moreno – e isso precisa cicatrizar logo – ela olhou para as fendas mal curadas no peito do demônio.
— Não há com o que se preocupar. Logo fecharão e estarei novo em folha – mas assim que terminou seu discurso, Sebastian sentiu duas lambidas em seus ferimentos, se arrepiando até o fim da coluna – O que está fazendo?
— Minha saliva não é apenas um antídoto. É também cicatrizadora. E não precisa ficar envergonhado, – a loura riu pela cara que Sebastian fizera – agora somos uma essência em dois corpos.
Assim, em segundos, toda e qualquer desordem se foi, e Louise deitou-se ao lado do maior. Pouco tempo depois, uma criada da casa bateu à porta e a abriu, anunciando:
— Senhores, logo serviremos o desjejum.
Após a saída da criada, os dois demônios se arrumaram, desta vez juntos. O moreno fechou os botões do vestido da menor e a admirou por algum tempo enquanto ela terminava de escovar os cabelos. Ele também se aprumou rapidamente, e os dois saíram juntos do quarto no mesmo instante em que Ciel e Lilian também deixavam seus aposentos.
— Bom dia senhor – o mordomo se curvou, como sempre fizera.
— Pare com isso, sou seu filho esqueceu?
— Perfeitamente senhor. – Sebastian sorria, meio bobo.
— Bom dia Louise – Lilian era cordial.
— Bom dia minha pequena – a loura passou a mão na cabeça da ama, e então todos seguiram até a sala de jantar, onde havia uma grande mesa especialmente preparada para os convidados. Todos sentaram-se juntos, e enquanto faziam suas refeições, o barão iniciou um anúncio:
— Convidei os senhores a passar a noite em minha casa pois já é final de temporada e ainda não encontrei uma noiva à minha altura. Podem notar que aqui estão somente famílias de nobres que apresentaram suas filhas na noite passada. Meu sono foi perturbado pelos pensamentos acerca de qual jovem mais admirei na festa, e dentre todas as lindas moças aqui presentes, uma sobressaiu lindamente durante o evento – o homem saiu de seu lugar e foi até onde estava Lilian, a quem Gray segurou e beijou a mão – My Lady, dar-me-ia a honra de desposá-la?
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