Akuma No Mai
1 At Morning: Esse mordomo, diferente
Notas iniciais
Levantou-se de sua cama com o amanhecer ainda por despertar. Exibia longas madeixas louras, olhos de cor violeta e pele muito clara, vestida em uma camisola de seda na mesma coloração de seus olhos que ia até seus pés. Rapidamente, ela despiu-se das vestes de dormir, substituindo-a por um par de calças e um fraque de lã em tom cinza escuro. Saiu pela porta de seu aposento simples e se dirigiu à cozinha, onde preparou um chá preto adicionado de leite e alguns biscoitos com chocolate em uma bandeja de prata. Seguiu pelos longos corredores com portas de carvalho esculpido em ambos os lados, até parar diante de uma porta alta e com quase dois metros de largura, entalhada com flores e galhos secos. Bateu na porta e entrou em seguida.
— Hora de acordar, senhorita. – ronronou a mulher, pousando a bandeja do desjejum em uma escrivaninha e indo abrir as janelas de madeira de pinheiro – Os criados estão a todo vapor preparando a casa para a recepção que a senhorita dará esta noite ao barão de Connin.
Ouviu-se um bocejo, e as cobertas e mantas revelaram uma menina de quase treze anos, com cabelos e olhos negros e pele muito clara.
— Aqui está, condessa. Chá preto e leite adoçado com néctar, com biscoitos de chocolate. – a mulher se curvou para servir a menina.
"A condessa de Brook é emancipada desde os cinco anos de idade, quando o pai fugiu com uma amante e a mãe notou sua enorme capacidade intelectual. Desde então ela cuida da grande tecelagem da família e de todos os outros assuntos referentes ao nome dos Brook".
— Louise saia logo. Tenho mais o que fazer. – a menina rosnou, abrindo a gola da camisola e deixando-se ver um pentagrama de contrato.
— Sim, My Lady. – assim, a mulher deixou o quarto, por fim indo tratar de seus próprios afazeres.
— Sebastian, o que houve? — um garoto de treze anos fitava furioso uma luta.
— Senhor, minha presa não é tão fácil quanto pensei. O plano não dará certo.
— Como assim não dará certo? Nunca falhamos! Não pode deixá-lo escapar!
— Não deixarei. Nós... Nós é que vamos bater em retirada. Prosseguimos amanhã. Ainda temos mais dois dias para apanhá-lo. – o mordomo tomou Ciel pela mão e o carregou para fora do alcance da criatura.
À plena temporada em Londres, uma infinidade de seres sobrenaturais decidira aparecer na periferia da cidade, deixando todos os cães da Rainha atentos. Enquanto voltavam para a mansão, Sebastian entrara por uma viela.
— O que pensa que está fazendo? Deveria ter seguido reto! – Ciel esbravejava. Com um semblante totalmente confuso, o demônio parou, olhando para os lados ainda mais confuso:
— Sinto um cheiro estranho. Estonteantemente estranho. Perdoe-me Bocchan. – e então recomeçou a correr carregando seu “dono.”
Já era quase noite na grande Londres. Festas tomavam conta da mansões em torno da casa Brook, a única residência que permanecia no mais completo silêncio.
— Senhora, temos um mandado da Rainha. – Louise apareceu diante da condessa na sala de estar, mostrando à menina uma carta selada.
— Mandado? Tão cedo? – indagou, abrindo o envelope e lendo o conteúdo. Após alguns minutos de reflexão, Lilian fitou seu mordomo com um sorrisinho nos lábios — Louise, arrume-nos logo. Você tem uma caçada hoje. – completou, levantando e indo para o quarto.
Poucos minutos depois, a menina reaparecera na sala, em um longo vestido de saias de seda branca com flores em crepe rosa, luvas e casaco negro e uma bota de couro com cano baixo. O Mordomo se apresentava com suas madeixas devidamente presas em um coque, e um impecável uniforme. As duas se dirigiram até uma pontezinha de madeira na parte mais remota de Londres, mas lá já havia uma batalha em andamento.
Um homem levava uma verdadeira surra, enquanto uma criança olhava indiferente a situação.
— Sebastian, pare de brincar. Mate-o logo para podermos ir embora.
— Senhor, há algo errado com essa presa. Quanto mais eu bato, mais forte ele fica. – e em um segundo de diálogo, Sebastian foi agarrado pelo pescoço e erguido a quase dois metros do chão – Huhu, isso não é capaz de me deter... – até que sentiu uma fisgada em sua garganta e começou a se asfixiar. “Mas como? Como essa coisa está me afetando? Não consigo me manter... Minhas forças estão desaparecendo...”
O moreno estava prestes a perder a consciência, quando uma grande faca de cozinha atravessou a cabeça da aberração negra que o enforcava o soltando. Alguém pulou sobre o ser e lhe quebrou o pescoço. Sebastian foi ao chão, e fitou o homem que derrubara seu inimigo. Das sombras, uma menina surgiu, e o homem que matara o ser se revela, sendo na verdade uma mulher.
Incrédulos, Ciel e Sebastian se recompuseram rapidamente.
— Quem são vocês e o que fazem aqui? Por que vieram atrapalhar meu trabalho? – Ciel perguntou, tão irritado que não notara a velocidade de seus passos e as mãos que gesticulavam freneticamente.
— Perdoe-nos a intromissão, mas a Rainha mandou-nos interceder em seu trabalho, que tem sido insuficiente. – a mulher cuspiu a última palavra como que para provocar a dupla rival, soltando o coque e olhando ironicamente os dois.
— Insuficiente? Então por que apareceram apenas agora? – Sebastian perguntou.
— Recebemos o mandado há cinco minutos. – Lilian mostrou o envelope com o selo da Rainha a Ciel.
— E pelo que constatei nos segundos em que aqui estou, seu cãozinho estava prestes a morrer... – a loura se dirigia a Ciel olhando profundamente para Sebastian – De qualquer forma, perdoe a intromissão. Eu apenas estava fazendo meu trabalho como mordomo da casa Brook.
— M-mordomo? Mulheres não podem ser mordomos. São criadas. E vestem-se como mulheres, não como homens. – Sebastian afirmou com altivez, agora prestando atenção à mulher loura e em suas vestes.
— Sebastian querido, tenho muito mais coisas a esconder do que você poderia imaginar... – Louise esticou uma mão enluvada e fechou a boca do moreno pelo queixo delicadamente, se virando para sua senhora em seguida – Vamos senhorita?
A menina assentiu com a cabeça e as duas simplesmente sumiram nas sombras. Sebastian ficou imóvel, paralisado por um longo tempo, até Ciel lhe presentear com um murro no braço.
— Vamos! O que está esperando? Leve-me logo para casa! Estou cansado.
Assim, os dois retornaram à mansão, ou pelo menos tentaram No meio do caminho, Sebastian perdera a direção da residência diversas vezes, deixando Ciel ainda mais irritado e o fazendo desistir de ser levado pelo mordomo.
— Encontre o caminho da casa sozinho, pois é assim que vou ter de voltar. – ele bradou, deixando o mordomo no meio da rua e seguindo o trajeto a pé.
De longe, algo vermelho observava o demônio, que retornava inconstante para a mansão Phantonhive.
— Então é isso! Por isso o Sebastian (kyaah!) está perdido dessa maneira! Droga, eu deveria ter nascido um akuma, não um shinigami. – e Grell saiu de cena.
No relatório do ruivo sobre a mesa do Spears, havia apenas um parágrafo:
“Akumas diferentes. Possível aproximação, apreciação e troca de informações. I Love Sebastian!! Desculpe-me Will.”
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