Akiraka ni
2 Começando
Notas iniciais
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Esse caso japonês nem começara e já rendera uma dor de cabeça monstruosa em John. Primeiro foi Sherlock: Aparentemente, não tem nada de errado em simplesmente pegar o casaco e sumir para o aeroporto enquanto John estava no banheiro. Como o encontara? Uma mensagem do Mycroft perguntando se Sherlock o arrastara para o Japão só com a roupa do corpo.
Discutira a noite toda com o detetive sobre pessoas normais ainda precisarem comer, dormir, trocar de roupa e tomar banho, tudo isso parecia complexo demais para o gênio entender, especialmente quando fazia drama por ter sido chamado no autofalante como uma criança perdida que não deveria sair de casa sem avisar. Com Mycroft, discutira sobre ele vigiar o cartão de crédito do irmão vinte e quatro horas por dia, o que continuaria acontecendo devido a certos incidentes com certas substâncias ilegais.
Depois foi um probleminha na rua: Resolveram explodir uma bomba no mercado em que John sempre vai. Uma. Maldita. Bomba. Então Londres tinha um serial bomber de mercado solto por aí, que escolheu um alvo bem na rua do maior detetive da cidade e tal detetive saiu atrás de tal terrorista. Adivinha quem teve que arrumar tudo da viagem sozinho? Pois é.
E planejar tudo só deu mais motivo para chamar Sherlock de criança; Não gosto disso, pra quê é aquilo, quando vamos, John, John, John. O médico jura que deve ter tomado uma cartela de neosaldina por dia.
E por fim foi a senhora Hudson: Ela o ajudara a preparar tudo, cozinhara e foi a força moral que o impedira de esquartejar o colega de apartamento naquela semana. John realmente adora aquela mulher, do fundo do coração, mas, se tivesse que dizer, mais uma vez, que essa viagem não era uma maldita lua de mel, surtaria.
Ela o comprara um pacote, um maldito pacote, de cuecas de couro. Couro. John nem imagina aonde ela pode ter arrumado isso, a única coisa que sabe é que, assim que desembarcar, elas vão cair misteriosamente em um incinerador e ele vai rezar pra Mycroft nunca descobrir que existiram.
Depois de analisar a última semana — os últimos anos de sua vida no geral — John chegou à conclusão que, sim, Sherlock Holmes vai ser a causa de suas rugas e possível derrame em um futuro próximo. Mas, sobrevivera a, talvez, a pior semana de sua existencia e agora desembarcava do avião zombando o detetive por não poder usar sobretudo quando está fazendo 28° à sombra.
A primeira coisa que viram ao desembarcar foi um homem com terno azul marinho e uma expressão extremamente amigável segurando placa bem grande escrito Sherlock Holmes. O médico olhou para o sociopata, o sociopata olhou para o médico e se aproximaram do homem.
"Eu sou Sherlock Holmes."
O homem o avaliou de cima a baixo, como se confirmasse sua indentidade, e respondeu. "Sr. Holmes, é um prazer conhecê-lo." Inclinou-se "Matsuda Touta. É realmente um grande prazer."
Enquanto isso, John procurava as malas, procurava. "An... Sherlock... Você deu as malas pra moça do check-in, certo?"
"John, pare de falar como se eu fosse criança. E é claro que eu despachei as malas."
Matsuda, timidamente, chamou a atenção dos dois. "Ano... Sua bagagem foi levada para o hotel. Precisávamos acelerar ou chegaríamos atrasados na reunião. Na verdade já estamos..."
John se espantou. "Reunião?"
"Interpol, obviamente. Está devagar hoje John."
"Sherlock... Lembra aquela conversinha que tivemos antes de sair de casa? Aquela que você prometeu não fazer a cara de 'já entendemos tudo' quando só você entendeu?"
O detetive bufou. "Mycroft é o secretário de segurança, tem contatos na polícia internacional e chegou do nada com um caso no Japão. De onde você acha que ele o tirou?"
"Oh..."
"É: Oh, John."
"Ano... A reunião..."
Depois de, finalmente, conseguir enfiar os dois em um táxi, Matsuda passou o resto da viagem mostrando alguns pontos turísticos e conversando com John. Holmes parecia irritado por alguma razão e não disse nada em nenhum momento. Chegaram ao local da reunião algum tempo depois.
Matsuda os guiou pelo prédio, terminando em uma grande sala em estilo de anfiteatro os deixando no fundo perto de umas cortinas e seguindo para seu lugar demarcado. O silêncio do gênio já estava preocupando John, não era normal, ele sempre tinha algo a dizer.
"Sherlock, você está bem?"
"Incrível..."
"O que é incrível?"
"Aquela teoria de que, em algum lugar do mundo, existe outra pessoa igual a você."
"Você acredita nela agora?"
"Sim."
"Porquê?"
"Porque o Japão tem sua própria versão, mais alegre e simpática, admito, do Anderson!"
"Do Anderson? Mas o que- Você não deveria insultar o Matsuda tão cedo assim, Sherlock..."
Qualquer resposta que o detetive possa ter pensado em dar foi cortada pelo início da reunião. Uma bem chata, inútil e cheia de idiotas na opinião do mesmo.
Começaram com o previsível, o número de mortes confirmadas e algumas suposições, como todas elas foram por ataques cardíacos... Nada que interessasse o gênio... Bem pelo menos até:
"Mas todos esses criminosos já iam ser executados. Não faz mesmo muita diferença."
"Idiota! Mesmo se fossem criminosos sentenciados ao corredor da morte, assassinato ainda é crime!"
Talvez não fossem tão idiotas assim.
"Mas ainda não confirmamos que foram assassinatos."
"Não tem como cem criminosos morrerem de ataques cardícos morrerem assim por coincidência! É óbvio que foram assassinados!"
Tiraram as palavras da boca de Sherlock.
"Mas como alguém pode matar tantos criminosos ao mesmo tempo?"
Alguma resposta quase ensaiada foi dada por algum membro à pergunta que o próprio detetive tinha em mente. É claro que pensara na possibilidade de uma organização estar por trás dos assassinatos, mas isso ainda não explicava como eram feitos. Como Mycroft aguentava esse tipo de coisa?
"Uma causa assim tão vaga não significa nada para nós!"
John tentou segurar o detetive no lugar, mas com um segundo de atraso. Sherlock se levantou, pegou o microfone da mesa mais próxima, e falou com o maior desprezo que conseguiu.
"Errado. Se você, aliás, se alguém aqui tem a mesma opinião, retirem-se agora. Vocês diminuem o QI do auditório todo. E não significa nada? Significa que, sim, há um serial killer à solta. Duas mortes iguais poderia até ser coincidência, três seria premeditado, agora, cinquenta e duas? Porfavor."
"E como se mata uma pessoa trancada em uma prisão de ataque cardíaco?!"
"Em primeiro lugar como se faz uma pessoa ter um ataque cardíaco? E quem diabos é você?!"
Nisso, o homem sentado ao lado de Matsuda se levantou.
"Ele é a quem a divisão japonesa pediu ajuda, o melhor detetive da Inglaterra: Sherlock Holmes."
"Sherlock... Holmes...?"
"Porquê pediriam ajuda de fora se temos L?"
"Porque L só pega casos que o interessam. Não tem como ter certeza se ele se interessaria ou não."
John quase riu. Coitados trocaram seis por meia dúzia, mas se o detetive infantil dele gostou do caso, qualquer outro aceitaria. E, por algum motivo, o médico teve um mal pressentimento.
O caos formado no anfiteatro desde que Sherlock abrira a boca, se desfez no segundo em que um homem vestido de preto segurando uma maleta apareceu e andou até o centro do palco.
"L já está ciente de tudo."
E a sensação estranha que Watson tinha só aumentava.
"L já começou a investigar o caso. Porfavor façam silêncio, L lhes falará."
Continuava piorando. Watari, cujo nome John aprendera com alguns sussurros perdidos, abriu um notebook e uma letra L gótica gigante apareceu no telão ao fundo do auditório e John decidiu observar o detetive que, agora, descia as escadas, para ter certeza de que ele não faria alguma sherlockisse.
"Senhores da ICPO, aqui é o L. Esse é um caso sem precedentes e de dificuldade imensurável. É um crime de assassinatos em massa que deve ser detido!"
"Óbvio..."
"Para solucionar esse caso, gostaria de pedir total cooperação da ICPO."
Sherlock chegara ao palco e começou a rir. "Cooperação de pessoas que não conseguem nem ver o óbivo? Com certeza alguém tão misterioso quanto você teria contatos mais importantes do que eles. Se precisa tanto assim do departamento japonês, não seria melhor pedir diretamente a eles?"
Matsuda e o homem sentado ao seu lado se levantaram. "P-Porquê o Japão?"
"Porque esse assassino é, obviamente, japonês. Ou você viajaria para outro país para eliminar os criminosos de lá com seus misteriosos poderes de ataque no miocárdio ao em vez de fazê-lo em seu próprio?"
A tela retrucou. "Não é obrigatório que o assassino seja japonês, Sr. Holmes, tanto que pedi a ajuda de toda a ICPO."
"Mesmo acreditando que ele seja japonês. Ou ao menos vive aqui. Você se faz de idiota para melhorar a autoestima deles, ou é divertido vê-los correndo em círculos atrás da resposta? Eu escolheria a última..."
Agora John poderia acrescentar 'discutir com uma tela de computador sobre assassinatos' à lista de sherlockisses do seu blog.
"Mas, pelo que entendi de conversas paralelas agora a pouco, você nunca os contata. E contatá-los só para dizer que vai investigar e usar a polícia japonesa parece um desperdício. Como vai fazer ele revelar sua exata posição?"
"Isso, Sr. Holmes, será mantido em segredo por segurança. Mas mostrarei ao departamento japonês que Sr. Holmes está certo em suspeitar da nacionalidade do assassino em breve."
A reunião terminou não muito depois, com um médico extremamente envergonhado e se perguntando como não foram deportados e um sociopata parecendo radiante.
"Como você sabia que o L tinha algum tipo de plano?"
"Porque ele nunca contata ninguém e já tem as informações necessárias para deduzir pelo menos alguma coisa suficientemente relevante. E ele não parece do tipo que dá satisfação do que faz para alguém."
"Conheço alguém assim..."
"Enfim... Se ele contatou toda a Interpol ao mesmo tempo, significa que tem algo importante em mente."
"E como sabia que era sobre a localização do assassino?"
"Porque é algo importante o suficiente para assegurá-lo de que terá o apoio total da Interpol, mas, mais precisamente, da polícia japonesa. E pedir esse apoio do Japão não só direta mas também publicamente, diz que será algo grande."
"Grande?"
"Repercussão nacional."
"Oh..."
"O jogo começou, John!"
E o estômago do médico já tinha virado do avesso. E é só o primeiro dia. Esse vai ser um longo caso...
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