Akiraka ni
3 Proclamação
Notas iniciais
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Matsuda ou Sr. Yagami. John ainda não tinha certeza de quem culpar, mas, quando tivesse, mandaria Sherlock pra casa do cidadão. Porquê? Porque o que o médico mais prezava era seu sono. E não tivera muito dele nos últimos dias: Algum dos dois dera os arquivos sobre o maior número possível de vítimas para Sherlock, sim, dera, sim, dera como em 'leve para casa'; E agora o detetive passa noites em claro olhando para a papelada. Literalmente em claro. Até o fim da semana, John precisa trocar de quarto.
Como sabia que foi algum deles? Simples, depois de deduzir todos da Força Tarefa no primeiro dia, Sherlock foi promovido a segunda pessoa mais detestada no QG, perdendo apenas para o assassino que querem pegar, mas está quase no mesmo nível. As únicas pessoas, fora o próprio médico, que parecem não desprezar Holmes do fundo de suas almas são Matsuda, que tem que ser algum tipo de masoquista, ou, ao menos, extremamente lerdo para continuar falando com Sherlock; E o Sr. Yagami, quem aparenta ter uma resistência infinita as bobagens do detetive.
Detetive este que se encontrava em um processo de encarar um computador no momento, não que o silêncio fosse durar, ele nunca durava. "Só digo que não é tão ruim quanto parece ser. São mortes simples, morrem de ataque cadíaco. Se esse assassino realmente tem um poder desses, as mortes poderiam ser muito piores..."
"Assim parece que você simpatiza com ele, Haizaki."
"É só o que penso..."
Sherlock decidiu que esse era o melhor momento para quebrar o silêncio. "Bem, Haizaki, talvez, agora, você tenha essas mortes piores que tanto fala."
Isso chamou a atenção de toda Força Tarefa. "C-Como assim?"
"Pessoas são mesmo desprezíveis."
"Sherlock. Explica?"
O detetive suspirou e apontou para o computador que tanto observava. "Deram um nome para ele."
Todos os policiais se agruparam envolta do tal computador para vê-lo ou para ouvir melhor o detetive.
"Kira?"
"O que isso tem a ver?"
"Pelo amor de deus! Pensem! Vocês são a maldita força policial especialmente escolhida para esse caso! Não é possível serem tão ignorantes!" Sherlock se levantara com um salto e andava pela sala visivelmente irritado. "Esse 'Kira' é um vigilante. Vigilantes fazem o que pensam que a polícia deveria mas não faz, nesse caso: Matar os criminosos. Vigilantes sempre pensam que fazem o certo e, por sempre acreditarem que estão do lado lei, não a temem, não têm limites.
Normalmente, contatam a polícia de uma forma ou de outra. Mesmo com todo esse alvoroço, ele não fez nenhum contato, deve ser meticuloso ou ter o bom senso para saber que a polícia não acha o que ele faz certo, mesmo que ele acredite que seja.
Kira tem a motivação, tem o meio, que é sua maior vantagem, já que ninguém sabe como ele mata, mas, agora, ele tem algo muito maior, muito mais importante e muito pior para nós: Apoio do público. Um público que acredita que ele está certo, que acredita a ponto de chamá-lo de 'Salvador'.
Todas essas mortes até agora não são nada. Não quando, muito provavelmente, pode-se acrescentar narcisismo à isso tudo. Ele se acha o certo. E as massas concordam. Agora ele é o certo. E isso torna a polícia e qualquer um que coopere com ela o lado errado. Não existem mais limites. Poderá fazer o que bem entender, porque agora está protegido de críticas.
Por outro lado, vocês acabam de perder tudo. Tudo que fizerem será alvo de todo tipo de mídia possível: Se o pegarem, questionarão se a criminalidade aumentará e coisas assim, mas os apoiarão. Mas, para cada fracasso, serão atingidos, cada vez mais forte. Como eu disse, pessoas são desprezíveis." O detetive parou na frente da sala, encarando o silêncio que seguiu seu monólogo, quebrado pouco tempo depois por Matsuda.
"E-Então, precisamos pegá-lo o quanto antes!"
Sherlock sorriu sarcásticamente. "Exatamente."
Mesmo com tudo que o detetive disse, o que John acredita ser o mais próximo de um encorajamento que ele possa fazer, a situação da Força Tarefa não melhorava, na verdade, a motivação de grande parte parecia diminuir a cada dia, o trabalho piorava e o médico já ouviu vários sussurros sobre tudo isso ser inútil. O humor de Sherlock piorava proporcionalmente e reproclamava toda noite os motivos de não gostar de trabalhar com a polícia.
Em um dia em que John podia jurar que seu sociopata mataria um dos policiais e usaria o corpo para bater em Matsuda, Chefe Yagami entrou na sala com uma expressão que era, no minímo, esperançosa e, ligando a TV, disse. "É hoje." O departamento se silenciou, acomodou-se e deu total atenção ao aparelho, um certo detetive o mais próximo permitido do mesmo.
Estavam tensos, ansiosos e impacientes quando o pronunciamento começou e um homem moreno de terno preto apareceu na tela dizendo ser L.
"Mas ele nunca apareceu em público, por que agora?" Matsuda perguntou curioso e recebeu como resposta Sherlock bufando sobre ele com certeza ter déficit de atenção, quem, por sua vez, recebeu um olhar mortal de John. Enquanto o detetive voltava sua atenção para a televisão e dava de ombros, Sr. Yagami respondia Matsuda. "L está levando o caso a sério."
Quando L voltou a falar e dirigiu-se ao assassino, Holmes praticamente saltara de sua cadeira, assustando o departamento, mas principalmente o médico ao seu lado. "Mas que- Sherlock!" O detetive não ouviu nada que falaram para ele, ficando mais e mais impaciente a cada palavra vinda da TV.
"Kira, creio ter uma boa noção do que você quer e porque quer, mas, o que está fazendo... É maligno!" Sherlock segurava os lados do aparelho. "Vamos." A cada segundo, mais impaciência vinda de Holmes. "Vamos. Vamos. Vamos!"
Ninguém sabia o que pensar do detetive a essa altura, que era louco já sabiam, ou suspeitavam. A única pessoa aparentemente calma o suficiente com aquela atitude era Yagami. John estava prestes a questionar o colega, mas, algo mudou completamente o foco de todos do sociopata para a televisão: O homem, Lind Taylor, caiu na mesa. Estava morto. O espanto silencioso da Força Tarefa foi cortado por Sherlock parecendo feliz com a situação, a ponto de rir dela.
"Sherlock, pelo amor de deus, qual é a maldita graça?! L acabou de morrer!"
O detetive, ignorando completamente o médico, olhou para Yagami e arqueou a sombrancelha. "Creio que isso confirma o óbio para você Sr. Chefe de polícia. Não só ele é japonês como está aqui em Kantou. Pronto, de volta ao trabalho."
"S-Sherlock, o que você está dizendo? Como-" Holmes interrompeu John e apontou para uma pilha de pastas pardas, que Watson reconheceu de imediato como o motivo de sua insônia nos últimos dias, em cima de uma mesa antes de falar, sem perder o pequeno sorriso em seu rosto.
"Sugiro que não venha tanto assim aqui, John, ficar tanto tempo cercado desse povo está te deixando lerdo." Sentou-se e gesticulou para a TV. "E, já que é assim, recomendo que preste atenção." Como se concordasse com Sherlock, uma grande letra L gótica apareceu na tela e passou a explicar tudo, como o homem quem o assassino acabara de matar era um condenado que não fora divulgado à imprensa, como a transmissão fora feita apenas na região de Kantou e como, aparentemente, não poderia matá-lo.
Antes desse confronto pseudo-direto acabar, Holmes saíra do prédio, seguido por Watson. O caminho de volta ao hotel fora silencioso, com o detetive pensando demais e o médico tentando entender o que se passou naquele dia, até se sentir frustrado o suficiente para perguntar. "Kantou?"
"Sim."
"As pastas, digo, o que elas têm a ver?"
"Sério, John, pare de conversar com o Matsuda..."
"É sério, Sherlock!"
O sociopata supirou. "Eram as pastas com informações sobre as vítimas."
"Isso eu já sei, Sherlock. Quero saber porquê raios apontou pra elas."
"John... Não temos nenhum acesso às cenas do crime aqui, por já ter algum tempo da morte ou simplesmente por serem dentro de penitenciárias de alta segurança."
"Sim, sim, e a cena do crime mostra muito mais do que as pessoas pensam e blá blá, mas e as pastas..."
"Elas são as cenas dos crimes agora."
"E você deduziu que Kira estava em Kantou vendo uma droga de arquivo?"
"Aquelas pastas deveriam ser a prioridade dessa Força Tarefa, ao invés disso, não hesitaram em dar elas para mim. Isso, por exemplo prova que policiais são burros e mal preparados em qualquer lugar do mundo..."
"Sherlock."
"Mas, entre várias coisas que me chamaram a atenção, uma praticamente pulava pra fora do papel, John. E, o mais interessante: Estava no primeiro arquivo. Como disse, burros."
"E seria...?"
"A primeira morte associada ao assassino, Kira, foi uma morte noticiada apenas na região de Kantou. Era um programa regional. Não só essa, algumas outras também, mas essa foi a primeira. Na primeira pasta. O primeiro maldito arquivo que não prestaram o mínimo necessário de atenção. De novo: Idiotas."
"Incrível. E você não me contou nada... De novo."
"John, eu descobri aonde ele estava e agora estou te contando, então não tem motivo- "
"Não. L já contou pra todo mundo. Cala a boca, Sherlock."
"Francamente..."
Após alguns minutos de silêncio, o médico voltou a falar. "Você ama estar certo, mas ama mais ainda quando outras pessoas sabem que está certo. Por quê não falou nada?"
"Porque, John, uma das peculiaridades, que eu já odeio mais que fim de semana com minha família, dessa força policial é ceticismo. Se eu dissesse que o assassino está aqui, mesmo com aqueles arquivos tão óbivos, eles alegariam que é muito relativo e outras idiotices policiais. E, já que esse L tinha um plano pronto para mostrar o que até uma criança enxergaria, deixei nas mãos dele."
"Você confiou algo nas mãos de outra pessoa? Uma pessoa que nunca sequer viu?"
"Já confiei várias coisas a várias pessoas, John. Não se esqueça da minha rede dos sem teto."
"Então já sente falta do Lestrade?"
"Me lembre de comprar algo para ele antes de voltarmos."
Pela primeira vez em noites, John conseguiu dormir bem; Talvez fosse a exaustão desse dia que pareceu ter cinquenta horas ou o alívio de terem finalmente descoberto aonde Kira está, o médico não sabia, mas não se importava, agora vai ficar mais fácil. Pelo menos pensara que sim, até a primeira coisa que viu no momento em que pisou no QG ser um homem de sobretudo preto e chapéu segurando um computador. Um computador com uma letra L que se dirigiu a eles. "Bom dia, Sr. Holmes, Dr. Watson." O brilho que passou nos olhos de Sherlock preocupou John a níveis astronômicos.
"Bom dia, L."
"Deus."
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Fale com o autor