Akaluri - Parte 1

8 Uma linda fotografia


Durante a manhã, decidi ir ter com o Hikari, para tentar conversar com ele. Inicialmente, pensei em falar sobre aquela situação de ele ter que ir embora, mas depois achei que seria melhor conter-me e não insistir demasiado com o assunto. Mesmo assim, dirigi-me até à sala onde ele estava a terminar a sua aula de espanhol. Assim que o Hikari saiu, fui ter com ele. Eu respirei fundo, tentando pensar em outras coisas, o que me fez lembrar de uns bilhetes que tinha ganho para um parque de diversões. Abri então a mochila e tirei-os da carteira, enquanto falava:

- Olá, Hikari! Olha, eu recebi estes bilhetes pelo meu serviço no café e ainda não os usei... São para o parque de diversões e a validade acaba no final do mês. Queres ir comigo este fim-de-semana?

- Pode ser... Já não vou lá há muito tempo. Vai ser divertido!

- Tal como quando íamos juntos há uns anos! Lembras-te?

- Claro que me lembro! Especialmente quando caí do cavalo naquele carrossel! — ele desatou a rir — Eu estava todo contente a acenar para a câmara da tua mãe e esqueci-me de me segurar! Quando escorreguei, parecia aqueles memes todos pixelizados das crianças a cair!

Os dois rimos bastante com a lembrança, cada vez acrescentando mais memórias engraçadas, à medida que nos íamos lembrando. Pouco depois, apareceu a Naomi, que decidiu ir ter connosco.

- Ah, olá, Naomi! — cumprimentou o Hikari, contendo o riso.

- Olá! — disse.

- Vocês parecem muito estranhos aí, a rir sozinhos no corredor. O que se passa?

- Estamos apenas a lembrar-nos de umas coisas. — respondi.

- Que saudades! — acrescentou o Hikari.

- Então, Akaluri, vens almoçar? A Sara está a guardar lugar para nós na fila da cantina.

- Sim, já vou. Vemo-nos sábado à tarde, então, Hikari?

- Claro! Bom apetite!

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Até chegar o dia que íamos sair para o parque de diversões, eu quase não conseguia pensar em outra coisa. Estava muito animada para me divertir e passar tempo com o Hikari, num parque no qual já não metia os pés há uns anos. Todas as minhas emoções ansiosas só se acalmaram quando finalmente saí para fora do autocarro que me levou até lá.

- Boa tarde, Hikari! — cumprimentei, acenando.

- Olá Akaluri! Estás um pouco atrasada…

- Desculpa, eu perdi o primeiro autocarro da tarde para vir, então tive que esperar pelo segundo.

- Entendi. – respondeu ele, sorrindo — Então, vamos?

- Sim!

Os nossos bilhetes tinham acesso às mesmas diversões que, por coincidência, achamos ser as melhores para nós. Após passá-lo numa pequena máquina que o furou, recebemos uma pulseira vermelha e entramos, pegando num mapa para organizarmos bem a nossa tarde.

- Isto está diferente… — comentou o Hikari — Começamos por esta?

Ele apontou para o mesmo carrossel do qual ele tinha caído do cavalo, quando era pequeno.

- Como não pensei nisso antes? É óbvio que temos de começar por esse!

- Sim! — exclamou o Hikari, rindo — A seguir podemos ir à montanha-russa!

Dirigimo-nos ao carrossel, onde cada um montou num cavalo. Enquanto eu acabei por escolher um castanho, o Hikari escolheu um branco.

- Acabámos por nos meter nas mesmas cores dos cavalos da última vez que viemos aqui. — comentei — Mas desta vez não caias, Hikari!

- Só se fosse estúpido!

Ambos rimos durante uns segundos, até que o carrossel começou a andar. Durante o tempo que estive lá, só me vinham boas recordações à mente, de coisas que às vezes sentia saudades de fazer. Sentia-me um pouco grande para andar naquele carrossel ao pé de muitas crianças, mas continuava a pensar que havia sido um bom começo para o nosso dia. Quando acabou, fomos em direção à montanha-russa, procurando um tipo diferente de sensação. Assim que lá chegamos, vimos a enorme fila de pessoas que esperavam para entrar na diversão.

- Porque está assim tanta fila? – perguntou ele.

- Acho que a montanha-russa foi renovada…

- Então é melhor irmos primeiro ao barco no lago e voltamos mais tarde.

Assim que começamos a andar no meio das pessoas, senti o gélido toque da mão do Hikari na minha e os seus dedos a entrelaçarem-se com os meus, tal como fazíamos antes para não nos perdermos, quando éramos pequenos. Era algo que eu não esperava de todo sentir ou recordar naquele momento. Nenhum de nós comentou nada sobre o que estava a acontecer e mantivemo-nos assim calados, de mãos dadas, até chegarmos à fila para o barco que andava no pequeno lago do parque. No momento em que chegámos à fila, ele largou lentamente a minha mão.

- Hikari… Porque é que me deste a mão?

- Não é normal? Não queria que nos separássemos, no meio de tanta gente! O parque parece uma lata de sardinhas. Imagina só se nos perdêssemos...

Quando finalmente chegou a nossa vez de entrar lá, compramos algodão doce (que se vendia à entrada) e fomos para a proa do barco, onde ficamos a conversar, vendo as vistas à nossa volta.

- Desculpa estar a falar disto outra vez... Eu sei que estou a ser extremamente chata, mas… Nós estamos a ter momentos tão bons, como hoje, por exemplo… não vais sentir falta disto? Tens a certeza que não há mesmo nada que possas fazer para ficares?

- Lá estás tu com os pensamentos negativos em situações perfeitamente felizes... mas... respondendo à tua questão, eu receio que não. A minha avó só quer sair daqui o mais rápido possível. A nossa casa espera-nos, assim como todo o resto da família, lá na capital… É claro que eu preferia ficar aqui! Tenho bons amigos, um trabalho e voltei a andar na mesma escola onde me podia sentir bem...

- Não achas que podias falar com a tua avó sobre isso? Talvez ela te compreenda e te deixe ficar aqui…

- Mas onde é que eu ia ficar? Eu não quero falar com ela se eu próprio não tiver arranjado uma solução sozinho, senão vai só parecer birra.

O Hikari suspirou, retirando depois um pouco do algodão doce que partilhávamos, para o comer. Eu decidi não falar mais sobre o assunto, já me estava a sentir demasiado chata. Ficamos então os dois muito pensativos e com pouco diálogo enquanto o tempo passava, até o barco finalmente parar e sairmos.

- Estás bem, Akaluri? Quase não falaste mais depois daquilo.

- Sim, estou bem, desculpa. É só que… eu vou sentir saudades tuas…

- Eu também, mas... Não penses nisso agora, por favor. — insistiu ele.

- Tens razão, vamos continuar. — respirei fundo — O dia estava a correr tão bem até eu ter estragado tudo com estas coisas que não paro de falar… Estão sempre na minha cabeça, é só por isso.

- Não te preocupes com isso, vá, não estragaste nada. Onde queres ir agora?

Decidimos ir à casa assombrada, que, incrivelmente, não tinha nenhuma fila de espera. Assim que entramos, o Hikari agarrou-se ligeiramente ao meu braço, com um pouco de receio. Aquela casa assombrada era como uma espécie de labirinto, no qual tínhamos que passar por várias zonas e encontrar pistas que nos levariam à saída. Era fácil para alguém distraído se perder lá dentro. No entanto, sair o mais rápido possível não era sempre a melhor coisa a fazer. Dentro da casa havia um jogo, com o objetivo de nos fazer entrar em todas as zonas ou até resolver alguns enigmas. Com cada uma dessas conquistas, recebíamos um pequeno carimbo, numa folha que nos era entregue ao entrar. No total eram 15 carimbos. Conseguindo todos, recebíamos um porta-chaves exclusivo da mascote do parque.

- Temos que encontrar o primeiro sítio onde teremos um carimbo. — disse o Hikari.

- A casa assombrada mudou muito desde a última vez que viemos, mas podemos ir pela esquerda.

- Está bem.

Começamos assim o nosso trajeto pela casa sombria, indo pela esquerda até chegarmos a outro cruzamento, onde decidimos ir pelo meio. Após chegarmos a um beco sem saída, voltamos para trás e encontramos umas escadas, que decidimos descer. Pouco depois, encontramos uma porta. Assim que a abrimos, reparamos que lá havia bastante fumo. Foi aí que ouvimos vindo daquela sala escura, um barulho de uma motosserra e gritos de uma mulher. Ambos saltámos para trás com o susto e fechamos rapidamente a porta, correndo novamente para as escadas a seguir. Depois daquele engano, fomos seguindo pelo lado esquerdo, até virarmos à direita, onde estava outra porta.

- Talvez seja aqui… — disse.

Com bastante receio, abrimos lentamente a porta, onde nos esperava um senhor, pronto a carimbar a nossa folha.

- Parabéns! Conseguiram encontrar a sala da estrela. Agora, vocês têm que responder a uma pergunta para obterem um carimbo. Quantos anos faz o parque de diversões este ano?

- Quinze! — respondemos em coro.

- Certo!

Contentes com a nossa pequena vitória, eu e o Hikari sorrimos um para o outro e ambos entregamos a nossa folha ao senhor, que as carimbou. Passado algum tempo, depois de darmos várias voltas pela casa, íamos apanhando cada vez mais sustos e encontrando mais salas com carimbos, até nos faltarem apenas dois.

- Akaluri, já é a terceira vez que estamos a virar à direita…

- Não importa, é isso que eles querem que as pessoas pensem!

O Hikari riu, juntamente comigo, e continuamos o nosso caminho pela direita até chegarmos novamente a outra porta. Assim que ele a abriu e entrou, o Hikari tropeçou numa corda que lá estava, fazendo-me cair também a seguir, visto que estava muito próxima a ele. Acabei por cair em cima das suas costas, levantando-me o mais rápido possível.

- Estás bem? — perguntei, enquanto lhe estendia a mão — Magoei-te?

- Eu estou bem, não te preocupes. — o Hikari agarrou a minha mão e conseguiu levantar-se — Esta sala é estranha… não tem aqui mais nada a não ser esta corda de uma ponta à outra.

- Estás enganado, Hikari.

Apontei para uma parede, que parecia ser como um daqueles armários compridos, de deslizar a porta. Assim que lá chegamos, confirmamos que era esse o caso. Assim que deslizamos a porta para o lado, vimos que lá estava uma mulher, que nos permitiu obter o penúltimo carimbo. Depois, saímos da sala e andamos então novamente pelo piso onde tínhamos conseguido os primeiros carimbos. Quando descobrimos que havia um sítio pelo qual ainda não tínhamos passado, começamos a correr, pensando estar próximos da última sala. Logo quando viramos a esquina, assustei-me com a repentina aparição de uma pessoa vestida de roupas negras. Acabei por deixar escapar um pequeno grito, juntamente com um sobressalto para trás, instintivamente.

- Oh, desculpa! — ouvi o rapaz dizer — Assustei-te?

- Eu estou bem; foi só um pequeno susto…

- Confesso que também me assustei, mas foi com o grito da Akaluri! — brincou o Hikari, rindo.

- Chamas-te Akaluri? Nunca ouvi um nome assim… Eu sou o Yusuke, prazer.

- Estás aqui sozinho? – perguntei.

- Eu até agora estava com uma amiga, mas não faço ideia de onde ela se meteu! É estranho, porque normalmente ela anda sempre a uns poucos centímetros de mim, mas perdi-a completamente de vista. Desde então, ando à procura dela.

- Porque não a procuramos juntos? – sugeriu o Hikari.

- Vocês não têm mais carimbos por ganhar?

- Só nos falta o carimbo das asas de anjo, então não faz mal! É só um.

- A sério? A nós, também só nos falta esse. Depois de encontrarmos a minha amiga, podemos procurar pelo último carimbo todos juntos.

- Sim, pode ser! — concordei.

Seguimos então caminho, chamando pela tal rapariga do nome de “Honoka”. Não passou muito tempo até a encontrarmos depois disso, na verdade, foram apenas alguns minutos. Descobrimos que ela estava escondida num canto, após se ter assustado com um senhor disfarçado de zombie.

- Yusuke! — exclamou ela — Porque é que me deixaste sozinha?!

- Eu não queria…

- Quem são esses que estão contigo?

- Ah, esta é a Akaluri e ele o Hikari. Eles ajudaram-me a procurar-te.

- Está bem, mas conhece-los?

- Agora pode dizer-se que sim.

- És sempre o mesmo…

Ela levantou-se do chão, no qual estava sentada.

- Então? Vamos à procura do último carimbo? – perguntou o Yusuke.

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Já com a folha completa, descobrimos onde era a saída. Como prémio por termos completado o desafio, foi-nos entregue a cada um o pequeno porta-chaves lindíssimo, assim que mostramos a folha. Todos ficamos contentes e decidimos continuar a andar juntos pelo parque. Com um ambiente mais iluminado, fora daquela casa sombria, já podia observar melhor como eram o Yusuke e a Honoka. O cabelo dele era negro e a sua franja cobria-lhe o olho esquerdo. Com o seu estilo de roupas escuras e discretas, ele emanava uma aura enigmática, mas o seu olhar atento parecia-me estranhamente familiar. A Honoka contrastava bastante com ele, em todos os aspetos. Ela era baixa e o seu estilo de tons neutros, acentuado pelas calças à boca de sino, remetia levemente aos anos 70. Enquanto a sua postura parecia transmitir uma certa confiança interior, o Yusuke tinha um ar mais introspetivo e reservado.

Algum tempo depois, encontrei-me a sós com Yusuke, enquanto esperávamos que a Honoka e o Hikari regressassem da casa de banho. Observando-o mais de perto, a sensação de já o ter visto antes apenas se intensificava, até finalmente me conseguir relembrar.

- Eu acho que já te vi antes… — comentei.

- Eu estava a pensar a mesma coisa agora, mas não tinha a certeza se era verdade.

- Se bem me lembro, deve ter sido há quase dois meses atrás… Acho que te vi no parque da cidade, a tirar fotos às plantas e isso...

- Oh, é verdade que eu vou lá algumas vezes com a minha câmara! Mas agora que penso, já me lembro disso... e de te ter visto lá, com esse longo cabelo branco e o laço rosa! Acho que te tirei uma foto nesse dia.

- A sério? – eu ri – Porquê?

- Era a primeira vez que via uma pessoa albina e achei que, enquadrada com as flores e plantas coloridas, irias ficar excelente numa fotografia. Peço desculpa se te incomodei ao tirar uma foto sem pedir autorização… Por respeito, eu nunca as partilho quando se trata de desconhecidos, por isso não te preocupes com isso. Gostarias de ver como ficou?

- Não tem problema, se ficou bem e se não tinhas nenhuma má intenção, não estou muito preocupada... — respondi — Mas, sim, claro que gostava! Podes mostrar?

- Oh, espera. Depois falamos sobre isso, eles já estão a voltar.

Assim que a Honoka chegou, ela foi rapidamente para o lado do Yusuke e começamos a ir em direção à roda gigante, como tínhamos combinado.

- Olha, achas que eles namoram? — sussurrou o Hikari ao meu ouvido — Parecem muito um casal.

- Não sei…

Eu olhei para o Yusuke, que estava a meu lado, e depois para a Honoka, que agarrava o seu braço. Eles olharam também para mim, um pouco confusos.

- Vocês namoram? – perguntou o Hikari.

- O quê!? — exclamou a Honoka.

O Yusuke riu bastante, colocando a mão na barriga.

- Não namoramos! Ela é muito velha e chata, nunca me iria apaixonar por ela.

- Como assim "velha"? – perguntei.

- Ela é mais velha do que todos nós, embora não pareça.

- Hey! – a Honoka deu uma pequena cotovelada ao Yusuke – Não fales sobre isso, burrinho!

- E vocês? — perguntou o Yusuke — Também têm ar de ser um casal.

- Não! — respondemos em coro, rindo.

- Então somos todos solteiros!

- É.. Pois somos.... — respondeu o Hikari — Agora não sei se rio ou se choro com essa informação.

Todos rimos com a sua resposta, chegando depois à roda gigante. Ela estava iluminada por inúmeras luzes coloridas, fazendo um bonito contraste com o anoitecer.

- Está tão linda… — comentei.

- Viemos mesmo num bom horário. — acrescentou o Yusuke — Querem ir a pares ou vamos todos juntos?

Eu aproximei-me do Yusuke para falar, já que ele estava um pouco mais à frente. Os homens que lá trabalhavam, impacientes com a nossa indecisão, obrigaram-nos apenas a entrar à press, dois a dois, visto que o espaço não era muito grande. Fomos então assim como estávamos, o Hikari com a Honoka e eu com o Yusuke. Não era assim que queríamos ter os pares feitos, mas decidi aproveitar a situação para poder conhecê-lo melhor e continuar a conversa de antes.

- Como me vais mostrar a foto, então? Passaste-a para o teu telemóvel?

- Ainda não, mas posso fazer isso assim que chegar a casa. Se não te importares de me dizer, qual é o teu mail, Akaluri?

Após trocarmos contactos e redes sociais, pensei em algo para perguntar ao Yusuke e criar conversa.

- Quantos anos tens?

- Tenho 18, e tu?

- 17.

- Então, assumo que estejas no décimo segundo ano, certo? Eu já acabei a escola.

- Sim… Estou em artes. Não andas na universidade?

- Também estudava artes! Estou mais virado para a fotografia, mas também gosto de desenho. Não ando na universidade porque não tenho meios para estar numa... mas gostava, mais tarde.

Parecia que, de alguma forma, todos me davam a mesma resposta, sempre que perguntava sobre a universidade. De facto, era um custo relativamente grande para arrecadar, especialmente sem ajudas. Não sabia qual era a sua situação de vida, mas podia para já assumir que não era a melhor, infelizmente.

- Tens razão. — respondi — Estudos no ensino superior podem ser bem caros. Que curso estarias interessado em fazer no futuro?

- Gostava de seguir algo relacionado com fotografia, seja o que for. Na verdade, ainda estou um pouco indeciso porque não há nada em específico no qual esteja interessado, mas tenho tempo para ver isso ainda. O importante agora é poupar. E tu, vais entrar já para o ano?

- É o que planeio fazer, sim, mas nunca se sabe. Idealmente gostava de fazer algum curso que tivesse a ver com ilustração, só que, tal como tu, ainda não tenho bem a certeza e preciso de me decidir. — respondi, rindo.

- Pois, é complicado. Desejo-te boa sorte com a escolha e com os exames finais!

- Nem me lembres disso! Estou tão stressada com os exames... Tenho sempre a impressão que me vai dar uma branca.

- É normal, não te preocupes com isso. Acho que acontece a todos, embora a diferentes níveis, imagino.

- Sim, eu sei...

- Bem, por enquanto já chega de falar de estudos! — exclamou o Yusuke — Há mais na vida sem ser isso...

O rapaz introduziu diversos assuntos novos, sobre atividades, música, séries, tudo e mais alguma coisa. Para ser honesta, ele parecia mesmo ser alguém bastante interessante, por isso não via desvantagens nenhumas em tentar virar sua amiga e falar um pouco mais com ele. Assim sendo, começamos então a seguir-nos um ao outro nas redes sociais, o que tornava tudo mais propício para tal.

Ambos ficamos calados durante algum tempo, enquanto observávamos a mesma paisagem que entardecia. Assim que olhei para o Yusuke novamente, reparei que ele já estava a olhar para mim, não conseguindo decifrar o que ele estava a pensar no momento. Mais tarde, saímos os dois bastante relaxados da roda gigante e vimos a Honoka e o Hikari, que chegaram logo a seguir.

- Yu! — exclamou ela, correndo até ele.

- Desculpa, Honoka. Eu queria ter ido contigo, mas aquele senhor estava muito irritado connosco, por alguma razão…

- Eu sei… Mas foi um pouco constrangedor estarmos lá sozinhos e nenhum de nós falar nada!

- Vocês não falaram!? — perguntou o Yusuke — Eu e a Akaluri até falamos bem…

- Até acho que seria giro encontrarmo-nos mais vezes. – comentei.

Enquanto conversávamos todos mais um pouco, contando o nosso dia no parque, caminhávamos até à saída do mesmo, onde eventualmente nos despedimos e nos separamos novamente para os nossos pares iniciais. Eu e o Hikari fomos juntos embora no autocarro, até à central. Depois, cada um se dirigiu até sua casa. Quando cheguei, fui desenhar um pouco para o meu quarto, depois de jantar. Pensei em falar com o Yusuke, mas faltava-me coragem, então apenas esperei que ele me mandasse a tal foto. Quando estava quase a perder as esperanças que ele se lembrasse, acabei por receber uma notificação de mensagem no telemóvel. Ao abrir a imagem, reparei que nunca ninguém me havia tirado uma foto assim tão bonita antes. Eu não percebia muito de fotografia, mas parecia-me que a sua composição e tratamentos de luzes, sombras e cores estavam impressionantes. Eu agradeci e alterei a minha foto de perfil. Ficamos então a trocar mensagens um com o outro, até irmos dormir.