Akaluri - Parte 1
5 Coisas acontecem
Foram passando uns dias e, entretanto, eu já tinha contado à Sara e ao Hikari aquela história sobre a Hyuna e o Wolfo no parque. Apenas não tinha referido a parte da transformação do Ryuu, não querendo revelar algo que talvez ele não gostasse. Só faltava contar as coisas à Manaka e ao Ichiro, porque ainda não tinha conseguido arranjar tempo para falar com eles. O Ichiro trabalhava noutro sítio a tempo inteiro e a Manaka andava muito ocupada no part-time como gerente do café e com a faculdade de biologia. Com o passar do tempo, o Ryuu foi ficando nosso amigo e cada vez mais próximo a nós, acabando por se juntar ao “grupo”. No final, foi ele próprio que decidiu revelar-se igualmente ao Hikari e à Sara, sabendo que os dois já estavam conscientes da existência da nossa espécie. Consequentemente, ele começou também a ajudar no café.
Passado uns tempos, combinei uma saída com o Ichiro e a Manaka assim que, milagrosamente, arranjei um dia em que nenhum de nós estaria a trabalhar ou ocupado. Comigo, foi também o Ryuu, que decidiu acompanhar-me para podermos juntos contar-lhes o que tinha acontecido com a Hyuna. O encontro era no centro comercial, porque eu queria aproveitar e ver um filme que tinha acabado de fazer estreia no cinema. Já que ele tinha um desconto e também queria ver o filme, o Ryuu ofereceu-se para me pagar o bilhete, como prenda. Quando chegou o dia, eu estava já preparada no meu quarto à espera dele, até que, de repente, ouvi o meu telemóvel tocar.
— Bom dia! Já estás pronta? Estou a chegar aí.
— Sim, estou pronta.
— Então… depois toco à campainha. Estás sozinha em casa, certo?
— Sim… A minha mãe e o meu padrasto foram sair.
— Ok, até já!
Desliguei a chamada e meti o telemóvel na minha bolsa bege, juntamente com a minha carteira, alguns pensos rápidos e um pacote de lenços. A seguir, desci as escadas e peguei no primeiro álbum de fotos que alcancei na prateleira, sentando-me depois no sofá a vê-lo, enquanto esperava pelo Ryuu. O álbum começava com algumas fotos de quando eu era pequena, com a minha mãe ou com os meus avós. No meio das fotografias, havia algumas do meu pai. Chamou-me à atenção mais especificamente uma foto, na qual ele estava sentado na relva, ao lado da minha mãe grávida, num pequeno jardim de tulipas. Nessa foto, tanto os olhos e o sorriso da minha mãe, como os do meu pai, estavam resplandecentes, parecendo uma pura representação da felicidade. Reparei que esse tal brilho desaparecera da minha mãe, nas fotos em que ela se encontrava com o seu novo marido, o meu padrasto. Definitivamente, ela não me parecia tão feliz quanto antes... Pouco depois, ouvi a campainha a tocar e fui abrir a porta: era o Ryuu.
— Hello! — ele sorriu.
— Porque é que estás com óculos de sol? Está nublado...
— Não faço ideia, nem são meus. — ele atirou os óculos para longe — Então, vamos?
— Sim, vamos. — respondi, rindo.
Depois de caminharmos durante um bom tempo, finalmente chegamos ao centro comercial. Fomos então ter com a Manaka e o Ichiro, que já nos esperavam dentro do restaurante, onde íamos juntos almoçar.
— Oh, Akaluri! Ryuu! Olá! — cumprimentou a Manaka.
— Oi. — disse o Ichiro.
Sentamo-nos nas duas outras cadeiras que sobravam na mesa, um em frente ao outro. Eu fiquei ao lado da Manaka e o Ryuu ao lado do Ichiro. Era apenas a segunda vez que o Ryuu tinha estado com ele, sendo que a primeira não tinha corrido lá muito bem. A frieza do Ichiro tinha-o deixado um pouco nervoso. Cada vez que ele dizia uma piada ou fazia algo engraçado, o Ichiro nunca reagia.
— Já sabem o que vão pedir? — perguntei.
— Ah, nós já pedimos para todos! — respondeu a Manaka.
— O que pediram?
— Lasanha! — ela sorriu — Quem não gosta de lasanha?
— Nisso, tens razão…
— Quanto entusiasmo, Akaluri… — comentou ironicamente a Manaka — Foi a primeira vez que te vi a reagir de forma tão indiferente a um tipo de massa. Não era isso que querias comer?
— Eu? Quero.
— Hm… Então o que tens? Estás estranha.
— Eu queria falar sobre isso hoje, contigo e com o Ichiro. Foi também por isso que o Ryuu veio comigo.
— Sobre o quê?
— Sobre o que aconteceu há uns tempos. O Ryuu estava lá também… Tem a ver com a Hyuna.
— A Hyuna? — perguntou o Ichiro.
Eu e o Ryuu fomos contando tudo, incluindo a forma como suspeitávamos que os poderes da Hyuna funcionavam. Entretanto, a lasanha já havia chegado, e estávamos todos a comer.
— Por acaso, faz sentido. — disse a Manaka.
— E então? Acham que pode ser mesmo isto? – perguntei, enquanto metia uma garfada de lasanha à boca.
— É bem provável. — respondeu o Ichiro — Temos de confirmar essa teoria.
— O problema é que nós os quatro somos todos limitados a ataques físicos. Não temos magia, como ela, por isso, não há forma de a atacarmos de longe, para testar a minha hipótese. — disse.
— JÁ SEI! – exclamou o Ryuu.
— Como é que fazemos, então?! – perguntou a Manaka.
— Com os poderes do peixe-gato alado.
— Que peixe-gato? – perguntei.
— Não interessa…- respondeu a Manaka — Ele está sempre a fazer esta piada.
— Ele só está a dizer parvoíces porque não há nenhuma solução evidente para o nosso problema. — concluiu o Ichiro.
— NÃO INTERESSA?! – falou o Ryuu, fazendo uma cara indignada.
— Ryuu, não estamos com brincadeiras...
— Mas Manaka… O meu peixe-gato é cego de um olho… Eu não ia brincar com isso… — ele fingiu estar a limpar uma lágrima que não existia.
Eu, a Manaka e o Ichiro suspiramos em coro e continuamos a comer o almoço. Para mudar de assunto, a Manaka lançou a questão:
— O filme que vamos ver esta tarde é sobre o quê?
— Estava tão ansiosa para que este filme estreasse! – exclamei – É sobre…
Interrompendo a minha resposta, reparei que um copo de vidro, que parecia ter sido atirado, estava a ir velozmente em direção à cara do Ichiro. Por reflexo, a Manaka meteu os braços a tapar-lhe a cara. Quando o copo bateu no seu pulso, caiu no chão, desfazendo-se em cacos de vidro. No pulso atingido, ficou com um pequeno pedaço de vidro espetado, o que a fez sangrar, devido ao corte. Com isto, ela desmaiou de seguida, o que alertou os empregados do restaurante para chamarem uma ambulância. Não era normal ela desmaiar por algo tão pouco grave deste gênero, o que me fez pensar duas vezes sobre aquele copo suspeito. Considerei então que talvez fosse feito de magia negra, algo que a Hyuna era absolutamente capaz de criar. Ela devia estar perto de nós.
— Ichiro, toma conta da Manaka. Eu e o Ryuu vamos à procura de quem fez isto.
Reparei que uma pessoa misteriosa, com um capucho e uma máscara que tapava a sua boca, saiu de trás de umas cadeiras do restaurante e foi a correr para a saída. Eu e o Ryuu olhamos um para o outro, concordando no que fazer quase telepaticamente. Perseguimos a tal pessoa misteriosa até sairmos fora do centro comercial, onde a conseguimos encurralar num beco sem saída.
— Eu lembro-me de ti. – disse o rapaz, virando-se para mim.
— Tu conhece-lo, Akaluri? – perguntou o Ryuu.
— Não!
— É claro que me conheces. Há uns tempos atrás, caso não te recordes, estavas lá quando eu fui atirado pela janela daquele apartamento.
Ele tirou o capucho, revelando que era o tal rapaz que a Hyuna havia massacrado, atirando-o para a janela do apartamento da Manaka e do Ichiro.
— Foste tu que fizeste tudo isto?! De propósito?!
— É verdade que não era minha intenção ser atirado lá para dentro, partir a janela e magoar-me, mas também não te quero contar o que fui lá fazer. De qualquer das formas, o assunto não tem nada a ver contigo.
— Não. Eu não aceito que te vás embora sem me responder.
— Aposto que não sabes o que aconteceu há dois anos.
Eu não respondi, ficando apenas imóvel, com os punhos cerrados, encarando o tal rapaz. Esperava finalmente descobrir a origem dos problemas, que pelos vistos surgiam de alguma coisa que tinha acontecido dois anos antes.
— Afastem-se. — ouvi uma voz familiar — Eu trato dele.
— Eu sei que foste tu que tentaste envenenar-me com as tuas bruxarias, Violet.
— Violet?! – perguntei, confusa.
— Cala-te! — exclamou ela — O meu nome é Hyuna, não Violet. Foi descuido meu o facto de teres conseguido notar que o copo tinha veneno, mas para a próxima isso não volta a acontecer. Já agora, um lembrete: não sou uma bruxa para fazer bruxarias; eu sou um demónio.
— És é uma p*ta. — respondeu o rapaz, agressivamente.
— Chama-me o que quiseres, isso não vai trazer ninguém de volta. — ela agarrou-o e levantou-o pelo pescoço — Agora vê se, de uma vez por todas, metes na tua cabeça que o gajo que estás a tentar atacar não fez absolutamente nada ao teu amiguinho.
— EU SEI QUE FEZ! FORAM VOCÊS OS DOIS! ELE MATOU-SE POR VOSSA CULPA!
— Matou-se? — perguntei — Quem?! O que é que aconteceu?!
— Não interessa. — respondeu a Hyuna. — Não tens nada a ver com isso.
— NÃO INTERESSA?! — gritou o rapaz — A CULPA FOI VOSSA! ELE NÃO MERECIA ACABAR ASSIM!
— Olha, eu não sei se tens dois olhos no cu ou na cara, para estares a dizer que um monte de m*rda não merecia ter acabado assim.
— Tens sorte que eu ainda não te denunciei à polícia.
— Tu é que tens sorte por ainda estares vivo, sabes muito bem o que te pode acontecer se me denunciares. — ela largou-lhe o pescoço, deixando-o cair no chão — Foge mais uma vez, enquanto não me dá mais vontade de te sufocar. Se eu te vejo mais alguma vez a tentar atacar o Ichiro ou alguém próximo a ele, considera esse o teu último dia de vida. Eu já te dei mais oportunidades do que as que merecias.
O rapaz colocou novamente o capucho e foi embora sem responder uma única palavra, com um ar bastante enervado. Eu fiquei a tentar encaixar as peças sobre tudo o que tinha descoberto até ao momento, mas não entendia o que tinha acontecido no passado entre o Ichiro e a Hyuna, nem porque é que aquele rapaz a tinha chamado “Violet”. Achei que aquele seria o melhor momento de perguntar algumas questões importantes à Hyuna, que ainda se encontrava ao meu lado.
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[ Manaka P.O.V.]
— Ah, acordaste.
— Ichiro?
— Manaka, nunca mais faças o mesmo outra vez...
— O quê? — perguntei, enquanto me tentava lembrar do que tinha acontecido.
— Durante o almoço, um copo de vidro vinha em minha direção e tu...
— Ah, sim... Já me lembro. — levantei as costas da cama e encostei as mãos na sua face gélida – Tu estás bem?!
— Quem teve que ir para o hospital foste tu e estás a perguntar-me a mim se eu estou bem?
— Eu só queria ter a certeza... — disse, pousando as mãos nas minhas coxas — O que me aconteceu exatamente, para eu vir aqui parar?
— Desmaiaste. O copo continha um veneno feito por magia negra. Para pessoas como nós, ele não faz muito efeito, mas para os humanos é letal, na maior parte dos casos.
— Se algo assim me tivesse atingido há uns anos, eu não sei o que me poderia ter acontecido.
— Não foi por nada que eu partilhei os meus poderes contigo... — ele olhou-me fixamente nos olhos, com uma expressão séria — Eu quero que sejas capaz de te proteger sozinha, caso eu não esteja por perto, para o fazer. Assim, tens sempre algum poder meu contigo.
Comecei a sentir um calor intenso percorrer o meu corpo. As minhas mãos suavam ligeiramente e o meu coração batia a um ritmo acelerado, enquanto os meus olhos se fixavam na cor vermelha hipnotizante dos olhos do Ichiro. De repente, a minha mente ficou completamente livre de qualquer pensamento negativo, como se tudo o que me preocupava tivesse sido apagado, restando apenas ele. Recordações de momentos felizes que partilhámos começaram a surgir na minha mente, enchendo-se assim com uma doce nostalgia. Senti uma onda de borboletas no estômago quando ele pousou a mão no meu cabelo rosado, acariciando delicadamente o lado direito da minha face. Enquanto ele se aproximava, o tempo parecia mais lento, e o mundo à nossa volta deixou de existir, quase por completo. Com uma voz baixa, ele murmurou palavras que eu nunca imaginei ouvir, mas que secretamente ansiava, vindas da pessoa que mais desejava que as dissesse.
— Eu amo-te, Manaka.
E então, os nossos olhos fechando-se, senti os seus lábios frios se encontrarem com os meus. O nosso primeiro beijo foi suave e delicado, mas um momento tão intenso que pareceu suspender o tempo. No entanto, a magia inexplicável daquele instante foi abruptamente interrompida pelo som da porta a abrir.
— Estou a interromper alguma coisa? — disse o homem que acabara de entrar.
— Não está a interromper nada, doutor. — respondeu o Ichiro.
— Já disse para não me chamares assim…
— Então o que é que quer que eu o chame? Pai? Vá sonhando.
O homem deu um grande suspiro, esfregando os dedos na sua testa.
— Bem, eu fui analisar melhor o veneno que atingiu a menina e, sim, confirmo que era mesmo feito por magia negra, mas não se preocupem, que eu guardo o segredo. — ele olhou para mim — O meu filho transformou-te, não é verdade?
— S-sim… — respondi, nervosa.
— Talvez tenha sido uma boa coisa que ele fez. Se não fosse isso, não sei se terias sobrevivido a uma coisa destas. Eu vou relatar aos meus colegas que só desmaiaste por seres bastante sensível a ver cortes e sangue… — ele ficou alguns segundos a olhar para nós — A menina Manaka já tem a ligadura no pulso e acho que já descansou o suficiente. Estão livres para poderem ir embora, quando quiserem.
A seguir, o pai do Ichiro foi embora.
— Já me tinhas falado sobre o teu pai... que ele é um dos únicos médicos que trata de pacientes como nós, fingindo que somos pessoas comuns.
— Preferia que ele fosse outra coisa qualquer.
— Eu compreendo que estejas muito afetado com o que ele fez… Mas confessa que sem ele tu não saberias muitas coisas e… muitos seres como nós acabariam por perder a vida…
— Muito afetado?! Eu praticamente fiquei com um trauma.
— Praticamente? Eu acho que ficaste mesmo traumatizado com o que aconteceu, Ichiro... Não negues isso.
— A partir do momento em que ele matou a minha madrasta, eu nunca mais o consegui chamar de pai e simplesmente fugi de casa. O meu irmão já me odiava a mim, mas depois daquilo, passou a odiar o meu pai também.
— Realmente, o teu irmão podia ter sido menos estúpido…
— Eu compreendo as razões dele não gostar de mim, mesmo sabendo que, se eu estivesse no seu lugar, eu não reagia da mesma forma. — ele suspirou — Eu não tenho culpa de um de nós ter nascido meio mágico e o outro não… É claro que eu não me consigo lembrar da minha mãe, mas tenho a certeza que ela nos amava de igual forma. Se ela pudesse continuar viva, muito provavelmente o meu irmão não se teria suicidado e podia ver as coisas de outra forma.
— Acho que deves ser mais parecido com a tua mãe e ele com o teu pai.
— Sim, eu já pensei muitas vezes nisso.
— Mas há uma coisa que nunca me contaste… Como e porque é que o teu pai matou a tua madrasta?
— A minha madrasta era um ser como nós. Estupidamente, o meu pai estava a fazer-lhe muitos testes, para aprender e registar mais coisas que podiam ser úteis sobre a nossa espécie, sem antes ter o devido conhecimento do que esses mesmos testes lhe podiam causar. Isso fez com que alguns deles fossem extremos para uma pessoa como nós... O meu pai só não fazia grandes testes em mim porque eu ainda não era adulto, mas, mesmo assim, alguns chegavam a provocar-me dor, então eu nem consigo imaginar a tortura que alguns testes podiam ser para ela… No entanto, ela conseguia sempre sorrir todos os dias para mim e para o meu irmão. Por mais que lhe custasse, ela sabia que estava a sofrer por uma causa maior e que conseguiria ajudar muita gente com o conhecimento que lhe estava a oferecer. Era o que eu mais admirava nela, apesar de isso ter sido igualmente a razão pela qual foram longe demais...
— Ela parecia ser muito querida…
— Sim, e era… A partir do momento que ela faleceu, eu nunca mais aceitei qualquer teste vindo do meu pai; não queria que me acontecesse o mesmo. Achei muito cruel o que ele fez, mesmo que tenha sido por "acidente".
— Ele devia ter posto limites no que ele estava a fazer…
— Mas não pôs, então, eu fui embora.
— Não estou a dizer que o que ele fez não tenha sido horrível, mas não achas que ele também se sente mal por tudo o que aconteceu?
— Eu tenho a certeza que se sente mal, sim. E espero que ele se arrependa daquilo que ele fez para o resto da sua vida, para assim não tentar chegar a esse extremo com mais ninguém.
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[ Akaluri P.O.V. ]
— Hyuna, explica-me tudo isto.
— Não tenho nada para te explicar. Estás a meter-te na minha vida.
— Eu só quero perceber porque é que fazes mal às pessoas.
— Tens mesmo a certeza que a má aqui sou eu?
Ela foi embora, deixando-me novamente sozinha com o mesmo turbilhão de perguntas sem resposta. Em vez de obter as respostas que tanto ansiava, sentia-me ainda mais perdida. Quem seria realmente aquele rapaz misterioso? O que raios teria acontecido entre ele, a Hyuna, e o Ichiro? Era a primeira vez que os ouvia mencionar um suicídio... Cada novo detalhe que surgia, parecia complicar ainda mais o quebra-cabeça que eu tentava desesperadamente resolver, sem sucesso. O sentimento de angústia de não saber nada era pesado e a minha única vontade era que toda aquela situação se resolvesse rapidamente, para que eu pudesse encontrar finalmente algum alívio e, talvez, alguma paz.
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