Akai Ito

8 Capitulo 8 A competição


Notas iniciais
Após 3 meses e 10 dias eu ressurjo... Ain gente to até com vergonha (emoji do macaquinho com as mãos nos olhos). Me desculpem pela demora, mas como se já não bastasse as matérias da graduação, eu fundei uma empresa júnior dentro da universidade e estou como Diretora Presidente este ano, e ainda tenho monitoria, e iniciação cientifica hahaha estão meus dias estão extremamente corridos. Mas e vocês? Como estão? Ainda lembram de Akai Ito? Primeiro quero agradecer a ~Shei por ter postado o capitulo de Na Real (deixarei o link nas notas finais) que me fez ter vontade de finalizar este capitulo que já estava escrito a meses. Também quero agradecer a ~Sheilinha e a ~Kiaramcg pelos comentários lindos que sempre me encorajam a continuar. Pra relembrar, o capitulo anterior terminou na noite de sexta com o Camus cantando I'll stand by you para o Hyoga que estava muito triste. Agora os recadinhos de sempre e boa leitura! *Capitulo não betado *Os versos nos inicio de cada capitulo pertence a mim, salvo se houver algum aviso; * Os personagens pertencem ao Masami Kurumada *As imagens não pertencem a mim, salvo algum aviso; *As personalidades de alguns personagens podem estar alteradas; *A aparecia física de alguns personagens foram tiradas do mangá, enquanto de outros foram retiradas do anime. * A história também está sendo postada no Spirit.

Capitulo 8 – A competição

No capítulo anterior

— Oga, não importa o que aconteça. Eu sempre ficarei ao seu lado. – E Hyoga sabia que Camus não estava mentindo.

Agora

Pegue minha mão

Vamos venha comigo

Vamos viajar pelo meu coração

Finalmente o sábado chegou e trouxe com ele um sol quente do jeito que Milo adorava. A competição só começaria ás 9h da manhã, mas Milo já estava de pé as 6h, sempre gostou de acordar cedo, quanto mais tempo para aproveitar o dia, melhor. Levantou da cama, fez sua higiene matinal e desceu para tomar um café da manhã reforçado, já que não sabia quando teria tempo de comer novamente. Seus pais ainda não haviam levantado, afinal hoje não iriam ao escritório pois queriam estar sempre presentes na vida do único filho.

Milo e os outros dois haviam combinado de estarem as 7h na escola, pois o pessoal começaria a chegar as 8h para fazer os sorteios e os aquecimentos. Queriam chegar antes para garantir que tudo correria bem, sem deixar nada pra última hora.

Mesmo estando adiantado, Milo optou por seguir para o colégio para cair na piscina antes de começar os trabalhos. O colégio podia ser utilizado pelos alunos 24 horas por dia, 7 dias na semana, sempre havia ao menos um vigia. Isso acontecia porque a direção apoiava as atividades extras realizadas pelos alunos, e muitas vezes era necessário o uso das dependências fora do horário comercial. Ao chegar lá, se dirigiu até a guarita para pedir ao guarda que abrisse o ginásio e, ao entrar, jogou suas coisas na arquibancada, tirou suas roupas ali mesmo ficando apenas com a sunga e pulou na piscina sem aquecimento algum. Deu algumas braçadas e ficou boiando no centro da piscina. Aquele local, quando ele se encontrava vazio, era onde Milo encontrava paz. Deixava seu corpo leve e sua mente vazia, se esquecia dos problemas e de qualquer coisa que pudesse tirar sua paz. Mas dessa vez sua mente se preencheu de um vermelho intenso, e Milo se deixou viajar por entre os olhos daquele ruivo que o encantou no momento em que o viu. Devia estar ficando louco, como pôde se deixar encantar por alguém dessa forma? Cada vez que via Camus durante as aulas de manhã ou durante o almoço, sentia seu coração acelerar e ele tinha certeza que seu corpo liberava altas doses de endorfina, oxitocina, dopamina e serotonina e ele estava ficando viciado nessa sensação, porém não tinha certeza se o outro sentia o mesmo. Várias vezes o pegava olhando para si, porém na maior parte das vezes que se aproximava dele para conversar, Camus se virava e saia andando. Mas, pensando bem, isso sempre acontecia quando Aiacos estava por perto, e era raro quando ele não estava por perto. Parecia um cão de guarda, como se ninguém pudesse se aproximar de Camus e este também não pudesse se aproximar de ninguém. Milo percebeu até mesmo Saga ou Mu, que parecem ter se aproximado do ruivo, são afastados de Camus por Aiacos, apesar de Saga ser mais insistente e cara de pau e forçar a barra. Milo queria fazer como Saga e bater de frente com Aiacos, porém havia a equipe de natação e o irmão do ruivo sem dúvidas era o favorito para ocupar a vaga de Aioros. Se não fosse isso, iria colocar o outro em seu lugar e já aproveitava para acabar com aqueles sorrisinhos de Saga.

Milo estava perdido em seus devaneios, de olhos fechados, tão concentrado que nem mesmo viu quando seus outros dois amigos chegaram. Carlo, assim como o amigo, deixou suas coisas na arquibancada silenciosamente, tirou suas roupas e pulou na piscina bem ao lado do loiro, o assustando. Afrodite ficou do lado de fora rindo da situação.

— Que porra Mask! – Milo gritou quando conseguiu recuperar o equilíbrio dentro da água. – Quer me matar de susto?

— A culpa é sua, quem mandou ficar de bobeira ai? – Carlo gritou, já estava saindo da piscina, sabia que o outro iria querer se vingar.

— A brincadeira tá legal, mas vamos ao trabalho crianças. – Afrodite sabia que se não colocasse ordem aqueles dois iriam fazer uma confusão no ginásio. Então recolheu as roupas e mochilas jogadas na arquibancada e se dirigiu ao vestiário com os outros dois bem atrás zoando um com o outro.

******

Camus estava preocupado. Hyoga, junto com um colega que fez na escola, sofreram bullying pesado no colégio e, se não fosse o irmão do colega, eles com certeza teriam apanhado. Não sabia o que fazer, se conversava na direção, se falava com os meninos que fizeram isso, qualquer uma dessas coisas poderia trazer mais problemas. Camus conhecia muito bem o que era sofrer bullying, com sua aparência delicada, os cabelos e os olhos vermelhos, sempre fora alvo na escola durante o fundamental, só não era pior pela presença de Aiacos que além de popular sempre foi encrenqueiro.

Eram exatamente 8h quando o celular despertou, mas Camus já estava acordado a algum tempo divagando sobre esse assunto enquanto observava Hyoga dormir. O loirinho havia dormido após contar o que houve e Camus preferiu deixa-lo em sua cama, mesmo que Hades não gostasse disso.

Com bastante esforço, Camus conseguiu acordar Hyoga e fazê-lo ir para seu quarto se arrumar, não era boa ideia se atrasar, então também já foi para o banheiro tomar seu banho, Hades queria todos na mesa do café as 8:20, a simulação de uma família unida e feliz começava dentro de casa.

Enquanto se banhava, Camus pensava em como havia sido sua primeira semana na nova cidade. Em sua antiga cidade, ele havia se acostumado com o assédio, tanto fora quanto dentro da escola. Sempre tinha alguém atrás de si. Aiacos tinha amigos, então não pegava tanto em seu pé, apesar de vários desses amigos também fazerem parte do “fã clube” do ruivo como o irmão costumava dizer. Apesar disso, Camus evitava ficar com alguém do próprio colégio, como não tinha amigos dentro da instituição, acabava frequentando lugares com outras pessoas. Mas ele sentia que talvez agora fosse diferente, agora havia Mu, Saga e Milo. Quando conheceu Mu, achou que ele seria um dos que daria em cima de si, devido ao jeito que o garoto de cabelo de cor lavanda o olhava, mas após o encontrar mais vezes na sala do clube de música, ficou sabendo do relacionamento conturbado que ele tinha com o capitão do clube de atletismo e com o capitão do clube se debates. Já Saga o deixava intrigado, assim como na primeira vez que conversara com ele, o garoto de cabelos azuis sempre o deixava sem graça com seus comentários, Saga parecia ser muito maduro para sua idade e Camus entendeu após saber da vida difícil do garoto. Diferente de praticamente todos no colégio, Saga não era rico, pelo contrário, vinha de uma família bem pobre e, ao invés de morar em uma mansão nos arredores da cidade ou em um apartamento no centro, Saga morava na periferia, em um dos bairros mais perigosos da cidade. Sua mãe era uma viciada, seu pai havia sumido antes mesmo de nascerem e ele e seu irmão gêmeo tinham que se virar. Ambos haviam conseguido bolsa no colégio, mas seu irmão acabou perdendo-a, Saga não havia entrado em detalhes do motivo. Dentro do colégio Saga não tinha muitos amigos, e nem fora, se relacionava apenas com os outros membros do declato acadêmico, e agora com Camus. Saga o havia convidado para fazer o teste para entrar no grupo, seria na segunda e poderia fazer a inscrição na hora. Camus estava indeciso, seria bom participar para conseguir mais créditos para a universidade, mas estava com medo de assumir mais um compromisso.

Enquanto Mu e Saga com certeza seriam bons amigos, Milo era uma incógnita. Camus sabia do interesse do loiro em si, porém a novidade era o seu interesse no loiro. Cada vez que via Milo, seu coração falhava, quando ouvia o som de sua risada, seu coração falhava, até mesmo só de ouvir o nome do outro ser pronunciado por alguém, Camus já sentia seu coração falhar. A vivacidade do loiro era o que mais encantava Camus, Milo era como o oposto de um dementador, ele alimentava os outros com alegria. Estava sempre cercado de pessoas e sempre estavam rindo alto, dava para perceber como todos orbitavam ao redor do capitão do clube de natação. Milo era o sol do colégio, e todos os outros eram planetas ou satélites girando ao seu redor, e Camus não conseguia entender como um buraco negro como ele, atraíra uma estrela tão brilhante.

Findando o banho, se trocou e desceu para a cozinha, Hades e Hyoga já se encontravam na mesa, Aiacos já havia saído por ter que chegar antes no colégio.

— Bom dia Marin, Hades. – Camus cumprimentou o “padrasto”, sua vontade era de ignorar totalmente o mais velho, porém enquanto Hades tivesse alguma vantagem sobre ele, não havia muito o que fazer.

— Bom dia Camus. Não vai cumprimentar seu irmão? Ah, mas é claro que não, afinal, ele dormiu no seu quarto não é mesmo? – Hades falava calmamente, porém seu tom era de repreensão. – Eu já disse que não quero você dormindo no quarto de Camus, não é mesmo Hyoga?

Camus viu o olhar assustado de seu irmão, já temendo o castigo que o pai daria a ele. Ambos acharam que Hades não havia percebido a quebra de regra. Porém Hades, ao chegar em casa havia ido ao quarto do seu ruivo, precisava aliviar a tensão daquela semana e ficou enfurecido ao ver o filho mais novo dormindo na cama do outro. Pensou em acordá-los e enxotar Hyoga, porém não queria correr o risco de o pequeno ficar emburrado durante o sábado, era um dia importante e precisava que todos estivessem de bom humor.

— A culpa foi minha, Hades. Eu que não quis acordar Hyoga para ir pro seu quarto.

— E o que Hyoga estava fazendo em seu quarto para que dormisse lá?

— Camus estava cantando pra mim, papai. O senhor precisava ver que bonito! Meu irmão tem a voz mais linda do mundo! – Hyoga não queria que o pai soubesse o que houve no colégio, iria achar que ele era fraco e com certeza daria um sermão de que quando Aiacos tinha a sua idade, ele não deixava que ninguém fizesse isso com ele. Claro que não! Hyoga tinha certeza que Aiacos era quem fazia o bullying. – Ai acabei dormindo lá, não briga com o meu irmão.

Hades até mesmo se esqueceu da discussão anterior, não podia acreditar que Camus voltara a cantar. O menor não estava exagerando. Hades reconhecia o talento do enteado e sabia como usar isso ao seu favor. Quando Natassia ainda era viva e o jovem ruivinho ainda cantava, sempre que recebiam convidados ou então iam a alguma festa ou jantar, o menino era convidado a se sentar ao piano e demonstrar seu talento e no fim todos ficavam encantados, isso ajudava a aumentar o prestigio de Hades. Após a morte da mãe, Camus não cantou mais, e com aquilo Hades passou a receber algumas críticas de pessoas que diziam que ele não estava sabendo ajudar o enteado a lidar com seu luto. Logo, essa notícia era muito bem-vinda!

— Ora, que interessante isso. Parece que a mudança de cidade o fez bem, Camus. Quando você voltou a cantar? Aiacos havia me dito que você entrou para o clube de música, mas que seria para tocar e não cantar.

— E ele está certo. Não pretendo cantar na escola, ontem foi apenas uma exceção. Acabei cedendo a um capricho do Hyoga.

— Então hoje você cederá a um capricho meu e cantará para nosso convidado. – Hades viu Camus arregalar os olhos. Aquele convidado era especial, Hades poderia fechar um grande contrato e usaria qualquer meio para impressionar esse homem e, sabendo das preferências do outro, Camus cantando seria de grande interesse.

— Eu não me sentiria confortável com isso, Hades. Cantar para o Hyoga ontem não foi fácil e me apresentar para um estranho... Nem ao menos sei se conseguiria, estou a muito tempo sem prática, não quero correr o risco de estragar o jantar. – Camus sempre tivera receio desses “jantares de negócios” já que sempre que Hades solicitava sua presença era para exibi-lo a algum velho tarado. Se sentia quase um prostituto nesses eventos, e sentia que esse não seria diferente.

— Camus, querido, seu talento é nato. Tenho certeza que nosso convidado ficará encantado e honrado de ouvi-lo. E você sabe o quanto é importante para mim que esse jantar ocorra da forma mais prazerosa possível. – Hades segurava a mão de Camus por cima da mesa e falava num tom carinhoso, quem visse a cena de fora veria um pai carinhoso, porém Camus enxergava a ameaça velada. – E você pode praticar quando voltarmos da competição, a qual já estamos atrasados. Vamos?

Não haveria mais conversa sobre o assunto, Camus teria que cantar para esse convidado. Não culpava Hyoga por ter contado, sabia que o pequeno não fez por mal e sim para que o verdadeiro motivo não fosse explanado à mesa, sem dúvidas Hades não aceitaria que seu filho sofresse bullying, não por achar isso errado, e sim por não aceitar ter um filho “fraco”. Para Hades pessoas que sofriam com esse tipo de coisa era porque se mostrava fraco perante os outros e permitindo, assim, que esse tipo de situação acontecesse. Para ele, o culpado era a vítima.

Camus queria ir em seu carro, quanto menos tempo passasse na presença do padrasto, melhor. Porém Hades fez com que todos entrassem em sua BMW e rumaram para o colégio. Hades estava ansioso pela competição, Aiacos havia comentado com ele sobre o capitão do clube está interessado em Camus e, devido a este ser de uma das famílias mais influentes da cidade, se não a mais influente, seria interessante cuidar para que esse interesse lhe fosse conveniente. Apesar de não gostar de outras pessoas colocarem as mãos em seu ruivo, gostava menos ainda de perder oportunidades que seriam lucrativas e essa sem dúvida seria. O único problema era que, de acordo com Aiacos, Camus também parecia interessado, apesar de que o outro não fazia muito o estilo dos caras que Camus costumava sair. Sabia o quanto era difícil controlar alguém apaixonado, isso o lembrava de quando Natassia conheceu Jonny, antes dele aparecer era muito fácil para Hades manipular a loira, porém com o aparecimento de Jonny, ela se tornou cada vez mais arredia e o único jeito de traze-la de volta foi dando um sumiço em Jonny. Bem, se Camus não se comportasse, o casal de advogados iria aprender a lidar com o luto.

Ao chegarem no colégio, Hades estacionou a BMW e rumaram juntos ao ginásio que estava bastante cheio. Hades tinha dois motivos para estar ali, e nenhum era para ver seu primogênito competir. Um dos motivos foi para realizar seu teatro de sempre, agindo como um bom pai e padrasto. O outro era para se aproximar mais de algumas pessoas que estavam presentes. Os filhos da nata daquela cidade estudavam naquele colégio e os pais dos três membros do clube de natação estavam na lista de “amigos” que Hades precisava fazer, e demonstrar interesse por seus filhos era uma das formas mais fáceis de fazer isto.

Enquanto Hades buscava os seus “alvos”, Camus procurava um certo loiro. Não queria demonstrar nada para não correr o risco do padrasto perceber, porém a vontade de ver Milo era maior que ele. Ainda não teve a oportunidade de vê-lo com a roupa de natação, mas já imaginava que seria uma visão maravilhosa. Olhou ao redor de todo o ginásio e não visualizou nenhum membro do clube e nem os candidatos, provavelmente estavam no vestiário.

Viu Mu acenando para si, ele estava entre um garoto de longos cabelos loiros e lisos com o rosto sereno, e um outro loiro, porém de um tom mais escuro e curto. Os três tinham um relacionamento fora do convencional, mas viviam brigando por não conseguirem lidar com isso. Acenou de volta para Mu e viu Hades acompanhar seu olhar.

— Aquele é Mu, filho do professor de matemática e capitão do clube de música. O loiro de cabelos compridos é Shaka, capitão do clube de debates e o outro é o Aioria, capitão do clube de atletismo. Não sei quem são seus pais. – Camus explanou antes mesmo de Hades perguntar.

Antes que Hades pudesse fazer algum comentário, Saga se aproximou da família. Havia visto Camus chegar e se apressou em cumprimenta-lo. Ouvira falar muito sobre o padrasto do ruivo e seria interessante ser apresentado a ele. Afinal, não era sempre que um homem com os poderes de Hades entrava em seu caminho.

— Olá Camus, veio ver seu irmão competir? – Saga se prostrou bem diante dos três e se impressionou com a áurea de poder que emanava de Hades.

— Ei Saga, vim sim. Temos que apoiar nossa família. E falando nela, deixa eu te apresentar. – Virou-se para o padrasto e para Hyoga, hora de atuar e atuar bem para não usar o modo sarcástico. – Este é Saga. Com certeza é o garoto mais inteligente do colégio e é por isso que é líder do declato acadêmico. Saga, estes são Hades, meu padrasto e Hyoga, meu irmão mais novo.

Saga pegou primeiro na mão do pequeno Hyoga que o cumprimentou sem muito interesse, parecia estar procurando alguém. Já Hades não tirava os olhos de si.

— Senhor Hades, é um prazer finalmente conhece-lo, já li muito sobre o senhor e fico admirado em como que tudo o que toca vira ouro.

Hades estava fascinado no jovem a sua frente, diferente dos outros meninos da sua idade que tinham um jeito moleque, Saga parecia maduro e muito seguro de si. E ainda o admirava! Poderia ser uma aquisição interessante para suas empresas se ele fosse tão inteligente como Camus disse e, mais ainda, se soubesse utilizar essa inteligência para gerar lucros.

— O prazer é todo meu, meu jovem. É bom saber que meu Camus tem um amigo tão educado quanto você. Mas me diga, quem são seus pais? Eu ficaria honrado em conhece-los.

Esse era um momento difícil, apesar de Saga não tinha vergonha nenhuma em ser pobre, na verdade até achava que isso era um “quê” a mais em seu currículo por mostrar que ele venceu na vida, mas sabia que nem todos pensavam assim e Hades parecia fazer parte dessa parcela.

— Não acho que você os conheça, senhor. Venho de uma família humilde e batalhei muito para estar onde estou.

Hades achou estranho, nunca tivera dificuldades em reconhecer o status da pessoa, mas aquele jovem a sua frente o conseguiu enganar. Suas roupas eram boas e seus modos não pareciam de um qualquer. Mas já vira muitas pessoas que começaram por baixo e chegaram longe, talvez esse jovem fosse um desses.

— Não é sempre que encontramos jovens como você, Saga. Já está no terceiro ano, não? O que pretende fazer após formar?

— Pretendo ir para a faculdade cursar engenharia, porém quero que seja mais voltada para gestão.

— Olha só, não é fácil achar engenheiros interessados em gestão. Vamos manter contato, quem sabe não conseguiremos algo pra você quando se formar? – Hades viu os olhos do garoto brilharem, não era um excelente empresário à toa, sua intuição era aguçada e sentia que Saga seria uma grande aquisição.

— Acho melhor nos sentarmos, se não ficará difícil achar lugar. Nos encontramos depois, Saga. – Camus percebia o que Hades estava tentando fazer, e não queria Saga envolvido com os negócios sujos do empresário. Ele lutava tanto, não merecia isso. Apesar de estar achando estranho Saga parecer tão submisso, não era apenas respeito como ele demonstrava com professores, era como se ele estivesse fascinado com Hades, e isso não era boa coisa.

— Até que enfim vocês chegaram. – Aiacos havia avistado o pai e os irmãos quando saia do vestiário após receber as instruções. – Tem lugares separados pra vocês ali na frente. – Ignorou Saga que também não se deu ao trabalho de cumprimenta-lo.

— Bom, até mais Camus. Senhor Hades, foi realmente um prazer tê-lo conhecido. – Ao dizer isso, Saga se afastou.

— Papai, consegui um lugar pra vocês próximo aos Philemon como o senhor havia me pedido. – Aiacos sabia dos planos de seu pai, mas não conseguia deixar de se chatear por Hades não ter interesse algum em sua vida a menos que dissesse a respeito de seu império.

— Ótimo, vai ser interessante conhecer os donos da cidade fora de seu habitat natural.

Ao chegarem no local indicado por Aiacos, Camus finalmente viu Milo. Ele estava de bermuda e camiseta, o que acabou sendo um alivio para Camus já que mesmo vestido, Milo conseguia prender toda sua atenção. O loiro conversava um casal, possivelmente seus pais. O homem era tão alto quanto Milo, de cabelos igualmente compridos e cacheados, a mulher também era loira, só que com os fios mais lisos e estavam presos em um coque elegante, sua estatura era média, o que fazia com que ela parece frágil perto daqueles dois monumentos. Mas, pelo que ouvira de Mu, a senhora Philemon só aparentava ser frágil, na verdade ela era uma verdadeira leoa tanto nos tribunais, onde era considerada uma das melhores advogadas do país, quanto na proteção de seu único filho. Milo não avistou Camus nesse momento, como já estava na hora de dar início a competição, se dirigiu para a mesa onde ficaria sentado com Afrodite e Carlo.

Camus colocou Hyoga estrategicamente ao lado de Hades, para que assim não precisasse ficar se vigiando tanto para não demonstrar interesse no capitão do clube de natação. Mas Hades não prestava atenção em Camus neste momento, na verdade ele também estava observando Milo, e percebia o quanto ele se parecia com Kardia fisicamente, porém seu jeito parecia mais com o de sua mãe, Bianca.

Milo, ao chegar próximo aos amigos que estavam sentados à mesa, viu que estes estavam cochichando e pararam quando viram que ele se aproximava, só que antes que pudesse pergunta o assunto, Afrodite lhe entregou o microfone e disse:

— Vê se não fala merda porque seu futuro sogro veio assistir seu futuro cunhado – E apontou discretamente para a direção onde seus pais estavam sentados.

Camus estava mirando em si, não conseguiu segurar o sorriso que veio aos seus lábios ao ver aqueles cabelos ruivos tão desejados. Estava decidido a convida-lo para o almoço que sua mãe estava organizando para o clube em sua casa, quem sabe poderiam passar a tarde juntos.

— Milo, começa logo ai caralho. – Carlo “sutilmente” chamou sua atenção lhe dando um safanão na cabeça. Ao que Milo respondeu da mesma forma educada:

— Já vou caralho. – Deu uma última olhada para Camus e ligou o microfone: — Sejam todos bem vindos à competição do clube de natação. Estamos todos muito animados de vermos essas arquibancadas cheias e podem ter certeza de que serão recompensados com uma competição limpa, com ótimos atletas que darão o melhor de sim.

Ao fim de sua fala, muitos aplausos foram ouvidos, a banda da escola tocou algumas notas festivas e as líderes de torcida deram seus saltos. Milo sabia que o espetáculo havia sido montado apenas para cumprir com as regras do colégio e para agradar a pais e alunos, porque a equipe já tinha um vencedor e nenhum dos três membros veteranos haviam se agradado da situação. Aiacos havia massacrado todos nos treinos. Ele era uma potência dentro d’água, era tão bom quanto Milo. Se destacou facilmente no estilo borboleta e não importava qual era a formação das equipes, a que ele estava sempre ganhava. Estava claro para todos quem seria o novo membro do clube. Porém foi bonito ver a determinação dos outros competidores, eles não desistiram, pelo contrário, se esforçaram cada vez mais.

— A competição será da seguinte forma. Primeiro teremos o revezamento 4x100 livre e então o nado borboleta. São 12 competidores, logo serão 3 times no revezamento e, finalmente, teremos o para o nado borboleta cairão na piscina 4 de cada vez. Todos da equipe que vencerem o revezamento ganharam 10 pontos, assim como aqueles que vencerem no nado borboleta, e as outras colocações ganharam 9, 8 e 7 pontos. Será realizada então outra bateria com os 4 que obtiverem maior pontuação, só que como nado livre de 100m e o vencedor dessa bateria entrará para a equipe. Tudo certo? Vamos então para o sorteio dos times!

O sorteio foi realizado através de um saquinho que continha os nomes de cada competidor que foi retirado pelas líderes de torcida. Os nomes apareceram em um telão que havia no ginásio formando cada time e foi dado um tempo para que cada time se organizasse.

Camus sabia o quanto aquela competição era importante para Aiacos, ele o via chegar tarde em casa todos os dias e, após comer, ele já voltava a treinar, fosse na piscina ou na academia. Ele estava levando sua chance de entrar no clube muito a sério. Na antiga escola não havia um clube de natação então Aiacos praticava futebol, mas não era o que ele realmente gostava. Sua atividade física preferida era aquela e por isso estava dando o melhor de si. Camus viu Milo voltando ao microfone e convidar os competidores para suas posições. Viu quando os primeiros competidores subiram no bloco de partida e saltar quando soou o disparo de largada. Aiacos facilmente tomou a dianteira e se afastou dos demais, ficou claro sua superioridade quando tocou a borda da piscina com vários segundos de diferença para o segundo candidato. Em um canto do telão apareceu a classificação, com Aiacos liderando.

Após um breve intervalo, onde a banda tocou e as líderes de torcida deram seu show, os candidatos voltaram novamente para a beira da piscina para o revezamento já com a estratégia formada. Aiacos seria o último o seu grupo para que, caso alguém atrasasse, ele pudesse compensar no final. O sinal disparou mais uma vez, a equipe de Aiacos estava na segunda colocação, ele sabia que tinha que dar tudo de si quando fosse sua vez, não poderia dar chances para que outro ganhasse os 10 pontos. Precisava entrar no time, queria que seu pai tivesse orgulho de si, apesar de que no fundo sabia que isso não mudaria muita coisa, também faria isso por si mesmo, a natação fora algo que ele escolhera e não porque Hades o havia obrigado a fazer porque lucraria de alguma forma por cima. Quando chegou sua vez, ele esvaziou sua mente e pulou na água, não pensava em mais nada, não ouvia nada. Todo seu foco era em fazer os movimentos com rapidez e sincronia e assim chegar em primeiro. E assim foi feito, Aiacos conseguiu compensar o tempo perdido pelos outros e fez com que sua equipe chegasse em primeiro lugar. Agora ele somava 20 pontos.

— E não é que seu irmão é bom? – Hades estava impressionado. Sabia que seu filho não era um inútil como muitos jovens filhos de seus amigos, ele seria um ótimo sucessor. Só não sabia que o garoto tinha tanto talento assim para o esporte.

— Ele vem treinando bastante Hades, tanto aqui no colégio como em casa. – Camus falou em uma nota monótona, porém também estava impressionando. Apesar da rixa que Aiacos tinha com Milo, Camus desejava que ele conseguisse a vaga pois sabia que aquilo possivelmente o faria bem.

— Aiacos é o melhor, pai. – Hyoga tinha os olhos brilhando, sabia como os integrantes do clube de natação eram adorados. Talvez com Aiacos na equipe os outros garotos deixariam ele e Shun em paz.

— Eles não precisavam nem mesmo fazer a próxima bateria. Já se passou mais de 1 hora dessa brincadeira, tenho mais coisas para fazer e todos já sabem que Aiacos ficará com a vaga. – Apesar de ter se impressionado, Hades estava se sentindo entediado, cada minuto do seu tempo era valioso, estar ali era vantajoso, porém não se passasse tempo demais.

— Eles precisam ser justos, se anunciaram 3 baterias, precisam fazer 3 baterias. O segundo colocado tem 19 pontos, e ainda pode vencer Aiacos. – Após dizer isso, eles viram os 4 primeiros competidores se dirigirem para o bloco de partida.

Aquele era o momento, Aiacos sabia que não podia falhar. Um erro e poderia perder a vaga. Olhou para a arquibancada, seu pai estava olhando para seu smartphone, Hyoga com os olhos perdidos na arquibancada, mas Camus estava olhando para si, e até mesmo retribuiu seu sorriso e acenou com a cabeça o encorajando. Aiacos não iria desaponta-lo.

O sinal tocou, mas um dos competidores queimou a largada e tiveram que voltar para o bloco. Aquilo só serviu para aumentar a ansiedade de todos, mas Aiacos estava incrivelmente calmo. Respirou fundo e se jogou assim que ouviu o sinal. Foi o primeiro a bater na água, novamente esvaziou sua mente e focou. Impôs toda sua força e técnica. Os outros competidores não tiveram chances. Aiacos novamente chegou com vários segundos de antecedência. O ginásio explodiu em gritos que se misturavam com os sons da banda. Os outros candidatos cumprimentaram Aiacos e então o clube de natação o chamou para se juntar a eles, e, após todo o barulho diminuir, Milo pegou novamente o microfone.

— Que competição, senhoras e senhores! Todos deram o melhor de si, mas só havia uma vaga que agora foi preenchida. Uma salva de palmas para o mais novo membro do clube de natação Aiacos Fromhell! Seja bem-vindo, cara. – E então o ginásio se explodiu em vivas.

Após mais algumas felicitações e um breve discurso da diretora Atena, as pessoas começaram a se dirigir para a saída. Este era momento de Hades conhecer os famosos Philemons. Se aproximou de Aiacos que conversava com os outros três integrantes e viu que três casais também iam em direção aos jovens.

— Parabéns meu filho, estou muito orgulhoso de você. – Hades disse em voz alta enquanto dava um abraço apertado em seu primogênito. – Olá meninos, fico contente de terem dado essa oportunidade a Aiacos, garanto que ele irá contribuir muito para o clube de vocês.

— Nós temos certeza que sim, senhor Fromhell. Aiacos foi sem dúvidas um achado para a equipe, com ele as chances de medalhas este ano será muito maior. – Milo deu seu melhor sorriso ao falar com o pai de Aiacos. Não gostava da energia que o mais velho emanava, ele parecia exalar poder e perigo. Viu Camus cumprimentando o irmão com um abraço leve e viu quando Aiacos levantou e rodopiou o irmão mais novo. Milo sabia que Aiacos estava realmente feliz. Quem sabe agora ele não pararia de ser tão mala?

Milo viu seus pais se aproximando junto com os pais de Afrodite e Carlo e se adiantou para apresentar a todos.

— Senhor Fromhell, esses são meus pais, Kardia e Bianca Philemon, os pais de Afrodite, senhor Enrico e Lorel Readicliff e os pais de Carlo, Pietro e Barbara Massimiliano. – Virando — se então para os recém chegados apresentou a família que era nova na cidade. – Esses são o senhor Hades Fromhell, pai de Aiacos, seu filho mais novo, Hyoga e seu enteado Camus.

Com as devidas apresentações feitas, todos se cumprimentaram e engajaram em uma conversa animada em torno de seus filhos. Milo aproveitou para se aproximar de Camus, queria convida-lo para ir até sua casa.

— Olá ruivo. – Milo disse baixo para não chamar a atenção dos outros, porém percebeu que os olhos de Aiacos já estavam fixos em si, assim como o do pequeno Hyoga que parecia entediado, mas seu foco era apenas o menino a sua frente.

— Olá loiro. – O coração de Camus batia acelerado, viu Hades observando discretamente. O que será que ele estava sabendo sobre Milo? – Parabéns pela competição.

— Foi legal. Seu irmão é muito bom mesmo. – Milo sentia suas mãos suarem, nunca havia ficado nervoso ao convidar alguém para sair, e na verdade ele nem estava convidando alguém para sair, ele só queria que Camus se juntasse ao restante do clube para um almoço. Isso não era um encontro. Era? – Então, minha mãe vai dar um almoço pra gente lá em casa, você não anima de ir não? Você poderia levar o Hyoga também. – Milo achou por bem emendar para que não parece que ele estava desesperado.

— Seria legal. – Foi apenas isso que Camus respondeu enquanto fazia um certo olhar de indiferença, porém seu rosto o traiu e ele deu uma leve corada. Não queria demonstrar o quanto ficou animado com o convite, porém Milo percebeu e abriu um largo e iluminado sorriso.

— Milo, filho, vamos então? – Milo ouviu sua mãe lhe chamar, parecia que finalmente a conversa entediante que eles estavam tendo acabou, então ele a ouviu dizer a Hades: — É uma pena que o não possa almoçar com a gente senhor Fromhell.

— Já lhe disse para me chamar de Hades, Bianca. Bom, infelizmente tenho alguns compromissos para hoje, mas com certeza eu adoraria marcar algo com os senhores, quem sabe não marcamos um churrasco em família?

Todos os adultos concordaram com a ideia, e antes que começassem a se despedir Milo anunciou que Camus aceitou seu convite.

— Mãe, chamei Camus e Hyoga para irem pra casa com a gente, tudo bem?

— Claro que sim! Será um prazer recebe-los. – Apesar de não ser do tipo preconceituosa, Bianca não gostou muito da aparência do jovem ruivo. Ele parecia um membro de uma gangue punk com as roupas pretas e as tatuagens.

— Infelizmente Camus não poderá ir. Ele tem algumas coisas importantes para fazer em casa. – Hades achou por bem cortar, teria que avaliar a situação antes e planejar como tiraria proveito caso houvesse um possível relacionamento entre os dois meninos. –Hyoga também não poderá ir, ele está de castigo por desrespeitar as regras.

— Ora Hades, não seja tão rígido com os meninos, é apenas um almoço. Eu mesmo me encarregarei de leva-los para casa. O que me diz? – Kardia se meteu na conversa, ele havia percebido rapidamente que, por algum motivo, contradizer Hades lhe dava um grande prazer.

— Realmente não posso permitir, Kardia. Todos nós teremos várias oportunidades de nos socializar já que moramos todos tão próximos, não é mesmo?

Milo olhava para Camus, que mantinha os olhos fixos em outro ponto, parecia até mesmo que não estava prestando atenção. Era como se não estivessem falando sobre ele. Pensou em argumentar, mas talvez o ruivo tivesse algum motivo para agir daquela maneira.

Após todos se despedirem, Camus e Hyoga rumaram juntos para casa enquanto Aiacos foi para a casa de Milo. Pela primeira vez Camus se sentiu realmente triste em ser proibido de fazer algo. Queria conhecer a casa de Milo, conhecer seus pais, ver os prováveis álbuns de fotos que sua mãe deve guardar com muito carinho, enfim fazer parte da vida do loiro.

— Hyoga, você vai direto para seu quarto. Sem televisão, computador ou celular. Só sairá de lá na hora do jantar. Marin levará suas refeições no quarto. – Camus só percebeu que haviam chegado quando ouviu a voz de Hades. – Camus, venha até o meu escritório. Precisamos conversar.

Notas finais
Sobre o capitulo, o que acharam? O Aiacos entrou para a equipe, será que vai dar merda? Quem será o convidado especial e o que será que Hades vai aprontar nesse jantar? E falando nisso, o que será que o senho Fromhell quer conversar com o Camus? Ahhhhh e falando em Fromhell, foi ideia da ~Sheilinha esse sobrenome kkkkkkkk super combinou não é? E falando na ~Sheilinha, seu perfil é esse aqui https://fanfiction.com.br/u/337354/ super recomendo que vocês deem uma olhadinha ;) Gente, muito obrigada por quem leu até aqui. E, se possivel, tem como fazer essa autora aqui feliz deixando um comentário? Por favorzinho *----* Até a próxima minna o/