Akai Ito

9 Capitulo 9 - Beethoven Silence


Notas iniciais
Ei, psiu. Tudo bem? Lembram de mim? Sim, sou eu mesma. Aquela da fic do Camus com tatugens e do Milo nadador... Tão lembrados? Não me surpreenderia se vocês não se lembrassem de mim, mais de 8 meses fora... Brincadeiras a parte, desculpem o sumiço galera, meu pc antigo deu pau e tive muita dificuldade pra conseguir recuperar meus documentos (quase perdi toda minha vida acadêmica '-'), mas estou aqui de volta e trouxe um capitulo novo de Akai Ito. Eu sei que depois de todo esse tempo vocês mereciam algo então coloquei o que seriam partes do próximo capitulo. Acho q ficou legal :) Para esse capitulo temos duas músicas que recomendo para que vocês ouçam enquanto lêem. A primeira é a Sonata ao Luar de Ludwig van Beethoven, uma das mais belas canções do aclamado compositor, o link do youtube é esse . A segunda é a Beethoven Silence, uma música pela qual me apaixonei, do compositor mexicano Ernesto Cortazar Teremos a introdução de um novo personagem que será muito importante na história! Ele é a nossa foto de capa do capitulo, quero ver se vocês o reconhecerão. Não posso deixar de agradecer pelos lindos comentários da ~DanizGemini, ~Sheilinha, ~Amelinda e ~Mey Torres pelos comentários no capitulo anterior, muitooooo obrigada genti :* Agora os recadinhos de sempre e boa leitura! *Capitulo não betado *Os versos nos inicio de cada capitulo pertence a mim, salvo se houver algum aviso; * Os personagens pertencem ao Masami Kurumada *As personalidades de alguns personagens podem estar alteradas; *A aparecia física de alguns personagens foram tiradas do mangá, enquanto de outros foram retiradas do anime. * A história também está sendo postada no Social Spirit

Capitulo 9 – Beethoven Silence

No capítulo anterior

Após todos se despedirem, Camus e Hyoga rumaram juntos para casa enquanto Aiacos foi para a casa de Milo. Pela primeira vez Camus se sentiu realmente triste em ser proibido de fazer algo. Queria conhecer a casa de Milo, conhecer seus pais, ver os prováveis álbuns de fotos que sua mãe deve guardar com muito carinho, enfim fazer parte da vida do loiro.

— Hyoga, você vai direto para seu quarto. Sem televisão, computador ou celular. Só sairá de lá na hora do jantar. Marin levará suas refeições no quarto. – Camus só percebeu que haviam chegado quando ouviu a voz de Hades. – Camus, venha até o meu escritório. Precisamos conversar.

Agora

A solidão pode parecer difícil

Mas está um dia lindo lá fora

E eu só quero estar só

Aiacos estava surpreso. Em nenhum momento, desde que foi convidado para um almoço do clube na casa dos Philemon, pensou que se divertiria. Mas estava ali, rindo de uma forma que há muito tempo não ria. Ouvia o senhor Philemon contar algumas histórias de sua época de estudante no colégio enquanto a senhora Philemon fazia comentários que tornavam as histórias ainda mais engraçadas. O clima ali era totalmente descontraído, tão diferente dos almoços em sua casa, onde até mesmo quando eram apenas os membros da família, seu pai exigia que todas as formalidades fossem respeitadas. Mas o que mais o chamou a atenção era em como todo o restante do clube o estava tratando, apesar das diferenças que ele e Milo tivessem, tudo era deixado de lado quando o assunto era a natação, e agora como seriam colegas de equipe, Aiacos percebia o esforço de Milo para que eles se dessem bem, assim como os outros dois.

— E então, após ter invadido a diretoria e usado o autofalante para levar todos ao ginásio que já havia sido preparado pelos caras, eu corri para lá como um doido, peguei o microfone com Manigold, seu pai Carlo, fui até o meio da quadra e convidei Bianca para ir ao baile comigo. Foi então que percebi que ela não estava no ginásio. – Kardia e os outros se viraram para Bianca

— Eu estava na biblioteca na hora que ouvi a convocação, e decidi permanecer por lá. – Ela se defendeu. – Sempre fui muito dedicada aos meus estudos, e precisava terminar aquele trabalho.

— Por fim, tomei uma suspensão de 3 dias e fui proibido de ir ao baile. E no dia do bendito, eu estava em casa todo depressivo quando minha mãe me chama dizendo que eu tinha visita, era Bianca. Ela estava linda, nem chegou a entrar na festa. Preferiu aceitar meu convite e acabamos indo até a cidade jogar boliche. A partir desse dia nunca mais nos separamos. – Kardia então puxou Bianca e lhe deu um selinho estalado e foi aplaudido pelos demais.

Todos os outros já conheciam a história, exceto Aiacos que a achou hilária. Sabia pouco da história de seus pais, sua mãe morrera quando ele era um bebê e tudo o que sabia foi o que Natássia havia contado, de como Hades e Pandora eram amigos desde a infância e que ela sempre fora apaixonada por seu pai. Não conseguia imaginar o todo imponente Hades Fromhell fazendo algo como Kardia, com certeza ele deve ter feito o pedido de casamento a sua mãe em um jantar extremamente entediante e sem graça.

— Aiacos, vem pra gente publicar alguns stories no insta do clube. – Foi tirado de seus devaneios por Afrodite que o arrastou para tirar fotos com os outros.

Aquela tarde estava sendo deveras inesperada.

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Camus acompanhava Hades com seu coração acelerado. Não conseguia prever qual o assunto da conversa, só esperava que seu corpo fosse poupado. Ao chegarem à porta do escritório, Hades a abriu e fez um gesto para que Camus entrasse. Após trancar a porta foi até Camus e o abraçou por trás aspirando seu cheiro.

— Sabe Camus, uma coisa que sempre admirei em você é o seu desprendimento com qualquer um que não seja seu irmão. Por um momento eu havia pensado que você sentia algo por Radamantys, mas logo vi que não era nada demais. Mas o que eu presenciei hoje, o jeito que você olhava o jovem Philemon e tudo o que Aiacos já havia me contado... – Camus ficou rígido, então Aiacos havia falado de Milo a Hades. Sentiu suas pernas fraquejarem e os braços fortes de Hades apertarem mais ainda sua cintura.

Então sentiu ser empurrado em direção a mesa, bateu com a lateral do rosto na madeira nobre fria e dura. Seu coração acelerou, mais pelo susto do que por dor, já que Hades não usou muita força no movimento, não queria correr o risco de marcar a pele clara de Camus, não quando tinha planos para aquela noite. Por um momento até se arrependeu de ter marcado aquele jantar, se não fosse isso poderia deixar mais claro o seu desgosto.

— Eu não sei do que está falando, Hades. – Camus optou por mentir, com muito custo sua voz saiu firme, mas seu coração o traia e batia forte e rápido. Sabia que era questão de tempo até que Hades conhecesse a família de Milo, os ricos sempre se conheciam. Mas não esperava que ele fosse sacar que, de alguma forma, Camus se sentia mexido por Milo.

— Ah Camus, você sabe que eu odeio quando tentam me fazer de idiota. – Hades havia colocado o braço direto de Camus para trás e se debruçado sobre o ele, sabia o quanto o ruivo devia estar sentindo dor. Falava quase em um sussurro, queria que o menor se sentisse ameaçado, estava na hora de tomar as rédeas da situação e deixar bem claros quais seriam os termos desse possível relacionamento. – Mas eu não vou te culpar por isso, eu mesmo já fiz muita coisa inútil quando tentava conquistar sua mãe.

Neste momento saiu de cima de Camus e o puxou de cima da mesa. – Sente — se Camus. – Disse apontando uma das poltronas negras, sentou-se então de frente para ele. – Não precisa negar, eu não estou bravo com você por causa disso. Sei que não controlamos nosso coração. Eu mesmo não queria ter me apaixonado pela sua mãe, sabe? Se eu pudesse escolher, meu coração teria sido todo da Pandora, assim como o dela foi meu e o de sua mãe foi daquele bastardo do Jonny. Mas não somos nós quem decidimos. – Hades soltou um breve suspiro após essas palavras, ditas tão levemente, de um jeito que Camus há muito não ouvia, ele só falava assim com sua mãe. – O que me deixou bravo foi você ter escondido de mim que o único filho da família mais influente da cidade está apaixonado por você. Aiacos me contou que o mesmo age como um idiota quando te vê, e isso pode ser extremamente vantajoso para todos nós.

De tudo o que aconteceu naquela sala naquele momento, as últimas palavras foram o que mais assustou Camus. Ele sabia que Hades estava sempre atrás de aliados poderosos para dar seguimento com suas atividades escusas e não seria a primeira vez que ele usaria Camus para atingir seus objetivos.

— O que você tem em mente, Hades? Milo parece ser uma pessoa muito integra, e se seus pais forem como ele, acho difícil eles se aliarem a você.

— Brevemente irei te dar as instruções, por enquanto só mantenha o jovem Milo apaixonado. Não quero contato físico, não ainda. Agora preciso me preparar para o jantar de mais tarde. – Nesse momento Hades se levantou e caminhou até a porta, abrindo-a em seguida. Camus entendeu a deixa, e se levantou para sair. Ao passar pela porta, Hades segurou seu braço e disse: — Vista-se bem hoje, nosso convidado tem certo interesse em jovens ruivos.

*************

Todos já haviam ido embora. Aquela havia sido uma tarde maravilhosa, do jeito que Milo apreciava: churrasco, sol, piscina, família e amigos. Apesar de que um dos presentes ele ainda não sabia se um dia poderia chamar de amigos. Aiacos se mostrou uma pessoa totalmente diferente da primeira impressão que ele tinha deixado em Milo. Para Milo, Aiacos era um daqueles valentões que se achavam os donos do mundo, ele ainda achava isso, porém agora também via um outro lado do irmão mais velho de Camus: ele era divertido, sabia contar boas histórias, e o mais importante, sabia quando deixar as diferenças de lado. Eles ainda não haviam tocado no assunto “Camus”, mas Milo sabia que em algum momento eles teriam que conversar sore isso, principalmente porque Milo queria chama-lo de cunhado.

Durante toda a semana ele havia conversado com Carlo e Afrodite a respeito do que fazer caso Aiacos entrasse na equipe. Ele realmente queria se aproximar mais de Camus, mas não gostaria de se indispor com alguém do grupo. Afrodite, que sempre adorou uma tragédia romântica, insistiu que ele não deveria deixar de lutar pelo ruivo. E, para a surpresa de Milo, Carlo concordou com Afrodite.

Em um dia, após conversarem sobre isso, Carlo o chamou em um canto e disse algo que Milo nunca esperaria ouvir do amigo: “Milo, se você realmente se importa com o ruivo, se você realmente acredita que o que você está sentindo é algo mais do que uma simples atração, então não deixe que nada fique entre vocês dois. Eu amo o clube, mas se eu tivesse que escolher entre ele e o Dite, você pode ter certeza que teriam que fazer outra seletiva. Sabe, o Saga pode ser um cuzão, mas eu sempre entendi o lado dele. Não faça como o Oros, não deixe nada ficar entre você e a pessoa que você gosta.”

Milo sempre havia admirado o relacionamento dos amigos. Afrodite foi o último a integrar a turma. Ele chegou na cidade quando eles tinham apenas 9 anos e era um menino pequeno, delicado e com a mesma aparência feminina de hoje. Carlo, sempre encrenqueiro, foi tirar com a cara do novato, que lhe deu um belo soco deixando-o com o olho roxo por dias. Milo sabia que foi naquele momento que Afrodite ganhou o coração do garoto mais marrento da escola. Em poucos dias eles já eram inseparáveis, mas só aos 14 anos que ambos assumiram seus sentimentos. Os pais de ambos não tiveram problemas nenhum em aceitar o relacionamento dos filhos, apenas o pai de Aioros não permitiu mais que os dois frequentassem sua casa, mas não conseguiu impedir que ele continuasse amigo daqueles dois “degenerados” como ele gostava de chamar o casal, isso virou até uma piada interna do quarteto.

Milo sonhava com um relacionamento como o desses dois, mas não deixava de se divertir com as pessoas erradas. Até então ele não havia conhecido ninguém com quem quisesse ter algum tipo de relacionamento mais sério. Seu relacionamento mais longo durou 2 meses, o nome dela era Shina e ela era 1 ano mais velha que Milo, logo já havia saído da escola e estava estudando Direito, o que a fazia ser a nora perfeita aos olhos de sua mãe. Shina era uma mulher forte e independente e foi isso que fez com que o relacionamento entre eles durasse por esse tem, mas nenhum dos dois gostava o suficiente para fazer durar mais.

Mas Milo sabia que com Camus seria diferente, o que ele sentia era exatamente o que Afrodite dizia quando falava de Carlo ou quando seu pai contava histórias sobre como conquistou sua mãe. Ele tinha vontade de convocar a todos para o ginásio e convidar Camus para sair. Ele conhecia o ruivo a apenas uma semana, mas parecia que estava esperando por ele a vida toda.

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Camus foi para o seu quarto e chorou. Chorou de saudades da mãe, chorou pela situação com Hades, chorou por ter metido Milo naquilo. Milo, uma das poucas coisas boas que havia surgido na vida de Camus e Hades estava prestes a macular. Ele sabia que o padrasto iria faze-lo usar o loiro, Camus só esperava que Milo não descobrisse nada, ele não merecia isso. Milo exalava uma nobreza de espirito, uma pureza de coração tão grande e Camus não queria ser o responsável por machucá-lo. Mas ele não teria escolha, Hades sabia exatamente como controlar Camus, e o ruivo estava ciente disso.

Camus acabou pegando no sono durante suas divagações. Acordou assustado e quando olhou no relógio viu que estava perigosamente atrasado. Levantou e foi direto para o banheiro para um banho rápido, não lavou o cabelo porque não daria tempo de seca-lo, então prendeu-o em um coque deixando alguns fios soltos, colocou uma calça slim preta que moldava seu corpo mas não ficava exageradamente apertada, uma camiseta branca com a manga dobrada até a altura do cotovelo e um colete preto por cima, essas cores destacavam o vermelho de seus olhos e seus cabelos, estava simples, porém causaria o efeito que Hades esperava. Camus não tinha problemas de auto estima, sabia que era bonito e não precisava fazer esforço, seus cabelos e olhos já chamavam atenção de mais, e isso já dificultava em muita coisa.

Olhou no relógio e agradeceu por não estar atrasado, saiu e passou no quarto do irmão menor para ver se este já estava pronto, mas Hyoga já não se encontrava em seus aposentos. Respirou fundo e desceu encontrando toda a família na sala a espera da visita. O jantar estava marcado para as 20:00, ainda faltavam alguns minutos e nenhuma palavra era dita. Quando se encontravam nessa situação, Camus tentava imaginar como esse momento seria com uma família normal. Provavelmente cada membro falaria como havia sido seu dia, talvez relembrassem alguma história engraçada. Camus não poderia saber, mesmo quando sua mãe era viva o clima na casa era pesado. Antes de conhecer os pais de Milo, Camus achava que aquelas famílias felizes de comercial de margarina só existissem ali, nos comerciais, porém a família do loiro parecia exatamente aquilo: uma família unida e feliz. Assim como as famílias de Afrodite e Carlo. Dois pais presentes, que os amam e sem nenhum abuso. É, Camus poderia viver assim.

Camus foi tirado de seus devaneios quando foi anunciado que a visita havia chegado. Hades não havia dito nada sobre o homem, mas ele era impressionante. Alto, porte altivo, com cabelos curtos e negros, um olhar penetrante como se pudesse ver todos os seus segredos. Camus foi tirado do seu devaneio quando Hades os apresentou ao homem.

— El Cid, esses são meus filhos, Aiacos e Hyoga. E este é Camus, filho de minha falecida esposa. Garotos, esse é El Cid, meu novo sócio.

— Boa noite garotos. É um prazer conhecer vocês. – A voz de El Cid era profunda e séria, ele olhou para cada um dos presentes daquela família. A beleza não estava em falta, com certeza. Seus olhos demoraram mais em Camus, não tinha como ficar indiferente ao belo garoto de olhos vermelhos. – Hades me falou tanto de cada um de vocês que parece que já lhes conheço.

Os três aceitaram o aperto de mão do convidado, porém apenas Aiacos sorriu. Apesar da educação do outro, ele exalava um ar de falsidade o que deixava os dois mais jovens desconfiados. Hades por outro lado estava em êxtase, se tudo corresse bem, até o fim da noite estaria alguns bilhões mais rico.

Após jantarem, Hades chamou Marin e pediu para que levasse Hyoga para o quarto e o colocasse para dormir, pois os adultos conversariam sobre negócios. O loirinho protestou dizendo que Camus e Aiacos ainda estavam no colégio, logo ainda não eram adultos, mas Hades o cortou dizendo que ambos já estavam na idade de aprender sobre os negócios, mas ele ainda era muito pequeno. A conversa foi feita de modo brando, como se Hades realmente tivesse toda paciência do mundo par crianças, mas Camus e Aiacos sabiam que era apenas uma encenação para o convidado.

Foram os quatro para a sala de estar. Era um lugar amplo, como todos os cômodos da casa, com uma bela lareira, que se encontrava apagada, alguns conjuntos de estofados e prateleiras com livros, as paredes continham quadros belíssimos, um bar com diversas bebidas de alta qualidade estava instalado em um canto e, para coroar o local, um belíssimo piano de cauda todo feito em uma madeira escura, estava alocado no centro. Um vinho branco com notas florais foi servido para todos, El Cid não estranhou os dois menores bebendo, pessoas ricas não se importavam muito com leis simples quanto essas. Durante algumas horas o assunto foi negócios, Aiacos participava, fazia perguntas e comentários que orgulhavam Hades, o menino tinha tino para os negócios. Já Camus estava quieto, aparentava estar entediado, porém estava ansioso. Prestava atenção na conversa e pegava nas entrelinhas as ilegalidades do contrato que pretendiam fechar. Estava bebendo mais do que deveria, mas tinha medo do desfecho daquele jantar.

— Com esses detalhes certos, nossos advogados já poderão redigir o contrato. Garanto que essa transação será vantajosa para nós dois. Mas antes de você ir, eu gostaria que você conhecesse os talentos do meu Camus. Ele é um excelente cantor e tem dedos mágicos para o piano.

— Eu ficaria honrado em ouvi-lo, Camus. – El Cid precisou disfarçar seu estranhamento, pelo que sabia o jovem ruivo havia parado de cantar e tocar após a morte da mãe. Essa informação poderia parecer inútil, mas dado ao histórico daquela estranha família, tudo importava.

Camus se encaminhou para o piano sentindo seu coração bater forte, podia sentir o olhar de todos em si. Havia decidido que não cantaria, apenas tocaria alguma sonata clássica. Hades se zangaria, mas ele realmente não se sentia com vontade de cantar. Ao se sentar e sentir a textura das teclas, seu coração se acalmou. Aquele era seu mundo, as teclas não lhe eram nenhum segredo. Escolheu a clássica Sonata do Luar de Ludwig van Beethoven, a famosa sonata para piano n° 14 foi a primeira que Camus aprendeu com sua mãe. Ela era calma, e Camus entendia perfeitamente porque o compositor a chamou de “quase uma fantasia”, ela o fazia se sentir em paz, como se estivesse andando sobre um calmo lago em uma noite de lua cheia. Seus dedos dançavam pelas teclas com precisão e suavidade, tudo era muito natural. Não precisava de partitura, e por isso seus olhos permaneciam fechados enquanto cada nota fluía do piano formando uma das mais belas melodias compostas por Beethoven.

Ao final da sonata, os três expectadores aplaudiram, todos em êxtase. Aiacos e Hades conheciam os talentos do ruivo, mas como apreciadores de belas músicas, nunca deixavam de se surpreender quando Camus tocava. Já El Cid, poucas vezes ouvia esse tipo de canção, e nunca foi grande apreciador, mas a entrega do jovem ao tocar o emocionou de verdade. Pela primeira vez entendeu o porque das pessoas gostarem tanto de música clássica, poderia passar o resto da noite ouvindo Camus tocar, e este, como se estivesse lendo seus pensamentos, iniciou outra canção.

A escolhida foi a triste composição do mexicano Ernesto Cortazar, conhecida como Beethoven Silence. Camus não soube dizer ao certo o porque da escolha, seus dedos simplesmente começaram a tocar as primeiras notas e foi como se tudo ao seu redor silenciasse. Beethoven, como não poderia deixar de ser, era um dos compositores favoritos de Camus e essa sonata de Cortazar sempre o emocionava.

Mais uma vez, no fim da canção todos aplaudiram e antes que Camus iniciasse mais uma, Hades o interrompeu.

— Esplendido Camus, emocionante como sempre. Aiacos, sei que você teve um dia cheio hoje, está liberado para ir descansar. Ainda tenho alguns assuntos para tratar com El Cid. – Camus tentou aproveitar a deixa e sair também. – Camus, querido, ainda quero que você toque mais algumas notas para nós.

— Não estou tão cansado assim, papai. Posso continuar aqui, a conversa está sendo um grande aprendizado para mim. – De todas as coisas que Hades fazia com Camus, essa era a única que realmente revoltava Aiacos. E esse tal de El Cid havia passado o jantar todo observando Camus, com certeza era mais um dos amigos pedófilos de Hades.

— O que trataremos agora não será do seu interesse. Suba. – O tom de voz de Hades não deixava margem para mais questionamentos. Então Aiacos se levantou e se encaminhou para a porta, antes de sair olhou para Camus, este estava com o seu melhor olhar blasé, mas Aiacos percebia o ruivo tamborilando com os dedos nas pernas em um claro sinal de nervosismo, mas não havia nada que ele pudesse fazer, então saiu do cômodo, fechando a porta lentamente atrás de si.

Hades se sentou em uma poltrona de frente a El Cid, este já conseguia prever o que viria a seguir. Pelas suas informações, Hades usava o enteado como moeda de troca em algumas negociações, afim de agradar seus sócios. Achava que havia se preparado para esse momento, que seria fácil recusar, mas estando na presença de uma das mais belas pessoas que já viu, percebeu que essa não seria uma tarefa tão fácil assim.

— Camus, venha até aqui meu menino. – Ao se aproximar, Hades o puxou suavemente e o fez sentar em seu colo. – Então, El Cid, o que achou do nosso jantar?

— Achei esplendido Hades. Desde o jantar, ao vinho... a ótima música. – El Cid precisava entrar no jogo de Hades, então fez uma pequena pausa antes de continuar. – E é claro, a companhia. – Ao falar essas palavras, El Cid levantou a taça, como se fizesse um brinde e piscou para Camus que sentiu seu estomago dar voltas, mas se manteve firme.

— Bom talvez você queira se divertir mais um pouco. – Com isso Hades tocou a cintura de Camus indicando que ele deveria se levantar e então saiu do cômodo, deixando os outros dois sozinhos.

Camus sentia seu coração bater tão forte que parecia que iria saltar do peito. Só conseguia pensar no quanto aquele cara, com aqueles olhos frios, era assustador. Algo nele exalava falsidade, como se ele estivesse representando um papel. Ele o estava olhando de uma forma estranha, Camus via o desejo no olhar do outro, mas tinha algo mais que não conseguia identificar. Mas não havia o que fazer, continuou parado esperando que o outro fizesse algum movimento.

El Cid continuava sentado observando o jovem ruivo a sua frente. Os cabelos e olhos vermelhos, a pele tão branca que parecia brilhar, o corpo magro e delicado. Tudo nele exalava inocência e pecado. Uma contradição. Ele sabia que não devia tocar no garoto, afinal, ele era menor de idade ainda. Uma criança. Mas pelas suas informações, essa criança já era experiente. Assim como tudo naquela casa, a inocência do jovem ruivo também era falsa. Ainda sem saber o que fazer, El Cid se levantou e foi até o rapaz que parecia não se importar com a situação. Circulou o jovem, parando atrás deste. Aspirou o cheiro doce que aqueles cabelos cor de fogo exalava. Podia sentir seu membro pulsar dentro da calça. Não resistiu, queria sentir aquela pele acetinada, primeiro aspirou seu pescoço, pode sentir um leve tremor do menor, será que ele também o desejava? Resolveu toca-lo, deslizou suas mãos sobre os braços do rapaz e obteve a resposta para sua pergunta: o corpo a sua frente enrijeceu, uma ação típica de alguém que não estava nem um pouco confortável com a situação. E nesse momento a realidade o atingiu. O que ele estava fazendo? Ele era só um garoto, não devia nem estar cogitando em tocar nele. Aquilo é errado. Precisava se afastar do garoto, enquanto tinha controle de suas ações.

Camus estava apavorado, não podia fazer nada contra aquele cara atrás de si. Não conseguiu segurar o tremor quando teve o pescoço aspirado, tentava controlar as batidas do coração, mas era inútil. Ao sentir o outro tocar em seus braços, seu corpo enrijeceu involuntariamente. Sua intenção não era demonstrar repulsa, não queria que El Cid reclamasse de algo com Hades, porém não conseguiu se manter firme. Sua vontade era sair correndo daquele lugar, sua vontade era a de não mais existir. Mas ele precisava ser forte, precisava resistir por Hyoga. Sentiu que as mãos grandes o virava, o colocando de frente. Seu coração bateu ainda mais forte

— Por mais belo que você seja, eu não posso fazer isso. Você é apenas um menino. – El Cid segurou seu queixo e o fez levantar a cabeça. Os olhos negros de El Cid estavam dilatados de desejo, os vermelhos estavam dilatados de medo. – Céus, você é realmente lindo. – Os dedos longos de El Cid deslizavam sobre a pele suave, passando suavemente pelos lábios avermelhados, sentindo o hálito quente sendo exalado.

— Por favor... – Foi apenas um sussurro, quase inaudível, porém foi o suficiente para que El Cid se afastasse. O garoto parecia implorar, não podia fazer isso com ele.

— Diga-me Camus, Hades sempre faz isso? Te oferece para seus sócios? – El Cid aproveitou que o jovem estava despreparado para a pergunta, porém Camus continuou calado. Não demonstrava nenhuma reação que pudesse dar algum indicio sobre a resposta àquela pergunta. – Não se preocupe, não vou tocar em você. Porém, acredito que seja melhor permanecermos aqui por mais algum tempo, afim de seu padrasto acreditar que houve algo entre nós. Tudo bem?

Com essas palavras o coração de Camus finalmente se acalmou.

Notas finais
Eitaaaaaaaaaaaaaaaaaa El Cid na área! Alguém está afim de formar alguma teoria sobre ele? E a vontade de matar o Hades? Aumentou? Me contem rsrsrsrs Mas vamos voltar no começo do capitulo, que história bonitinha que o Kardia contou não é mesmo? Como não se apaixonar por um homem desses? *suspiros* E será por quanto tempo que teremos paz no clube de natação? Então, meus lindos e minhas lindas, não vou prometer que o próximo capitulo sairá logo, já que o notebook novo veio com defeito e terei que mandar para a garantia, mas tentarei escrever um pouco antes de mandá-lo e assim q ele voltar, escreverei mais. Lindos e lindas, antes de me despedir quero desejar um feliz ano novo para vocês, e mais do que isso, quero desejar força para que possamos enfrentar esses tempos sombrios que virão. Devemos permanecer unidos, e não devemos desistir. Não se esqueçam de cuidar uns dos outros e nunca deixem de lutar! Somos a resistência! Mil beijos e até 2019 o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.