Akai Ito

6 Cap 6 – Fim do dia


Notas iniciais
Olha o capitulo adiantadoooooooooo! Só tenho mais uma semana de férias, então resolvi postar esse capitulo hoje pra me forçar a escrever o próximo ou pelo menos começa-lo ainda essa semana, porque esse próximo período eu não vou ter tempo nem de comer hahaha Deixar meu agradecimento especial a Sheilinha q sempre deixa seu comentário e que me alegra muito! E agradecer a todos vocês que estão acompanhando silenciosamente. Obrigada! Agora os recadinhos de sempre: *Capitulo não betado *Os versos nos inicio de cada capitulo pertence a mim, salvo se houver algum aviso; * Os personagens pertencem ao Masami Kurumada *As imagens não pertencem a mim, salvo algum aviso; *As personalidades de alguns personagens podem estar alteradas; *A aparecia física de alguns personagens foram tiradas do mangá, enquanto de outros foram retiradas do anime. * A história também está sendo postada no Spirit Boa leitura!

Cap 5 – Fim do dia

No capítulo anterior

Milo não demonstrava, mas as palavras dos amigos o atingiram em cheio. Qual segredo Camus guardaria? Ele queria saber mais, porém algo lá no fundo lhe dizia que ele não gostaria do que iria descobrir...

Agora

E eu sangro, sangro

E dói

Mas por você

Eu aguento

POV – Camus

Após se despedir de Milo, Camus resolveu dar uma volta pelo campus antes de ir para a sala de música, afim de manter a mentira. Camus não tinha mais nada a fazer, porém decidiu recusar a companhia do loiro pois precisava pensar, além de que tinha medo de encontrar Aiacos, apesar do campus ser grande não anularia as chances do encontro acontecer.

Após caminhar a esmo, ele decidiu se encaminhar para o prédio administrativo onde ficavam as salas dos grupos de estudo. Estava bastante apreensivo e não tinha certeza se havia escolhido certo. Herdara de seu pai, além da aparência, o dom para a música, tinha facilidade para qualquer instrumento, além de uma voz incrível. Porém havia um problema, apesar de adorar cantar e tocar, Camus era extremamente tímido. Quando criança não havia esse problema, adorava se apresentar nas aulas de canto ou em casa para sua mãe. Porém após a morte dela ficou cada vez mais difícil. Ele acabou largando as aulas de música e parou de cantar, só tocava piano quando estava sozinho em casa.

A porta da sala do clube de música estava fechada, porém Camus viu, por um quadrado de vidro na porta, que havia lá dentro um rapaz de cabelos lilases lá dentro. Pensou em dar meia volta quando o garoto o viu e acenou para ele gesticulando que entrasse. Então ele suspirou, girou a maçaneta e entrou na sala notando que ela era bem espaçosa e que havia bastantes instrumentos de vários tipos, lembrou-se que havia lido que o clube de música era responsável pelo coral e pela banda, além de auxiliar o clube de teatro com os musicais.

— Olá! Eu sou o Mu, presidente do clube de música. – A voz quase melodiosa do rapaz de cabelos cor de lavanda o tirou de seus devaneios.

— Ah sim, eu sou Camus, sou novo aqui na escola – Camus respondeu polidamente apertando a mão que lhe foi estendida e olhando fixamente para as duas pintinhas que o garoto tinha no lugar das sobrancelhas. Ele sabia que não era educado ficar encarando, mas não conseguia desviar os olhos.

— É um defeito genético raro – Mu comentou ao perceber o olhar de indagação do outro – Você também tem não é? Seus olhos?

— Oh, me desculpe, não devia ficar encarando. E sim, muita gente acha que é reflexo do cabelo, mas meus olhos são verdadeiramente avermelhados devido a um defeito genético que herdei do meu pai, aliás até esse vermelho exagerado do meu cabelo também é um defeito.

— Seus cabelos podem ser tudo menos um defeito! – Disse Mu entre sorrisos, o que deixou Camus mais à vontade. – Mas então, o que o traz aqui, Camus?

— Bem, eu vim pra me inscrever no clube... – Camus disse meio sem jeito, ainda pensava se era uma boa ideia.

— E qual sua pretensão? Toca alguma coisa? Pela sua voz já imagino que você deva cantar divinamente!

— Eu fiz aulas de canto quando criança, mas não pretendo cantar. Queria mesmo tocar piano, mas também toco violão, guitarra, violino, bateria, sax, flauta e clarineta. Mas se não houver vagas tudo bem.

Mu o olhava incrédulo! Pra tocar todos esses instrumentos mesmo sendo tão novo era porque o garoto tinha talento. Ele não podia deixar uma joia dessa passar. Por mais que o colégio disponibilizasse uma boa verba para o clube, eram poucos os estudantes que se interessavam, muitos só iam porque a escola os obrigava a participar de algo. Quando o ruivo entrou na sala, Mu imaginou que ele seria mais um desses, porém se ele fosse realmente bom, poderia ser a chave para vencer a competição desse ano.

— Bom Camus, é claro que nós temos vagas, inclusive pra piano. Mas primeiro eu precisaria que você fizesse uma audição. Tudo bem?

— Claro! E que dia seria?

— Que tal agora? Se você não estiver ocupado é claro. – Mu sabia que deveria dar um tempo pra pessoa escolher a música e praticar. Pedir pra tocar assim do nada para uma audição é errado, mas ele gosta de ver como as pessoas se saem sobre esse tipo de pressão.

— Cla... Claro. Faz alguns dias que não toco devido a mudança, então peço que releve meus possíveis erros. Você tem algo em mente, ou posso escolher a música?

— Pode escolher, já estou te colocando pra tocar, não seria uma audição justa se eu escolhesse. E não se preocupe em errar, só me mostre seu talento. – Mu disse com um sorriso tentando tranquilizar o ruivo que estava visivelmente nervosos.

Camus se encaminhou até o piano e respirou fundo após se sentar. Ele tinha talento, e se era isso que Mu queria ver, então ele mostraria todo o talento que tinha, o que não era pouco. Passou seu dedos pelas teclas do piano como se as saboreasse, sentiu sua textura e tocou algumas teclas para se aquecer enquanto decidia a música.

Havia uma que gostava bastante, apesar de ser extremamente difícil, com ela mostraria a Mu sua capacidade, porém estaria mais suscetível a erros... Mas mesmo assim achou que seria uma boa escolha, então fechou seus olhos e visualizou as notas como se a partitura estivesse em sua frente, e começou a tocar.

— Sonata para piano número 12 de Beethoven. Não acredito... – Mu murmurou para si mesmo reconhecendo uma das mais bela e complicadas obras do aclamado compositor. E o outro garota estava ali, tocando-a sem partitura e com pouquíssimos erros.

Era simplesmente fascinante. Os dedos do ruivo deslizavam pelas teclas com uma suavidade e facilidade ímpar. A bela melodia ecoava pela sala de uma forma serena, fazendo com que Mu fechasse seus olhos e se entregasse a emoção que aquelas maravilhosas notas lhe proporcionava.

Enquanto isso Camus estava totalmente absorto em tocar, nada mais lhe vinha a mente além das notas, fazendo com que seus dedos dançassem pelo teclado. Todo seu corpo estava entregue naquele momento, sentia uma paz que nada no mundo lhe proporcionava. Era como se tudo ao seu redor deixasse de existir e só estivesse ele ali, tocando.

Mu geralmente era uma pessoa discreta, porém ao ouvir as notas finais da sonata ele aplaudiu efusivamente com lágrimas nos olhos, fazendo com que Camus se sobressaltasse, havia se esquecido completamente que havia mais alguém na sala e que estava em uma audição. Xingou-se mentalmente pelos erros cometidos, devia ter escolhido algo mais simples.

— Obrigado, Mu. Eu acabei errando algumas notas e já peço desculpas por isso.

— Se desculpar? Você não precisa se desculpar com nada! Foi simplesmente magnifico Camus! Você é um talento nato! Devia estar tocando em grandes operas para pessoas importantes, não estar aqui fazendo uma audição para um clube de colégio!

Camus sentiu seu rosto esquentar e sabia estar ficando vermelho, nunca soube como receber elogios, principalmente esses que achava serem exagerados. Sua mãe sempre dizia que um dia ele faria o que seu pai sonhava em fazer antes de desaparecer: encantar o mundo com sua música, e nesses momentos ele sonhava que Jonny o veria tocar e voltaria para sua vida. Essa lembrança fez com que o ruivo voltasse a sua áurea séria e monótona de sempre.

— Isso significa que estou dentro? — Toda a excitação que sentia ao tocar havia se esvaído, e já voltava a pensar que talvez aquilo não era uma boa ideia. Mas não havia mais nada naquele escola que o interessava fazer.

— Bom, sinceramente, por mim você já está dentro, porém pelas normas da escola preciso dar chance para mais algumas pessoas. Eu deveria recomendar que você fizesse inscrições para mais núcleos, porém quase ninguém quer entrar no de música mesmo, então é quase impossível alguém pegar sua vaga.

— E quando terei a resposta? – Internamente uma batalha ocorria dentro do ruivo: por um lado, aquele que adorava música, torcia pra que ele conseguisse a vaga, o outro, porém, aquele que dizia que tudo aquilo iria dar merda, torcia pra que outro aparecesse e fosse melhor.

— As audições ocorrerão até a sexta-feira, então no final de semana eu enviarei e-mails com as respostas. Por falar nisso, você pode preencher o formulário por favor?

— Claro! – Enquanto o ruivo escrevia, Mu aproveitava para reparar melhor no garoto. Ele parecia extremamente sério, parecia que estava verdadeiramente entediado, porém ao tocar ele mudou completamente, nem parecia a mesma pessoa que entrou na sala ou que estava ali na sua frente agora. Também não conseguiu deixar de reparar na beleza do rapaz. No colégio haviam muitos garotos bonitos, mas Camus certamente iria chamar atenção, e sabendo como era os garotos do colégio, o ruivo provavelmente iria arrumar alguns problemas. Ele próprio, se já não tivesse envolvido em um relacionamento extremante difícil, iria dar em cima do garoto.

— Aqui está Mu. Muito obrigado pela oportunidade. Agora tenho que ir, meu irmão já deve estar me esperando. – Camus estava tão ansioso com a inscrição no clube que havia se esquecido completamente de Hyoga, e agora precisava sair correndo, não sabia se o irmão já havia acabado sua inscrição no clube de arte pelo qual ele havia optado.

— Eu que tenho que agradecer por me permitir apreciar seu talento. Nessa primeira semana somos liberados mais cedo já que não há atividade nos clubes, mas se você quiser vir pra cá após a aula pode ficar à vontade.

— Obrigado pela oferta, Mu! Talvez eu apareça sim! Até mais. – Camus estendeu a mão para Mu que a aceitou.

— Até mais Camus! Te vejo por ai.

Ao sair da sala, Camus correu para o estacionamento, esperava encontrar Hyoga lá, e se não o encontrasse ligaria para ele. Porém não foi preciso, Hyoga já se encontrava próximo ao Impala, mas não estava só, Aiacos estava com ele, juntamente com outro garoto que Camus conhecia muito bem. Este era alto e de um porte físico avantajado, cabelos loiros curtos e olhos azuis, se portava como um lorde inglês, como se fosse superior ao pobres plebeus que o cercavam.

— Ah Camus! Finalmente chegou! Veja só quem encontrei nos esperando, meu primo Radamanthys, lembra-se dele? – Aiacos estava sério, não se dava bem com o primo loiro e não suportava o interesse que esse tinha em Camus. Ao seu lado Radamanthys sorria admirando o ruivo, ele estava ainda mais bonito do que da última vez que o viu a uns 2 anos.

— Olá Radamanthys, como vai? – Camus estendeu os braços para cumprimentar o outro, mas este o puxou para um abraço um pouco apertado de mais.

— Camus! Senti saudades suas! Queria ter ido te visitar sabe? Mas papai e o tio Hades ainda não estão muito bem – Radamanthys falava enquanto apertava o menor contra seu peito e acariciava suas costas, enquanto este permanecia com os braços soltos ao lado do corpo, nem se dignando a retribuir o carinho. Essa apatia de Camus era o que mais encantava o loiro que fazia de tudo para ter a atenção do ruivo.

— Já pode me soltar Radamanthys. – Camus ainda não tinha uma opinião formada pelo loiro, o que era estranho, já que ele sempre formava rapidamente uma opinião sobre qualquer um. Eles tiveram um relacionamento no passado e Camus chegou a pensar que Radamanthys poderia ajudá-lo. Mas Camus não era mais aquele garoto bobo, ele não se iludiria mais.

— Você está ainda mais bonito, como pode isso? – Radamanthys havia deixado de abraça-lo, porém agora segurava o ruivo pelo rosto, olhando dentro daqueles olhos vermelhos que tanto o encantava, enquanto seus dedos acariciavam a pele suave com pequenas sardas. Queria beija-lo, mas sabia que se o fizesse ali, no meio do estacionamento da escola, o ruivo ficaria furioso. – Que tal irmos comer algo, heim Camus? Pra colocar o papo em dia, relembrar os velhos tempos...

Camus não estava com o mínimo saco para o joguinhos de Radamanthys, tratou de tirar as mão do loiro de seu rosto enquanto recusava o convite. – Me desculpe Rada, mas preciso ir embora, tenho que levar o Hyoga pra casa, ele deve estar exausto, não Oga?

— Ain sim, ‘to muito cansado Camy, podemos ir? – Hyoga havia entendido o recado do irmão e foi na onda, e ele realmente estava cansado, além de nunca ter ido muito com a cara do primo loiro.

— O Aiacos pode te levar tampinha, eu cuido do Camus – Radamanthys disse enquanto passava deu braços ao redor da cintura de Camus, o puxando para mais perto de maneira possessiva.

— Não vou levar ninguém. E vê se entende uma coisa Radamanthys, o loiro dessa escola que o Camus ‘tá afim não é você – E dizendo isso, Aiacos entrou no carro bufando de raiva. Raiva pela ousadia do primo, raiva por Camus não fazer nada mais efetivo para afastar o outro, raiva por só ele ser rechaçado pelo ruivo. Arrancou cantando pneu, querendo se afastar dali o mais rápido possível, precisava se controlar, arrumar confusão ali não valeria a pena, Camus iria pagar por isso quando chegasse em casa.

— Vai me explicar isso que o Aiacos falou, Camus? – Assim que ouviu as palavras de Aiacos, Radamanthys soltou o ruivo e se afastou, não havia entendido. Quem era o outro loiro?

— Olha, a gente conversa outra hora, ok Rada? Preciso mesmo ir, você viu como o Aiacos saiu daqui, preciso conversar com ele. Vamos Hyoga? – Camus estava preocupado, Aiacos de bom humor já era perigoso, mas quando ele se enraivecia as coisas pro lado de Camus tendia a piorar muito, e até sobrava pro pobre do Hyoga.

— Vou te cobrar essa conversa Camus, até mais. – E dizendo isso Radamanthys se afastou. Não iria se despedir de Hyoga, não suportava crianças, ainda mais essa.

Camus e Hyoga entraram no carro e rumaram pra casa.

Ao chegarem lá Aiacos os esperava na garagem encostado em seu carro. Camus estacionou em sua vaga e disse a Hyoga para ir subindo na frente enquanto ele ia conversar com o outro irmão.

— Que merda foi aquela Aiacos? – Camus disse com a voz baixa e sem muita inflexão, sabia que não devia provocar o outro quando este estava daquele jeito, mas ele também já não aguentava mais. – Porque você falou aquilo pro Radamanthys?

Aiacos se limitou a sorrir de uma forma sarcástica, se aproximando do ruivo, então o segurou por ambos os braços e o empurrou em uma pilastra que estava ali perto segurando-o ali. Enquanto analisava o belo rosto do menor, via os olhos ainda mais vermelhos que num primeiro momento se arregalaram de susto, porém logo voltaram para seu estado natural, o fitando com raiva.

Camus, por outro lado não sabia como reagir, estava realmente assustado. Tentava esconder seu medo atrás de uma máscara de frieza, mas temia o que o outro faria com ele. Sua cabeça doía devido ao choque com a pilastra, assim como suas costas.

— Se você soubesse o que quero fazer com você agora, Camus... Teria sido melhor que você tivesse ficado com o Radamanthys – Aiacos falava calmamente, com o rosto tão próximo ao do ruivo que podia sentir sua respiração. Queria deixa-lo encurralado e assustado, e pela respiração do outro, ele percebeu que estava conseguindo. Podia sentir Camus tremer e via como a pupila de seus olhos estava dilatada, deixando-os com tons escuros.

— Aiacos? Camus? Já chegaram? – A voz de Marin pode ser ouvida ecoando pela garagem. Assim que a ruiva ouviu o pequeno Hyoga dizer que ela precisava ir lá em baixo porque Aiacos estava brigando com Camus, ela deixou tudo para trás e correu para socorrer o ruivo.

Marin tentava proteger Camus sempre que podia, o que nem sempre era possível já que tinha uma dívida eterna com Hades. Mas não iria deixar que Aiacos fizesse algo com Camus. Aiacos pelo menos ela podia enfrentar.

— Estamos aqui Marin, o que quer? – Ao ouvir a voz feminina chama-los, Aiacos soltou Camus e respondeu em voz alta, então voltou-se ao ruivo e disse em um sussurro: – Nem uma palavra.

— Apenas dar um recado do Senhor Hades, ele disse que não é necessário que o esperem para o jantar que ele chegará tarde. – Marin olhava para Camus e Aiacos enquanto falava, tentando entender o que estava acontecendo. O Ruivo estava encostado na pilastra e sua respiração estava notavelmente desregulada. Já Aiacos estava exalando raiva. A ruiva tinha certeza de que chegará na hora certa.

— E precisava descer aqui? – Aiacos sabia que Hyoga devia ter falado algo com a empregada, ele devia ter pensado nisso antes. Sua vontade era dar uma boa surra no irmão caçula pra ele aprender a não se meter onde não deve, e também na enxerida dessa ruiva. Mas Aiacos não era burro, ele sabia que se fizesse algo do tipo ele teria problemas. Melhor esfriar a cabeça esmurrando uns sacos de pancadas na academia particular que havia na casa. Subiu antes que a Marin o respondesse, não queria ouvir a voz dela.

— Camus, você está bem? – Assim que Aiacos se afastou, Marin se aproximou de Camus que ainda estava encostado na pilastra e tremia levemente. Marin o abraçou e tentou acalmá-lo. – Oh meu menino, como pode alguém tão bom como você passar por tanta coisa? Queria ter o poder de te tirar daqui, de te tirar desse inferno.

— Não se reocupe Marin, sei que isso está além de você – Camus dizia isso tentando manter a voz a mais neutra possível, ainda estava assustado, a ameaça de Aiacos realmente o havia abalado, ele nunca passava de palavras, mas dessa vez parecia que ele realmente faria algo contra si. Com certeza Hyoga havia ido falar com Marin... – Hyoga! Marin, preciso subir, ver onde estar o Hyoga.

Camus sabia que Aiacos também tinha chegado à conclusão de que foi Hyoga quem avisou à Marin, precisava subir e ver se ele estava bem, eram bem provável que Aiacos fosse descontar sua raiva no pequeno e isso Camus não iria deixar. Subiu as escadas correndo, passou pela cozinha e não viu Hyoga. Seu coração estava acelerado, sentia um medo irracional. Um medo que sempre sentia quando pensava que o irmão pudesse estar em perigo. Subiu até o quarto do mais novo, e ouviu o chuveiro ligado. Hyoga estava no banho. Aiacos não havia ido atrás dele. Camus respirou aliviado e foi para seu quarto, tudo o que mais queria era que esse dia acabasse.

Entrou no quarto e foi direto ao banheiro, se despiu e entrou no chuveiro que já se encontrava frio. Camus encostou suas costas na parede do box e deixou seu corpo escorregar. Esse era um dos raros momentos que deixava a máscara de frieza de lado e se permitia sentir. Deixou as lagrimas descerem por seu rosto e sentiu-as queimar. Não sabia por mais quanto tempo aguentaria aquela situação. Ele vivia com medo o tempo todo, com medo por si mesmo, por Hyoga e agora surge esse garoto Milo.

Milo...

Camus não pode evitar que um pequeno sorriso dançasse em seus lábios ao pensar no loiro de olhos profundamente azuis.

Milo...

Nunca havia se sentido assim por ninguém, era só pensar no garoto que parecia que seu corpo liberava altas doses de endorfina e serotonina que o fazia se sentir tão bem quanto qualquer outra droga que já havia experimentado. Na verdade, o fazia se sentir muito, muito melhor que outras drogas. Não se lembrava de se sentir tão bem conversando com outra pessoa além de Hyoga, ninguém mais o deixava a vontade ou o fazia esquecer de seus problemas, mas com Milo se sentia aquecido, como se naquele pouco tempo que eles ficaram junto, ele houvesse sido teletransportado para um lugar seguro onde seus problemas não o incomodasse e apenas aquele radiante sorriso existisse.

Após o banho, foi novamente ao quarto de Hyoga e o chamou para comerem. Não encontraram com Aiacos o resto do dia. Marin disse que ele passou algum tempo na academia, tomado banho e saído. Para Camus aquilo era bom. Chamou o irmão para irem para a sala de TV assistir algum filme.

— Então Hyoga, o que achou da nova escola? – Enquanto escolhiam o filme, Camus achou por bem saber como havia sido o dia do menor.

— Gostei bastante Camy, os professores de hoje foram muito bons e já fui aceito no clube de Artes. E já fiz até um amigo, tenho certeza que você vai adorá-lo... – Hyoga estava visivelmente empolgado, falava rapidamente e contava tudo para Camus que sorria e prestava atenção a cada palavra do irmão que descrevia cada detalhe de seu dia.

Era por momentos assim que Camus aguentava tudo o que passava, para poder estar ao lado do irmão e participar de sua criação, ser alguém de bom caráter que Hyoga pudesse se espelhar. Por ele aguentaria qualquer coisa.

Notas finais
E está ai! O que acharam? Quero chamar a atenção para alguns pontos: * Eu não sei porque, mas estava louca pra escrever esse encontro do Mu com o Camus hahaha queria ter uma explicação para as pintinhas do Mu e os olhos e cabelos do Camus, já que não é normal alguém ter pintinhas lilases e nem olhos e cabelos vermelhos (ruivos geneticamente ruivos tem cabelos acobreados hahaha) *Eu adoro música clássica, mas não entendo muito. Ai dei uma pesquisada pra escolher a que o Camus tocaria, e optei pela Sonata para piano número 12 de Beethoven por ser descrita por ter características peculiares e também por ser conhecida como a Marcha Fúnebre elém de ser uma das queridinhas do compositor. Pra quem quiser da uma conferida, Daniel Barenboim arrasa no piano nesse vídeo https://www.youtube.com/watch?v=t5gIVcwWQtg *Mais um personagem entrou na história, e parece que veio pra dificultar ainda mais a vida do ruivinho. Radamanthys também é estudante da escola então vai ser dificil do Camus escapar sempre dele. *Parece que o Camus já notou que o Milo é uma pessoa diferente e que alguns sentimentos começaram a surgir, como será que ele irá tratar disso? Então é isso galera, obrigada por lerem e até a próxima!