Akai Ito
7 Cap 7 - Eu ficarei ao seu lado
Notas iniciais
Capitulo 7
No capítulo anterior
Era por momentos assim que Camus aguentava tudo o que passava, para poder estar ao lado do irmão e participar de sua criação, ser alguém de bom caráter que Hyoga pudesse se espelhar. Por ele aguentaria qualquer coisa.
Agora
Sabe quando está doendo muito?
Quando o sofrimento está te matando?
E meus olhos estão sempre úmidos
Das lagrimas que estou derramando
POV Milo
As aulas da manhã de terça passaram rapidamente e dessa vez Milo conseguiu prestar atenção ao que os professores falavam apesar de várias vezes seus olhos se desviarem para o ruivo, e sempre sorria quando seus olhos se cruzavam com os do outro. Hoje seria um dia cheio, após a aula avançada teria que dedicar toda a tarde para receber inscrições na sala do Clube de Natação. Esse era o assunto mais falado na escola, perdeu a conta de quantas pessoas vieram falar consigo puxando saco achando que teria alguma vantagem. Mas o que estava deixando Milo agitado era saber que o irmão de Camus iria se inscrever. Se ele fosse bom mesmo, teria que aceita-lo. Apesar de não ter ido com a cara de Aiacos, Milo tinha a política de colocar a natação acima de tudo, assim como todos os outros membros que já passaram pelo clube.
Chegar até o refeitório para o almoço foi complicado, era parado várias vezes e tentava ser o mais breve possível sem ser mal educado. Estava com fome, havia acordado atrasado e acabou não tomado café da manhã. Foi direto ao balcão montar seu prato e seguiu para a mesa onde os outros já o esperavam. A conversa se manteve sobre as inscrições, Carlo e Afrodite também reclamavam sobre o assédio dos outros alunos e todos riram quando Afrodite contou que Carlo fez um garoto que os estava enchendo o saco chorar.
A aula após o almoço seria aula de Direito Constitucional, disciplina escolhida por seus pais mas que ele também apreciava. Milo ainda não estava muito certo sobre cursar direito, apesar de sempre ter admirado seus pais nos tribunais, sabia que não seria feliz naquele ambiente enfunado em um terno dentro de salas com pessoas manipuladoras e mesquinhas, nem todos eram assim, ele sabia, mas a maioria esmagadora de advogados, promotores e juízes o eram. Não, definitivamente Milo não servia para aquilo, ele era puro de mais, bom de mais, não tinha a malícia necessária para vencer nos tribunais. Mas para deixar seus pais felizes, acabava cursando esse tipo de matéria avançada.
Milo já havia imaginado que não encontraria o ruivo naquela aula, mas qual não foi sua surpresa ao ver seu futuro cunhado entrando na sala e ainda vindo em sua direção. Diferente da aula de química, nesta não tinha ninguém acompanhando o loiro, mas também não era uma aula onde precisaria de um parceiro. Havia um lugar vazio ao seu lado, até que seria interessante ter o outro sentado perto de si em uma aula como essa, onde os debates eram incentivados e trocas de farpas eram aceitas sem risco de punição. E foi exatamente nesse lugar que Milo viu Aiacos se sentar e virar para falar consigo.
— Veja se não é o loiro que não tira os olhos do meu ruivo. Meu nome é Aiacos. – Milo viu a mão do outro estendida para ele, teve um delay de poucos segundos antes de aceitar apertar a mão do outro. Que merda era essa de “meu ruivo”?
— Milo. – Disse apenas isso, fingindo ignorar o restante da frase do outro.
— Então, Milo, qual o seu interesse no meu ruivo? – Aiacos havia percebido como Milo reagira quando ele usou essas palavras anteriormente, ele viu o leve arregalar de olhos do outro. Aiacos poderia se passar por esses atletas universitários de filmes que aparentam serem burrões, mas na verdade ele tinha uma percepção fora do comum.
— Minhas intensões com Camus? São as piores possíveis – Milo respondeu no mesmo tom de deboche do outro. Dois podem jogar o mesmo jogo.
Dessa vez foi a vez de Aiacos ter um deley, como aquele loiro atrevido descobriu o nome de Camus? Será que em algum momento eles se encontraram sem que ele estivesse presente? O único horário que ele se separou do ruivo foi após o almoço de ontem para a aula avançada e agora... Ele precisava descobrir o que aconteceu...
— Fez direitinho o seu dever de casa, heim? Como descobriu o nome dele? – Com essa pergunta Milo ficou mais atento, se Camus não falou nada com o irmão, não seria ele que iria falar.
— Como você disse, eu fiz meu dever de casa. Mas se você quer muito saber, pergunte ao SEU ruivo. – Milo sabia que poderia deixar Camus com raiva com essa última frase, mas ele não poderia perder a chance.
Aiacos não acreditava na ousadia daquele loiro. Ou ele o estava provocando ou realmente aconteceu algo entre ele e Camus, quando ele iria responder, o professor entrou em sala.
— Boa tarde garotos e garotas. Bem vindos a nossa primeira aula de Direito Constitucional. Acredito que a maioria aqui me conhece, meu nome é Asgard Tauros, e sim, esse é mesmo meu sobrenome, não é pelo meu tamanho.
O restante da aula ocorreu tranquilamente. Milo notou que, diferente das outras aulas, nessa Aiacos se mantinha atento, fazia anotações e era participativo. Quando o sinal bateu, Milo não deu chances do outro falar consigo, saiu em disparada pela porta, queria falar com Camus sobre a conversa anterior. Imaginou que o encontraria no prédio dos laboratórios, então se dirigiu pra lá. O encontrou descendo as escadas, ele estava lindo, como ontem também usava os cabelos vermelhos soltos e roupas escuras. Mas o sorriso que estampava seu belo rosto se contorceu em uma carranca quando ele viu quem era o acompanhante do ruivo e a passos largos se dirigiu até os dois.
— Olá Camus – Disse seco ao se aproximar, ignorando completamente o outro loiro que estava ao lado do ruivo.
— Olá Milo, aconteceu alguma coisa? Está com uma cara estranha. – Milo estava tentando segurar a vontade de puxar o outro pelo braço e afasta-lo daquele desgraçado que estava cheio de sorrisinhos pro ruivo, será que já não bastava ter desgraçado a vida de seu melhor amigo, agora iria ficar dando em cima de Camus?
— Olá Milo, não me viu aqui? – A intenção de Milo era ignorá-lo, mas ele era escorpiano no final das contas...
— Olá Saga, me desculpe, mas é que você sabe como é não? Meu cérebro simplesmente ignora falsos e traíras. Agora eu preciso falar a sós com o Camus, com licença. – Milo disse isso numa voz suave e com seu mais belo sorriso estampado em seu rosto em quanto puxava Camus para longe do outro.
— O que foi isso Milo? – Milo lia confusão no rosto de Camus. – Porque você tratou Saga aquela forma e ainda me puxou assim? O que você está pensando? – O olhar de Camus ia de seu braço que estava sendo seguro pelo outro para os olhos profundamente azuis de Milo.
— Me desculpe, – Milo disse soltando o braço do outro. – É que eu simplesmente não suporto aquele cara, mas não é sobre isso que eu vim falar com você, e sim sobre seu irmão. – O ruivo ficou mais rígido nesse momento.
— O que tem ele? – O tom de voz era baixo, mas podia-se ler claramente um quê de nervosismo.
— Bem, ele está na minha turma de direito Constitucional. E bem, eu meio que posso ter dado a entender... sabe... que aconteceu algo... ou pelo menos pela cara que ele ficou quando eu disse isso, ele pode ter penado que aconteceu algo...
— Milo, o que você disse a ele? – As palavras de Camus sairão pausadas e tremidas. Podia-se notar que o outro estava assustado devido a sua respiração estar começando a se desregular.
— Pra começar ele me perguntou qual meu interesse em você. Mas veja bem, ele me perguntou isso de uma maneira bem intimidadora, sabe? Só pra me tirar do sério, ele disse “Qual seu interesse no meu ruivo?”, ai eu tive que responder à altura, sabe? – Milo falava rapidamente, estava sentindo um grande receio da reação do outro. – Ai eu disse, não fique bravo, eu disse “Minhas intenções com o Camus são as piores possíveis”. Eu só queria tirar ele do sério, mas ai ele me disse que eu fiz o dever de casa direitinho e quis saber como eu descobri seu nome. Foi ai que vi que fiz cagada e então disse que se ele quisesse saber, ele que perguntasse a você... – Ao ver q o outro ficou estático com o relato, Milo tratou de se desculpar. – Me desculpe Camus, eu sei que devia ter ficado quieto, mas não consegui...
— Deixa pra lá Milo. Eu lido com o Aiacos depois. – Camus disse de um jeito cansado, Milo não sabia se ficava feliz pelo fato de o outro não ter ralhado consigo ou se ficava preocupado com essa falta de reação. — Você não deveria estar nas seletivas?
— Sim, mas queria falar com você primeiro, não poderia deixar seu irmão te pegar desprevenido com esse assunto. Mas me diga, qual o problema entre vocês? Porque ele te trata com tanta possessão? – Milo estava realmente curioso, essa relação dos dois era no mínimo estranha.
— Não acho que seja hora para falar sobre isso, Milo.
— Um dia quero ter sua confiança para que você possa me contar suas histórias. – Milo disse isso com um belo sorriso mostrando toda sua sinceridade. Ele nunca se interessou tanto assim por uma pessoa, ele queria saber mais sobre o outro, fazer parte da sua vida.
— Acho que não vai demorar. – Camus disse isso com a cabeça baixa e quase na forma de um sussurro, como se dissesse para si mesmo. Mas o loiro ouviu, e seu dia foi ganho nesse momento...
Milo se encaminhou para a sala de natação com um sorriso no rosto. Fazia tempo que não se sentia tão feliz, na verdade, não se lembrava de alguma vez ter se sentido assim. Sua vida era boa, mas ele sempre achou que faltava algo, mas agora parecia completo. Era estranho se sentir assim por uma pessoa que acabou de conhecer? Parecia que aquele ruivo fora feito exatamente para ele. Tudo o encantava, a voz suave, o sorriso discreto, o cheiro doce, os olhos, ah aqueles olhos! Milo queria se perder neles para sempre.
A sala do clube de natação estava cheia, muitos conhecidos de Milo estavam lá. Todos ansiosos para o teste, afinal, fazer parte do clube de natação era o ápice da popularidade no colégio. Ao adentrar na sala, cumprimentou todos, apesar de ser popular, Milo era muito educado com todos, e isso o fazia ser ainda mais admirado. Entrando mais na sala ele avistou Aiacos, ele estava encostado na parede sem interagir muito, e quando ele se virou para Milo, seu olhar era de surpresa.
— Milo, você está atrasado! Aonde é que se meteu? – Afrodite falou alto chamando a atenção de todos na sala.
— Aposto que estava atrás de um certo ruivo, não é mesmo? – Após essa fala de Carlo, Milo não resistiu a olhar o irmão de Camus, que parecia fuzila-lo com o olhar. Milo tinha certeza que Carlo havia percebido o garoto ali e só falou sobre o ruivo para ver o circo pegar fogo.
— Cale a boca, Mask. – Milo rosnou entre dentes – Agora que cheguei podemos começar. Dite, onde estão os formulários? Vamos distribuir, e, enquanto eles respondem, a gente fala as regras.
Milo evitou Aiacos propositalmente, deixou que Afrodite entregasse o papel a ele, sabia que se o outro fizesse algum comentário a respeito de Camus, não conseguiria frear a língua e também não deixou que Carlo fosse até ele, pois era certeza de provoca-lo de propósito.
— Bem galera, nós ficamos muito felizes de vermos tantos candidatos, mas como vocês sabem temos apenas uma vaga. Aioros era o melhor no nado borboleta, mas o nosso foco esse ano é o revezamento 4x100. É claro que se alguém se destacar nas duas modalidades, seria bem mais interessante.
— E por que isso, Milo? – Um aluno o questionou.
— Isso é porque é o último ano da estrela do colégio aqui – Quem respondeu foi Carlo, enquanto abraçava Milo pelo pescoço. – E queremos trazer essa medalha juntos.
— É como o Mask disse, e pra gente conquistar esse ouro, não basta sermos bons, temos que estar focados, unidos nesse mesmo objetivo. – Afrodite dizia isso de forma animada, queria mostrar para todos a importância da competição. – E acima de tudo, vocês devem colocar a natação sempre a frente, – nesse momento ele olhou diretamente a Aiacos – Não podemos ter rixas dentro do time, e sempre devemos nos respeitar e respeitar nosso capitão, Milo. – Nesse momento Afrodite também abraçou Milo pelo pescoço para enfatizar sua fala e demonstrar o companheirismo da equipe.
Era visível a admiração por dos alunos por esses três. Enquanto eles falavam, a atenção de todos estava voltada a eles. Nesse momento Aiacos percebeu o quanto aqueles três eram reverenciados na escola e percebeu também que fazer parte dessa equipe com certeza enriqueceria seu currículo para a universidade, além de que poderia saber mais sobre o loiro e qual seria a maneira mais eficiente de acabar com ele.
— Como está no cartaz de divulgação, a prova será no sábado de manhã e será aberto à toda escola e também à toda cidade, então vocês poderão convidar quem quiserem para vir assisti-los. – Milo tomou novamente a palavra. – o que não está escrito, é que serão duas provas, uma borboleta e outra no revezamento. No caso do revezamento as equipes serão sorteadas na hora. A piscina ficará livre para que vocês treinem durante o restante da semana e nós ficaremos de olho dando dicas e vendo quem realmente está se esforçando. Entrar para a equipe de natação é mais do que entrar para um clube, é entrar para uma família! Boa sorte a todos!
Após a fala de Milo sobre como seria a disputa, muitas perguntas foram surgindo e todas foram respondidas e, após todos se retirarem da sala do clube de natação, os três membros se jogaram no sofá. Eles perceberam que a maioria não nadava sempre e que esses não conseguiram se preparar em uma semana, mas eles sabiam, por experiência própria, que quem realmente tinha paixão pelo esporte estava sempre preparado.
— Mas e ai Milo, vai contar porque chegou todo animado hoje? – Assim como Carlo, Afrodite tinha plena certeza que a animação do amigo era devida ao ruivo, mas queria saber detalhes. – Não vai me dizer que ele também está na sua aula de direito constitucional?
Milo que, como sempre, estava viajando mentalmente em direção a Camus, não ouviu nada do que o amigo loiro disse, e por isso levou um tapa na nuca dado por Carlo. – Para de viajar e presta atenção que o Dite tá falando com você, ô venenoso!
— Porra Mask, que mania de me bater cara! Desse jeito o Dite vai achar que tu tá afim de mim. – Ao dizer isso, Milo se afastou correndo, pois sabia que iria levar outro tapa do garoto de cabelos platinados.
— Não é só porque você é loiro que eu vou trocar minha bela rosa por você. – Dizendo isso Carlo deu um beijo estalado na bochecha de Afrodite que o puxou para um abraço apertado antes de se virar para Milo e repetir a pergunta.
— Ahhhh Dite, quem me dera se o Camus tivesse fazendo essa aula também. Eu é que fui procura-lo antes de vir pra cá e...
— Então você se atrasou deliberadamente? – Carlo o interrompeu.
— Deixa de ser chato e deixa ele contar o que aconteceu Carlo! Milo, porque você foi procurar o ruivo mesmo sabendo que devia vir pra cá?
— Cara, o Camus não tá na minha aula, mas o Aiacos, irmão dele está! E o filho da puta ainda veio tirar com a minha cara. Ceis acreditam que ele falou “Quais são suas intenções com meu ruivo?”, “MEU RUIVO” – Milo repetiu as palavras pausadamente. – Dá pra acreditar nisso? Ai eu acabei respondendo a altura e falei mais do que devia, então tive que ir até o Camus e contar, vai que o louco do Aiacos fale algo pra ele? Só que pra piorar a situação, quem eu encontro conversando com o Camus? O Saga, sim, esse puto tava todo de sorrisinhos pra cima do meu ruivo. – Nesse momento os outros dois amigos se entreolharam, Milo achou que foi por ouvirem o nome de Saga, mas na verdade foi porque ele usou as mesmas palavras que o deixou perplexo antes. – Ah mas ai eu fiz questão de tirar o Camus de perto dele. Tomara que ele esteja afim do Camus, só pra eu ter o gostinho da vingança.
— Então sua felicidade tem a ver com você ter tirando onda com o Saga? Seu atraso está perdoado, Milo! – Carlo disse entre gargalhadas, nenhum deles gostavam de Saga.
— Não acho que foi só isso, o que mais aconteceu?
— Bem, eu e Camus conversamos, e foi legal. Não vou contar minha intimidade com ele pra vocês, ele é muito reservado e não quero falar o que não devo.
— Já que você não vai falar, dê o fora que eu e o Dite temos mais o que fazer nesse sofá.
— Só vê se não deixem sujeira ai! – Milo disse isso já correndo em direção a porta antes que uma almofada o acertasse.
Milo resolveu dar uma passada na piscina para ver se algum dos candidatos estava por lá, se não houvesse ninguém ele poderia dar algumas braçadas, afinal, a piscina olímpica da escola era infinitamente melhor que a da sua casa.
O resto da semana passou rapidamente, e a sexta chegou com a grande expectativa de ser o dia anterior à seletiva. Milo até pensou em chamar Camus para fazerem algo durante a semana, porém ele precisava focar na seletiva, então preferiu convidá-lo para assistir a competição no sábado e depois saírem a noite para fazer algo, o que não foi aceito como ele achou que seria, Camus disse que na competição ele iria pois já havia prometido a Aiacos, porém teria que ver se o padrasto não iria fazer nada no fim de semana, já que a presença dos irmãos mais velhos era sempre exigida quando havia alguma social de negócios. Para Milo isso soou mais como uma desculpa...
POV Camus
A semana havia passado rapidamente para Camus, Aiacos estava ocupado de mais com as seletivas e por isso não o importunou a respeito de Milo, Hades estava ocupado de mais com as mudanças na empresa e até mesmo Hyoga estava ocupado com o clube de artes e com o novo amigo que ele havia feito. Quanto a Camus, ele se ocupava em treinar piano e estudar pois aquela escola era bem mais exigente do que sua antiga.
Milo o havia chamado para assistir a competição no sábado, mas ele já iria de qualquer forma, pois Hades incumbiu toda a família a apoiar o mais velho. Camus sabia que ele não se importava com isso, queria apenas manter as aparências de uma família unida e feliz. O loiro também o havia chamado para saírem depois, mas Hades já havia dito que talvez ele receberia uma visita de negócios para jantar e queria todos em casa. Camus até chegou a propor que saíssem no domingo, mas Milo tinha planos com os amigos e Camus não se sentia confortável em entrar num barco com desconhecidos.
Camus divagava sobre isso enquanto esperava pelo irmão menor no estacionamento, ele havia ido para casa e voltado para buscar Hyoga já que não tinha o que fazer após a aula de física avançada. Estava estranhando a demora do outro, estava quase indo até o prédio onde ficava a sala do clube de artes para ver se havia acontecido algo, porém viu o irmão chegando às pressas ao estacionamento e viu, quando ele se aproximou, que ele estava chorando.
— Hyoga, o que aconteceu? – A pergunta foi ignorada pelo menor, que contornou o carro e entrou. Camus entrou logo em seguida e viu que o irmão estava com a cabeça abaixada e chorava compulsivamente. Neste momento Camus o abraçou preocupado. – Oga, o que foi? Porque está desse jeito?
O outro nada falava só chorava, o que deixava o ruivo mais desesperado. Não se lembrava da última vez que viu Hyoga chorar desse jeito, e ele não sabia lidar com esse tipo de situação.
— Só vamos embora Camy, não quero ficar mais nesta escola. – Hyoga conseguiu falar entre um soluço e outro.
— Não vai me contar o que aconteceu? – Camus ainda tentou insistir, mas Hyoga só balançou a cabeça. O ruivo então arrancou com o carro e rumou para casa.
Ao chegarem, o pequeno foi direto para o quarto do irmão ruivo, se sentia mais seguro perto dele.
— Camy, toca algo pra mim? – Hyoga havia se jogado na cama com a barriga para cima, seu choro já havia cessado, mas Camus ainda via tristeza no rosto angelical.
— Eu toco se você me contar o que houve. – Camus precisava saber o que aconteceu na escola, Hyoga sempre sofria com bullying por ser pequeno, mas sempre enfrentou seus problemas e nunca foi dado a choros, pelo menos algo de bom veio da criação dada por Hades, então estava preocupado com o que poderia te desequilibrado.
— Se eu contar você canta pra mim? – Fazia anos que Hyoga tentava fazer Camus cantar, porém o ruivo sempre se esquivava, não custava tentar mais uma vez.
— Oga...
— Então não conto! – Antes mesmo de Camus começar uma desculpa, Hyoga já o cortou. Em algum momento ele não aguentaria e acabaria contaria o que houve ao irmão, principalmente porque não sabia o que fazer e precisava de ajuda. – Por favorzinho Camy, só umazinha. – Hyoga falava de forma manhosa e com os olhos brilhando, ele não entendia o porquê, mas precisava ouvir o irmão cantar.
Camus por outro lado estava inseguro, fazia tanto tempo que não cantava, desde que sua mãe morrera. Não foi promessa alguma, nem trauma, ele apenas perdeu a vontade de cantar, já que era uma coisa que fazia com Natassia. E sempre que ele se sentia triste sua mãe cantava algo para ele e isso sempre o aliviava.
— Ok, Oga. Você venceu. Me conte o que aconteceu e eu canto algo pra você. – Camus chegou à conclusão de que não havia motivo para negar um pedido tão bobo da única pessoa que realmente o amava.
Hyoga fitou Camus por alguns segundos, se virou na cama e escondeu seu rosto nos cobertores do irmão e recomeçou a chorar. Não sabia como começar a contar e se sentia envergonhado. Somente quando ouviu as primeiras notas do piano foi que levantou a cabeça e viu seu irmão concentrado, deslizando seus longos dedos pelas teclas. Resolveu se levantar e se sentar ao lado Camus enquanto secava as lagrimas que ainda escorriam pelo seu rosto, sempre gostou de escutá-lo estando bem próximo. Não estava reconhecendo a canção, até que ouviu os primeiros versos serem cantados pela voz incrível que apenas seu irmão possuía.
Oh, Why you look so sad? / Oh, por que você está tão triste?
Tears are in your eyes / Há lágrimas em seus olhos
Come on and come to me now / Venha ficar comigo agora
Don't be ashamed to cry / Não tenha vergonha de chorar
Let me see you through / Deixe eu ver você por dentro
Cause I've seen the dark side too / Pois já vi o lado escuro também
When the night falls on you / Quando a noite cair sobre você
You don't know what to do / E você não sabe o que fazer
Nothing you confess / Nada que você confesse
Could make me love you less / Pode fazer com que eu te ame menos
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
Won't let nobody hurt you / Não vou deixar ninguém te machucar
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
So / Então
If you're mad, get mad / Se você estiver triste, fique triste
Don't hold it all inside / Não guarde tudo isso dentro de você
Come on and talk to me now / Venha e converse comigo agora
But hey, what you've got to hide / Ei, o que é que você tem para esconder
I get angry too / Eu fico zangado também
But I'm a lot like you / Porque sou muito parecido com você
When you're standing at the crossroads / Quando você está em uma encruzilhada
Don't know which path to choose / E não sabe qual caminho escolher
Let me come along / Deixe — me ir com você
Cause even if you're wrong / Pois mesmo que você esteja errado
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
Won't let nobody hurt you / Não vou deixar ninguém te machucar
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
Take me in into your darkest hour / Fique comigo em seus momentos mais tristes
And I'll never desert you / E jamais te abandonarei
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
And when / E quando
When the night falls on you baby / Quando a noite cair sobre você querido
You're feeling all alone / E você estiver se sentindo completamente só
You won't be on your own / Você não vai ficar sozinho
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
Won't let nobody hurt you / Não vou deixar ninguém te machucar
Take me in into your darkest hour / Fique comigo em seus momentos mais tristes
And I'll never desert you / E jamais te abandonarei
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
Won't let nobody hurt you / Não vou deixar ninguém te machucar
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
Won't let nobody hurt you / Não vou deixar ninguém te machucar
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
Won't let nobody hurt you / Não vou deixar ninguém te machucar
I'll stand by you / Eu ficarei ao seu lado
— Oga, não importa o que aconteça. Eu sempre ficarei ao seu lado. – E Hyoga sabia que Camus não estava mentindo.
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