Akai

21 ...and happy new year!


Notas iniciais
Mais um extra de final de ano! Bom, diferente do Natal, é apenas um drama rápido; um drama que talvez muitos passem em casa. Espero que a mensagem chegue no coração de todos! Enjoy ~

– E então um feliz ano novo...! _cantarolou enquanto forçava a tampa da cerveja _oh... isso com certeza é um dejavu _se lembrou de exatos 10 dias atrás enquanto arrumava a árvore de Natal.

Matt estremeceu, festas de final de ano nunca eram boas recordações, as tragédias começavam no Natal e se estendiam até o próximo ano; felizmente o dia 25 foi “comemorado” com uma caixa de primeiro socorros e um ruivo de pau duro (por causa de um sonho bizarro), mas nada além disso – se é que poderia considerar aquilo pouca coisa – e o ano novo estava por vir, aparentemente tranquilo.

– Tranquilo até agora _completou, bebendo mais um gole da Heineken.

Bom, mas sinceramente? O que era um final de ano sem uma desventura? Abrindo um sorriso malicioso, Mail alcançou seu inseparável notebook e começou a pensar num bom plano.

– Que tal um jantar no Gordon Ramsay¹? Faço uma reserva agora mesmo entrando no sistema em 3...2...

E ele continuou a fazer planos com Mihael (o gato da família) em seus calcanhares, ronronando. Era dia 30, ainda tinha tempo para comprar algum presente, roupas novas, pensar no motel e como mais poderia deixar o dia perfeito para os dois. Mail sempre seria um eterno apaixonado por Mello, queria demonstrar aqueles sentimentos como nunca antes, com uma aura em chamas.

As horas exaustivas em frente ao único companheiro – seu notebook, drenou as energias do ruivo o forçando a se retirar para um longo cochilo, que começou as 17 horas daquela tarde e se estendeu até as 21 horas. Matt despertou um pouco tonto, estranhou a escuridão que não era presente quando fechou os olhos e se assustou quando viu o relógio digital na parte superior do DVD.

– Caralho _resmungou se levantando do sofá macio _dormi uma vida! _e continuou a falar consigo mesmo.

O apartamento estava em silencio, então estava sozinho. Confere. O gato ainda estava vivo. Confere. E Mello?

Foi no exato momento que pegou o celular nas mãos e acionou o botão da lateral que começou a se sentir incomodado. O loiro não havia ligado, na verdade o mesmo saíra mais cedo à trabalho, duas ruas abaixo para a entrega de joias – coisa simples – e ainda não estava de volta...?

Os dedos hábeis tamborilavam na mesa de vidro enquanto esperava pelo outro atender a ligação. Duas tentativas e nada. Pelo menos não estava fora de área. Recorreu então para o rastreio do aparelho.

– Mas que bosta... _girou os olhos, esquecera que o aparelho do outro não tinha modos de rastrear já que era antiquado. Restou apenas aguardar.

Esperar por alguém que já deveria estar em casa é no mínimo angustiante, ver os minutos passarem como se fossem horas, tentar se distrair sem sucesso, sentir o coração na garganta. Não eram sensações nada confortantes, por mais que o loiro demorasse num trabalho ele sempre ligava para avisar que estava bem, afinal, trabalhar para máfia e não dar sinal de vida – como ele mesmo dizia – significavam apenas duas coisas: morte ou traição.

Mello não ia surtar e trair a máfia sem seu companheiro certo?

– Não, pare de pensar besteiras, Jeevas! _se repreendeu se estapeando mentalmente.

Mello também não estaria...

– AH! JEEVAS! _agora se estapeou de verdade, noticias ruins corriam rápido e se algo tivesse acontecido, Jôjo estaria na sua porta com a cabeça do outro em mãos.

Então só restava esperar, novamente. E esperando vendo tv, dessa vez sem programas sobre gravidez e longe de comidas estragadas, Matt acabou adormecendo.

Por que perder as esperanças
De nos tornar a ver?
Por que perder as esperanças
Se há tanto querer?

O sol da esplendorosa manhã do dia 31 entrou com fulgor pela janela quase panorâmica da sala de estar. Os olhos verdes brilhantes tiveram certa dificuldade para se acostumarem com a claridade, Matt resmungou manhoso tentando alcançar a coberta caída no chão.

– Vamos lá Mihael... coma uns passarinhos _balbuciou ao sentir o bichano pular em sua barriga.

Por insistência do dono da casa, o ruivo teve mesmo que levantar e alimenta-lo. Afinal, se você alimenta o gato então ele é seu dono.

Passava do meio dia, “ótimo” pensou, até agora nada de seu marido sumido. Tentou ligar novamente e tudo o que ouviu foi o irritante som da secretária eletrônica anunciando que a ligação havia caído na caixa de mensagens; talvez devesse deixar um recado bem malcriado, mas Mello jamais ouviria, ele fazia questão de ignorar recados do tipo.

– Oh well... _esfregou os olhos, sair para procurar seria uma opção, mas muito vaga diante uma Londres inteira. Mello podia ter se enfiado em qualquer buraco, hotel, motel, boca de fumo, fossa, puteiro que fosse – e olha que as opções estavam longe de acabar por ai.

Um pouco preocupado, mas ainda sim confiante que seu amado estaria de volta em poucas horas, foi arrumar algo para comer, viu mais um pouco de tv, pornografias no computador, banho e quanto conferiu as horas novamente após aquele dia super mágico e empolgante seu estomago deu um solavanco, misto de raiva e muita preocupação: já passavam das 18 horas e o céu tinha tomado o por do sol.

– Mello, você não me ama mais? _perguntou descrente, seguido por um suspiro.

Não é mais que um até logo
Não é mais que um breve adeus
Bem cedo junto ao fogo, tornaremos a nos ver

A fechadura girou em falso atraindo a atenção do ruivo que estava no quarto escolhendo sua roupa para a virada do ano, botou a cabeça para fora do cômodo com um sorriso de alivio nos lábios; depois que fora destrancada, finalmente o outro pode entrar em casa.

Mas...

Matt saiu para dar-lhe um abraço se esquecendo momentaneamente que estava chateado, assim que chegou perto do outro e acendeu a luz da sala teve uma desagradável surpresa: Mello estava completamente bêbado, pior, estava todo sujo de poeira e algo grudento na perna esquerda de seu jeans, e para completar o visual, um corte no supercílio.

– Ah, oi Mello _o chamou num tom sarcástico.

– Hn _resmungou fazendo uma careta e sentou no sofá sem se importar com as roupas imundas.

– Não passe mal no carpete, o Mihael vai detestar. Está entendo o que eu estou falando? Mello?

– O que é?!! _seu timbre de voz atravessou paredes fazendo o ruivo dar um leve sobressalto.

– Não carregue a bosta do celular se não atende! E hoje é dia 31, PORRA!

A resposta não fora nenhum pouco, animadora, o ruivo ganhara um belo dedo do meio seguido por um loiro praticamente adormecido no sofá.

– Ótimo _girou os calcanhares e voltou para o quarto tentando bater a porta com força suficiente para acordar o bêbado, mas ser um nerd magrelo não contribuiu.

Mail deitou na cama amassando a camisa nova que separara para a noite tão especial. Estava chateado, e como poderia se sentir de outra forma? Claro que sair para jantar e ver os fogos de um motel não era algo super especial, mas estaria com Mello, estaria com aquele que tanto amava.

Pesando bem, há quanto tempo não saiam juntos? Há quanto tempo não sentia aquele friozinho na barriga de ter o Mihael romântico perto de si, dizendo palavras de amor?

– “Desde que a empolgação de morarmos juntos passou, você mal olha nos meus olhos, você ainda me ama Mihael?” _perguntou para si mesmo, agora sem brincadeiras.

Era verdade que passara o dia todo cochilando e fazendo nada, mas sua capacidade de dormir merecia o premio máximo. Em 15 minutos de agonia, Matt fechara os olhos; foi bom! Sonhou com sua adolescência no Wammy’s, com os primeiros anos de sua vida pacifica ao lado de Mello, com sua primeira noite de amor.

Queria poder se lembrar da ultima vez que aquele amor ardente lhe bateu no fundo da alma, queria poder se lembrar de muitas coisas, mas quando tomou a consciência e se pôs a pensar, sentiu o gelo. Mello não era mais o mesmo.

Ainda eram 22:35, péssimo, o que faria a noite toda sozinho se até mesmo o sono lhe abandonara?

A questão era simples: ficar remoendo não ia adiantar, certo?

Mihael ainda era e sempre seria o amor de sua vida, por que não tomar coragem e ir insistir?! Pular em cima do outro, arrastar para um banho, o beijar com vontade, vontade mesmo! Fazer o sorriso mais lindo do mundo brotar naqueles lábios finos e delicados. Sim, Mail ia tentar, mais uma vez, salvar sua noite.

O ambiente preenchido apenas pela respiração pesada do loiro não encorajou Matt, tarde para voltar atrás, agachou ao lado do sofá e chamou com a voz mais suave que suas cordas permitiram.

– Mels? Hey acorda seu dorminhoco, hoje é a virada do ano... acorda por favor.

Nada.

– Vamos lá! Eu reservei um jantar naquele restaurante _tirou as mechas loiras que cobriam seu rosto.

Nada.

– ...dá para mostrar que ainda me ama? _disse por fim, sentando de costas para o móvel e mirando seu reflexo fraco na tv.

Apesar de abrir os olhos, Mello não se focou em nada específico. Algo em seu peito doía, algo o incomodava. Depois que terminara de fazer a entrega das joias, pensou em voltar para casa, mas seus companheiros estavam no bar, seu chefe estava no bar e aquilo o atraiu por algumas muitas horas, horas que viraram realmente muitas horas.

Voltou para casa trançando as pernas, de ressaca, com fome e irritado; teria que ouvir um Matt manhoso por seu sumiço ou então um Matt furioso, e nenhuma das duas opções eram bem vindas. Estava sem paciência para o próprio marido.

Espera, desde quando?

O ruivo era o único que o fazia sorrir, que tomava conta de seus pensamentos dia e noite, o único que amava realmente. Então desde quando não tinha paciência para seus carinhos? Broncas? Preocupações?! E era exatamente naquilo que estava refletindo quando fora acordado por sua voz suave.

Com nossas mãos entrelaçadas
Ao redor do calor
Formemos esta noite
Um círculo de amor

O loiro pigarreou informando que tinha acordado, o ruivo estremeceu e numa tentativa frustrada de secar suas lágrimas, fora surpreendido por um meio abraço.

– ...entschuldigung _disse num alemão fluente _küssen Sie mich?*

*(sorry, Kiss me?)

Não esperou pela resposta, alcançou os lábios macios de seu amado e os selou.

...

– Sempre, sempre vou te amar _balançou a cabeça espirrando água de seus cabelos no rosto de Matt _mesmo que passe anos, mesmo que por ventura nos separemos, sempre iremos nos reencontrar... e então, o amor irá fluir como um rio.

Matt ria como uma criança, seus olhos se encheram de lágrimas novamente ao ouvir tal declaração, mas a água corrente do chuveiro não o denunciou.

– Perdemos o jantar, me perdoe.

– Tudo bem, não importa se estiver com você.

– ...senti medo ao acordar, senti medo de não amá-lo mais como antes. Senti medo de mim mesmo, ainda bem que foi só um sonho ruim.

– Falou até alemão, sabe quanto tempo não o ouço essa proeza? _tentou recordar da pronuncia, mas foi em vão.

– Coisa de raiz a gente nunca esquece, nunca mais te ouvi cantar nem tocar aquele violão faltando uma corda.

– ...acho que dá para tocar “hotaru no hikari²”.

O casal deixou o banheiro relaxados, Matt voltou a vestir sua camisa branca combinando com a bermuda xadrez em tons de cinza – um visual particular que deixou Mello entusiasmado, Matt estava lindo. Bom, o loiro se contentou com a calça branca e pra que camisa mesmo?

– Sabe... ainda quero nossa desventura.

– Faltam 15 minutos _respondeu da cozinha consultando o relógio de pulso.

– Somos Matt e Mello, 15 minutos é regalia para nós.

– Como diz aquela musica que tanto você cantava pro Near: When you see my face,

Hope it gives you hell, hope it gives you hell³.

– É isso ai que vão cantar para nós amanhã!

Bom, o que dizer de um casal com as energias revigoradas numa festa particular de ano novo? Quatro, das cinco rolhas de champanha acertaram três janelas e uma matou um passarinho de estimação; a voz poderosa dos homens transando na varanda atravessaram paredes deixando famílias transtornadas e Mihael, bom, o gatinho engravidou pelo menos três.

Londres, Apartamento 32, 3:45 da manhã.

– Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus, bem cedo junto ao fogo, tornaremos a nos ver... _abriu um sorriso tímido.

– Pois o Senhor que nos protege, nos vai abençoar, um dia certamente vai de novo nos juntar _cantou o finalzinho surpreendendo o outro que errara sem querer uma nota.

A voz de Mihael era como a de um anjo.

– Ich liebe dich*, Mail.

*(I love you).

Notas finais
Notas: Renove seu amor, renove seu coração. Ame mais, queira bem as pessoas ao seu redor. Não se esqueça daquele sorriso de antigamente. 1: Um dos restaurantes mais caros do mundo. 2: Canção da despedida tem sua versão japonesa: Hotaro do Hikari. Bom, se forem procurar, a tradução de uma não bate com a outra, mas o ritmo é o mesmo. Música tradicionalmente cantada na virada do ano no Japão. 3: Gives you Hell. Obrigada :3