Akai

22 Capítulo 18: Kurenai


Notas iniciais
Kurenai: Vermelho intenso. Olá! *-* depois das festas, dos extras, voltamos com os cap normais de Akai!! Enjoy ~ Para quem tem a memória ruim como a minha, MxM está no porto entregando uma carga para a Miss Fortune (Russos!) e logo após, irão ao encontro de Jôjo.

Matt estralou os dedos sentindo o nervosismo crescer, o porto continuava movimentado e poucos percebiam suas presenças na pequena plataforma flutuante, mas algo não estava certo; seu sexto sentido dizia para saírem o quanto antes dessa enrascada.

– Vamos lá Mels, vamos embora _murmurou tirando o boné azul por um instante na tentativa de aliviar o calor.

O loiro continuou imóvel por alguns segundos após a declaração da Miss Fortune, a mulher alta girou os calcanhares e voltou para o navio à sua espera; em seus lábios, um tremor de ódio e desespero.

Uma armadilha, o que a ruiva estava insinuando com isso? De que lado estava armando contra eles? De repente uma carta mais alta fora jogada na mesa.

– Matt, vamos embora _correu até a empilhadeira fazendo um sinal para que o seguisse.

Passaram por entre os estreitos corredores do local até a moto de Mello. O ruivo ajeitou a maleta com o dinheiro em seu colo antes de se agarrar à cintura fina do marido, ele podia sentir sua respiração ofegante e um leve arrepio na nuca a mostra, devido aos seus cabelos presos de qualquer forma.

– O que deu errado? _fez a pergunta mais óbvia no momento, mas de extrema urgência.

– Caímos numa armadilha, disse a Miss Fortune. Agora a questão é, de que lado isso surgiu?! _furou o primeiro farol vermelho desviando com certa precisão do carro à frente _é contra nós ou contra toda a máfia?

– ...não podemos voltar ao esconderijo, vamos fugir! Deixaremos a grana em qualquer lugar, eu posso mandar um recado para o Jôjo sem que nos rastreiem! _disse aos trancos, apertando as mãos com força.

– Isso está fora de cogitação.

Mello resmungou com certo pesar, ele queria realmente deixar Matt fora de toda aquela especulação, mas no momento tudo o que podia fazer era descobrir o mais rápido possível o que estava acontecendo e coloca-los em segurança.

O veiculo estacionou a alguns metros da mansão, com cautela, o loiro avançou pelo gramado verde pisando em algumas flores desafortunadas. Jôjo estaria os esperando sem saber de nada, ou estaria morto e na pior das hipóteses, Mello seria morto também. Com essa linha de pensamento, ajeitou sua Glock na cintura e pôs Matt no seu campo de visão.

Usou a entrada dos fundos, como de costume, passou pela cozinha bem arrumada, como se nunca tivesse sido usada durante aqueles 15 anos, logo depois atravessou a copa, o ruivo se espantou com a mesa exagerada de 14 lugares, o assoalho nessa parte da casa rangeu sob seus pés denunciando seu nervosismo.

Ao finalmente alcançar a sala de reuniões ao final de um extenso corredor, Mello forçou o trinco de prata após pedir para o outro esperar 10 passos atrás de si: estava destrancada, assim que empurrou a madeira para longe, enfiou a cabeça para dentro a fim de localizar seu chefe e perceber alguma possível armadilha.

A cena seguinte fez seus orbes dobrarem de tamanho, o azul piscina se apagou num tom escuro e sem vida. Duas pilhas de corpos enfeitavam a sala vazia, pelo menos 25 cadáveres estavam jogados de qualquer jeito; a maioria Mello reconheceu logo de cara, eram seus “companheiros” da máfia. O loiro fez menção de sair, depois pensaria neles, tudo o que sua mente gritava naquele momento era pegar Matt e correr para fora. Demorou alguns segundos para seu corpo reagir, o grito embolou na garganta seca e seus olhos não conseguiram desviar dos rostos apavorados dos homens e mulheres assassinados.

– Co... corre Matt, CORRE! _empurrou com força o ruivo, se desfazendo da maleta em qualquer lugar no chão ao perceber que o objeto o atrapalhava.

O mais novo se assustou com a reação exagerada, tentando manter a calma, passou os olhos pelo corredor se lembrando de sua rota de fuga – não, Mail Jeevas realmente não estava brincando quando falou em rotas de fuga – tentou contar quatro quartos antes de chegarem à sala anterior e forçou o trinco: trancada. Alcançou a arma escondida no cós da calça e atirou arrombando a porta.

– Por aqui, tem uma passagem mais fácil pela janela _alertou o outro antes que o mesmo saísse pelo corredor errado.

O quarto estava vazio, atravessaram os cinco metros em linha reta para então finalmente pular a janela. Teria sido um plano bem sucedido, se uma bala certeira não tivesse derrubado o loiro a três passos de sua liberdade.

– MELLO!

Matt sentiu o ar esvair de seus pulmões ao ver a poça de sangue se acumulando ao lado do loiro, antes da visão ficar turva por uma pancada na cabeça.

– Oras, oras... o que temos aqui? Dois passarinhos.

Um sorriso cínico apontou nos lábios vermelhos do moreno. Caminhou lentamente até os corpos atirados no chão, o ruivo estava consciente, mas fora calado com uma tira de pano e seus membros atados com cordas.

– Trouxe meu dente até você, já que não foi buscar _riu de sua própria ironia.

Com sua já conhecida força descomunal, puxou o loiro pelo braço e Matt pela corda enrolada em suas costas: os arrastou lentamente de volta para a sala de reuniões, assoviando o que Matt reconheceu como Sasayaki¹, uma antiga canção japonesa.

– Sabe, Mail... senti sua falta _chutou a porta dupla de madeira com os pés e continuou arrastando o casal _foi bem divertido com o Near, mas não era a mesma coisa.

Não houve resposta, assim que B. entrou na sala de destino, Matt enxergou os corpos, um a um eles iam passando ao seu lado e deixando o mesmo em desespero; as lágrimas brotaram densas, em seu coração a tristeza o chicoteava. O ruivo olhou para o lado vendo Mello ainda desacordado, estavam sozinhos contando apenas com a sorte, e sorte não era exatamente a melhor companheira dele.

O grito de desespero foi sufocado pela amarra em sua boca.

– Não chore, você sabe que tanto as pessoas boas como as más, morrem um dia _tentou acalentar, chegando a sentir pena de seu “amigo” _basta acostumar com o inevitável, assim como se acostumou com a vida.

Ele parou, estralou os ombros antes de se virar para o casal, deixou o loiro na mesma posição, com o braço estirado para o alto e chegou perto do outro com um canivete nas mãos. Secou as lágrimas com as pontas dos dedos, Mail não se mexia, era apenas um choro incontido por todas aquelas almas e também por si mesmo.

Beyond cortou as amarras libertando-o totalmente, viu o outro se encolher abraçando seus próprios joelhos; de alguma forma aquela atitude fazia o coração do assassino acelerar.

– Não faça essa cara, todos eles eram pessoas ruins, mataram mais do que possa imaginar e suas vidas estavam no fim _argumentou com seriedade, esperando por uma reação positiva.

Sem resposta, ele suspirou e se voltou para o outro, virou o ferimento para o local mais claro e observou, tinha feito um bom estrago na perna do loiro e isso não era exatamente o que pretendia – mas ele infelizmente se mexeu mais rápido do que a mira de B. e acabou levando o tiro, que era para ser de raspão, em cheio. Com a ponta afiada do canivete de prata, cutucou o ferimento uma vez, na segunda, com maestria, retirou o projétil.

– Vai ficar bom, vai sim... _rasgou a própria camiseta para improvisar um curativo _pronto Madonna, você é forte _deu um tapinha na perna saudável desse _Mail, pare com isso, acabou.

– B. ninguém está sozinho nesse mundo... _disse ainda cabisbaixo, sem coragem de erguer os olhos, sem coragem de encarar todas aquelas vitimas _por mais que uma pessoa seja ruim, ela tem o direito de viver... e tem alguém esperando por elas em casa.

O moreno pensou por um segundo antes de rebater.

– Não existe ninguém esperando por mim em casa _rolou os olhos _nem ao menos tenho uma casa, não seja imbecil Jeevas. O mundo não é como imagina ser.

– ...não seja ingênuo, eu sempre estarei esperando você... baaka² _disse num tom divertido, como se falasse com uma criança.

Beyond perdeu o ar a sua volta, pela primeira vez não tinha argumentos contra sua vítima, Matt mais uma vez o desarmara com seu jeito único; com aquele sentimento que ele tanto tentava entender, com amor.

– Eu... _umedeceu os lábios antes de continuar _me desculpe _olhou em volta _é que, eu precisava mesmo fazer isso, vocês estavam em perigo.

Matt ouvia Beyond, agora conferindo se Mello estava bem, um pouco mais calmo pela situação que se desenrolava para um final tranquilo.

Porém...

Assim que deitou a cabeça do loiro em seu colo, ouviu uma explosão no cômodo ao lado, projéteis de todos os tamanhos voaram em sua direção com violência e tudo o que pode fazer por reflexo foi se deitar sobre Mello e cobrir o rosto.

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Matt recobrou a consciência horas depois, num quarto estupidamente branco de algum hospital.

– Como se sente, senhor Jeevas?_ a enfermeira perguntou num tom morno, ajeitando os travesseiros _não tem nenhum ferimento grave, Ryuzaki lhe deu permissão para sair assim que desejar.

– Ryu... o que aconteceu? _respirou fundo antes de reabrir os olhos devido a claridade do local.

– Sugiro que vá até a sala de espera, não posso lhe dar nenhuma informação _antipática, deixou o quarto após recolher a prancheta pendurada nos pés da cama.

Ele se levantou ainda confuso, tentou se lembrar por um momento do que havia acontecido... estavam na companhia de Beyond, no esconderijo da máfia na qual Mello fazia parte, fazia, pois todos estavam mortos... e quando as coisas finalmente pareceram ter fim, uma explosão no cômodo ao lado, SIM! Uma explosão e um ruivo ainda vivo! Algo não estava certo.

Abriu a porta da enfermaria com violência, assim que olhou para o corredor largo se localizou: estava no hospital St. Mary, no qual tinha passado várias vezes enquanto morava na Wammy’s house. Todos os alunos com problemas mais graves eram transferidos para hospitais dispensando o atendimento na enfermaria do orfanato, Matt passara por ele algumas vezes quando tinha crise de bronquite.

Sabia que não podia correr, mas a sala de visitas era realmente longe, dois andares acima; entrou no elevador empurrando sem querer um adolescente cheio de tatuagens e um grande piercing no lábio inferior; teria medo de levar um soco se sua expressão não fosse de puro ódio e desespero: Mail Jeevas não estava em seu melhor dia. Assim que alcançou a sala, encontrou L, Light e Near, encarando um aos outros sem emoção.

– O que aconteceu? Onde está...?

– Mello está bem, pode ir vê-lo assim que responder algumas perguntas _Near o cortou, elevando sua voz como nunca fizera na vida.

– ...e o Beyond? _estremeceu ao não receber outra resposta energética do albino, este simplesmente deu os ombros e se limitou num resmungo inaudível.

– Vá até a UTI, terá permissão para entrar.

– L, o que... merda!

Não era preciso ser um gênio da Wammy para entender.

– Meu amor, tem certeza que não quer voltar lá? _Light passou o braço ao redor dos ombros do marido, assim que Matt saiu.

– Não temos mais nada para conversar, não se preocupe, estamos em paz um com o outro... finalmente _seus lábios puxaram para um sorriso tímido, mas sincero.

*Flash Back*

– Light! O que provocou essa explosão?! _L saltou do carro, com os orbes arregalados para a mansão que ameaçava desmoronar.

– Não sei, nada disso estava ai há cinco horas!! _respondeu nervoso, dando o comando para toda a equipe invadir o local.

Máfias, finalmente uma a uma o grande detetive L estava destruindo-as. A Itália já tinha pagado seu preço, assim como os E.U.A e parte da Europa, a Rússia era seu alvo atual: Estavam arriscando a própria pele fazendo negócio com uma vertente mediana da máfia Inglesa principal – um grupo que estava crescendo, o grupo no qual Mello fazia parte. O plano era invadir a mansão e capturar Jôjo, que justamente hoje estaria esperando por uma grande quantia de dinheiro, em paralelo a isso livrar seus ex-alunos dessa vida maçante de crimes; oras, eles não precisavam disso para se virarem. O combinado era entrar assim que a carga fosse deixada no porto, pegariam os Russos em alto mar, seguiriam Mello até o esconderijo.

Plano perfeito, até aquela maldita explosão. Alguma coisa estava errada, extremamente errada, Light conferira até o ultimo centímetro, não havia explosivos e Jôjo estava lá, sentado em sua cadeira majestosa, como um rei porco acompanhado de seus 25 subordinados mais fiéis, para darem a punição à Mello. Ninguém entrou, ninguém saiu; nem mesmo uma sombra passaria despercebido aos olhos do Yagami; então o que aconteceu?

Ao invadirem o local, no meio de escombros e muita fumaça, os detetives tiveram uma desagradável surpresa: todos os mafiosos mortos na sala de reuniões, os corpos espalhados pela onda de choque, num canto, perto de uma das janelas a surpresa: Matt, Mello e Beyond.

Beyond Birthday era o nome daquele ocorrido, mas por que ele explodiria a mansão?

– Por que? _indagou L ao irmão que permanecia imóvel em seu leito _não faz sentido querer matar todos, incluindo Matt.

– ...seu idiota, eu jamais quis mata-lo _fez uma pausa quando uma pontada particularmente dolorida afetou sua costela _ia explodir tudo quando saíssemos de lá... mas você apareceu... ativou o sistema... eu não esperava que mais de 15 pessoas passando pelo gramado. De qualquer forma eu precisava daquela proteção, a máfia conta com muitos subordinados, muito mais de 25 e... querendo ou não, sou um homem só.

O detetive trincou os dentes, levara consigo 20 homens para a operação, os passos de tantas pessoas no jardim ativou o sistema de bombas colocado pelo irmão; era um sistema de defesa muito utilizado durante a guerra. Como uma auto destruição no caso de uma invasão inimiga.

– Lawli... essa será a última vez _seus olhos lampejaram num vermelho vivo _mas vai viver bastante ainda.

Era difícil entender aqueles sorrisos tão misteriosos, L então resolveu não responder, esperando sua frustração passar em silencio.

– Eles iam assassina-los, depois... pendurar os corpos como troféus... só que não iam conseguir... o Mello ia matar todos eles... todas as 26 pessoas.

– Como sabe disso?! _Beyond negou com a cabeça dizendo que não responderia agora, apressado por mais respostas, L concordou_ poderia ter apenas nos contado, seus atos não mudam nunca! Sua maldade e prazer de matar não... muda!! _socou a parede ao seu lado, assustando o outro por um momento.

– Tem razão, eu não mudo... mas... melhor assim, Mihael não precisa de mais manchas de sangue afinal.

L ouviu calado, mordeu o lábio inferior, confuso. Seu irmão afinal era inocente? Ele apenas fazia as coisas do seu jeito? O que era a justiça diante Beyond Birthday?

– Nah... Lawliet, esse nome lhe cai bem... também gosto dos olhos escuros... sempre assusto as pessoas com... os meus _disse divertido, mas lentamente pela falta de ar _gostei de viver, gosto de viver _se corrigiu.

– Cale a boca, você tem o direito de permanecer calado... e isso está parecendo uma despedida idiota _com receio, segurou a mão fria do outro.

– Oh, duas ofensas numa sentença só... está passando tempo demais com... Light.

– ...não morra, ainda preciso prende-lo, sabe disso _não sabia mais o que dizer, Beyond tinha tomado totalmente seu coração, já era tarde para pensar em ter ódio, de desejar aplicar sua justiça.

Desde que Beyond aparecera, L se esforçou para ser sempre o melhor, sempre tentando parar o assassino em serie. Mas aquilo no fundo não passava de um desafio, um desafio que o provocava, que o instigava a seguir na carreira – quase como uma diversão. Além do mais era sua única família viva, depois que se casara com Light aquilo perdera o real sentido (já que isso significava formar uma família), porém ainda estava à procura do mesmo.

Quando ouviu de Near toda a confissão do moreno, sim o albino conseguiu, fora obrigado por sua ética em pratica e iria levá-lo em custódia. Dar-lhe-ia a punição dos homens, sem matá-lo, esperando que algum dia pudesse ficar em paz com seu senso de justiça e viver ao lado do irmão.

Ao vê-lo deitado naquele leito, todos os sentimentos foram embaralhados, queria salvá-lo de qualquer forma, não desejava mais julga-lo, nem deixar que ninguém aplicasse merda de justiça alguma: ele só queria seu querido irmão de volta, dando os sorrisos cínicos que tanto amava.

– Obrigado, B. _resmungou, sendo incapaz de impedir as lágrimas que formaram nos cantos dos olhos.

– É difícil dizer o que... se passa aqui... _apontou para o próprio coração _mas acho que... amo você, acho que... é... é com certeza isso.

Na verdade ele não tinha certeza alguma, só que os seres humanos normais necessitavam de conforto e foi o melhor que podia fazer naquele momento. L selou seus lábios num beijo fraternal, sem malicia, e assim pode sair daquele quarto sem olhar para trás.

*Flash Back off*

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Notas finais
Sim! O cap acaba no flash Back xD eu achei um pouco estranho, mas tudo bem... Obrigada a todos que chegaram até aqui! E vamos seguindo em 2014