Akai

23 Capítulo 19: Strawberry Gashes


Notas iniciais
Olá! *-* Diante a minha total mudança de vida, que agora começou a pesar muito, venho reforçar o quanto essa fic é preciosa para a minha sanidade mental -nn bjOs

Mello xingou dez vezes antes de abrir os olhos novamente, por conta da luminosidade excessiva do local, seus límpidos olhos claros não suportavam toda aquela luz logo de manhã. Prometeu a si mesmo que compraria cortinas mais tarde, levaria Matt junto para escolherem um modelo que combinasse com o quarto, afinal, o ruivo era o dono dos detalhes.

Espera, cortinas?

Assim que parou um segundo para pensar melhor onde estava, se lembrou do tiro e do marido caindo por cima de si; não era de hoje que Mello se desesperava com esse tipo de cena.

– Matt?! _chamou a esmo, tentando se levantar, mas sendo impedido pela dor alucinante na perna esquerda.

– Se acalme, não tente levantar! _a enfermeira que abrira a porta com cautela para não acordar seu paciente, teve que agir rápido ao vê-lo fazer movimentos bruscos.

– Onde está o homem de cabelos ruivos?! Tenho certeza que viemos juntos _cobrou respostas com a incerteza da pergunta.

– Ryuzaki pediu para lhe dizer que está tudo bem _disse afobada, segurando o outro pelo braço _por favor, não se mexa!

– ...quem diabos... ah... _sua mente deu um estalo, L usava tantos nomes falsos que ficava difícil associar todos à mesma pessoa _então... o Matt está bem _balançou a cabeça em concordância esperando que a mulher fizesse o mesmo.

– O ruivinho de olhos verdes? _abriu um sorriso simpático _a enfermeira chefe ficou no quarto dele, ela me avisou que o baixinho já foi liberado.

– E por que caralhos ele não está aqui _enfatizou o “aqui”.

– Bom, isto aqui _usou o mesmo tom de voz _é uma UTI.

– ...eu estou morrendo? _ergueu uma das sobrancelhas se perguntando o quão idiota era aquele hospital.

– Estava, mas parece que vaso ruim não quebra _disse ela divertida, recebendo um olhar de repreensão _enfim, passou por uma cirurgia e blablabla, mas vim te levar para o quarto.

– Sabe, você não presta para trabalhar aqui, mas é gostosinha, vá ser streaper.

Por um momento, Mello achou que fora longe demais com a sua sinceridade, fez um gesto de desculpas em seguida, se afundando no travesseiro macio. A mulher era pequena, com o corpo bem definido, seus olhos claros e os cabelos loiros presos no coque davam a ela um ar sensual.

A cama desceu alguns centímetros para que ele pudesse se sentar na cadeira de rodas e ir para o quarto, obedeceu sem reclamar pensando que deixara a enfermeira realmente chateada; afinal, se formar nessa profissão não era para qualquer pessoa. Mello sentia arrepios só de pensar em ter que cuidar de ferimentos o dia todo.

Os corredores também eram conhecidos do loiro, acompanhava Matt nas suas vindas ao hospital juntamente com o Sr. Roger, logo, tinha certeza de quem os encontrara na mansão era L. Mais calmo, só restava esperar o detetive lhe fazer uma visita cordial e contar o ocorrido; bom, se Matt estava fora de risco, então ele podia esperar o tempo que fosse.

– Aqui, mais um esforço e poderá dormir o dia todo _abriu a porta do quarto 23 num estalo _vou pedir para encontrarem o Matt.

– ...valeu... você fala como se nos conhecesse _jogou verde.

– Meu nome é Katarina, a Katy... a lendária Katy _se identificou rindo no final pelo apelido que não era lembrado à anos.

– Ah vai se fuder, cresceu no Wammy também _ligou os pontos, não que a conhecesse necessariamente.

– Todos que trabalham aqui cresceram no Wammy, não sabia? Faz cinco anos que trabalhamos apenas para os moradores de lá, para nós não existe segredos, nem fazemos perguntas. Vocês trabalharam no caso kira, os reconheci de longe.

– ...fofoqueiros _fez um bico amável, deixando o clima descontraído _tem ideia do que aconteceu com a gente?

– Não, L não nos contou... L, o marido, Matt e um outro cara vieram com vocês.

– Outro cara?

– Não o vi, foi direto para a UTI. Alias Mello, eu era uma streaper nas horas vagas, sabe... pra ganhar uma grana fácil.

– Me trás um chocolate, de repente a gente descobre coisas interessantes _estralou os dedos despreocupado.

–------------- + ------------------------------

– B.? _chamou Matt, cauteloso à porta do quarto.

– ...entre _respondeu fraco, mas abrindo um sorriso largo.

O mais novo olhou ao redor, sua atenção se prendeu às máquinas ligadas ao corpo magro do outro; foi difícil controlar a respiração naquele momento.

– Não ligue pra isso _comentou como se pudesse ler pensamentos.

Sem saber o que falar, apenas sentou na cadeira ao lado da cama e esperou, sua expressão corporal demonstrava timidez, as mãos se fecharam no colo e a todo o momento desviava o olhar.

– Diga alguma coisa ruivo... baaka _usou a mesma expressão que foi lhe diga horas antes, algo que tinha gostado muito.

– Por que... você nos protegeu não é?

– A explosão... não era para acertar vocês, sim, eu os protegi. Foi... a minha culpa _confessou, sentindo a amargura de ter falhado pela primeira vez na vida.

– E a máfia?

– Mail, sei tudo o que acontece na vida de vocês já faz anos, você sabe _limpou a garganta antes de continuar e se ajeitou do modo mais confortável o possível afim de não sentir tantas dores _Jôjo, aquele moleque detestável _acrescentou ao se lembrar da figura que matara sem rodeios _não ia dar ao Mello nenhuma chance de voltar à máfia. O matei enquanto vocês estavam no porto, entende? Vocês seriam atraídos até a mansão e depois mortos, seus corpos seriam expostos como troféus.

– Beyond!!!

– Então... _cortou o outro _fiz o serviço no lugar do Mihael, sabe, ele ia conseguir escapar sim... e matar todas aquelas pessoas, estava preparado para isso.

– Como você sabe? _perguntou com urgência, se inclinando mais para frente.

– Só que alguma coisa ia sair errado, algum detalhe que eu não sei... que nós nunca saberemos, não iria conseguir proteger a pessoa que lhe era mais cara, você.

No quarto à meia luz, o silencio era cortado apenas pela respiração pesada do mais novo, Matt não podia acreditar na historia que estava ouvindo, era como se Beyond possuísse uma bola de cristal e isso lhe era ridículo! Sem ousar se mover um milímetro, esperou por mais explicações.

– Entende? Invadi a mansão e esperei por vocês, mas ah... você merecia uma lição, um susto sabe _riu de si mesmo _ficou desesperado, seus olhos, você tinha que ver seus olhos! Chegou a me excitar e ao mesmo tempo me deu remorso, foi muito interessante.

– ...doente _resmungou, mas Beyond não deu atenção.

– Vou te contar um segredo, primeiro ouça, depois pode perguntar o que quiser. Se lembra dos olhos de Shinigami? Se lembra de toda essa história? Achou mesmo que... eu ficaria de fora?

– Por isso sabia que eu ia morrer...!

– Sim, sua vida e a do Mello estavam com uma diferença estúpida... posso acompanhar isso vendo suas fotos, de repente, quando eu ainda estava na mansão, vi sua vida reduzir à três dias. Três dias Matt, foi o que tive para descobrir o que estava para acontecer. Bom, a máfia me deu a resposta, sei tudo o que se passa lá _deu os ombros _deduzi que Mello ia conseguir escapar, por que todos os outros tinham o mesmo tempo de vida que você, incluindo Jôjo. Matei no lugar do Keehl, parece que dessa forma consegui te salvar. Ou seja, A máfia toda e você, tinham três dias de vida e Mello... muitos anos; bingo.

– Entendo... _tentou digerir os fatos o mais rápido possível, era difícil colocar os sentimentos em ordem e pensar em tudo ao mesmo tempo. Matt estava extremamente grato ao homem à sua frente, queria poder fazer algo, abraçar, agradecer, porém não era tempo para tal _então, você tem um Death Note?

– Não.

– ...certo, seria mais fácil matar pelo caderno, não? _se estapeou mentalmente _então como conseguiu os olhos?

– Até que enfim Jeevas, estava esperando por essa pergunta _seus olhos tomaram um tom carmesim, denunciando sua ansiedade.

*Flash Back on*

– O que está vendo ai embaixo? _um shinigami alto, de asas escuras parou ao lado do outro menor, cuja atenção estava voltada para o mundo dos humanos.

– Tem algo que me chamou a atenção... veja _apontou para um menino de aproximadamente oito anos.

– ...eh, isso é bem misterioso até mesmo para nós.

– Vou dar uma olhada _disse divertido antes de abrir asas igualmente negras e partir.

Winchester, 1998.

Aquele ano deixou a Inglaterra a mercê de uma terrível doença pulmonar altamente contagiosa que, quando mal tratada, se tornava letal. As crianças eram o alvo principal, sendo a causadora de mortes prematuras principalmente em abrigos e orfanatos precários; naquela mesma época, o menino de cabelos negros e pés descalços corria por entre os becos abandonados e escuros de Winchester a procura de comida e um pouco de água, mas seus pulmões estavam fracos e a visão embaçada. Beyond se contaminara, em poucos dias mal conseguia andar, rastejava por ai pedindo caridade, amaldiçoando sua vida.

Numa tarde excepcionalmente fria, o moreno se encolheu num beco sem saída aos fundos de um restaurante chinês; no final do expediente ganharia algum prato de comida se tivesse sorte. As horas passavam lentamente, sem forças, fechou os olhos, cansado, sem ter a certeza se seu corpo aguentaria.

– Ei, ei, não morra ainda.

– ... _o pequeno levantou os olhos e piscou várias vezes, sem saber se aquilo era uma alucinação causada pela doença, ou se o Shinigami parado a sua frente era real.

– Como se chama? Uh, ei menino, já disse que não pode morrer ainda.

– Você é real? _estendeu os braços tentando tocá-lo, mas não conseguiu, suas mãos transpassaram o corpo.

– Sou um Deus da morte _riu das tentativas frustradas do moreno _não pode me tocar, nem me matar.

– Não quero te matar _deu os ombros, achando graça na cena que se desenrolava _o que faz aqui?

– Não está assustado?

– ...não faz diferença, estou quase morto.

A frieza das palavras fez Ryota arregalar os orbes negros e abrir um sorriso largo, de certa forma, o Shinigami estava admirado com o pequeno humano.

– Então, como se chama? _voltou a repetir, ansioso.

O moreno hesitou, olhou para os lados procurando a melhor resposta; como conversar sobre aquele assunto?

Ryota saíra do mundo dos Shinigamis justamente por aquele motivo tão singular: não conseguiu ver o nome do garotinho, somente seu tempo de vida – que aliás, acabaria em menos de 24 horas.

– Não tenho um nome... eu era reconhecido apenas pela letra B, de Beyond. Um termo técnico.

– Oh... um humano que não tem nome, realmente não posso te matar nem se eu quisesse _deu uma gargalhada sinistra, chacoalhando todo o corpo _isso sim é uma criatura esquecida _completou, ainda achando graça naquilo tudo _já matou quantas pessoas?

– Seis _disse monótono, mirando os próprios pés.

O Deus da morte perguntou sem esperar por um “sim” e esperava ainda menos um “seis”. Concluiu que estava diante de um prodígio, talvez até um Shinigami no corpo frágil de um humano pagando por algum castigo.

– Vamos fazer um trato _estendeu a ponta do dedo magro até a testa do outro _te darei muitos anos de vida, mas para isso terá que me tirar do tédio. Sabe, o mundo de lá é um tremendo pé no saco _sem uma resposta negativa, continuou _te dou vida em troca de mortes, acha que consegue?

– ...viver para matar? Isso é alguma brincadeira?

– Imaginei _se decepcionou com a resposta, sua expectativa de encontrar um ser humano frio e calculista não chegava a ser uma possibilidade real, mas por mais remota que ela fosse, quis tentar _sei que deve ter tido seus motivos para matar, não faria isso a toa _deu os ombros mirando agora com tédio a criança _ou então “seis” é uma mentira.

– Tolo.

O ser sobrenatural parou de falar ao ser xingado de tolo, mas com razão, não percebera nos olhos de Beyond o brilho de ansiedade pela proposta. O pequeno estendera as mãos para receber tal “graça”, em seus lábios um sorriso largo, Ryota podia até mesmo ouvir as batidas descompassadas do coração agitado; seria aquilo um milagre?

– Oh... pela primeira vez eu vejo uma expectativa tão real de diversão nesse mundo sem graça! Então garoto, promete que irá matar os humanos como ratos? _mostrou todos os dentes, chegando mais perto do menino _será sua eterna maldição!

– Maldição não, será meu eterno presente _enfatizou a ultima palavra se pondo em pé.

A risada sinistra do Deus da morte ecoou mais uma vez por entre as vielas, umedeceu os lábios antes de continuar com a sua mais nova descoberta.

– Quem está me dando um presente é você, a partir de hoje, viverá por mais 100 anos, não! Talvez eternamente se nunca se arrepender do que está me prometendo hoje!!

– Não me importo em matar, mas não me dê a vida eterna. Não sou tolo para querer algo assim.

– Muito bem _bateu palmas, era exatamente de seres humanos assim que ele gostava, inteligentes o bastante para não caírem na própria desgraça _então temos um trato, não morrerá tão cedo, mas também não viverá para sempre. Irá seguir o limite do seu próprio corpo.

Beyond concordou com um aceno se sentindo bem imediatamente.

– Tenho uma pergunta _disse autoritário, mas o outro não se importou com tal arrogância _por que veio até mim?

– ...com esses olhos, posso ver o nome e o tempo de vida de qualquer ser vivo, nunca tinha encontrado alguém sem a única coisa que realmente lhe pertence, o nome.

Refletiu por algum tempo, nunca tinha pensado sobre aquele assunto até o momento presente, afinal, não ter uma identificação era até vantajoso no mundo atual. Sentiu certa inveja das outras pessoas, até mesmo seu irmão recebera um nome e ele não. O porque daquilo o moreno nunca chegaria a saber, seria ele nascido para ser abandonado de todas as formas? Uma criança esquecida como disse o Shinigami.

– Quero seus olhos _disse por fim _quero ver os nomes, saber quem estou matando.

– ...é, pode valer a pena _disse para si mesmo.

*Flash Back off*

– Espera, você mata por uma promessa? Não, mais do que isso, você prometeu para continuar a viver, não tem nada de errado em se apegar à vida dessa maneira, todos temos nossos medos... _começou um Matt desesperado com o relato do outro.

– Jeevas, já disse para não ser tão inocente _riu de leve, sentindo pontadas na garganta _não tente me ver como vitima agora... gosto de tirar a vida das pessoas, isso nunca irá mudar meu pequeno anjo. Você pode me julgar, sabe, acho justo que faça isso afinal.

– Nã... não!... não sei mais o que pensar.

– ... _bagunçou os cabelos sedosos do outro aproveitando para inspirar o cheiro cítrico do shampoo.

Ao final de toda aquela historia, um tanto maluca, Matt simplesmente desistira de tentar entender o mundo. Foda-se. O ruivo levantou da cadeira e se inclinou para o moreno, depositou um beijo doce na testa do mesmo, por cima das bandagens e desejou do fundo do coração que aquilo atuasse como um milagre.

– B... não morra seu idiota...

– O limite do meu corpo, sabe... ele que irá decidir isso _disse nostálgico _Mail, obrigado, obrigado por acreditar em Beyond Birthday, por não me ver apenas como um monstro _sublinhou a palavra monstro, engolindo uma porção de sentimentos que se embolaram na garganta.

– Aniki*

E com aquela singela demonstração de carinho, deu as costas para o outro antes que não mais pudesse segurar as lágrimas teimosas.

*Aniki: modo amoroso de dizer "irmão mais velho".

Notas finais
ThanX!